Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga
Sabedoria
António Jorge Pires Ferreira
Patrícia Fernandes (participou numa tertúlia da Comissão Diocesana da Cultura, no ano passado) escreve no “Observador” contra os nossos erros na procura da sabedoria, erros que fazem olhar para as crianças como pequenos génios ou que fazem os universitários norte-americanos apelar ao boicote de um especialista em educação como Jonathan Haidt, aceitando de braços abertos Taylor Swift, que, sendo muito popular como cantora, não é particularmente conhecida pela suas ideias sobre educação. Um dos erros tem sido propagado pelas elites intelectuais e é este, que é a demissão da educação: “O que podem os pais fazer, a não ser dar aos filhos espaço para existirem e deixá-los comportarem-se como querem, para poderem ser cada vez mais eles próprios?” Patrícia Fernandes comenta esta afirmação com uma observação que quero partilhar com os leitores: “A convicção de que as crianças têm uma sabedoria própria e mais elevada contrasta com o que a humanidade, ao longo dos tempos, sempre privilegiou: a valorização dos mais velhos como fonte de saber. Agora, parecemos ter invertido os termos. Há algumas semanas, numa conferência, um colega da Universidade do Minho observou: os seres humanos valorizam sempre aquilo que é raro, e se antes os mais velhos eram raros e, por isso, valorizados, agora são as crianças que são raras e tendem, por isso, a ser mais consideradas” (fonte: www. observador.pt, 18 de maio).