Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga
O fim da falta de vocações?
António Jorge Pires Ferreira
Tem 1,30 m de altura, chama-se “Gabi”, que quer dizer “Misericórdia de Buda” e foi “ordenado” monge budista na Coreia. Acontece que é um robô. É o primeiro monge-robô. Ou robô-monge. Os responsáveis budistas esperam que o robô-monge contribua para que o budismo seja visto como algo mais progressista e ajude a divulgar o budismo entre os mais jovens. Parece brincadeira, mas não é. O venerável Sungwon, diretor de assuntos culturais da ordem Jogye, a maior da Coreia do Sul e que acolhe o robô, disse ao “The Guardian” que tudo “começou quase como uma brincadeira”. “Mas, quanto mais pensávamos nisso, mais sério se tornava”, disse. E acrescentou: “Os robôs estão-se a integrar tão rapidamente nas nossas vidas que as pessoas se sentem cada vez mais à vontade com eles… Eles tornam-se parte integrante da nossa comunidade”. Na Correia do Sul, o budismo perde fiéis. Atualmente, 16% dos sul coreanos são budistas; em 2005, eram 23%. Entre os jovens apenas 8% se declaram budistas. No ano passado, a ordem Jogye instituiu 99 monges, contra mais de 200 dez anos antes. Entretanto, o cristianismo cresce, não sendo por acaso que este país acolhe a Jornada Mundial da Juventude em 2027. Será que o robô vai perceber como é difícil fazer um jejum?
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay