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ASSEMBLEIA DIOCESANA SINODAL – Abertura

ASSEMBLEIA DIOCESANA SINODAL – Abertura

D. António Moiteiro na abertura da primeira sessão da Assembleia Diocesana Sinodal, no Seminário de Aveiro a 24 de outubro de 2026

1. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles” (Mt 18,20) – A comunhão

Estas palavras do Evangelho de S. Mateus estão inseridas no chamado discurso eclesial, onde Jesus ensina as normas da vida em comunidade: a atenção aos mais pequenos, a correção fraterna e o perdão. No versículo anterior (v. 19) Jesus faz a promessa da sua presença no meio de nós se nos reunirmos em seu nome: “se dois de entre vós se unirem para pedir qualquer coisa, hão de obtê-la de meu Pai que está no céu”.

A comunhão é o fruto e a expressão daquele amor que, brotando do coração de Deus Pai, se derrama em nós através do Espírito que Jesus nos dá (cf. Rm 5,5), para fazer de todos nós «um só coração e uma só alma» (At 4,32). Fazer comunhão com Cristo ajuda-nos a ver os sinais da presença de Deus no mundo e a manifestá-los a todos os que encontrarmos.

Para que a comunhão não seja algo abstrato é necessário que se estimule a comunicação, a relação interpessoal e de grupo, o trabalho em equipa, a colaboração…, evitando tudo aquilo que leve à dispersão, ao isolamento, à divisão. A vivência da comunhão faz crescer o povo de Deus e quanto mais a comunidade cristã estiver arraigada na experiência de Deus que brota duma fé viva, tanto mais será capaz de anunciar credivelmente aos outros a realização do Reino de Deus em Cristo.

2. “O Espírito Santo e nós próprios resolvemos não vos impor outras obrigações além destas, que são indispensáveis” (At 15,28) – o discernimento no Espírito.

O Concílio de Jerusalém, depois do discernimento comunitário, afirma que não se devem importunar os pagãos convertidos a Deus. A Lei não é vínculo de salvação e os apóstolos estão conscientes da assistência de Deus nas suas decisões: “O Espírito Santo e nós próprios resolvemos…” (At 15,28). É o Espírito Santo que dirige a Igreja na sua expansão missionária.

A implementação das comunidades pastorais requer tempo e paciência. Este é o tempo oportuno. Não há que ter medo; seguir Jesus, confiar e ousar. É um caminho, é um processo resultante do discernimento segundo o Espírito de Deus, mas que será alcançado no ritmo próprio de cada comunidade, de cada paróquia, de cada equipa pastoral. Nem todos caminham com o mesmo ritmo, mas todos caminham para o mesmo objetivo, que é anunciar a Boa Nova de Jesus nos tempos que vivemos.

3. “Ide e fazei discípulos… Eu estarei convosco até ao fim dos tempos (Mt 28, 19-20) – Anúncio do Evangelho.

Jesus manifesta-se na Galileia aos seus discípulos e envia-os a construir o Reino. Esta é a missão que nos congrega hoje e nas próximas sessões da Assembleia Diocesana Sinodal: sermos fiéis ao mandato missionário de Jesus e anunciar o Evangelho em todas as nossas paróquias e estruturas onde o Evangelho deve ser anunciado.

No encontro com os padres do seu presbitério de Roma, em 16 de fevereiro de 2026, o Papa Leão XIV pediu que aprendêssemos a trabalhar juntos e em comunhão. As mudanças culturais e antropológicas ocorridas nas últimas décadas tornam urgente voltar a anunciar o Evangelho. Num tempo que é novo, marcado por uma cultura diferente, plural, multifacetado e pluricultural, só mudando e adequando os modelos organizativos e os processos de ação pastoral, podemos transmitir o que não muda.

«A pastoral em chave missionária, como afirmava o Papa Francisco, exige o abandono deste cómodo critério pastoral: fez-se sempre assim. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respetivas comunidades» (EG 33). É fundamental tomar o cuidado de construir comunidades fervorosas e autênticas, ao mesmo tempo que acolhedoras e missionárias; oferecer caminhos de Evangelho que sejam de iniciação, isto é, que façam apelo aos recursos profundos da pessoa ou que a conduzam àquilo que de mais profundo a pessoa possui; pôr em ação o Evangelho da bondade, pois foi a caridade dos cristãos que lhes conferiu a sua credibilidade (cf. Carta Pastoral Deus caminha connosco).

Seguindo a tradição dos Apóstolos, a nossa vocação é ser discípulos e fazer discípulos. Dar testemunho de Jesus Cristo é o maior serviço que a Igreja pode oferecer, a fim de que “brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu” (Mt 5,16).

Aveiro, 24 de outubro de 2026.

+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro

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