Ter. Dez 7th, 2021

Sinais dos Tempos

Rubrica dedicada à reflexão sobre os desafios que a pandemia de COVID-19 coloca à Igreja e ao mundo

‘Covid-19:
– Que ‘mundo’ e que ‘Igreja’ estão em ocaso?
– Que ‘mundo’ e que ‘Igreja’ se vislumbram na (estão em) aurora?’

 

Pe. João Gonçalves*

Há sempre coisas escritas e ditas, ou até gritadas, que se notam, ou apenas surgem e andam e crescem, fortes segundo alguns, mas sem serem tidas como sinais de leitura e de forte compromisso.

Temos chamadas a dar reforço às antenas que somos, para que não se criem indiferenças ou neutralidades, a tudo o que nasce, nos rodeia ou até condiciona. O que nos cerca é mesmo algo que tem o nosso nome próprio; mas tornamos invisível, e deixamos na neutralidade: quer seja mesmo sentido como para mim, quer seja sentido e sofrido pelos outros!

Somos seres humanos; e tudo o que já existe, ou vai surgindo, é oferta também à Pessoa Humana que eu sou, e tudo tem de me levar a uma forte tomada de consciência de que sou verdadeiramente Pessoa, e verdadeiramente solidário. Não estou por cá como apenas número de contas; mas estou cá, e sou consciente de que o que existe é também para mim, e tem a ver comigo, e me responsabiliza seriamente: COVID – 19!

Há muito tempo, e em muitas regiões do mundo tão conhecido, surgiu algo de muito incómodo para Pessoas de todas as idades, de todas as condições sociais, de todas as estruturas culturais: doença altamente contagiosa; doença nem sempre curável; doença sem limites territoriais ou zonais!

Portugal é “solidário” e carrega com o que vem de perto e de longe, e que deixa marcas das mais escuras, e que cria imensas preocupações: faz-nos olhar o passado em que fomos criados, e que ajudamos a ter e a ser!

Actualmente, a doença tem um nome já demasiado conhecido: COVID-19! Veio parar às nossas conversas, e às nossas grandes preocupações…

1 – Temos nesta fase – já bem adiantada! – forte vontade de lançarmos uma pergunta, altamente preocupante: QUE MUNDO, E QUE IGREJA ESTÃO EM VISTA DE ENFRAQUECER, TERMINAR, QUE OCASO?!

Pergunta difícil e assustadora, e sem termos uma resposta satisfatória ou de grande convicção!

A doença, carregada de má vida e de más consequências, obriga-nos a ser sérios, a fazer análises profundas e bem estudadas, até academicamente, e temos de afirmar que o Mundo e a Igreja onde estamos – e onde convivemos com tantos Irmãos, em fases de vida bem doentias – estão em grande sofrimento, de respostas e da máxima solidariedade…

Não se pode, nem se deve, ser indiferente ou facilitador de meios, para continuarmos a conviver no MUNDO e na IGREJA, tão sofredores com tantos Irmãos, provenientes de tantas faces de idade, de cultura, de posse de bens económicos, de habitação…de tanta proximidade social e familiar!

Temos de usar muito mais a consciência e a solidariedade, a fim de termos Pessoas mais responsáveis pelos outros, da terra onde morem, ou sejam de que convicções agarradas e a viver… Atirar para longe complexos de moradia ou de modos de viver: pensar e repartir interesses, pelo bem de todas as Pessoas!

2 – Que futuros, que auroras, que melhores sonhos e realizações, para o MUNDO e para a IGREJA? Como responsabilizar, para dar respostas de realismo e de eficácia?

Queremos, de certeza, um mundo melhor, mais airoso, com melhores condições de convivência humanas; onde as moradias sejam criadoras de humanização; onde uma busca séria de condições de saúde seja procurada, oferecida e vivida em todo o mundo!

Não tenhamos nem medo nem perdas de tempo, e agarremos, por exemplo, num documento profundo, nestas matérias, escrito pelo Papa Francisco – LAUDATO SI – e construamos verdadeiros grupos de reflexão e de compromisso real.

Sabemos que o Mundo está carente de muitos valores; sabemos que a Igreja não pode esquecer a dinâmica missionária: então, aceitemos os comprometimentos: se o Mundo for mais realista; se a Igreja for mais forte nas expressões, teremos o melhor bem: SAÚDES, PARA TODOS!


*Coordenador nacional da Pastoral Penitenciária

Imagem de Tumisu por Pixabay