(Uma parceria com o Correio do Vouga)
Cardoso Ferreira
A fachada principal e o interior da Igreja de Santa Maria de Válega, no concelho de Ovar, estão, quase na sua totalidade, revestidos com painéis de azulejos policromáticos executados na Fábrica Aleluia, em Aveiro, e datados de 1960, oferecidos por “António Maria Augusto de Silva – Filho desta terra – Comendador da Ordem de Benemerência – 1960”, conforme inscrição num dos painéis da fachada.
Ao lado da porta, na fachada principal, encontram-se dois painéis temáticos, um alusivo “A Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição” e, do lado oposto, “O Dogma da Imaculada”.
Sobre estes e a porta, existem quatro painéis, dois de maiores dimensões, e dois menores. Os primeiros recriam o “Baptismo de Constantino” e “São Carlos Borromeu Ministrando a Extrema Unção”. Os dois mais pequenos aludem à “Comunhão de S. Luís” e ao “Matrimónio”.
O grande triângulo que encima a fachada está completamente revestido pelo painel da “Adoração da Eucaristia”.
Na parte inferior da torre está um painel que tem por título “Jesus dá as chaves a S. Pedro”.
As paredes laterais do interior da igreja e da capela-mor também estão revestidas por azulejos policromos, com painéis que relatam graficamente a oração “Ave Maria”.
Painéis não assinados
Os ornatos ou molduras dos painéis de azulejo que revestem a fachada principal e o interior da igreja matriz de Válega foram executados por “Saul Ferreira, Manuel da Rosária, César Carvalho, João da Loura e João Calisto”, como nos referiu Saul Ferreira num trabalho que anteriormente publicámos.
Este antigo pintor da Aleluia, que interveio na elaboração dos painéis da igreja da Válega, realçou que “os motivos dos painéis foram pintados por Luís Pinho, António Limas, Zé Augusto, António Reis e João Calisto”, sendo a secção de pintura dirigida pelo pintor Lourenço Limas.
Como nessa altura era norma na Aleluia, nenhum dos painéis dessa igreja estão assinados. Apesar disso, e como explicou Saul Ferreira, cada artista encontrou uma forma de “assinar” os seus trabalhos, “assinatura” que surgia no nome da empresa “Aleluia – Aveiro”. No caso concreto de Saul Ferreira, “a linha do R de Aveiro vinha mais para baixo”, ao sublinhar que “cada um de nós tinha criado uma forma de identificarmos os nossos trabalhos, mesmo não estando assinados. Por isso, posso identificar o autor de cada um dos painéis da Igreja de Válega”.


