Sáb. Out 16th, 2021

APRESENTAÇÃO de nova edição da revista ‘Igreja Aveirense’

Semestre de julho a dezembro de 2020

Leia, aqui, a revista Igreja Aveirense ANO  XVI | JULHO-DEZEMBRO 2020 #2

O ano pastoral 2020-2021 inspira-se na carta “Cada família, uma história de amor”, publicada por Dom António Moiteiro como reflexão sobre a situação provocada pela pandemia e suas implicações no itinerário que se vinha percorrendo no triénio dedicado à vocação cristã, caminho de santidade. A reflexão programática é prolongada nas sugestões/orientações da coordenação pastoral e respectivas acções a empreender nos vários níveis organizativos ao longo de cada etapa. Secretariados, dentro da sua função, procuram sintonizar e dar curso à proposta diocesana e alguns movimentos, sobretudo ligados à família, comungam do espírito da carta referida.

“Igreja Aveirense” respira o ambiente de colaboração possível e faz uma espécie de colectânea de textos publicados e de relatos do trabalho apostólico realizado. O conjunto procura dar uma imagem real da vida pastoral neste semestre em que a pandemia e os cuidados de saúde impuseram as suas regras de confinamento.

A vida pastoral segue o curso da nova realidade. Portadora de uma mensagem a viver, a celebrar e anunciar, faz funcionar a imaginação criativa e surgem iniciativas belas e de grande alcance. O covid 19 e suas mutações constituem uma oportunidade excelente de reinvenção de meios de evangelização, de valorização da família, de proximidade e comunicação on-line, e de tantas outras formas de presença virtual amiga e reconfortante, de solidariedade benfazeja, de consciência do todo global de que cada um/a faz parte e é responsável. Evidenciou como os leigos são missionários da proximidade junto aos seus irmãos e irmãs na humanidade em sofrimento.

Esta experiência tem os seus custos já que leva ao desenraizamento de tradições e costumes que pareciam inamovíveis, de acomodações centradas no bem-estar de alguns sem olhar ao infortúnio da grande maioria. Uma realidade nova, mais humana e cristã, pode emergir e desenvolver-se, impregando a cultura que nos identifica. Exige conversão espiritual e pastoral.

Tomás Halik, teólogo checo e responsável pela paróquia universitária de Praga, tem estudado o fenómeno de «O tempo das Igrejas vazias» e deu forma à sua reflexão singular. Aqui fica um excerto: “Estou convencido de que não devemos substituir tão facilmente o hábito das missas dominicais pelo consumo da «missa no écran», ajoelhar-se à frente da televisão ou do computador, em vez de o fazermos frente ao altar. Talvez por muito tempo, e não só por um curto período, devamos descobrir de forma criativa as novas formas de viver e celebrar o mistério da nossa fé”.

“É um tempo para uma transformação profunda da religião e um tempo para a reforma da Igreja. Esta reforma não pode ser apenas uma modernização superficial das estruturas, mas deve, acima de tudo, trazer uma mudança de mentalidade, uma viragem para o aprofundamento espiritual”. “Talvez, com aquilo que vivemos agora (Jesus) também nos queira abrir os olhos para muitas coisas que não vimos ou não queríamos ver. Não desperdicemos este tempo de visitação!”

A família cristã constitui uma «Igreja doméstica» chamada a ser testemunha do que vive, celebra e ora, do que pratica e partilha, a ser presença activa na sociedade. Tem em comum com outras denominações familiares o amor humano, natural, intersexual, instituído e reconhecido. Mas diferencia-se, pois nem todas as situações são iguais. Seria o familismo, risco que se vem a manifestar. O casal cristão celebra o sacramento do matrimónio e assume o ministério conjugal para, antes de mais, crescer para o Senhor e fazer nascer uma família que seja comunidade de amor e de vida. Esta vocação original acolhe os dons que o Espírito Santo lhe concede para o exercício da profecia secular, do culto doméstico e do serviço da caridade. Em comunhão com as demais famílias cristãs e com a Igreja diocesana. No tempo das igrejas vazias, adquire especial relevância esta matriz da família e credencia-a para o desempenho da missão que lhe está confiada.

No primeiro semestre deste Ano Pastoral ocorreram outros factos e acontecimentos de relevo. Alguns ficam no registo da «Igreja Aveirense»; outros, na memória de quem os protagonizou; e todos no livro da Vida que Deus guarda como memória agradecida da nossa colaboração no Seu plano de salvação universal.

O presente número evoca em breves relatos e sóbrios testemunhos algumas pessoas falecidas e destaca na secção «Pessoa Notável» o professor universitário Sebastião Pinho, rosto emblemático de tantos ex-alunos do nosso Seminário que honram na sociedade e na profissão os valores adquiridos nesta instituição.