Dom. Nov 28th, 2021

Aveirenses Ilustres

Gastão de Melo de Matos – Militar e historiador

Cardoso Ferreira (textos)

Natural de Aveiro, Gastão de Melo de Matos notabilizou-se como um historiador de temas militares, facto que o levou a assumir a vice-presidência da Academia Portuguesa da História.

Gastão de Melo de Matos nasceu em Aveiro, no dia 11 de dezembro de 1890, e faleceu em Lisboa, no dia 29 de dezembro de 1971.

Oficial de Artilharia, com o curso da Escola do Exército, participou na Primeira Guerra Mundial. No ano de 1917 foi promovido a capitão, tendo sido demitido, por motivos políticos, no ano de 1919. Passou então à reserva no posto de capitão.

Foi vogal da Comissão de Censura dos Espetáculos e membro da União Nacional, partido que governou o país durante o Estado Novo. Quando das divisões ocorridas dentro da União Nacional, na segunda metade da década de 1940, protagonizadas por Salazar e Marcello Caetano, Gastão de Melo de Matos foi apoiante deste último, também ele membro da Academia Portuguesa da História, da qual viria a ser presidente em 1948. Por isso, em 22 de janeiro desse ano de 1948, quando se formou o Centro de Acção Popular, um grupo dentro da União Nacional, ligado a Marcello Caetano, Gastão de Melo de Matos foi um dos seus aderentes.

Participou nos Congressos para o Avanço das Ciências, realizados nas cidades portuguesas de Lisboa, no ano de 1932, e do Porto (1942), e nas cidades espanholas de Córdova, no ano de 1944, e de San Sebastian (1947). Igualmente, esteve presente no Congresso da Expansão Portuguesa no Mundo, realizado no ano de 1938, e no Congresso do Mundo Português, ocorrido no ano de 1940.

Gastão de Melo de Matos foi um destacado proponente das comemorações do centenário da Restauração, em 1940, como forma de promover o nacionalismo historicista português.

Gastão de Melo de Matos distinguiu-se como historiador, sobretudo nas áreas de história militar e de heráldica.

Em parceria com A. B. da Costa Veiga, estudou a localização exata do local onde decorreu a Batalha de Aljubarrota, bem como a forma como se desenvolveu essa batalha decisiva que opôs os exércitos de Portugal e de Castela, com a vitória a pertencer às hostes lideradas pelos portugueses D. João I e D. Nuno Álvares Pereira.

Para Vinicius Dantas, “os artigos de Gastão de Melo de Matos foram fundamentais para a revisão dos estereótipos e interpretações moralizantes do governo de Afonso VI e Castelo Melhor”.

Vice-presidente da Academia Portuguesa da História

No dia 5 de abril de 1938, foi apresentada ao ministro da Educação a lista com os nomes de novos supranumerários nacionais da Academia Portuguesa da História: Aarão Lacerda, Alberto Feio Soares de Azevedo, Alfredo Botelho de Sousa, António Barbosa, António Ferreira de Serpa, Domingos Maurício Gomes dos Santos, Francisco Manuel Alves, Gastão de Melo de Matos, Gustavo Adriano Matos Sequeira, Henrique Quirino da Fonseca, Luiz José de Pina Guimarães, Manuel Domingos Heleno Júnior, Manuel Lopes de Almeida, Mário Brandão.

Durante o Estado Novo, a Academia Portuguesa da História apenas publicou uma obra com temática explícita sobre as implicações teóricas da filosofia da ciência na história, livro intitulado “Probabilidade Histórica”, publicado em 1944, da autoria de Gastão de Melo e Matos, autor que, posteriormente, pertenceu ao Conselho Académico e que foi vice-presidente da Academia Portuguesa da História.

Autor de vasta bibliografia…

Entre as suas muitas obras, destacam-se: “Notas sobre os Postos no Exército Português”, publicado em 1930; “Notícias de Alguns Memorialistas Portugueses do Princípio do Século XVIII”, 1930; “Espiões e Agentes Secretos nos Princípios dos Séculos XVIII”, 1931; “Notícias do terço da armada real, 1618-1707. Subsídios para a história dos corpos de infantaria de marinha em Portugal”, 1932; “O último almirante de Castela em Portugal, 1702-1705”, 1937; “A Falsa História da Restauração”, 1938; “Um soldado de fortuna do século XVII”, 1939; “Notas sobre Santo António Militar”, 1940; “Os Terços Entre Douro-e-Minho nas guerras de aclamação”, 1940; “Bandeiras militares do século XVII e a bandeira da Aclamação”, 1940; “Nicolau de Langres e a Sua Obra em Portugal”, 1941; “Um Processo Político no Século XVII”, 1942; “A Significação Política da Restauração”, 1943; “O Sentido da Crise Política de 1667”, 1944; “Memória sobre o Alcance das Armas nos Séculos XV a XVIII”, 1945;  “Panfletos do Século XVII”, 1946; “Sobre um Passo de Cervantes”, 1946; “Sobre uma intervenção de Rui de Pina”, 1946; “Lisboa na Restauração”, 1947; “Memória sobre a organização e táctica dos exércitos da Aclamação”, 1947; “Notícias da Corte em 1668”, 1950; “Itinerários do Duque de Bragança”, 1951; “Contribuição para o Estudo das Antigas Medidas Portuguesas”, 1951; “Itinerários de Leão de Rozmital: 1466”, 1955;“A Lenda do Abade João”, 1956; “Observações sobre a Batalha de Aljubarrota”, 1961; “Notas Tácticas sobre a Batalha de Alcácer Quibir”, 1961; “Nota sobre a difusão do Teatro Espanhol em Portugal”, 1961; “Considerações Tácticas sobre a Batalha de Aljubarrota”, 1962; “Heráldica”, publicado em 1969, em colaboração com L. Bandeira.

Colaborou com diversos textos no “Dicionário de História de Portugal”, obra dirigida por Joel Serrão, e em diversos números dos “Anais da Academia Portuguesa da História”.

…E colaborador de imprensa

Deixou textos em inúmeros jornais e revistas em que colaborou, nomeadamente: “Acção Realista” (um jornal de tendência monárquica fundado em 1921), “Serviço de El-Rey”, “Brotéria – Revista Contemporânea de Cultura” (dos padres jesuítas), “Arqueologia e História” (revista publicada pela Associação de Arqueólogos Portugueses), “Diário da Manhã”, “Diário Popular”, entre outras.