Qua. Jun 16th, 2021

MITOS MESOPOTÂMICOS VÁRIOS

Investigação e tradução: Pe. Doutor Júlio Franclim do Couto e Pacheco

Leia, aqui, A descida de Inanna ao Inferno


O Inferno, descrito como Kur, designa o abismo cósmico que separa a crosta
terrestre do violento mar primordial inferior. É o equivalente ao Sheol bíblico e
judaico, e ao Hades grego. O mar primordial para os babilónicos seria o Tiamat e
para os hebreus o Tehom. Kur inicialmente poderia ter também o significado de
‘montanha’. mas passou a designar ‘país estrangeiro’. Chegava-se ao Kur após
atravessar um ‘rio devorador de homens’, numa barca conduzida pelo ‘homem da
barca’.
Enlil, o deus do ar, foi em dada altura expulso de Nippur pelos outros deuses e
atirado para o Inferno, após ter violentado a deusa Ninlil. Mas o Inferno era
reservado essencialmente aos mortais. Há, contudo, trechos que falam sobre a
queda de outras divindades. Um dos mais detalhados será o que relata a de
Dumuzi, deus dos pastores e o mais célebre dos deuses mortais, Mas aqui a
personagem chave será até aquela que é tida por sua ‘esposa’, Inanna – a deusa
do amor e da fertilidade (humana, animal e da vegetação). E estamos perante um
poema mítico e um dos mais belos trechos sumérios já encontrados. (Continua)


Imagem: Deusa Ishtar|Innana num selo do Império Acadiano , 2350–2150 aC. Está representada com armas nas costas, um capacete com chifres e pisando um leão preso por uma coleira