D. António Moiteiro analisa questões sobre a educação, em entrevista gravada pelos alunos do AEAAV [entrevista aqui]
Nos dias 9 e 10 de janeiro de 2020, D. António Moiteiro visitou algumas das escolas do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha. A visita permitiu o encontro do Bispo de Aveiro com alunos do primeiro e segundo ciclos, assim como do ensino secundário, e com professores e funcionários destas escolas, tendo sido programada num registo de encontro aberto e respeitador das diversidades existentes no contexto escolar.
Na escola básica de Albergaria-a-Velha, D. António foi recebido pelos representantes da direção desta escola, tendo-se encontrado com turmas de alunos de EMRC de 5º e 6º ano. Em diálogo com estes alunos, D. António recordou que é importante cada um conhecer-se e reconhecer-se como um “terreno” que deve ser bem preparado para, por fim, se poderem colher os frutos do longo trabalho que é a educação.
No encontro com os alunos de primeiro ciclo, na escola da Avenida, D. António Moiteiro assistiu a uma canção encenada, em que, com grande riqueza de sinais e símbolos, os alunos ilustraram a conhecida canção «um dia uma criança me parou».
Nas turmas da escola do Sobreiro, D. António Moiteiro participou na “festinha” de aniversário de um aluno do Jardim Infantil, encetando, nas turmas do segundo e terceiro anos, diálogo interessante e espontâneo com os alunos. Em momento ocorrido com os alunos do ensino secundário, os alunos de 12º ano de EMRC ofereceram a D. António Moiteiro mensagem na qual afirmaram: «[Através desta disciplina], temo-nos tornado conscientes do mundo complexo que nos espera no futuro, onde estão presentes os valores fundamentais aprendidos e consolidados nesta disciplina para que se crie um ambiente sustentável e um bom funcionamento da sociedade que se espera respeitadora da dignidade de cada ser humano e que assim consigamos ser felizes.»
D. António recordou que os alunos são, não apenas o futuro da sociedade, mas já um efetivo presente, tendo sublinhado que tal certeza nasce da virtude da esperança, que não se foca apenas no futuro, mas se começa a concretizar no agora. Esta mesma mensagem sublinhou no encontro com os professores e funcionários, durante o qual, num registo informal e afetivo, observou que muito se espera dos educadores, no contexto escolar, recorrendo à metáfora do agricultor para vincar que a educação é uma sementeira paciente e persistente, em que o semeador confia que a sua ação frutificará. Sublinhou que este dinamismo tão específico da educação faz com que esta deva ser definida pela virtude da esperança. Apesar das adversidades, deve permanecer-se confiante.
Nesta sessão ocorrida com os docentes e funcionários, o coordenador do grupo de EMRC deste agrupamento de escolas destacou que a presença de um bispo é sempre momento de grande densidade simbólica, sinal de esperança, para além da significação religiosa. Recordou que, por motivo da sucessão apostólica ininterrupta que une os bispos aos apóstolos, numa linha de continuidade sem quebra, estar na presença de um Bispo é sempre saber-se numa ligação ao Jesus da História, sendo que, no caso do Bispo de Aveiro, essa linha de sucessão envolve, diretamente, 4 Papas (Paulo VI, Pio XII, Bento XV e Pio X), por motivo de ter sido sagrado bispo pelo Cardeal Saraiva Martins, que fora ordenado Bispo pelo Cardeal Casaroli, por sua vez ordenado Bispo pelo Papa Paulo VI.
O mesmo docente Luís Silva recordou, ainda, que D. António Moiteiro é presidente da Comissão da Educação Cristã e Doutrina da Fé, o que foi pretexto para diálogo sobre os desafios hoje colocados à educação. Esta mesma matéria foi abordada em entrevista concedida aos alunos do Curso de Multimédia, onde D. António sublinhou que um dos principais desafios é o da liberdade na educação, recordando tratar-se de um direito constitucional, sublinhado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, que sustenta serem os pais os primeiros responsáveis pela educação das crianças. Acrescentou, também, que há dificuldades de recursos, sejam humanos, sejam materiais, devendo haver uma preocupação em bem gerir os recursos existentes, sendo particularmente relevante a aposta na educação e na permanente formação dos agentes educativos.
Reportando-se à disciplina de EMRC, escolhida, neste agrupamento, por mais de 70% dos alunos, D. António sublinhou que esta disciplina deveria procurar atingir duas finalidades: «o diálogo com a cultura, cultivando os valores desta sociedade que quer construir o bem comum, mas também tem de fazer um despertar da fé, [] despertar no coração dos alunos o desejo de conhecer o ‘rosto’ de Deus. […] A disciplina deve ajudar a descobrir Jesus como modelo, não apenas do ponto de vista humano, mas também como salvador, despertando para a dimensão espiritual.»