Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga
Um papa que não marcou golos, mas marcou pessoas
António Jorge Pires Ferreira
Folheando por acaso uma revista antiga, dei com uns episódios de João XXIII. Até aqui, nada de especial. João XXIII marcou a sua época com histórias reais e outras que, se não eram dele, ficavam bem nele e passaram a ser dele. As publicações da época estavam cheias delas. Mas esta já não é bem de época. João XXIII morreu em 1963 e esta é de 1977, 14 anos depois. E esta não é de religião nem de sociedade. É de… arbitragem futebolística. Na edição de “O
árbitro” de fevereiro de 1997, há três histórias de João XXIII. É impressionante que até o “órgão oficial da Comissão Central dos Árbitros de Futebol” inclua histórias do “Papa bom”. Reproduzimos as duas mais pequenas:
“Para visitar um velho prelado
agonizante, João XXIII irrompe,
de imprevisto, numa clínica dirigida por religiosas. Bate à porta
e a irmã de serviço julga desmaiar de emoção ao ver, diante
de si, o Papa.
«Não se assuste, minha irmã,
sou apenas o Papa».
E João XXIII, como toda a
gente, aguardou de pé, na antecâmera, que chagasse a Superiora”.
“Outrora, o acesso do público à
cúpula de S. Pedro era proibido
enquanto o Papa passeava nos
jardins do Vaticano. João XXIII
fez suprimir essa restrição, alegando: «Mas porque é que os fiéis
não hão-de poder ver-me? Não
faço nada de escandaloso…»”