Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga
Jesus Cristo II
António Jorge Pires Ferreira
Estou a ler o livro do murtoseiro António de Abreu Freire, “Jesus, o Cristo. A biografia de um homem” (ed. Contraponto). É obra de um livre-pensador, sobrinho de dois padres, como conta nas primeiras páginas, que aprendeu a rezar e ouviu “no banco do portão da casa de lavoura“ as histórias mais lindas e mais autênticas sobre quem foi Jesus”, mas que, depois de mundos percorridos e navegados, considera Jesus o fundador de um Reino que na realidade não existe, um “perfil” “criado para seduzir criaturas carentes”, alguém que depois da morte “foi avistado como um fantasma por quem o desejara e por ele se apaixonara”. No fundo, a ideia oitocentista de que Jesus existiu, mas foi apenas um homem. Os seus admiradores é que o elevaram a Deus. Mitificaram-no. Os seus seguidores não podem viver sem Jesus e impõem o Cristo. É uma perspetiva muito diferente daquela de Frederico Lourenço, que regressou à Igreja ao traduzir os Evangelhos, porque é Jesus que se impõe. Mas fica sempre a ideia do fascínio por Jesus de Nazaré.