Novos Ventos – 08 de Junho

Domingo de Pentecostes – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste Domingo celebramos a Solenidade de Pentecostes, a liturgia deste dia salienta o medo dos discípulos antes de receberem a força do Espírito Santo, eles encontravam-se com as portas fechadas com medo dos Judeus. A vida da Igreja surge pela força e ação do Espírito Santo. As portas fechadas aqui descritas não é apenas o espaço físico de uma habitação, mas o medo que paralisa e impede os discípulos de anunciar abertamente a experiência que tinham vivido com Jesus Cristo. Uma vez mais Jesus toma a iniciativa de vir ao encontro dos Apóstolos e colocando-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Esta paz é diferente daquela que o mundo pode oferecer é uma Paz interior, a paz de coração que dissipa todos os medos e receios. Depois, de Jesus ter transmitido esta mensagem de paz é descrito que soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo…». O significado de espírito é Pneuma = Ruah, esse sopro que Jesus faz sobre os Apóstolos é manifesto nos sete Dons do Espírito Santo: «Sabedoria, Entendimento, Conselho, Ciência, Fortaleza, Piedade e Temor de Deus». O Espírito Consolador que o próprio Jesus envia ao grupo dos Apóstolos e à Igreja é que a torna eficaz na sua ação missionária.

Cada cristão recebeu pelo Sacramento do Crisma essa mesma força do Espírito Santo, será que tendo recebido esses dons me fizeram estar comprometido na comunidade cristã, ou terei aprisionado o Espirito Santo deixando o medo tomar posse de mim?

A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, o autor dos Atos dos Apóstolos apresenta-nos o Espírito Santo como a Lei Nova que orienta e anima o Povo da Nova Aliança. O Espírito faz com que homens e mulheres de todas as raças e culturas acolham a Boa Nova de Jesus e formem uma comunidade unida e fraterna, que fala a mesma língua, a do amor.

A leitura da Epistola de São Paulo aos Coríntios, Paulo apresenta o Espírito como fonte de Vida para a comunidade cristã. É o Espírito que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros. Por isso, os dons do Espírito não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, apresenta-nos a comunidade da Nova Aliança reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, renovada, a partir do dom do Espírito. Fortalecidos pelo Espírito que Jesus ressuscitado lhes transmite, os discípulos podem partir ao encontro do mundo para o transformar e renovar.


Evangelho  de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Palavra da Salvação


O Papa: rezo pelas famílias que sofrem por causa da guerra

No Regina Caeli, com o qual encerrou a Missa do Jubileu das Famílias, Leão XIV voltou a pedir paz e a agradecer às “pequenas igrejas domésticas nas quais o Evangelho é acolhido e transmitido”. Recordou o Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o convite à mídia para que cuide da “qualidade ética das mensagens”, e as religiosas beatificadas este sábado na Polônia, mártires em 1945.

Famílias e guerra, dois opostos que, quando se encontram, são apenas terríveis histórias de tormento. As notícias mais recentes de Gaza oferecem um exemplo horrível: nove dos dez filhos de uma família mortos pelas bombas que estão incinerando a Faixa de Gaza. Assim, no dia em que, sob o sol romano, milhares de mães e pais, avós e netos celebram o seu Jubileu – num clima de afeto, com as crianças acariciadas nos braços e livres para brincar na Praça São Pedro, acompanhadas pelos sorrisos dos seus pais – a oração com que Leão XIV encerra o Regina Caeli ao final da Missa acende algo muito mais profundo no coração. Que a Virgem Maria abençoe as famílias e as apoie nas suas dificuldades: penso especialmente naqueles que sofrem por causa da guerra no Oriente Médio, na Ucrânia e em outras partes do mundo. Que a Mãe de Deus nos ajude a caminhar juntos no caminho da paz.

Amor apesar do terror

Como Francisco antes dele, Leão XIV também não perde a oportunidade pública de invocar a paz para aquelas partes do mundo onde hoje ela parece uma pobre utopia. No entanto, nem mesmo a guerra, com suas tragédias, pode matar o bem, especialmente o que nasce da fé. O Papa enfatiza isso recordando, no Regina Caeli, a beatificação, no sábado na Polônia, da irmã Cristofora Klomfass e das quatorze coirmãs da Congregação de Santa Catarina, Virgem e Mártir, mortas pelos soldados do Exército Vermelho em 1945. Apesar do clima de ódio e terror contra a fé católica, elas continuaram a servir os doentes e os órfãos. Confiamos à intercessão das novas Beatas Mártires todas as religiosas do mundo que generosamente se dedicam ao Reino de Deus.

A mídia e a “qualidade ética das mensagens”

Repetidos aplausos pontuam as palavras de Leão XIV quando ele mais uma vez expressa a alegria de ver diante de si tantas crianças “que reavivam a nossa esperança” e tantos avós e idosos, definidos como “modelos genuínos de fé e inspiração para as jovens gerações”. E ao tema da família, o Papa também vincula o agradecimento que dedica aos profissionais da mídia, no Dia Mundial das Comunicações Sociais: “Cuidando da qualidade ética das mensagens – diz ele –, eles ajudam as famílias em sua tarefa educativa”.


Leão XIII, Leão XIV e as coisas novas

Papa Pecci e a modernidade

O discurso de monsenhor Dario Edoardo Viganò, vice-chanceler da Pontifícia Academia das Ciências e da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, também se inseriu nessa linha. O Pontificado de Leão XIV “estabeleceu, desde o seu início, uma conexão direta com o de Leão XIII”, explicou Viganò. “Foi o próprio Papa Prevost”, recordou o decano da Faculdade de Ciências da Comunicação da Uninettuno, que estabeleceu “uma relação usando a palavra revolução”: assim como Leão XIII teve que enfrentar a “primeira grande revolução industrial”, hoje a Igreja, como o próprio Leão XIV declarou logo após sua eleição, é chamada a responder “a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial”. Para compreender a atualidade do Pontificado de Leão XIII, monsenhor Viganò sugeriu focar em uma imagem, “As belas artes abençoadas pela religião”, que pode ser admirada na galeria de candelabros dos Museus Vaticanos. Este afresco nos diz muito sobre Leão XIII: na imagem, em particular, aparece “uma coisa nova” da época do Papa Pecci. Trata-se de um dispositivo fotográfico no qual é possível reconhecer um modelo comercializado em 1839. Entre as coisas novas que se cruzam com o período histórico de Leão XIII está também o cinema. O Papa Pecci, disse monsenhor Viganò, acolheu essa novidade “ao decidir ser filmado em 1898 pelo cinegrafista William Dickson, da produtora estadunidense Biograph”. Leão XIII “não recua diante da mais recente invenção da modernidade, mas prontamente a transforma em instrumento de apostolado”.

Consonâncias entre mundos diferentes

Embora distantes no tempo, os Pontificados de Leão XIII e Leão XIV parecem ser interpelados por desafios semelhantes. A professora Anna Maria Carito, reitora da Universidade Uninettuno, relembrou alguns pontos de consonância entre as eras dos dois Papas. Um ponto em comum entre esses diferentes contextos históricos “é o pano de fundo da guerra”. Outro elemento de consonância está ligado às profundas transformações da revolução industrial e da atual era digital. O Papa Leão XIII, lembrou a professora Carito, indicou entre as prioridades a regulação do capital. Hoje, os principais desafios são colocados pelo sistema de algoritmos e, portanto, torna-se necessário regular o digital. Gianni Piacitelli Pecci, proveniente da família de Leão XIII, relembrou as primeiras palavras sobre a paz pronunciadas após a eleição de Leão XIV. O compromisso com a reconciliação também marcou o Pontificado de Leão XIII, que, no século XIX, desempenhou um papel mediador em uma disputa entre a Espanha e a Alemanha sobre as Ilhas Carolinas. A dimensão missionária também foi central na vida do Papa Leão XIV. E Leão XIII, recordou Gianni Piacitelli Pecci, estruturou as missões no mundo. É preciso também recordar, disse o parente de Leão XIII, a relação do Papa Pecci com os Estados Unidos: a encíclica Longinqua Oceani é dedicada, por exemplo, precisamente à Igreja estadunidense. Por fim, o professor Luis Okulik, secretário da Comissão de Pastoral Social do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, recordou algumas palavras-chave do Pontificado de Leão XIII: dignidade, trabalho, família. Palavras nas quais Leão XIV também se concentrou no início do seu Pontificado. Através destas e de outras diretrizes relevantes, a acolhida da modernidade e da contemporaneidade pela Igreja parece desdobrar-se, com o mesmo olhar moldado pelo Evangelho.

Palavra de vida (Junho 2025)

«Dai-lhes vós de comer» (Lc 9,13)

Estamos num lugar solitário, nos arredores de Betsaida, na Galileia. Jesus está a falar do Reino de Deus a uma multidão numerosa. O Mestre tinha-se deslocado para aqui com os apóstolos para os fazer repousar, depois de uma longa missão naquela região, na qual tinham pregado a conversão “anunciando a Boa-Nova e realizando curas por toda a parte”[1]. Cansados, mas com o coração cheio, contavam o que tinham vivido. As pessoas, porém, tendo-o sabido, dirigiram-se para lá. Jesus acolhe-as a todas: escuta, fala, cura. A multidão aumenta. A noite aproxima-se e a fome faz-se sentir. Os apóstolos preocupam-se e propõem ao Mestre uma solução lógica e realista: «Despede a multidão, para que, indo pelas aldeias e campos em redor, encontre alimento e onde pernoitar». Afinal de contas, Jesus já tinha feito muito… Mas Ele responde: Silvano Malini

Novos Ventos – 01 de Junho

Domingo da Ascensão do Senhor – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste Domingo da Ascensão do Senhor a liturgia convida a assumir a nossa responsabilidade de discipulado, isto é, de um estrito relacionamento com Cristo. Sabendo que só o conseguimos verdadeiramente quando animados pela força do Espírito Santo: «recebereis a força do alto». Na verdade, quando dependemos apenas das nossas capacidades humanas ou das nossas qualidades, nada fazemos de bom porque impera o nosso egoísmo, a vaidade e não confiamos na graça de Deus. O próprio Jesus é quem nos diz: «sem Mim nada podeis». Embora, Jesus subiu ao Céu e hoje celebramos essa liturgia, mas Ele enviou o Espírito da Verdade, o Consolador, para fortalecer a Igreja nos momentos de provações e dificuldades. O Evangelho revela que depois de terem visto Jesus a ser elevado ao Céu, os discípulos voltaram para Jerusalém cheios de alegria. Porquê essa alegria ao verem o seu Mestre a subir ao Céu? Porque fazem a experiência de uma realidade nova, a Jerusalém Celeste e também porque Jesus enviou o Espírito Santo sobre eles e prometeu «ficar com eles até ao fim dos tempos».

Agora a presença de Jesus já não é meramente Humana, já não está limitada a um espaço físico, uma aldeia ou cidade, mas a Sua presença é Real no Sacramento da Eucaristia, na comunidade crente que se reúne para rezar e que permite Ser Omnipresente, isto é, estar em todo o lado.

A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, repete a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter comunicado aos homens o projeto do Pai, entrou na Vida definitiva da comunhão com Deus, a mesma vida que espera todos os que percorrem o “caminho” que Jesus percorreu. Os discípulos, testemunhas da partida de Jesus, não podem ficar a olhar para o céu; mas têm de ir para o meio dos homens, seus irmãos, continuar o projeto de Jesus.

A leitura da Epistola de São Paulo aos Efésios, convida os discípulos a terem consciência da “esperança” a que foram chamados: a Vida plena de comunhão com Deus. É essa “esperança” que ilumina o horizonte daqueles que fazem parte da Igreja, o “corpo” do qual Cristo é a “cabeça”.

Conclusão do Evangelho Segundo São Lucas, Jesus ressuscitado despede-se dos discípulos e passa-lhes o testemunho. Os discípulos, formados na “escola” de Jesus, têm como missão levar o Evangelho a todas as nações, anunciar a todos os homens e mulheres o amor e a misericórdia de Deus. Não estarão sozinhos: Jesus vai enviar-lhes, como ajuda, o “prometido do Pai”, a “força do alto, o Espírito Santo. Esse Espírito dar-lhes-á a força necessária para enfrentar os obstáculos e ajudá-los-á a discernir os caminhos que devem percorrer.


Conclusão do Santo Evangelho Segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas disso. Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus. Palavra da Salvação


Palavra de vida (Maio 2025)

«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo». (Jo 21,17)

Também, a cada um de nós, Jesus faz a mesma pergunta: amas-me? Queres ser meu amigo?

Ele sabe tudo: conhece os talentos que Dele mesmo recebemos, como também as nossas fraquezas e feridas, por vezes a sangrar. Não obstante, renova a sua confiança, não nas nossas forças, mas na amizade com Ele. Nesta amizade, Pedro encontraria também a coragem para testemunhar o amor por Jesus até dar a sua própria vida. «Todos nós passamos por momentos de fraqueza, de frustração, de falta de coragem: […] adversidades, situações dolorosas, doenças, mortes, provas interiores, incompreensões, tentações, fracassos […] E há quem se sinta incapaz de ultrapassar certas provas que desabam sobre o físico e sobre a alma, e por isso já não pode contar com as suas forças, e fica na condição de confiar só em Deus. E Ele intervém, atraído por esta confiança. Onde Ele atua, faz coisas grandes, que parecem ainda maiores, precisamente porque brotam da nossa pequenez»[3]. Na vida quotidiana podemos apresentar-nos a Deus tal como somos e pedir a Sua amizade que cura. Neste abandono confiante na sua misericórdia, podemos regressar à intimidade com o Senhor e retomar o caminho com Ele.

«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo»

Esta Palavra de vida pode tornar-se também uma oração pessoal, a nossa resposta para nos confiarmos a Deus, com as nossas poucas forças e agradecer-Lhe pelos sinais do Seu amor:  «[…] Amo-Te, Senhor, porque entraste na minha vida mais do que o ar nos meus pulmões, mais do que o sangue nas minhas veias. Entraste onde ninguém podia entrar, quando ninguém me podia ajudar, sempre que ninguém me podia consolar. […] Faz com que eu Te seja grata – ao menos um pouco – no tempo que me resta, por este amor que derramaste sobre mim, e me impeliu a dizer-Te: Amo-Te»[4]. Também nos nossos relacionamentos em família, na sociedade e na Igreja, podemos usar o estilo de Jesus: amar a todos, tomar a iniciativa de amar, “lavar os pés”[5] aos nossos irmãos, sobretudo aos mais pequenos e vulneráveis. Aprenderemos a aceitar cada um com humildade e paciência, sem julgar, estando disponíveis para pedir e receber o perdão, para compreender juntos como caminhar lado a lado na vida. Letizia Magri


Papa: cesse guerra na Ucrânia. De Gaza, se eleva o pranto de quem perdeu um filho

Os corpos de crianças sem vida, as casas destruídas, o desespero daqueles que permanecem e lidam com uma dor inexplicável e sem fim. Estas são as imagens que a guerra na Ucrânia e a ofensiva na Faixa de Gaza evocam com força. O Papa Leão XIV não é indiferente ao que está acontecendo e, desde que foi eleito à Cátedra de Pedro, não se cansa de clamar pela paz e pela proteção dos civis. Seu primeiro pensamento, ao final da audiência geral desta quarta-feira (28/05), vai para o povo ucraniano “atingido por novos e graves ataques contra civis e infraestrutura”. Ações que continuam enquanto, no nível diplomático, o trabalho está em andamento após a proposta do presidente ucraniano Zelensky de uma cúpula tripartite com os presidentes estadunidense Trump e russo Putin, na tentativa de aprovar o cessar-fogo. Asseguro minha proximidade e minhas orações por todas as vítimas, especialmente pelas crianças e famílias. Renovo com força o apelo para que cessem a guerra e apoiem todas as iniciativas de diálogo e de paz. Peço a todos que se unam à oração pela paz na Ucrânia e onde quer que se sofra com a guerra.

Um abrigo seguro

O cenário muda, mas o sofrimento permanece o mesmo na Faixa de Gaza, e o Papa Leão pensa nas crianças mortas. Da Faixa de Gaza, o pranto de mães e pais que abraçam os corpos sem vida de crianças e que são continuamente forçados a se deslocar em busca de um pouco de comida e um abrigo mais seguro contra os bombardeios se eleva cada vez mais intensamente. O Unicef, hoje mesmo, divulgou números impressionantes: mais de 50 mil crianças foram mortas ou feridas desde outubro de 2023. O pedido do Papa é claro: Aos responsáveis, renovo meu apelo: cesse o fogo; todos os reféns sejam libertados; seja respeitado integralmente o direito humanitário.

Leão XIV: sem pressa e como o Bom Samaritano, ter compaixão e parar para ajudar o próximo

O Bom Samaritano

A parábola usada desta vez por Leão XVI foi uma das mais famosas de Jesus, aquela do Bom Samaritano (ver Lc 10,25-37), quando um doutor da Lei que, centrado em si mesmo e sem se preocupar com os outros, interroga Jesus sobre quem é o “próximo” a quem deve amar. O Senhor procura mudar a ótica contando a parábola que “é uma viagem para transformar a questão”: não se deve perguntar quem é o próximo, mas fazer-se próximo de todos os que necessitam. O cenário da parábola é “o caminho percorrido por um homem que desce de Jerusalém, a cidade sobre o monte, para Jericó, a cidade abaixo do nível do mar”, um caminho “difícil e intransitável, como a vida”, comentou o Pontífice. Durante o percurso, aquele homem “é atacado, espancado, roubado e deixado meio morto”. Uma experiência vivida diariamente, quando nos encontramos com o outro, com a sua fragilidade, e podemos decidir cuidar das suas feridas ou passar longe: “A vida é feita de encontros, e nesses encontros nos revelamos quem somos. Encontramo-nos perante o outro, perante a sua fragilidade e a sua fraqueza e podemos decidir o que fazer: cuidar dele ou fingir que nada acontece.”

A compaixão é uma questão de humanidade

Um sacerdote e um levita, que “vivem no espaço sagrado”, passam pelo mesmo caminho. No entanto, “a prática do culto não leva automaticamente à compaixão”, recordou Leão XVI, porque “antes de ser uma questão religiosa, a compaixão é uma questão de humanidade! Antes de sermos crentes, somos chamados a ser humanos”. Muitas vezes a pressa, “tão presente nas nossas vidas”, também pode nos impedir de experimentar a compaixão, que deve ser expressa em gestos concretos. “Aquele que pensa que a sua própria viagem deve ter prioridade não está disposto a parar por um outro”, alertou o Pontífice, diversamente do samaritano que se fez próximo daquele que estava ferido. “Este samaritano para simplesmente porque é um homem perante um outro homem que precisa de ajuda. A compaixão é expressa através de gestos concretos. O evangelista Lucas detém-se nas ações do samaritano, a quem chamamos ‘bom’, mas que no texto é simplesmente uma pessoa: o samaritano se aproxima, porque se se quer ajudar alguém não se consegue pensar em manter a distância, é preciso envolver-se, sujar-se, talvez contaminar.” O Bom Samaritano toma conta dele, “porque realmente se ajuda quem está disposto a sentir o peso da dor do outro”, ressaltou Leão XIV, porque “o outro não é um pacote para ser entregue, mas alguém para cuidar”. Como Jesus faz conosco, assim devemos fazer com nossos irmãos necessitados de auxílio: “Queridos irmãos e irmãs, quando é que nós também seremos capazes de parar a nossa viagem e ter compaixão? Quando compreendermos que aquele homem ferido na estrada representa cada um de nós. E então a recordação de todas as vezes que Jesus parou para cuidar de nós, vai nos tornar mais capazes de sentir compaixão. Rezemos, então, para que possamos crescer em humanidade, para que as nossas relações sejam mais verdadeiras e ricas em compaixão.”

Novos Ventos – 25 de Maio

VI Domingo da Páscoa – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste VI Domingo de Páscoa o evangelista São João coloca em evidência o Amor esponsal entre Deus e os homens. Jesus dirigindo-se aos seus discípulos disse: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada». Quem são estes discípulos? Não há dúvida alguma que são os seus seguidores. Todavia, não temos o nome de nenhum, isto é, os seus seguidores também somos nós hoje que pelo baptismo nos tornamos cristãos. Então estas palavras são dirigidas a cada um de nós. Por isso, já temos a certeza de que a forma de estarmos unidos a Jesus é «guardar a sua Palavra»; guardar não significa ter a Bíblia e coloca-la numa estante como adorno de nossa casa, mas sim meditar, compreender, viver. Jesus é claro aquele que vive segundo a palavra é amado pelo Pai. Todavia, Jesus não se limita a dizer que somos amados pelo Pai, mas que que Jesus e o Pai entram na nossa vida e fazem em cada um de nós a Sua morada.

Jesus diz aos discípulos que tem uma Paz para lhes dar diferente daquela que o mundo pode oferecer, a verdadeira Paz é sentir-se amado por Deus e receber d’Ele todas as graças de modo particular de termos a possibilidade de sermos salvos por Ele e receber como herança a Vida Eterna.

A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, mostra-nos a comunidade dos discípulos de Jesus a caminhar pela história e a ser confrontada com novos desafios e com novas realidades. Cumpre-se o que Jesus tinha dito: o Espírito Santo, dom de Deus, ajuda os discípulos a discernir o caminho certo, a separar o essencial do acessório, a desenhar caminhos por onde o Evangelho chegue a todos os povos da terra.

A leitura do Livro do Apocalipse, apresenta-se mais uma vez a meta final da caminhada da Igreja: a “Jerusalém messiânica”, a cidade da luz e da paz, o Templo perfeito onde os discípulos do “Cordeiro” (Jesus) viverão em comunhão plena com Deus.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, Jesus, na véspera da sua morte, despede-se dos discípulos. Diz-lhes que vai para o Pai, mas que estará sempre em comunhão com eles. O Espírito Santo que vão receber ensinará aos discípulos “todas as coisas”, recordar-lhes-á tudo o que Jesus lhes disse enquanto andou com eles, fará com que eles se mantenham em comunhão com Jesus. Dessa forma os discípulos poderão continuar no mundo o projeto de Jesus, até ao reencontro final com Ele.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis». Palavra da Salvação


Leão XIV na Audiência Geral: a Palavra de Deus é para todos, mas atua diferente em cada um

“Estou feliz em receber vocês nesta minha primeira Audiência Geral”, disse o Papa Leão XIV, logo no início da catequese, a sua primeira no encontro semanal e com cerca de 40 mil fiéis na Praça São Pedro. Também é a segunda do ciclo de catequeses jubilares, preparada pelo Papa Francisco e divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé em 16 de abril, durante o período de convalescença de Bergoglio que veio a falecer 5 dias depois e há exatamente um mês. Francisco tinha o desejo de “refletir sobre algumas parábolas” e Leão XIV retomou o tema “Jesus Cristo, nossa esperança”, escolhido por Bergoglio para este Ano Santo do Jubileu. Nesta quarta-feira (21/05), assim, o Papa meditou sobre a parábola do semeador (ver Mt 13,1-17), que fala da dinâmica e dos efeitos da Palavra de Deus, “e o que ela produz”, que é como semente deitada no terreno do nosso coração e no terreno do mundo.

As provocações e os questionamentos

“Cada parábola conta uma história retirada do quotidiano”, recordou Leão XIV, fazendo “nascer em nós perguntas” como: “onde estou eu nesta história? O que diz esta imagem à minha vida?”. De fato, continuou o Pontífice, “cada palavra do Evangelho é como uma semente lançada no solo da nossa vida”: “No capítulo 13 do Evangelho de Mateus, a parábola do semeador introduz uma série de outras pequenas parábolas, algumas das quais falam precisamente do que acontece no solo: o trigo e o joio, o grão de mostarda, o tesouro escondido no campo. Então, o que é este solo? É o nosso coração, mas é também o mundo, a comunidade, a Igreja. A palavra de Deus, com efeito, fecunda e provoca toda a realidade.” Deus, assim, espalha abundantemente a Palavra, ainda que ela nem sempre encontre terreno bom para produzir. “A Palavra de Jesus é para todos, mas atua de uma forma diferente em cada pessoa”, reforçou Leão XIV. “Estamos habituados a calcular as coisas – e às vezes é necessário – mas isso não vale no amor!”. E, apesar de atuar em nós de modo diverso, a Palavra conserva sempre o poder de fecundar as situações da vida de cada um, pois vem de Deus e Ele nunca desiste: “Jesus nos diz que Deus lança a semente da sua Palavra em todo o tipo de solo, ou seja, em qualquer das nossas situações: ora somos mais superficiais e distraídos, ora deixamo-nos levar pelo entusiasmo, ora somos oprimidos pelas preocupações da vida, mas também há momentos em que estamos disponíveis e acolhedores. Deus está confiante e espera que mais cedo ou mais tarde a semente floresça. Ele nos ama assim: não espera que nos tornemos o melhor solo, Ele nos dá sempre generosamente a Sua Palavra.” Leão XIV então, convidou os peregrinos a analisar uma obra de Vincent van Gogh (1853-1890), a do Semeador no Pôr do Sol. O pintor holandês, mundialmente conhecido que chegou a produzir quase 900 telas em menos de 10 dias, pintou um agricultor, com o trigo já maduro e “sob o sol abrasador” que domina a cena de esperança, lembrando que é Deus “quem move a história, mesmo que por vezes pareça ausente ou distante. É o sol que aquece os torrões da terra e faz amadurecer a semente”. E o Papa deixou a sua mensagem final de reflexão: “Queridos irmãos e irmãs, em que situação da vida nos chega hoje a Palavra de Deus? Peçamos ao Senhor a graça de acolher sempre esta semente que é a sua palavra. E se percebermos que não somos solo fértil, não desanimemos, mas peçamos-Lhe que trabalhe mais em nós para nos tornarmos um solo melhor.”


Palavra de vida (Maio 2025)

«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo». (Jo 21,17)

O último capítulo do Evangelho de João leva-nos até à Galileia, ao lago de Tiberíades. Pedro, João e outros discípulos, depois da morte de Jesus, voltaram ao trabalho de pescadores, mas aquela noite tinha sido particularmente infrutífera. O Ressuscitado manifesta-se ali, pela terceira vez. Exorta-os a lançar novamente as redes e, desta vez, apanham muitos peixes. Depois, na margem, convida-os a partilhar o alimento. Pedro e os outros tinham-No reconhecido, mas não ousavam dirigir-Lhe a palavra. Jesus toma a iniciativa e dirige-se a Pedro com uma pergunta muito exigente: “Simão, filho de Jonas, tu amas-me mais do que estes?” O momento é solene: por três vezes Jesus renova o chamamento de Pedro[1] para que cuide das suas ovelhas, das quais Ele mesmo é o Pastor[2].

«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo»

Contudo, Pedro reconhece que tinha traído Jesus e essa trágica experiência não lhe permitia responder de forma direta e afirmativa à pergunta de Jesus. Responde com humildade: “Tu sabes que Te amo”. Durante todo o diálogo, Jesus não censura Pedro por O ter negado, não se detém a sublinhar o erro. Chega até ele descendo ao plano das suas possibilidades, leva-o ao centro da sua ferida, para a sarar com a Sua amizade. A única coisa que lhe pede é reconstruir o relacionamento entre eles, na confiança recíproca. E de Pedro brota uma resposta que é um ato de reconhecimento da sua própria fraqueza e, ao mesmo tempo, de confiança ilimitada no amor acolhedor do seu Mestre e Senhor: Letizia Magri

Ucrânia: Meloni agradece ao Papa pela disponibilidade em sediar negociações de paz

Profunda gratidão a Leão XIV por seu compromisso incessante com a paz e por sua disponibilidade em sediar, no Vaticano, as próximas negociações sobre a Ucrânia. Em nota, o Palazzo Chigi, sede do Governo Italiano, expressa seu apreço pelo êxito do telefonema de terça-feira, 20 de maio, entre o Papa e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Uma conversa, especifica a nota, que “segue” o telefonema de terça-feira entre Meloni, “o presidente Trump e outros líderes europeus, durante o qual a primeira-ministra italiana foi solicitada a verificar a disponibilidade da Santa Sé em sediar as negociações”.

Todo esforço para difundir a paz

O Papa, já no dia 14 de maio, durante a audiência aos participantes do Jubileu das Igrejas Orientais, tinha indicado a vontade de empregar “todos os esforços” para que “esta paz se difunda”, especificando a disponibilidade da Santa Sé de ser um lugar onde “os inimigos se encontrem e se olhem nos olhos, para que aos povos sejam restituídas a esperança e a dignidade que merecem, a dignidade da paz. Os povos querem a paz e eu, com o coração na mão, digo aos líderes dos povos: encontremo-nos, dialoguemos e negociemos”.

O Vaticano, um lugar apropriado

Dois dias depois, o secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin, esclareceu – respondendo aos jornalistas – o significado concreto da disponibilidade da Santa Sé, ou seja, oferecer o Vaticano “para um encontro direto entre as duas partes”, a fim de iniciar “negociações diretas, pelo menos conversem. É uma disponibilidade de lugar. Sempre dissemos isso, sempre repetimos: ‘Estamos disponíveis. Se quiserem se encontrar, a Santa Sé, o Vaticano pode ser um lugar apropriado’. Com todas as discrições do caso”.

Novos Ventos – 18 de Maio

V Domingo da Páscoa – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste V Domingo de Páscoa a liturgia revela duas dimensões: a primeira consiste na Glorificação de Jesus, isto é, Jesus revela que irá para junto do Pai, mas que não deixará os discípulos abandonados. A outra dimensão a sublinhar é o «testamento» ou regra de vida que Jesus deixa aos seus discípulos, como que um pai de família que deixa o (testamento) aos filhos, assim Jesus quer deixar uma regra aos seus Apóstolos: «Dou-vos um mandamento novo “que vos ameis uns aos outros”». Jesus afirma ser «um mandamento novo». Não se trata de amar aqueles que nos amam, nem amar os amigos, mas «Amar» como Ele nos amou, isto requer que estejamos capazes de doar a vida pelos outros. Essa é a máxima do «Amor» que não consiste numa afinidade entre pessoas, uma amizade, mas um amor sem limites. Jesus continua dizendo que a forma como a sociedade ou o mundo deve distinguir os discípulos ou os cristãos deve ser pautada pelo amor. Os cristãos não usam distintivos, nem um crachá com a identidade de ser cristão, mas devem ser reconhecidos pela sua forma de estar e de atuar no mundo.

Será essa a minha forma de estar na comunidade paroquial? Serei capaz de amar os outros segundo a medida do «Amor de Jesus», amor de entrega e doação? Por vezes a nossa capacidade de amar é muito débil e só procuramos amar aqueles que pensam como nós, aqueles que pertencem ao nosso grupo de amigos e não desta forma radical como o Senhor pede aos seus discípulos. Peçamos a Jesus um coração novo que seja capaz de um amor sem medidas.

A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, fala-nos de algumas das comunidades cristãs da Ásia Menor nascidas do labor missionário de Paulo e Barnabé. São comunidades que acolheram a Boa nova de Jesus e que aceitaram o desafio de viverem e de testemunharem o “mandamento novo”. Enquanto comunidades fraternas, animadas pelo dinamismo do Reino, elas são sal que dá sabor e luz que ilumina o mundo.

A leitura do Livro do Apocalipse, apresenta-nos a meta final para onde caminhamos: o novo céu e a nova terra, “a morada de Deus com os homens”, a casa definitiva dos que foram chamados a viver no amor, a cidade nova onde os filhos amados de Deus encontrarão vida em abundância.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, leva-nos à sala onde Jesus, pouco antes de ser preso e condenado à morte, celebrou uma ceia de despedida com os discípulos. Convida-nos a escutar e a tomar nota do “testamento” de Jesus: “dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros”. Este “mandamento” resume toda a vida, todos os ensinamentos, todas as palavras e gestos, todas as propostas de Jesus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem, e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros». Palavra da Salvação


Leão XIV: deixar para trás os conflitos e iniciar um novo caminho

Diplomacia pontifícia, expressão da catolicidade da Igreja

“No nosso diálogo, gostaria que prevalecesse sempre o sentido de família – a comunidade diplomática representa, com efeito, toda a família dos povos – partilhando as alegrias e as tristezas da vida e os valores humanos e espirituais que a animam”, disse Leão XIV, acrescentando: A diplomacia pontifícia é realmente expressão da própria catolicidade da Igreja e, na sua ação diplomática, a Santa Sé é animada por uma urgência pastoral que a impele a intensificar a sua missão evangélica ao serviço da humanidade, e não a procurar privilégios. “Essa ação combate toda a indiferença e chama continuamente a consciência, como o fez incansavelmente o meu venerado Predecessor, sempre atento ao grito dos pobres, dos necessitados e dos marginalizados, bem como aos desafios que marcam o nosso tempo, desde a salvaguarda da criação até à inteligência artificial.” A seguir, o Papa sublinhou três palavras-chave, que constituem os pilares da ação missionária da Igreja e do trabalho da diplomacia da Santa Sé: pazjustiça e verdade.

A paz constrói-se no coração e a partir do coração

Paz. “Demasiadas vezes pensamos nela como uma palavra “negativa”, ou seja, como uma mera ausência de guerra e de conflito, visto que o confronto faz parte da natureza humana e acompanha-nos sempre, levando-nos demasiadas vezes a viver num “estado de conflito” constante: em casa, no trabalho, na sociedade. A paz parece então uma simples trégua, uma pausa de repouso entre uma disputa e outra, porque, por mais que nos esforcemos, as tensões estão sempre presentes, um pouco como as brasas a arder sob as cinzas, prontas a reacender-se a qualquer momento”, sublinhou. “Nesta ótica, considero fundamental a contribuição que as religiões e o diálogo inter-religioso podem dar para promover contextos de paz”, e a “abertura sincera ao diálogo, animada pelo desejo de encontro e não de confronto”, disse ainda Leão XIV, ressaltando “a vontade de deixar de produzir instrumentos de destruição e de morte, porque, como recordou o Papa Francisco na sua última Mensagem Urbi et Orbi: “Não é possível haver paz sem um verdadeiro desarmamento! A necessidade que cada povo sente de garantir a sua própria defesa não pode transformar-se numa corrida generalizada ao armamento””.

Favorecer contextos em que a dignidade de cada pessoa é protegida

A seguir, passou para a segunda palavra: justiça. Segundo Leão XIV, “a busca da paz exige a prática da justiça. Como já referi, escolhi o meu nome pensando principalmente em Leão XIII, o Papa da primeira grande encíclica social, a Rerum novarum. Na mudança de época que estamos vivendo, a Santa Sé não pode deixar de fazer ouvir a sua voz perante os numerosos desequilíbrios e injustiças que conduzem, entre outras coisas, a condições indignas de trabalho e a sociedades cada vez mais fragmentadas e conflituosas. É necessário também esforçar-se para remediar as desigualdades globais, que veem a opulência e a indigência traçar sulcos profundos entre continentes, países e mesmo no interior de cada sociedade”.

A verdade não nos aliena

Por fim, a terceira palavra: verdade. Segundo o Pontífice, “não é possível construir relações verdadeiramente pacíficas, mesmo no seio da comunidade internacional, sem a verdade. Quando as palavras assumem conotações ambíguas e ambivalentes e o mundo virtual, com a sua percepção alterada da realidade, toma a frente sem medida, é difícil construir relações autênticas, uma vez que se perdem as premissas objetivas e reais da comunicação”. 


Palavra de vida (Maio 2025)

«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo». (Jo 21,17)

No texto é apresentada a primeira comunidade cristã, animada pela poderosa força do Espírito Santo, caracterizada pela comunhão que a impele a proclamar o Evangelho a todos, a boa nova: Cristo ressuscitou. São as mesmas pessoas que, antes do Pentecostes, estavam assustadas e desanimadas diante dos últimos acontecimentos, mas agora saem para a praça pública, prontas a dar testemunho até ao martírio, graças à força do Espírito que dissipou medos e receios.  Eram um só coração e uma só alma, atuavam o amor recíproco até ao ponto de colocarem em comum os seus bens: esta era a realidade que ia envolvendo um número cada vez maior de pessoas. Mulheres e homens no seguimento de Jesus, tinham escutado as suas palavras, tinham vivido com Ele no serviço e no amor preferencial pelos últimos, pelos doentes. Tinham visto com os próprios olhos os factos prodigiosos realizados por Jesus. As suas vidas tinham mudado, porque eram chamados a viver uma nova lei. Tinham sido as primeiras testemunhas da presença viva de Deus no meio dos homens. Mas para nós, seguidores de Jesus nos dias de hoje, o que significa dar testemunho? Letizia Magri

Leão XIV: com o coração na mão, peço para dialogarmos pela paz

E uma das primeiras audiências do Pontificado, Leão XIV acolheu os fiéis orientais com uma saudação que o “Oriente cristão repete incasavelmente neste tempo pascal” de fé e esperança sobre a Ressureição de Jesus – “o fundamento indestrutível”: “Cristo ressuscitou. Ressuscitou verdadeiramente!”. O Papa direcionou o olhar, assim, aos “irmãos e irmãs do Oriente, onde nasceu Jesus”, descrevendo-os como “preciosos” pela diversidade de proveniência, história e sofrimentos. 

O perigo de se perder o patrimônio das Igrejas Orientais

“São Igrejas que devem ser amadas”, citando o Papa Francisco, pelos “tesouros inestimáveis”, pela “vida cristã, sinolidade e liturgia”; com “um papel único e privilegiado”, como escreveu também João Paulo II. Já Leão XIII, recordou ainda o Papa, “foi o primeiro a dedicar um documento específico à dignidade das Igrejas” Orientais pela “legítima diversidade da liturgia e da disciplina orientais”. Na Carta Orientalium Dignitas (30 de novembro de 1894), Leão XIII também demonstrou uma preocupação que ainda é atual, pelo fato de muitos fiéis orientados serem “forçados a fugir dos seus território de origem por causa da guerra e perseguições, da instabilidade e pobreza”, correndo o risco de, “ao chegarem no Ocidente, de perder, além da pátria, também a própria identidade religiosa. E, assim, com o passar das gerações, se perde o inestimável patrimônio das Igrejas Orientais”. Junto a Leão XIII, o Papa se uniu em um apelo  aos “cristãos — orientais e latinos — que, especialmente no Oriente Médio, perseverem e resistam nas suas terras, mais fortes do que a tentação de abandoná-las. Aos cristãos é preciso dar a oportunidade, não apenas com palavras, de permanecer nas suas terras com todos os direitos necessários para uma existência segura. Peço a vocês que se empenhem para isso!”. Uma preservação dos ritos orientais que deve ser promovida “sobretudo na diáspora”, disse o Pontífice. Um pedido dirigido inclusive ao Dicastério para as Igrejas Orientais: “de me ajudar a definir princípios, normas e diretrizes por meio dos quais os Pastores latinos possam apoiar concretamente os católicos orientais da diáspora a preservar as suas tradições vivas e a enriquecer com a sua singularidade o contexto em que vivem”. “A Igreja precisa de vocês. Quão grande é a contribuição que o Oriente cristão pode nos dar hoje! Como temos necessidade de recuperar o sentido do mistério, tão vivo nas liturgias de vocês, que envolvem a pessoa humana na sua totalidade, cantam a beleza da salvação e inspiram o estupor pela grandeza divina que abraça a pequenez humana!”

Leão XIV e Santa Sé juntos para promover a paz 

O discurso de Leão XIV, então, se dirigiu fortemente por mais um apelo pela paz: “não tanto aquele do Papa, mas o de Cristo, que repete: ‘a paz esteja convosco'”. Uma paz tão necessária “da Terra Santa à Ucrânia, do Líbano à Síria, do Oriente Médio ao Tigré e ao Cáucaso, quanta violência!”, lamentou o Papa, que também convidou a rezar “por essa paz, que é reconciliação, perdão, coragem para virar a página e recomeçar”. A Igreja, insistiu o Pontífice, “não se cansará de repetir: silenciem as armas”: “Farei todo o possível para que essa paz se difunda. A Santa Sé está à disposição para que os inimigos se encontrem e se olhem nos olhos, para que os povos redescubram a esperança e a dignidade que merecem, a dignidade da paz. Os povos querem a paz, e eu, com o coração na mão, digo aos líderes das nações: encontremo-nos, dialoguemos, negociemos! A guerra nunca é inevitável, as armas podem e devem silenciar, pois não resolvem os problemas, mas os aumentam; porque entrará para a história quem semeará paz, não quem que criará vítimas; porque os outros não são, antes de tudo, inimigos, mas seres humanos: não vilões a serem odiados, mas pessoas com quem falar.”

Novos Ventos – 11 de Maio

IV Domingo da Páscoa – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste IV Domingo de Páscoa celebramos o domingo do Bom Pastor. Jesus é apresentado como o verdadeiro Bom Pastor que deu a Vida pelo seu rebanho. Contudo, a liberdade dada ao homem levou-o a seguir outros caminhos e a transviar-se dessa plena felicidade. O próprio Jesus sentiu na própria carne a rejeição e o abandono de tantos que O atraiçoaram, tantos que no caminho do Calvário Lhe viraram as costas, mas ELE o Bom Pastor ofereceu a Sua Vida por cada um de nós. Ao longo da história da Igreja vemos tantos homens e mulheres que procuraram seguir os passos de Cristo de forma radical e também eles foram incompreendidos pela sociedade do seu tempo, muitas vezes, injuriados, maltratados e até perseguidos por aqueles que estão dentro da própria Igreja, porque aquilo que diziam eram contrários ao pensamento do mundo; por exemplo São Francisco de Assis, Santo Padre Pio de Pietrelcina, Papa Bento XVI, Papa Francisco, etc. Ainda hoje assistimos uma forte perseguição à Igreja, pessoas empenhadas dentro da Igreja e aqueles que vivem à margem, isto é, que estão fora; assistimos constantemente a factos como estes caluniar ou não estar em comunhão com o Sumo Pontífice, só porque a nossa linha de pensamento não se enquadra com o caminho sinodal, ou simplesmente pela tentativa de maior comunhão e unidade entre as igrejas. Todavia, a figura de Pedro, por sucessão Apostólica é representado pelo Papa que exerce o poder de ligar e desligar e nós continuamos ainda hoje a perseguir a Igreja de Cristo. Como vivo eu esta comunhão com a Igreja? Serei também eu destas ovelhas tresmalhadas que não estão em comunhão com o Papa? Neste domingo do Bom Pastor, sou desafiado a rezar pelo Papa Leão XIV, pelo colégio cardinalício, pelos nossos bispos e pelos nossos párocos.  

A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, fala-nos de pessoas que assumem atitudes diferentes diante da proposta que o Pastor (Cristo) apresenta. De um lado estão “ovelhas” comodamente instaladas nas suas certezas, no seu orgulho, nas suas velhas seguranças, na sua autossuficiência, que recusam pertencer ao rebanho de Jesus; de outro, estão ovelhas interessadas em escutar a voz de Jesus e dispostas a segui-l’O até às pastagens da vida abundante. É esta última atitude que nos é proposta.

A leitura do Livro do Apocalipse, mostra-nos o reencontro final de Jesus com as suas ovelhas. Aquelas ovelhas que escutaram a voz de Jesus e O seguiram, venceram a injustiça, a violência e a morte. No final do seu caminho na terra, reencontraram Jesus, o Bom Pastor; com Ele acederão eternamente às fontes da água viva.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, apresenta Cristo como o Pastor bom e verdadeiro, que ama as suas ovelhas e que conhece cada uma delas. Aqueles e aquelas que querem fazer parte do rebanho de Jesus, devem escutar as suas indicações, acolher as suas propostas, dispor-se a segui-l’O. Jesus conduzi-las-á onde há vida verdadeira e nunca permitirá que as suas ovelhas – essas ovelhas a quem Ele tanto quer – lhe sejam roubadas.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos, e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só». Palavra da Salvação


Conclave, eis como se elege o Papa

A distribuição das cédulas

Preparadas e distribuídas as cédulas pelos cerimoniários (pelo menos duas ou três para cada cardeal eleitor), o último cardeal diácono sorteia, entre todos os cardeais eleitores, três escrutinadores, três encarregados de coletar os votos dos enfermos (infirmarii) e três revisores. Se nesse sorteio forem sorteados os nomes dos cardeais eleitores que, devido a enfermidade ou outro motivo, não puderem desempenhar essas funções, os nomes de outros cardeais serão sorteados em seu lugar. Essa é a fase de pré-escrutínio. Antes que os eleitores comecem a escrever, o secretário do Colégio de cardeais, o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias e os cerimoniários devem deixar a Capela Sistina, depois o último cardeal diácono fecha a porta, abrindo-a e fechando-a quantas vezes forem necessárias, como quando os infirmarii saem para coletar os votos dos enfermos e retornam à Capela.

O escrutínio

Após todos os eleitores terem colocado suas cédulas na urna, o primeiro escrutinador sacode a urna várias vezes para embaralhar as cédulas e, imediatamente depois, o último escrutinador procede à contagem das cédulas, retirando-as visivelmente uma a uma da urna e colocando-as em outro recipiente vazio. Se o número de cédulas não corresponder ao número de eleitores, todas elas deverão ser queimadas e uma segunda votação deverá ser realizada imediatamente. Se, ao invés, corresponder ao número de eleitores, segue-se a contagem. Os três escrutinadores sentam-se em uma mesa em frente ao altar: o primeiro pega uma cédula, abre-a, observa o nome do eleito e a passa para o segundo, que, depois de verificar o nome do eleito, a passa para o terceiro, que a lê em voz alta – para que todos os eleitores presentes possam marcar o voto em uma folha reservada para isso – e anota o nome lido. Se, durante a apuração, os escrutinadores encontrarem duas cédulas dobradas de modo que pareçam ter sido preenchidas por um único eleitor, se elas tiverem o mesmo nome, serão contadas como um único voto; se, ao invés, tiverem dois nomes diferentes, nenhum dos votos será válido, mas em nenhum dos casos a votação será anulada. Quando a contagem das cédulas termina, os escrutinadores somam os votos obtidos pelos vários nomes e os anotam em uma folha de papel separada. O último dos escrutinadores, na medida em que lê as cédulas, perfura-as com uma agulha no ponto em que a palavra Eligo está localizada e as insere em uma linha, para que possam ser preservadas com mais segurança. Quando a leitura dos nomes é concluída, as pontas da linha são amarradas com um nó e as cédulas são colocadas em um recipiente ou em um dos lados da mesa. A este ponto, os votos são contados e, depois de conferidos, as cédulas são queimadas em um fogão de ferro fundido usado pela primeira vez durante o Conclave de 1939. Um segundo fogão, de 2005, conectado, é usado para os produtos químicos que devem dar a cor preta no caso de não eleição e branca no caso de eleição. São necessários pelo menos 2/3 (dois terços) dos votos para eleger o Romano Pontífice. No caso específico do Conclave que começará na quarta-feira, 7 de maio, serão necessários 89 votos para eleger o Papa, sendo que o número de cardeais eleitores é 133.

Votações

As votações são feitas todos os dias, duas vezes pela manhã e duas vezes à tarde, e se os cardeais eleitores tiverem dificuldade em chegar a um acordo sobre a pessoa a ser eleita, após três dias sem resultado, as votações são suspensas por no máximo um dia, para uma pausa de oração, discussão livre entre os eleitores e uma breve exortação espiritual, feita pelo primeiro cardeal da ordem dos diáconos. A votação é então retomada. Depois de sete escrutínios, se a eleição não tiver ocorrido, há outra pausa para oração, conversação e exortação, feita pelo cardeal primeiro da ordem dos presbíteros.


Palavra de vida (Maio 2025)

«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo». (Jo 21,17)

Contudo, Pedro reconhece que tinha traído Jesus e essa trágica experiência não lhe permitia responder de forma direta e afirmativa à pergunta de Jesus. Responde com humildade: “Tu sabes que Te amo”. Durante todo o diálogo, Jesus não censura Pedro por O ter negado, não se detém a sublinhar o erro. Chega até ele descendo ao plano das suas possibilidades, leva-o ao centro da sua ferida, para a sarar com a Sua amizade. A única coisa que lhe pede é reconstruir o relacionamento entre eles, na confiança recíproca. E de Pedro brota uma resposta que é um ato de reconhecimento da sua própria fraqueza e, ao mesmo tempo, de confiança ilimitada no amor acolhedor do seu Mestre e Senhor: Letizia Magri

Pensamentos e emoções da Praça São Pedro: Leão XIV, “com ele sonhamos a paz”

Novo Papa, nova paz

Yona Tukuser é uma pintora nascida numa pequena aldeia na Bulgária e criada entre os ventos do Leste. Vive na Ucrânia há anos e, desde setembro, está em Roma, curadora de uma exposição sobre a fome que marcou a antiga União Soviética no pós-Segunda Guerra Mundial. Ela falou à mídia vaticana sobre um conflito que a impele todos os dias, desde 25 de abril, a ir à Praça São Pedro com um cartaz com a frase “Esperança pela paz”. Três palavras que condensam, em meio ao Jubileu da Esperança, o sentido de grande parte do pontificado do Papa Francisco, que nunca transcurou os lugares e as pessoas martirizadas pelas armas. “Avante”, costumava repetir o Pontífice. O tempo passa, avança sem se deixar abater. Enquanto Yona falava, ouviu-se um grito que se tornou coro. A fumaça branca. “Novo Papa, temos um novo Papa. Temos paz!” Yona ergueu os olhos, imediatamente cheios de lágrimas. Depois, abraços e sorrisos. Chorou de alegria, de esperança: lágrimas que não conhecem nação. “Nos últimos dias, vieram conversar comigo pessoas de Israel, da Rússia… todos falam de uma só coisa: paz”, disse ela, tremendo. “Tenho certeza: este será o Papa do diálogo, da reconciliação entre as religiões. O Papa da paz.”

O sonho de um pai

O Papa Francisco disse muitas vezes de “sonhar” com a paz. Um horizonte partilhado por um casal de jovens pais, Juan e Aisha, para sua pequena Sieg, de apenas nove meses e com um grande laço branco na cabeça. Eles são originários de Chicago e estiveram presentes na Praça São Pedro na noite anterior. Voltaram na tarde de quinta-feira. “O que esperamos dele? A paz. Para ela, sobretudo”, disse Juan, apontando para a menina que dormia, em paz, nos braços reconfortantes da mãe. Uma mensagem que parece uma profecia, quando o nome de Prevost foi anunciado como o novo Papa, nascido em Chicago.

Um Papa avô

Da capital do Estado estadunidense de Illinois também veio Mary Ann Ahern, correspondente da seção local da emissora NBC, cercada por compatriotas. “Ok, uau… Isso é como o Coachella para os católicos?” “Ok, uau, isso é como o Coachella para católicos.” Foi o que disse sorrindo Cassidy, com uma bolsa tiracolo e sotaque estadunidense, estudante de passagem por Roma por um semestre. Ela perguntou ironicamente à sua conterrânea se isso não é tipo um festival para os católicos, referindo-se ao grande evento musical realizado recentemente na Califórnia. O entusiasmo na praça lembrou a ela as vibrações do famoso evento artístico, mas desta vez não há luzes de neon nem guitarras elétricas. Apenas silêncio, depois alegria. Depois, expectativa. Ela abriu o aplicativo para anotações, gravou um áudio para uma futura redação para a universidade. Ela não é praticante, disse, mas hoje algo lhe tocou. “Sério? Ele me lembra um pouco o meu avô. Acho que estou um pouco emocionada agora.” “Preciso ser sincera? Ele me lembra um pouco o meu avô. Estou emocionada. “No final das contas, talvez esta seja a notícia: a espiritualidade que se reacende numa voz jovem, a imagem de um avô que se torna guia, a paz que se veste de branco e atravessa culturas. Na tarde de quinta-feira, na Praça São Pedro, o mundo ouviu apenas uma palavra e a entendeu em todas as línguas.

A caminho da salvação

Irmã Agata e a irmã Mary são religiosas ursulinas nascidas na Indonésia, mas residentes em Roma há cinco anos: “Rezamos pelo novo Papa como sempre fizemos por Bergoglio, sabemos que, guiados pelo Espírito Santo, ele iluminará a Igreja como seus predecessores”, disseram emocionadas. Kristina, de Munique, junto com sua companheira de peregrinação Bertha, lembrou-se do Papa Ratzinger: “Ele nos ensinou muito e tenho certeza de que Leão XIV também nos mostrará o caminho da salvação, assim como Bento XVI, com o espírito de um ‘humilde trabalhador na vinha do Senhor'”.