V Domingo do Tempo Comum (Ano B)
Pe. Franclim Pacheco

Breve comentário
Com o texto evangélico que lemos no domingo passado, juntamente com o de hoje, Marcos apresenta-nos um dia na vida de Jesus. O dia começou com a ida à sinagoga, lugar oficial de oração, onde Jesus ensina e realiza um acto de poder sobre o mal, libertando um homem dum espírito impuro, confirmando desta maneira que o seu ensino é autêntico.
Jesus sai da sinagoga acompanhado com o gérmen da comunidade (os primeiros quatro discípulos) e dirige-se à cada de Simão, onde estava hospedado. A partir daqui, o texto desenvolve-se em três breves quadros.
No primeiro quadro, Jesus é uma vez mais confrontado com o mal, aqui referido genericamente como febre. Os discípulos parecem ter aprendido algo acerca de Jesus. Por isso, já não ignoram o problema mas falam dele para que Jesus intervenha.
Em palavras simples, Marcos apresenta a atitude de Jesus: aproxima-se, toma pela mão e levanta a sogra de Simão. Jesus faz-se próximo, sem medos nem os preconceitos sociais que impedem um Mestre de ter atitudes pouco dignas da sua posição, como falar ou estar próximo duma mulher. E levanta-a. O verbo grego «levantar» (egeirein) é o mesmo que significa «ressuscitar». Jesus comunica-lhe a vida de que ela estava impedida, coloca-a de pé. A sogra de Simão fica completamente restabelecida. Esta forma simples de narrar, pondo em relevo o poder e a grandeza de Jesus, também apresenta um ensinamento claro. Quem sente a nova Vida comunicada por Jesus, coloca-se naturalmente ao serviço dos outros: pôs-se a servi-los.
Nesta cura estão de certo modo presentes todas as outras, quer as que Jesus fará ao longo da sua vida terrena, quer as dos discípulos de todos os tempos. De facto, de repente o evangelista alarga a cena e passa da cura duma única pessoa para a cura de muitos, como que a dizer que Jesus veio lutar contra todo o tipo de mal, físico, mental ou psíquico.
O segundo quadro apresenta-nos, num sumário típico de Marcos, a atitude geral de Jesus em relação ao mal, aqui descrito como doentes e endemoninhados. É ao fim da tarde, depois do pôr do sol, no final do descanso de Sábado, com as suas proibições de fazer qualquer trabalho, que as pessoas se aproximam carregando os que precisavam de cura.
Os gestos de cura são sinais da cura mais profunda que Jesus, o Filho de Deus, quer realizar. Uma vez mais Jesus cura muita gente, mas não quer uma publicidade que possa distorcer o sentido profundo da sua messianidade. É o chamado «segredo messiânico», característica do evangelho de Marcos, que só à luz da Cruz se pode revelar completamente.
No terceiro quadro vemos Jesus retirado em oração. No dia anterior participou na oração comunitária. Agora está em oração pessoal, em contacto íntimo com o Pai, onde encontra a força para continuar a sua missão, a sua caminhada. Por isso, enquanto os discípulos, que tinham visto os seus prodígios, o procuram para o reterem, Jesus anuncia que tem de continuar a sua caminhada, pois a acção de Deus é para todos, em toda a parte.