Qua. Mar 25th, 2026

Cristianismo e cultura europeia

«O Cristianismo, enquanto culto, determinado por aquilo que veneramos ou venerámos no passado, é […] veículo, manifestação, e ao mesmo tempo guardião de uma parte importante daquele complexo de elementos que consideramos constituir a nossa cultura. Cultura no sentido mais restrito das nossas sensibilidades estéticas, as quais encontram expressão em artes como a literatura e a poesia, a música, a pintura e a escultura. Mas cultura igualmente no sentido mais amplo, que compreende o nosso universo de valores e de sensibilidade moral, a nossa cultura política e social.

[…] O influxo cristão sobre a cultura europeia é simplesmente avassalador. As provas, ubíquas onde quer que seja, abundam à nossa volta: na arquitetura, na música (sobretudo na clássica), nas artes figurativas e também na literatura e na poesia. O que não surpreende. Aquilo que veneramos torna-se de forma quase natural o objetivo das nossas expressões mais criativas e inspiradas. Além disso, a predominância histórica do influxo cristão produziu um sofisticado efeito dialético em virtude do qual grande parte da arte não cristã foi feita em oposição a essa influência dominante, encontrando-se-lhe, pois, indissoluvelmente ligada e tornando-se incompreensível fora desse contexto. Esta afirmação vale ainda mais no campo da cultura política, no das ideias e dos valores. A sensibilidade moral europeia está condicionada pela herança cristã e, mesmo num passado recente, pelas lutas contra essa herança.»

Joseph Weiler, judeu e professor de Direito da New York University e do College of Europe

In Uma Europa cristã: contributo para uma reflexão sobre a identidade europeia. Lisboa: Principia

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