Sex. Dez 3rd, 2021

No 25.º aniversário da morte de Júlia d’Almendra (1904-92) (6a)

A definição de uma estratégia

Por Domingos Peixoto

Ao planear a execução do seu projecto, Júlia d’Almendra teve em conta o papel do canto gregoriano na cultura e na música ocidental; sendo a principal fonte inspiradora da polifonia e da música para órgão, com elas forma um triângulo indissociável na música sacra. Além disso, será prioritário o papel do organista na liturgia e na cultura, na Igreja e na sociedade. Júlia d’Almendra tinha uma visão objectiva sobre as exigências do ensino de Órgão, indissociável da presença do organista, tanto na liturgia (acompanhador e solista), como em audições e concertos (incluindo a rádio e a televisão). Daí, a necessidade de uma sólida e exigente preparação musical e litúrgica, para que o organista tenha uma acção eficaz.

Júlia d’Almendra assentou, como base do seu projecto, um amplo movimento gregoriano a nível nacional, que serviria de suporte e base de sustentação, tanto das Semanas Gregorianas, como do Centro de Estudos Gregorianos. Para solidificar este movimento formativo, Júlia d’Almendra concebeu uma estrutura associativa, a Liga dos Amigos do Canto Gregoriano, que seria criada em 1951, como o braço organizativo de todas as actividades desenvolvidas, tanto no âmbito das Semanas, como do futuro Centro. Idalete Giga dá-nos a chave da eficácia desta estratégia:

“A trilogia formada pelas Semanas Gregorianas, a Liga e o Centro de Estudos Gregorianos constituiu um sólido triângulo de forças, um caminho iluminado, embora árduo, para ir ao encontro dos votos claramente expostos no Motu Proprio, de S. Pio X – o Papa dos artistas e da primeira reforma da música litúrgica, no princípio do séc. XX”[1].

 

[1] Idalete Giga, “Júlia d’Almendra e o movimento gregoriano em Portugal”, in DN – Cultura, 31 de Julho de 2011.

(Foto: http://centroward.wixsite.com/centrowardlisboa/j)