
As comunidades pastorais numa Igreja sinodal
– CARTA PASTORAL –
O ano pastoral 2026-2027 é o último de um triénio que tem como objetivo e como horizonte pastoral global “promover e animar processos de corresponsabilidade e ministerialidade para uma identidade cristã numa Igreja sinodal”. Neste ano queremos criar e implementar as Comunidades Pastorais na Diocese: consolidar uma Igreja de comunhão, missão e participação, promovendo comunidades pastorais vivas, corresponsáveis e evangelizadoras, onde cada batizado assume o seu lugar na missão da Igreja.
O Papa Leão XIV, dirigindo-se, no ano passado, aos delegados da Assembleia Diocesana da sua diocese de Roma, afirmou : «O fruto do caminho sinodal, após um longo período de escuta e debate, foi, antes de tudo, o impulso a valorizar os ministérios e os carismas, inspirando-se na vocação batismal, colocando no centro a relação com Cristo e o acolhimento dos irmãos, começando pelos mais pobres, partilhando suas alegrias e dores, suas esperanças e esforços. (…) Pois bem, cabe-nos agora trabalhar para que a Igreja que vive em Roma (em Aveiro) se torne um laboratório de sinodalidade, capaz, com a graça de Deus, de realizar ‘obras do Evangelho’ num contexto eclesial marcado por desafios, especialmente na transmissão da fé».
Uma Igreja sinodal em missão, continua o papa, precisa desenvolver um estilo que valorize os dons de cada um e compreenda o papel da liderança como um exercício pacífico e harmonioso, para que, na comunhão inspirada pelo Espírito, o diálogo e as relações nos ajudem a vencer as numerosas pressões de oposição ou de isolamento defensivo. É urgente estabelecer uma pastoral solidária, empática, discreta, sem julgamentos, que saiba acolher a todos e propor percursos mais personalizados possíveis, adequados às diferentes situações de vida dos destinatários.
Só é possível caminharmos em sinodalidade se nos questionarmos: como é que este “caminhar juntos” se realiza na nossa Igreja de Aveiro? Que passos o Espírito nos convida a dar? Uma vez que todos somos discípulos missionários, de que maneira cada um de nós é convocado para ser protagonista da missão?
Os objetivos definidos para o triénio são uma referência, nomeadamente na pastoral especializada dinamizada pelos secretariados, departamentos, serviços e movimentos. Cada paróquia e cada realidade eclesial tem aqui um horizonte de caminho que deve ser trabalhado. Considerando que a criação das comunidades pastorais implica um “movimento para dentro” da realidade eclesial, alguns dos objetivos do triénio podem ser uma rica oportunidade para sermos uma Igreja que dialoga com a sociedade, sem medo, que saiba escutar antes de responder, que saiba construir pontes e assim anuncie o Evangelho com uma linguagem próxima e cativante.
É necessário ganhar uma consciência de Igreja mais coerente, como referem os documentos conciliares Lumen Gentium e Gaudium et Spes, uma Igreja incarnada no mundo, no diálogo com o mundo e ao serviço do mundo. A Igreja deverá ser ativa na ação missionária e reforçar a dimensão comunitária da fé e, por isso, precisa da colaboração de todos e sente a necessidade de trabalhar com todos. Este trabalho começa ad intra, no enriquecimento da reflexão e auscultação das diferentes sensibilidades, na coordenação dos meios humanos e materiais, no desenvolvimento de novas dinâmicas, e prolonga-se ad extra.
Os quatro eixos indicados para este ano pastoral – criação das comunidades pastorais, sinodalidade, ministérios laicais e formação – pretendem sublinhar as grandes opções pastorais da nossa Diocese em diálogo com a caminhada sinodal que a Igreja Universal está a fazer com a implementação das orientações do Documento Final do sínodo sobre a sinodalidade. Uma Igreja que queira desenvolver a sua força evangelizadora tem de promover no seu seio a corresponsabilidade. Todos os membros do Povo de Deus são necessários numa comunidade evangelizadora. Todos estão chamados a ser membros ativos e responsáveis. Ninguém se pode excluir desta missão de anunciar o Evangelho e, segundo as diferentes vocações, carismas e serviços, todos os membros do povo de Deus somos corresponsáveis da totalidade da missão da comunidade cristã.
A meta a alcançar é ousada, mas clara: consolidar comunidades pastorais missionárias, sinodais e ministeriais, onde todos os batizados participem correspon-savelmente na evangelização, na comunhão e no serviço, testemunhando assim a opção por seguir Jesus. Aos bispos italianos, Leão XIV pediu-lhes que «olhem para o amanhã com serenidade e não tenham medo de escolhas corajosas».
São muitos os desafios sobre os quais temos de refletir e decidir juntos: o desafio a edificar uma Igreja referida a Cristo, mais do que a si mesma; o desafio a levar a sério a natureza comunitária da Fé; o desafio a viver em estado de comunhão e de recomeço, através de uma leitura aberta dos sinais dos tempos e de uma capacidade renovada de aprofundar os aspetos espirituais que comportam uma ação apostólica mais sólida. A exortação que o Senhor nos dirige através do profeta Joel «Voltai para mim com todo o vosso coração» (Jl 2,12) é clara.
A Assembleia Diocesana Sinodal, marcada para os dias 24 de outubro, 7 e 22 de novembro, solenidade de Cristo Rei, vai exigir a participação de todo o povo de Deus que peregrina nesta Igreja de Aveiro. Aos Delegados dos vários setores da vida eclesial pede-se uma preparação cuidada e a todo o povo de Deus a oração ao Espírito Santo para que nos ilumine a discernir caminhos de futuro. Como disse o Papa na semana passada à sua Diocese, verificar a vida pastoral, à luz do Espírito Santo, «significa parar, reler o que aconteceu, reconhecer o que deu fruto, compreender o que não funcionou e procurar juntos as razões para tal. Significa, numa palavra, fazer verdade».
A Equipa de Pastoral Diocesana enviou no dia 16 de julho e, mais recentemente, no dia 1 de setembro, um conjunto de informações a que todos devemos estar muito atentos: a designação e critérios de escolha dos delegados, as inscrições e para onde devem ser enviadas…. Peço que tenham em conta as informações da Equipa de Pastoral Diocesana para que tudo decorra com normalidade e em ambiente de discernimento sinodal.
A inscrição de todos os participantes deve ser feita exclusivamente através do formulário disponível em https://forms.gle/pjCkmVpGU85R1jzn6, até 30 de setembro.
Conto com todos vós e, desde já, façamos uma preparação cuidada da Assembleia Sinodal com oração mais intensa e conversão do coração para aceitarmos“o que o Espírito tem a dizer às Igrejas”.
Aveiro, 14 de setembro de 2026, na festa da Exaltação da Santa Cruz.
+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.