Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga
Católicos que não leem – 4
António Jorge Pires Ferreira
A propósito dos ‘sinais’ anteriores, lembro-me de um desabafo de António Alçada Baptista, que morreu em 2008. Admiro muito o homem que, perante uma carreira promissora de advogado, “deixa tudo” para fundar uma editora, a ‘Moraes’, e criar uma revista, ‘O tempo e o modo’. Para estas experiências, como ele contou várias vezes, contribuíram a sua educação nos jesuítas, a influência do Padre Magalhães, as ideias da Doutrina Social da Igreja, a influência do filósofo personalista cristão Mounier… Mas as experiências do princípio dos anos 60 até aos inícios dos anos 70, num país quase cem por cento católico, terminaram em fracasso económico, embora hoje seja uma delícia encontrar livros da ‘Moraes’ dessa fase e os dois cadernos especiais, um sobre Deus e outro sobre o Casamento da revista ‘O tempo e o modo’. Mas não houve mil leitores católicos para sustentar o projeto. Daí o desabado de António Alçada Baptista: “Quando ‘O tempo e o modo’ passou das minhas mãos para as mãos dos maoístas, eu recebi um telefonema de uma senhora com altas responsabilidades no mundo da Ação Católica que me dizia, muito zangada, que eu não tinha o direito de deixar ‘O tempo e o modo’, que eu era uma pessoa com responsabilidades neste país. Disse-lhe: «Não percebo este telefonema porque afinal ‘O tempo e o modo’ durou seis anos, eu perdi 700 contos com ele e você nem sequer era assinante»”.
Imagem recolhida de https://www.antonioalcadabaptista.org/