Dom. Out 17th, 2021

Alfie morreu, uma vida por um mundo mais humano

[Fonte: Vatican News; Foto: Alfie  (ANSA)]

Alfie Evans faleceu durante a última noite. Os pais anunciaram nesta manhã. Uma história dramática que envolveu o Papa Francisco na primeira pessoa.

Sergio Centofanti, Silvonei José – Cidade do Vaticano

“O nosso bebé ganhou asas nesta noite às 2h30 da manhã. Estamos com o coração partido. Obrigado a todos pelo seu apoio”: com este post no facebook, Kate James anunciou a morte de seu filho, o pequeno Alfie Evans. Ele não chegou a completar dois anos: tê-los-ia completado no próximo dia 9 de maio. Ao mesmo tempo, o pai Thomas escreveu: “O meu gladiador baixou o seu escudo e ganhou asas às duas e meia de manhã. Totalmente inconsolável. Eu amo-te, meu menino “.

Ele respirou 4 dias sozinho

Na última quarta-feira, 25 de abril, a Suprema Corte britânica declarou o seu enésimo não ao apelo dos pais de Alfie, que pediam a transferência do seu filho para a Itália, para que ele fosse seguido pelo Hospital Infantil Bambino Gesù, de Roma. O Hospital do Papa teria suportado todas as despesas: o Alder Hey Hospital, de Liverpool, não gastaria nenhum centavo. O Papa Francisco pediu aos seus colaboradores para que fizessem o possível e o impossível para o transferir. Às 23h17 de segunda-feira, os médicos removeram o ventilador para o deixar morrer. O menino continuou a respirar sozinho por pouco mais de 4 dias. Afetado por uma doença neuro-degenerativa ainda desconhecida, para os médicos e juízes ingleses era inútil que Alfie continuasse a viver até à sua morte natural.

A mensagem de Alfie

Alfie não falava, mas fez e continua a fazer um barulho enorme. Eles quiseram “doar”-lhe a morte a todo custo e ele deu-nos tanta vida e amor com a inocente gentileza do seu rosto. Um juiz disse que a criança estava tão devastada que não conseguia sentir nem mesmo o carinho de sua mãe: mas sentíamo-nos acariciados por ele.

Os médicos que deviam cuidar dele deixaram-no morrer prematuramente: o pequeno Alfie procurou curar a nossa doença mais mortal, a indiferença. Ele era prisioneiro, mas deu a muitos a coragem para falar e agir livremente. Ele era o mais fraco de todos, mas deu uma força incrível para aqueles que o amavam. A lei foi muito dura: Alfie mostra-nos que o amor é muito mais forte do que a lei. Vimos uma justiça fria, mas ele conseguiu derreter tantos corações.

Consideraram a sua vida inútil, mas o pequeno Alfie, sem fazer nada, envolveu milhões de pessoas numa luta por um mundo mais humano. Alfie tornou-se um símbolo: a voz de todos os pequenos do mundo, usados, explorados e – se não forem mais necessários – descartados. O nosso mundo utilitarista, se não fizermos alguma coisa, um dia também nos descartará a nós: a todos chega o momento de pedir para sermos amados e salvos na própria inútil fraqueza.

Ele reza por nós

Ele foi esmagado pela violência dos poderosos, mas ensina-nos a reagir com um espírito suave e firme. O mistério da vida somente Deus compreende: Alfie fez-nos vislumbrar um raio desse mistério. Alfie é loucura e escândalo para alguns: recorda-nos Aquele que foi crucificado. Ele recorda-nos o juízo final: “Eu estava com fome e deste-me de comer … de cada vez que fizeste uma dessas coisas a um só desses meus irmãos pequeninos, foi a mim que o fizeste”. Em muitos rezamos por Alfie: agora é ele que reza por nós.