SER IDOSO EM LAR COMUNITÁRIO | 5

Pe. Georgino Rocha

Na missa, ser participante

Gil, o idoso que vive em lar comunitário, gosta de ir à missa e ficar em frente do altar-mor. Vê e ouve melhor o que se faz e diz. “Estar presente e não participar é como ir a um banquete e não comer; não tem sentido”

 O templo foi já construído, tendo em conta as pessoas portadoras de deficiência: rampas de acesso, bancos adequados e cadeiras móveis, quartos de banho acessíveis, sistema de aquecimento e de refrigeração, retransmissores de som e de imagem. Dispõe de equipas de voluntários que se revezam cada domingo e prestam os mais diversos serviços, designadamente o de intérprete da língua gestual.

Além de tomar parte na celebração, costuma parar junto da pia baptismal porque ali começou a vida cristã de toda a sua família de sangue. Revigora-lhe a alma o filme registado no coração, mais do que na memória: a esposa com a criança nos braços, ele a acender a vela no círio pascal, o padre a fazer na testa a unção com o sinal de cruz e o rito do “abre-te” nos lábios e nos ouvidos para que em breve o novo baptizado possa ouvir e anunciar a Palavra do Senhor, a bênção recebida como sinal da graça de Deus que ajuda os pais a serem os primeiros educadores dos filhos, o beijo caloroso dado no peito do seu bebé quando a esposa lho apresentou dizendo: “o nosso filho é agora filho de Deus”.

No adro, conviver com os amigos

No fim da missa ou de qualquer acto religioso, o povo cristão fica a conviver longamente no adro da igreja. Este é um dos momentos mais apetecido por todos, sobretudo pelos mais velhos. Ora em pares, ora em grupos, rodando de uns para outros ou continuando nos mesmos, contam as últimas novidades, recordam os ausentes sobretudo por doença ou longevidade, comentam o que se fez ou disse na celebração, designadamente os avisos pois têm receio de não haverem entendido bem. “ Isto é mesmo bom. Mais do que a conversa, vale a experiência feliz de nos vermos e sentirmo-nos amigos e sabermos como vamos de saúde” – declara, sorrindo em jeito de balanço e apreciação.