Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga
Antes de ser papa, João Paulo II ia rezar a Auschwitz
António Jorge Pires Ferreira
O diretor do Museu de Auschwitz, Piotr Cywinski, esteve em Lisboa. Deu conferências em universidades e pelo menos duas entrevistas, uma ao Diário de Notícias e outra ao 7Margens. Um dos assuntos abordados em ambas são as visitas dos papas (João Paulo II, Bento XVI e Francisco) ao campo de concentração. Ficamos então a saber que João Paulo II, ainda antes de ser Papa, visitava com frequência Auschwitz. Afirma Piotr Cywinski ao DN: “Os meus pais conheciam Wojtyla muito antes de ele se tornar papa. Por isso, sei muito bem, por fontes familiares, que ele passou muito tempo em Auschwitz antes de se tornar papa. Sozinho, nos seus momentos de privacidade, a caminhar, a pensar, a rezar. Várias vezes por ano, ia de Cracóvia até Auschwitz. Por isso, desenvolveu uma sensibilidade especial para este tema. Creio que ele queria mostrar, isto ainda durante o regime comunista, na década de 1970, que aquele era um lugar que dizia respeito à Humanidade, algo extremamente importante. E também quis sublinhar a dimensão judaica, sobretudo de Birkenau, quando estava no monumento. Permaneceu muito mais tempo nas inscrições em hebraico. Na época comunista nem sempre se podia expressar tudo, mas era possível criar alguns símbolos”.
Ao 7Margens, na entrevista conduzida por António Marujo, o historiador e diretor Museu de Auschwitz, que é católico, partilha que chamava “tio” ao futuro papa polaco: “Na minha infância, eu chamava-o de tio, mesmo que ele não fosse meu tio de verdade. Sei muito bem que ele esteve muitas, muitas vezes em Auschwitz-Birkenau antes de se tornar papa, sozinho, sem ser reconhecido como arcebispo de Cracóvia, apenas para as suas próprias reflexões ou orações”. A entrevista do 7Marges é de 11 de fevereiro. A do DN foi publicada no dia 20 deste mês.