Apresentação da Igreja Aveirense [ano XVII, Janeiro a Julho de 2021]
O Ano Pastoral 2020/2021 está profundamente marcado pela pandemia provocada pelo Coronavírus 19, altamente contagiante e perigoso. Verdadeira surpresa, apesar dos alarmes que “os sinos do tempo e as sirenes do clima” iam fazendo ecoar por toda a parte. A sociedade entra em emergência prolongada. A Igreja vê-se condicionada na sua missão. E vários desafios se impõem, como ilustra o presente número de «Igreja Aveirense» pela mão de vários colaboradores.
O Bispo diocesano publica a 8 de Setembro a carta pastoral: «Tempo novo carece de renovação» em que afirma “num tempo que é novo, só mudando podemos transmitir o que não muda.”… “Crise é ou deve ser sempre uma oportunidade para ir ao essencial da vida. E é possível responder a uma crise com seriedade e força de vontade, mantendo um senso interior de calma e de esperança.”
Que fazer? Levar a Igreja e a sua ação pastoral de volta à situação em que se encontrava antes do coronavírus ou vamos redesenhá-la a partir da sua fonte essencial, o Evangelho? “A decisão depende apenas de nós”, adianta o Coordenador diocesano de Pastoral. E recorrendo a Cosentino, teólogo italiano, abre caminhos a percorrer: “Devemos certamente retomar as atividades pastorais e tudo o que é necessário para que a fé do povo de Deus receba o seu alimento cotidiano. No entanto, a pandemia e o confinamento, que chegaram num momento já marcado por um crescente descontentamento com a fé e uma lenta, mas progressiva extinção da pertença eclesial, pedem-nos que paremos e reflitamos juntos, antes de voltarmos a preencher as nossas agendas paroquiais”.
A situação complexa exige que a inteligência humana se deixe iluminar pela Palavra de Deus e veja com “olhos de fé” a oportunidade provocada pelo vírus. O vazio sentido é portador germinal de uma nova consciência de tudo o que nos liga como comunidade humana. Um dos frutos desta pandemia, podemos dizê-lo, é já a Encíclica «Fratelli Tutti/FT» sobre a fraternidade humana e a amizade social, que vem explicar que «uma tragédia global como a pandemia do Covid-19» nos recorda «que ninguém se salva sozinho, que só é possível salvar-nos juntos» (FT 32) e que há uma coisa ainda pior que a pandemia: é o vírus do «salve-se quem puder» rapidamente traduzido no lema «todos contra todos» (FT 36).
A família constitui um dos núcleos fundamentais do Plano elaborado para três anos, mas que, fruto das circunstâncias, vem a ser prolongado e adaptado. Alicerçada no amor matrimonial e “sagrada” pelo sacramento, é comunidade eclesial servida pelo ministério conjugal, é célula base e vivificante da sociedade.
Outra encíclica do Papa Francisco de grande importância para entender “os acontecimentos em curso” é a Laudato Sí/LS sobre o cuidado da casa comum. Também aqui a família é considerada no seu “estatuto fundamental” e destacada a missão da família cristã, ainda que sumariamente. Diz o texto: As famílias cristãs estão chamadas a “entender a qualidade de vida, encorajando um estilo de vida profético e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo… Trata-se da convicção de que «quanto menos, tanto mais». Com efeito, a acumulação constante de possibilidades para consumir distrai o coração e impede de dar o devido apreço a cada coisa e a cada momento… É um regresso à simplicidade que nos permite parar a saborear as pequenas coisas, agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos nem nos entristecermos por aquilo que não possuímos” LS 222.
Na família aprende-se, com naturalidade, a aprender a viver a sobriedade responsável; a contemplar, com gratidão, o mundo e a cuidar, com atenção e ternura, dos que mais necessitam e do meio ambiente. Grande serviço prestado à ecologia da sociedade e à transparência do Evangelho na Igreja.
Surgem ainda outros documentos do magistério eclesial, designadamente do Bispo da nossa diocese e do Papa Francisco, especialmente «A Alegria do Amor» publicada há cinco anos e reproposta para nova implementação.
A vida pastoral chegada à nossa redação abrange outros assuntos apresentados em vários estilos. Também resenhas e notas sobre livros publicados e seus autores. Ainda memórias abençoadas de diáconos e padres falecidos. E como pessoa notável «Igreja Aveirense» destaca a figura singular do P. Manuel António Fernandes, pelo seu estilo pastoral e pelo seu pioneirismo em várias obras sociais e apostólicas.
A equipa redatorial