Sáb. Mar 14th, 2026

Oratório Peregrino

Um oratório à maneira de um viático para tempos de carestia
Uma proposta desenvolvida em parceria com

Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor – Aveiro


VIII Passo | BAGAGEM PARA UM CAMINHO

 

Como sabemos, no trato de amizade com que Santa Teresa define a sua oração, não chega qualquer amizade. Terá de ser uma amizade teologal, transcendente. Por essa razão, quando temos que procurar uma pedagogia, uns meios para percorrer este caminho, havemos de procurá-los no âmbito da fé.

O orante irá encontrar-se com exigências por parte da FÉ e com exigências por parte da sua própria NATUREZA HUMANA. Ambas necessárias, embora não com igual intensidade. O que importa é querer fazer jogo limpo na partida da amizade.

Começamos pelas  EXIGÊNCIAS DA FÉ

a Amor ao próximo:

Reparemos nisto: a quem lhe pede uma palavra para aprender a “tratar com Deus”, Teresa começa por ensinar a “tratar com o irmão”. O encontro com Deus passa necessariamente pelo encontro com os homens. Com isto se descarta à partida toda a concepção e toda a prática meramente espiritualistas da oração. E o Deus da oração a sós está voltado para os homens. Sem o encontro com estes, não se alcançará aquele. Mais ainda: aqueles que cuidarem desde encontro fraterno, estarão já “muito adiante no serviço do Senhor” (C 4, 3), mesmo que não se dêem certas formalidades orantes.

b Libertação de todo o apego desordenado

Teresa está completamente convencida de outra coisa: desejar fazer de Deus o centro e o eixo da própria existência equivale a libertar-se de tudo aquilo que O suplante: pessoas, coisas, afectos, etc.

Libertar-se para dar-se de todo. Limpar-se de tudo quanto seja criatura para que caiba em nós o seu Criador. Porque “Deus não Se dá a Si de todo, até que de todo nos demos a Ele” (C 28, 12). Pode-se começar pela sobriedade e austeridade de vida.

“Porque este corpo tem uma falha: quanto mais o regalam, mais necessidades descobre” (C 11, 2). Neste sentido, a Santa cunhou uma frase e um estribilho insuperáveis:“Regalo e oração não são compatíveis”. Ah! E não esqueçamos também de nos desapegarmos e fugir desses gostos espirituais a que são tão afeiçoados alguns dos que começam caminho de oração.

c Humildade:

Por esse caminho, do desapego, a Santa conduz-nos a outra exigência que este “tratar com Deus” impõe: a humildade. Só quem se esquece de si pode viver gozosamente o seu abandono nas mãos de Deus. Eis, pois, a maior garantia de que confiamos no verdadeiro AMIGO: colocarmo-nos plenamente nas suas mãos.

As expressões de Teresa são múltiplas e belíssimas:

“O que eu tenho entendido é que todo este edifício da oração vai fundado em humildade e, quanto mais se abaixa uma alma na oração, mais a levanta Deus” (V 22, 11).

Mas também aqui não se trata de uma humildade qualquer: “É mister entendermos como há-de ser esta humildade”.

Humilde, para Teresa, é quem aceita por completo o protagonismo de Deus na sua vida; também na sua vida de oração. Humilde é quem não impõe, nem exige.

Quem não dá conselhos ao Senhor, nem se queixa daquilo que lhe acontece. Quem não busca nem rejeita gostos ou securas. Quem não procura que Deus realize os seus planos, antes busca n’Ele luz e força para realizar os planos divinos. “O verdadeiro humilde há-de ir contente pelo caminho por onde o levar o Senhor”.

Aprofundando ainda mais: para Teresa humildes são os “pobres de espírito” do Evangelho, definindo isto como: “não buscar gosto nem consolo na oração… mas sim em ter consolação nos trabalhos por amor d’Aquele que sempre viveu neles” (V 22, 11).

Aceitando o desafio que as exigências da fé nos coloca: o desafio de dar a Deus o primeiro lugar na nossa vida, que exige a humildade; o desafio do desapego das nossas seguranças e reservas, que exige a verdadeira liberdade e o desafio de aprendermos a tratar com Deus começando por aprender a tratar com o irmão, vamos aproximar-nos da pessoa de Jesus e olhá-LO com os olhos do coração. Depois façamos silencio e escutemos o que nos diz.

 

«O que ela concebeu é obra do Espírito Santo»

Jesus, o Filho muito amado do Eterno Pai, “desceu do céu e encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria e Se fez homem”, assim no-lo diz o nosso Credo. A pessoa de Jesus é obra do Espírito de Deus e da Virgem de Nazaré.

  1. Mateus afirma-o quando refere as palavras do Anjo a José: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20); e S. Lucas afirma-o também citando as palavras do Anjo Gabriel a Maria: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra.» (Lc 1,35).

O Espírito plasmou a humanidade de Cristo: o seu corpo e a sua alma com toda a inteligência, a vontade, a capacidade de amar. Numa palavra plasmou o seu coração. A vida de Cristo foi posta inteiramente sob o sinal do Espírito. É do Espírito que Lhe vem a sabedoria que enche de admiração os doutores da Lei e os seus concidadãos, o amor que acolhe e perdoa os pecadores, a misericórdia que se inclina sobre as misérias do homem, a ternura que abençoa e abraça as crianças, a compreensão que alivia a dor dos aflitos. É o Espírito que sustenta os passos de Jesus, O sustenta nas provas, que sobretudo o guia no seu caminho para Jerusalém, onde oferecerá o sacrifício da Nova Aliança, graças ao qual se ateará o fogo por Ele trazido à terra (Lc 12,49).

Por outro lado, a humanidade de Cristo é também obra da Virgem. O Espírito plasmou o Coração no seio de Maria, que colaborou activamente com Ele como Mãe e como educadora.

Como Mãe, ela deu o seu Sim livremente ao desígnio salvífico de Deus Pai, seguindo com alegria, em silêncio de adoração, o mistério da Vida que nela tinha germinado e se desenvolvia;

Como educadora ela plasmou o Coração do próprio Filho, introduzindo-o juntamente com S. José, nas tradições do Povo eleito, inspirando-Lhe o amor à Lei do Senhor, comunicando-Lhe a espiritualidade dos “pobres do Senhor”. Ajudou-O a desenvolver a sua inteligência e exerceu uma segura influência na formação do seu temperamento. Embora sabendo que o seu Menino a transcendia, porque “Filho do Altíssimo”, nem por este facto Maria foi menos solícita pela sua educação humana: «Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. 52E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.» (Lc 2, 51-52)

Quando entramos no Coração de Cristo encontramos a obra admirável do Espírito Santo e os reflexos do Coração da Mãe. Seja o nosso coração como o Coração de Cristo: dócil à acção do Espírito Santo e dócil à voz da Mãe.

Ele está cheio de amor por ti. Deseja estar contigo, pois ama-te com predilecção e escolheu-te para viver unido a ti. Na sua grandeza não se esquece das suas criaturas e sempre age com muito amor e solicitude paterna. Ainda mais, sendo Deus Espírito perfeitíssimo, assumiu a forma humana e não se contentando com isso assumiu a forma de pão. Vê que se rebaixou muito mais do que a condição humana porque assumiu a condição de coisa, de pão; porque encontrou as suas delícias em estar com os filhos dos homens. Ele encontrou as suas delícias em estar contigo e ser teu amigo. Demos-lhe o nosso coração, a nossa liberdade e tudo o que temos.»

Oração:

«Santa Maria, Mãe de Deus,

Com o desejo de servir melhor

o Coração do Vosso Divino Filho,

de O amar como Vós o amastes,

reconheço-vos como minha Mãe:

consagro-vos tudo o que sou e tenho,

como prova do meu grande amor por Vós.

Abandono-me à vossa protecção maternal

Com o firme propósito de seguir em tudo

As vossas inspirações e os vossos exemplos.

Comprometo-me a viver uma vida

Autenticamente cristã,

Enraizada no Evangelho,

com o espírito de despreendimento

e docilidade.

Recebei-me, pois, ó Virgem Maria,

Como vossa filha e

Fazei-me viver como membro de Jesus Cristo

escondida neste Amor do Coração divino.

Mãe de Deus, entrega-me tu ao Coração do teu Filho

E forja em mim um coração como o d’Ele.»

Carmelo de Cristo Redentor

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