Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga
O que diz a IA de um documento que o Papa ainda não publicou?
António Jorge Pires Ferreira
A primeira encíclica do Papa vai ser apresentada na segunda-feira, 25 (ver notícia na página 5 da edição semanal do Correio do Vouga), “Magnifica humanitas”. Perguntámos a um programa de IA (inteligência artificial) o que lhe inspira esta expressão. «É uma expressão em latim que pode ser traduzida como “a magnífica humanidade” ou “a grandeza do humano”», responde o ChatGPT (a Claude AI disse que era uma “organização de fiéis, criada em 2004”, pelo que descartamos este modelo de IA), que acrescenta que “a palavra humanitas em latim clássico era muito rica”. “Em autores como Cícero, não significava apenas “humanidade” no sentido biológico, mas também educação, civilidade, sensibilidade”. A expressão, assegura a IA, “tem um tom renascentista e humanista — algo que poderia aparecer num lema académico, filosófico ou artístico”. O chatbot não sabia que se trata do título de um documento papal, mas considerou que “se «Magnifica humanitas» vier a ser mesmo o título de um documento de Leão XIV, o nome será muito significativo dentro da tradição dos títulos papais em latim”. “Magnifica humanitas” sugere imediatamente alguns eixos fortes: uma visão positiva da pessoa humana; a dignidade universal do ser humano; reconciliação entre fé, cultura e razão; humanismo cristão; talvez uma resposta às desumanizações contemporâneas — guerra, tecnologia sem ética, isolamento social, IA, migração, pobreza, etc. A IA (ou este modelo de IA) prevê que Leão XIV se inspire em “Leão XIII e a preocupação social de Rerum Novarum”, em “João Paulo II e o personalismo”, em “Francisco e em temas de fraternidade humana”, “ou até no espírito do Concílio Vaticano II, especialmente na Gaudium et Spes”. E concluí: “Há algo interessante no adjetivo “magnifica”: não é um latim frio ou jurídico. Tem um tom contemplativo, quase litúrgico. Dá a sensação de admiração pela humanidade apesar das suas feridas”.
Imagem de Alana Jordan por Pixabay