À VOLTA DO NOVO TESTAMENTO 2
Pe. Júlio Franclim do Couto e Pacheco
Leia aqui a Petição a favor dos cristãos, de Atenágoras de Atenas
Deste apologista cristão sabe-se apenas que era de Atenas e filósofo. Nem Eusébio de Cesareia, nem S. Jerónimo o mencionam. Dele se encontra uma menção no tratado Sobre a ressurreição 1,37,1, de Metódio de Olimpo (sécs. III-IV). Traços da sua vida e das suas obras desapareceram completamente da literatura cristã até que o bispo Aretas de Cesareia manda copiar, em 914, para o seu «Corpus apologetarum», a «Apologia» e o tratado «Sobre a ressurreição dos mortos» de Atenágoras. A sua identificação com o Atenágoras ao qual o filósofo grego Boeto dedicou um escrito «Sobre algumas expressões difíceis em Platão», carece de fundamentos. Dessa forma, local do seu nascimento, a sua formação intelectual, as suas origens, local e data da sua morte escapam-se-nos. As suas obras, contudo, revelam uma pessoa de boa cultura, alguém que frequentou cursos de retórica. O seu estilo é moderado, bem mais sóbrio que o de Taciano, mais ordenado que o de Justino. Como Justino, é simpático à filosofia e à cultura gregas. É hábil em ordenar o material, mais preciso na linguagem que seus predecessores.
O salto, em termos de qualidade, que se dá de Taciano para Atenágoras é enorme. Ele compreende o valor da sobriedade, da claridade e da ordem; desdenha os efeitos demasiadamente ruidosos ou as cores demasiado vivas, as maneiras vulgares. (…) Se a tradição que faz de Atenágoras um ateniense é verdade, sem dúvida há uma relação entre sua origem e o meio em que se formou, e sua cultura mais afinada que a dos escritores cristãos anteriores».