Secretariado Diocesano de Animação Missionária

NOTAS DE UM PERCURSO MEMORÁVEL 1.

Pe. Georgino Rocha

A celebração do 20º aniversário do Secretariado Diocesano de Animação Missionária, de Aveiro, (SDAM) realiza-se no Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC) a 21 de Outubro de 2017. Do programa faz parte um Sarau Missionário e foi-me pedida uma memória do percurso andado. Pedido que aceitei para revisitar o baú das minhas memórias, algumas inesquecíveis e saudosas. Partilho as notas que orientaram a minha comunicação que, julgo, ter sido mais rica do que o registo do texto escrito. Sigo, de perto, as pistas que o P. Pedro Barros, atual assistente diocesano, me enviou para esta conversa em família. Publico este relato em sintonia com os objetivos do Ano Missionário, preconizado pela Conferência Episcopal Portuguesa para o ano apostólico 2018/2019.

  1. Criação do SDAM

    A referência mais segura e convincente pode encontrar-se nas Decisões Sinodais, em 1995. No âmbito do tema central “Igreja diocesana”, surge a relação desta com outras Igrejas irmãs em diocesaneidade, designadamente a de Roma a que preside o Papa e as de expressão cultural portuguesa. E mandata-se o Secretariado diocesano das Missões para promover  a consciência eclesial nas paróquias e outras instituições. Foi possível chegar a esta decisão, em virtude de um caminho que tem alguns marcos que se podem enunciar:

    – O trabalho das Obras Missionárias Pontifícias (OMP), especialmente o regresso de padres na sequência das independências, designadamente de D. Francisco Nunes Teixeira, bispo de Quelimane, em Moçambique, mas que tinha sido pároco em Albergaria-a-Velha, e veio a ser presidente das OMP em Aveiro.

    – A ligação de D. Manuel de Almeida Trindade a bispos e padres dos novos países, e a sua visita a Angola em 1985/6 a acompanhar a Imagem de Nossa Senhora de Fátima. E nesta visita a peregrinação que fez ao santuário de Muxima. Da sua experiência resultam entrevistas aos órgãos de comunicação social, sobretudo ao «Correio do Vouga» e ao «Comércio do Porto» que chamam a atenção para a nova realidade que se vivia. “Tarde te conheci. Tarde te conheci” repetia o nosso Bispo rememorando Santo Agostinho noutro contexto.

    – O sentido missionário de D. António Marcelino e a sua responsabilidade pastoral que o levou a fazer viagens às dioceses do ultramar português em cursos de renovação conciliar. Também o seu relacionamento franco e comunicativo com padres e seminaristas, além de leigos e religiosas. Depois de bispo, a sua paixão fica registada em textos belos e de grande entusiasmo. Já emérito escreve dois pequenos livros sobre esta temática. E os volumes “A vida também se lê” incluem alguns dos seus melhores artigos versando assuntos ligados à animação missionária.

    – O meu currículo regista a progressiva dedicação a esta causa. D. Manuel faz-lhe uma expressiva referência em “Sementes de Paz”, II volume.

    – A implementação das Decisões sinodais foi atribuída, como era normal, ao Secretariado Diocesano de Pastoral, de que eu era director. Cai-me nas mãos, a nível oficial, a animação diocesana desta vertente da Igreja diocesana prosseguindo e acentuando o que vinha fazendo – desde 1991. Ia com regularidade a Angola e São Tomé, antes tinha ido a Cabo Verde. Deste labor, fica o registo/memória referido e alguns textos em “Clarões de Esperança”, bem como numerosos artigos em vários órgãos de comunicação social, designadamente no «Correio do Vouga».

    – Entretanto, a necessidade de autonomizar o Secretariado Diocesano de Animação Missionária (SDAM) fez-se sentir logo em 1996/97, tendo sido nomeado seu diretor o P. Pedro José Correia, ao tempo coadjutor de Ílhavo. Nessa altura, já a equipa contava com leigos e religiosas.