Acontece
Dia 8 de dezembro – 15.30h. | Ação de graças pela presença do Carmelo na Diocese de Aveiro
Recital de poesia mariana dos santos carmelitas, seguida do terço em honra da Imaculada Conceição pela paz.
Carmelo de Cristo Redentor
Nós somos a Família da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, a família de Maria. E nas nossas origens está a nuvenzinha que o Profeta Elias vê subir do mar e que o Papa Pio X confirma a intuição de que aquela nuvenzinha é a Virgem Maria que vem fazer cair sobre a terra a água da graça.
Os ermitas no Monte Carmelo vão construir as suas celas e reunir-se em torno da capela que é dedicada a Maria, cuja imagem que preside é a de Nossa Senhora da Conceição. Com a chegada dos ermitas ao Ocidente, no século XIII, o Papa Honório III estava determinado a dar o decreto de supressão àqueles religiosos de hábito esquisito que vinham do Oriente. Nesta ocasião Nossa Senhora intervém aparecendo e ordenando-lhe que aprovasse a Sua Ordem, anunciando-lhe a morte dos que lhe tinham pedido a sua supressão. O que aconteceu de imediato levando o Papa a confirmar solenemente o Carmelo como a Ordem da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.
No Carmelo o estilo de vida que levamos é simplesmente um estilo mariano, tal como Deus o concebeu no plano de santificação de cada um dos seus filhos. Maria ocupa na vida e no coração de cada carmelita o mesmo lugar que uma Mãe ocupa no coração do seu Filho. Ela é a Mãe do Redentor e intervém como Mãe na vida de Jesus e é precisamente como Mãe que ela quer intervir na nossa vida, ajudando-nos no plano de santidade que Deus traçou para nós. Este é o plano que Deus traçou para Maria: ajudar-nos a todos, e a cada um em particular, na santificação da nossa vida.
Santo Agostinho apresenta de forma encantadora deste plano de Deus para Maria: «Todos os predestinados para serem conformes à imagem do filho de Deus, estão neste mundo ocultos no seio da Santíssima Virgem, onde estão guardados, alimentados, sustentados e em pleno desenvolvimento, por esta boa Mãe até que ela os dê à luz na glória.»
Na realidade, no plano da nossa santidade, Maria está associada ao seu Filho como Mãe. Ao conceber o Verbo de Deus no seu seio tornou-se mãe de Deus e nossa Mãe. Porém é no alto da Cruz, que Jesus proclama oficialmente esta verdade, e fá-lo para todos nós: «Mulher, eis aí o teu Filho; Filho eis aí a tua Mãe». Neste momento Ele consumou a obra de redenção das nossas almas.
Da mesma forma que Deus fez depender a maior das suas obras: a Encarnação do Verbo, do consentimento de Maria, pedindo-lhe através do anjo Gabriel que aceitasse ser Mãe do Seu Filho, assim também faz depender do consentimento de Maria cada aplicação da obra redentora. E Maria distribui as graças e intervém na nossa santificação como nossa Mãe.
O mesmo acontece com a vida de comunhão com Deus, que é a participação na sua vida divina. Esta começa, em nós, pela obra do Espírito Santo e a cooperação voluntária da Virgem de Nazaré e cresce e desenvolve-se no nosso interior, pelo mesmo princípio: a acção do Espírito Santo e a intervenção maternal de Maria.
Somos concebidos e transportados no seio de Maria, no seio da sua caridade materna. Na sua alma é onde a nossa recebe do Espírito Santo a vida sobrenatural e o crescimento espiritual. Este é o princípio fundamental do estilo da vida mariana carmelita.
Quanto mais escondidas estejamos em Maria, tanto melhor recebemos a seiva divina que nos nutre, nos fortalece e faz crescer na fé, levando-nos à maturidade e formando em nós, na nossa interioridade, Cristo, que é a plenitude. Tal como Deus nos destinou para vivermos unidas a Jesus também nos destinou a vivermos unidas a Maria e termos uma só e mesma relação com Jesus e Maria.
Para nos conformarmos ao plano de Deus temos de aceitar que Maria seja nossa Mãe e exerça sobre nós a acção materna que Deus lhe confiou. A atitude mariana da carmelita está determinada pelo facto de Maria ser para nós, segundo o plano de Deus, Virgem e Mãe. Ela é a Virgem Imaculada, sem pecado concebida, e como imaculada é o modelo da nossa vida contemplativa. E à sua imagem somos formadas. Mas ela é também a Mãe que nos dá à luz na vida, que orienta a nossa vida contemplativa. Como Mãe, ela simplifica o itinerário da nossa vida nos caminhos da contemplação e da união divina de amor.
A Ordem é consciente de ter recebido tudo de Maria e sente a necessidade de ser toda de Maria. Maria é a Mãe do Carmelo, porque dela herdamos o nosso estilo de vida, olhando-a e moldando o nosso coração com o seu exemplo; porque a Ordem foi criada com o objectivo de a louvar e por último, mas não menos importante, porque ela cuida com amor de todos nós, da sua Ordem, e intervém a seu favor sempre que as circunstâncias o exijam.
Um dos escritos antigos acerca do que Maria fez pela sua Ordem diz assim: «Eis aí a tua mãe, ó venerada família do Carmelo! Ela é a Mãe de todos. Mas por muitos motivos ela é especialmente a tua Mãe. Ama-a, honra-a, como se ela estivesse sempre contigo. Considera-a como tua Mãe, para que Ela te leve à sua glória.»
Também nós, Carmelo de Cristo Redentor, neste ano de memória agradecida pelo que Deus fez por nós, como Filhas da Virgem Maria, queremos agradecer à nossa Mãe tudo o que tem feito por nós:
Obrigada Mãe
Por nos teres trazido à tua Ordem
E nos ensinares a ser discípulas de Jesus.
Por seres o modelo da nossa vida contemplativa
E nos ensinares a guardar tudo no coração,
Meditando dia e noite na palavra de Deus.
Obrigada por cuidares de nós
E nos fazeres crescer na fé, na esperança e no amor,
Na abertura e no serviço aos irmãos,
Pela oração silenciosa que dos nossos claustros sobe ao céu.
Obrigada por nos convidares cada manhã
à alegria da vida fraterna
que é antecipação do Reino de Deus nesta terra.
Obrigada Mãe,
Contigo rezamos:
Vem Senhor Jesus, à nossa terra!
Vem Senhor Jesus ao coração de cada um dos nossos irmãos.
Vem Senhor Jesus!
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