Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga

Progressistas e tradicionalistas, o mesmo erro

António Jorge Pires Ferreira

Vale a pena ler o texto “Cisma e Igreja Alemã: pode Deus ser melhorado?”, publicado no Observador, no dia 27 de julho, de Bernardo Ribeiro da Cunha. O especialista em Defesa Nacional escreve um longo texto, bem informado, sobre dois movimentos que estão a dividir a Igreja Católica, por um lado, o Caminho Sinodal Alemão, progressista, e, por outro, a Fraternidade de São Pio X (que há dias ordenou bispos sem autorização do Papa, consumando o cisma), tradicionalista. Uns acham que a Igreja está lamentavelmente atrasada. Outros acham que está erradamente adiantada. “Uns fazem do presente o juiz da fé; os outros fazem da sua leitura do passado o juiz da Igreja. Uns invocam a misericórdia para rever o juízo moral; os outros invocam a necessidade para suspender a obediência. A misericórdia e a defesa da Tradição são bens verdadeiros, mas deixam de o ser quando são separados da ordem que lhes dá sentido: a misericórdia sem verdade transforma-se em aprovação; a Tradição sem comunhão transforma-se em critério privado. É, portanto, o mesmo erro de fundo, aplicado a matérias diferentes: a parte atribui-se o direito de corrigir o todo. O Caminho Sinodal pretende «melhorar» a moral recebida; a Fraternidade pretende «melhorar» o governo que Cristo deixou à Igreja, como se o primado de Pedro só obrigasse quando fosse confirmado por quem lhe deve obediência. Por caminhos opostos, ambos acabam por sugerir que Cristo deixou uma doutrina ou uma forma de governo incompletas, que a sensibilidade do presente ou a interpretação de um grupo deveriam corrigir. Mas a Igreja não pertence aos reformadores do presente nem aos autoproclamados guardiões do passado. Pertence a Cristo. Não nos compete melhorá-la contra aquilo que Ele ensinou nem contra a autoridade que Ele instituiu”.


Imagem de Brigitte Werner por Pixabay