Sex. Out 22nd, 2021

Oratório Peregrino

Um oratório à maneira de um viático para tempos de carestia
Uma proposta desenvolvida em parceria com

Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor – Aveiro


LII Passo | NA OFICINA DE NAZARÉ

 

O mistério da revelação de Deus em Jesus Cristo está intimamente unido ao mistério da encarnação que se desenvolveu dentro da família de José  e em contato direto com a realidade diária do seu trabalho. Sabemos que Jesus recebeu de José a descendência davídica, mas além deste título indispensável para que ele fosse reconhecido como Messias, recebeu também o estado civil, a categoria social, a condição económica, a experiência profissional, o ambiente familiar e a educação humana, conforme nos ensina o Papa Paulo VI.

Desta maneira, assim como Jesus herdou de José o título de “Filho de Davi”, recebeu também o título de “Filho de Carpinteiro” (Mt 13,55); de fato, a gente da sua terra maravilhava-se com as palavras que saíam da sua boca e diziam: “Não é o filho de José?” (Lc 4,22). “Não é ele o filho do carpinteiro?” (Mt 13,55). Sendo filho de José, com ele trabalhou na oficina de Nazaré, tornando-se assim solidário com a humanidade em tudo também no trabalho. Por isso a Igreja ensina que “Com a encarnação o Filho de Deus se uniu de um certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos do homem, amou com  coração humano, agiu com a vontade do homem...”. (Gaudium et Spes 1,22).

Ninguém com exceção de Maria esteve tão próximo às mãos, à mente, à vontade e ao coração de Jesus, como São José. Nele, de maneira particular, penetrou o espírito do evangelho e “nenhum trabalhador foi tão perfeitamente e profundamente compenetrado quanto o pai putativo de Jesus, que viveu com ele na mais perfeita intimidade e comunhão de família e de trabalho”, disse papa Pio XII, e por isso o mesmo papa ensina: “Se  quiserem estar próximos de Cristo, “ite ad Joseph”, ide a José. Pois, o humilde artesão não apenas representa junto de Deus e da Santa Igreja a dignidade do trabalhador, mas também é o vosso próvido protetor de vossas famílias”.

Junto à oficina de Nazaré estava presente a Sagrada Família e nesta o protagonista era o próprio José, homem justo, enquanto sobre ele pesava as responsabilidades das decisões, o cuidado de Maria e a  defesa de Jesus.

Nesta Sagrada Família, os três viviam uma vida serena, mas não privada de  dificuldades em razão da presença do próprio Jesus. Dificuldades estas que não perturbavam a vida familiar, mas que exigiam todavia atenções particulares pela formação de Jesus.

Nesta Sagrada Família, São José todos os dias, seja em casa, seja na sua  pobre oficina, tinha os olhos voltados para Jesus, protegendo-o dos perigos da infância, guiando-o para o seu crescimento.

Nesta Sagrada Família, São José exercitou a sua tarefa primária de Pai, educando o filho Jesus. Ali ele era o Pai de Jesus e  Deus consequentemente não lhe deixava faltar os meios e iluminações para desenvolver sua altíssima tarefa.

Nesta Sagrada Família, São José não apenas forneceu a formação religiosa e o conhecimento das Sagradas Escrituras a Jesus, mas também se preocupou com a sua formação moral e com sua formação profissional, ensinando-lhe a arte da  carpintaria. Tudo isso foi efetivamente vivenciado na presença de Deus,  no mútuo amor familiar, o que lhe fez merecer o título de “Glória da vida doméstica”. Suas  ricas e boas qualidades partilhadas no âmbito familiar, explicam a sua missão e  porque é o modelo mais digno de todos quanto são responsáveis de famílias.

É inevitável, portanto que a sua missão de guarda de Jesus, a sua tarefa pedagógica no núcleo doméstico da Sagrada Família, confiram a São José uma atração especial para a nossa admiração e um fundamento particular para a nossa confiança no seu patrocínio.

O exemplo que nos dá a Sagrada Família leva-nos a concluir que as mudanças sociais e culturais do mundo moderno não devem exonerar cada família de sua missão natural e cristã; devem sim lembrar as suas tarefas indispensáveis na pedagogia, na afetividade, nos deveres morais e espirituais, na vivência do amor e da  unidade.

A Sagrada Família ensina-nos que procurar o modo de se conceber e organizar uma família que seja boa, unida e alegre, é um dos prementes deveres de nossa época.

Oração

José, esposo de Maria,

Humilde carpinteiro, pai carinhoso.

És modelo de esposo, incansável trabalhador,

Exemplo de pai, servo eleito do Senhor.

Alegria, paz, comunhão e amor,

Assim, vos vemos, ó Sagrada Família:

Jesus, Maria e José!

S. José,

Abençoai e protegei as nossas famílias.


Imagem: São José, o Carpinteiro, de Georges de La Tour [1593-1652]