Novos Ventos – 19 de Janeiro

II Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste II Domingo do Tempo Comum a liturgia apresenta o episódio do milagre nas bodas de Caná na Galileia. Diante de uma festa de casamento em que tudo estava prestes a ser um fracasso, Jesus intervém e permite que tudo seja um grande êxito. No entanto, o texto revela que diante de tantos convidados na festa é Maria que se apercebe que alguma coisa não estava bem. Maria é assim muito subtil está presente nos momentos de alegria, mas também nos momentos difíceis, Ela não se impõe mas comunica ao Filho para interceder por aquele casal, por aquele casamento que poderia ser um fracasso. Maria como Mãe está sempre atenta aos seus filhos a cada um de nós, com um amor sempre maternal. Jesus ainda refutou dizendo que ainda não tinha chegado a Sua hora. Essa Hora é aquela da Sua total entrega pela salvação da humanidade é a hora de transformar o vinho no Seu Preciosíssimo Sangue e que constitui para nós uma Nova e eterna Aliança. É precisamente à volta da mesa que Jesus institui o Sacramento da Eucaristia e que realiza o Verdadeiro Milagre da Transubstanciação, isto é, tornar o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue.

Que Maria entre no coração de cada um de nós e seja o Porto seguro das nossas famílias e capazes deixar-nos conduzir pelos Seus ensinamentos ao ouvir as palavras: «Fazei tudo o que Ele vos disser».

A leitura do Livro de Isaías, um profeta anónimo fala a Jerusalém – a cidade triste e em ruínas que as tropas babilónicas destruíram e queimaram – e garante-lhe que Deus a ama com um amor sem fim. O amor de Deus irá regenerar Jerusalém, recriando-a e transformando-a numa “noiva” encantadora e resplandecente. Iluminada pelo amor, a cidade-esposa de Deus encherá de orgulho e de alegria o coração do seu marido.

A leitura do Apóstolo São Paulo aos Coríntios, Paulo lembra aos cristãos de Corinto que os “carismas”, enquanto sinais do amor de Deus, se destinam ao bem de todos. Não podem servir para uso exclusivo de alguns, nem podem ser fator de divisão e de tensão comunitária. Na partilha comunitária dos dons de Deus manifesta-se o amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, Jesus, no cenário da festa de casamento de um jovem casal de Caná da Galileia, apresenta o programa que se propõe concretizar: trazer o “vinho bom”, o “vinho” da alegria e do amor, à relação entre Deus e os homens. Da ação de Jesus – das suas palavras, dos seus gestos, do seu amor até ao extremo – nascerá a comunidade da nova “aliança”, a comunidade que vive no amor a Deus e que se dispõe a dar testemunho desse amor.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, __ ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam __ chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.
Palavra da Salvação


O Papa: não podemos ser cúmplices do abuso infantil

Abuso infantil, ato desprezível e atroz

Na semana passada, o Pontífice focou na “forma como, na sua obra, Jesus falou várias vezes sobre a importância de proteger, acolher e amar os mais pequenos”. “No entanto, ainda hoje no mundo, milhões de menores, mesmo não tendo a idade mínima para cumprir com as obrigações da vida adulta, são obrigados a trabalhar e muitos deles são expostos a trabalhos particularmente perigosos. Sem falar das crianças que são traficadas para prostituição ou pornografia, e dos casamentos forçados.”

“Infelizmente, nas nossas sociedades, existem muitas formas pelas quais as crianças são abusadas e maltratadas”, disse ainda Francisco, acrescentando: “O abuso infantil, de qualquer natureza, é um ato desprezível e atroz. Não é simplesmente um flagelo social e um crime; é uma violação muito grave dos mandamentos de Deus. Nenhuma criança deveria sofrer abusos. Mesmo um caso já é demais. Por isso, é necessário despertar consciências, praticar a proximidade e a solidariedade concreta com as crianças e os jovens vítimas de abusos e, ao mesmo tempo, construir confiança e sinergias entre aqueles que se comprometem a oferecer-lhes oportunidades e locais seguros para crescerem em paz.”

O Papa sublinhou que conhece um país da América Latina, “que produz uma fruta especial, muito especial, chamada “arando”, um tipo de mirtilo, mas para colher o arando são necessárias mãos delicadas e são as crianças a fazê-lo, escravizam as crianças para uma colheita”.

As crianças pagam o preço mais alto

Segundo o Papa, “a pobreza generalizada, a falta de ferramentas sociais de apoio às famílias, o aumento da marginalização nos últimos anos, a par do desemprego e da precariedade laboral, são fatores que descarregam sobre os mais jovens o preço mais elevado a pagar. Nas metrópoles, onde a exclusão social e a degradação moral são “gritantes”, existem crianças envolvidas no tráfico de droga e nas mais diversas atividades ilícitas“. “Quantas destas crianças vimos cair como vítimas de sacrifício! Por vezes, tragicamente, são induzidas a se tornarem “carrascos” de seus semelhantes, além de se prejudicarem a si mesmas, sua própria dignidade e humanidade. No entanto, quando na rua, no bairro da paróquia, estas vidas perdidas se apresentam ao nosso olhar, olhamos muitas vezes para o outro lado.”

Não ser cúmplice do trabalho infantil

Francisco prosseguiu sua catequese, dizendo que “é difícil para nós reconhecer a injustiça social que leva duas crianças, talvez residentes no mesmo bairro ou prédio, a tomarem caminhos e destinos diametralmente opostos, porque uma delas nasceu numa família desfavorecida. Uma fratura humana e social inaceitável: entre aqueles que podem sonhar e aqueles que devem sucumbir“. “Mas Jesus quer que todos sejamos livres e felizes e nos pede que paremos e ouçamos o sofrimento dos que não têm voz, dos que não têm escola. Combater a exploração, sobretudo a infantil, é a principal forma de construir um futuro melhor para toda a sociedade“, ressaltou Francisco, lembrando que “alguns países tiveram a sabedoria de incluir por escrito os direitos das crianças. As crianças têm direitos, pesquisem para descobrir quais são os direitos da criança”.


Núncio Cavalli: “Venha a Medjugorje, lugar de graça escolhido pelo Senhor”

Já há alguns anos o senhor vive na paróquia de Medjugorje e encontra peregrinos. Como tem sido a sua experiência? Eu nunca tinha estado em Medjugorje. Mas eu sou italiano e, como muitas pessoas do meu país, tive contato com aqueles que vieram para cá. Sempre percebia, quando retornavam de Medjugorje, que essas pessoas ficavam mais comprometidas em nível espiritual e humano: na igreja, nas catequeses, em fazer o bem. Eram muito mais comprometidas do que antes. Agora já estou aqui há três anos: é um lugar normal, sem nada de especial e, pela graça, se tornou, um lugar espiritual para onde vêm pessoas do mundo inteiro. Elas chegam começam a rezar. Elas entram em comunhão com o Senhor Jesus e a Virgem Maria os acompanha. É uma oração simples: querem mudar de vida, viver melhor do que antes, querem resolver ou enfrentar bem os problemas que têm. Uma mudança que se chama conversão, que ocorre em particular no Sacramento da Penitência. Isso acontece normalmente em Medjugorje.

Olhando para os tantos peregrinos que chegam, o que mais lhe chama a atenção?

Chegam jovens e adultos, sem nenhum patrocínio. Chegam todos com um objetivo: encontrar o Senhor e a Virgem Maria. Eles não encontram nada para ver ou visitar: como turismo religioso, somos zero. Mas aqui, jovens e adultos começam a rezar. Eu tinha acabado de chegar, em fevereiro de três anos atrás, e me vi entre os bancos ao ar livre atrás da igreja. Chega uma família latino-americana, com um jovem de quinze anos que era um rebelde, um verdadeiro rebelde! Depois de apenas cinco minutos ele veio se confessar… e seus pais o olhavam com surpresa. É um lugar de graça que o Senhor escolheu para ser encontrado. O ‘nulla osta’ do Papa significa dizer: ide, ide, ide! Ide porque é um lugar de graça, onde se encontra o Senhor e o Senhor é encontrado.

Graças às novas normas desejadas pelo Papa Francisco, agora o procedimento para examinar e pronunciar-se sobre esses casos se concentra mais nos frutos espirituais.

O Dicastério para a Doutrina da Fé examinou dois pontos que são documentáveis. O primeiro diz respeito aos frutos. Em Medjugorge chegam milhares e milhares de pessoas do mundo inteiro. Neste ano vieram dois milhões de pessoas, adultos e jovens. Quase 50.000 padres vieram para rezar, para se converter. Depois, outros frutos muito importantes são as muitas vocações. Tantas pessoas que rezam. O segundo elemento examinado foram as mensagens. Cada mensagem foi confrontada com a nossa fé e descobriu-se que as mensagens correspondem a ela. Frutos muito positivos e mensagens positivas para a fé: isso permitiu dizer que Medjugorje é um lugar de graça.

Palavra de Vida (Janeiro)

“Crês isto?”  (Jo 11,26).

“Uma das minhas filhas perdeu o emprego juntamente com todos os seus colegas, porque o governo extinguiu o órgão público para o qual trabalhavam”, diz Patrícia, de um país sul-americano. “Como forma de protesto, organizaram um acampamento em frente à sede da entidade. Eu procurava apoiá-los, participando de algumas das suas atividades, levando-lhes comida ou simplesmente ficando ali para conversar com eles.

Na Quinta-feira Santa, um grupo de sacerdotes que os acompanhava decidiu celebrar uma cerimônia, em que também foram oferecidos espaços de diálogo. Foi lido o Evangelho e se fez o gesto do lava-pés, em memória daquilo que Jesus tinha feito. A maioria dos presentes não adotava uma vida religiosa. Contudo, foi um momento de profunda união, de fraternidade e de esperança. Eles se sentiram abraçados e, com emoção, agradeciam aos sacerdotes que os acompanhavam na incerteza e no sofrimento.” 

A palavra de Jesus “Crês isto?” foi escolhida como guia para a “Semana de Oração pela Unidade Cristã de 20253”, mas serve para todos os tempos e lugares. Rezemos, então, e trabalhemos para que a nossa fé comum seja o que nos move na busca da fraternidade com todos: é a proposta e o desejo de Deus para a humanidade, mas exige a nossa adesão. A oração e a ação serão eficazes se brotarem dessa confiança em Deus e da nossa vivência coerente com essa fé. Silvano Malini

Novos Ventos – 12 de Janeiro

Festa do Batismo do Senhor – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste Domingo celebramos a Festa do Baptismo do Senhor. O evangelista São Lucas põe em evidência o apostolado de João Baptista que falava ao povo de modo tão audaz, que muitos julgavam se não seria Ele o Messias. João dirigindo-se ao povo diz-lhes que o baptismo por ele administrado era meramente de penitência, isto é, que devia levar a uma atitude de conversão interior e de purificação; contudo, João aponta para um outro tipo de Baptismo realizado por Jesus que consiste no Espírito Santo e com o fogo. O evangelista tem o cuidado de colocar a manifestação entre o Céu e a Terra que liga Jesus ao Pai. Os céus que se abrem o Espírito Santo que desce em forma de corporal, como uma pomba e a voz vinda do Céu que se fez ouvir: «Este é o meu Filho muito amado…». Aquilo que tínhamos perdido pela desobediência de Adão, é nos restituído pela graça e de novo os céus se abrem para nós por meio de Jesus Cristo. Em Cristo somos participantes desta filiação divina, que a graça baptismal nos faz participantes, cada um de nós é baptizado nesta Família Trinitária (Pai, Filho e Espírito Santo). Tenho consciência de que sendo participante desta Família sou corresponsável por cada cristão? Será que me preocupo com o outro, no sentido de o ajudar a crescer na intimidade e comunhão com Deus? Tal como o corpo humano tem muitos membros e todos fazem parte do mesmo corpo e se um membro sofre todo o corpo padece, assim sucede com este Corpo Místico. Cristo é a Cabeça nós somos os membros, se falta algum de nós a este Corpo, Ele permanece incompleto e continuamos a ultrajar o Corpo de Cristo.

A leitura do Livro de Isaías, anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Investido do Espírito de Deus, ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses esquemas não são os de Deus.

A leitura dos Atos dos Apóstolos, reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projeto de salvação em favor dos homens; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, aparece-nos a concretização da promessa profética da primeira leitura: Jesus é o Filho/”Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-Se pessoa, identificou-Se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à Vida em plenitude.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naquele tempo, o povo estava na expetativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias. João tomou a palavra e disse-lhes: «Eu batizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».
Palavra da Salvação


O Papa: rezem pelas crianças que não têm a possibilidade de receber tratamento

Neste ano jubilar o Papa Francisco recebeu diversas crianças oncológicas e dirigiu-lhes palavras de esperança: “Dou-lhes as boas-vindas e fico feliz por terem conseguido organizar essa peregrinação neste Ano Jubilar, que se concentra na esperança. É um ano em que Deus quer nos conceder graças especiais”.

Jesus está presente em vocês

Ao vir ao seu encontro, senti uma alegria no coração porque temos a oportunidade de dar esperança e amor uns aos outros. E há outra razão: vocês, queridas crianças e adolescentes, são sinais de esperança para mim. E por quê? Porque tenho certeza de que Jesus está presente em vocês. E onde Ele está, ali está a esperança que não decepciona! Jesus assumiu sobre si os nossos sofrimentos, por amor, e assim também nós, através do seu amor, podemos unir-nos a Ele quando sofremos.

Prova de amizade

Segundo o Papa, quando se é realmente amigo, “a alegria do outro também é a minha alegria, e a dor do outro também é a minha dor”. “Esta é uma prova de amizade”, disse ele. Certa vez, Jesus disse aos seus discípulos: «Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas eu os chamei amigos». “Vocês também são seus amigos, e podem compartilhar alegrias e tristezas com Ele”, frisou. “Outra prova da amizade de Jesus para com vocês é o amor e a presença constante de seus pais, é o sorriso gentil e terno dos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, que cuidam de vocês e trabalham para melhorar sua saúde, para que vocês não percam seus sonhos e esperanças”, sublinhou ainda Francisco.

Rezar pelas crianças doentes

“Eu também os chamo de amigos: vocês são amigos! E gostaria de pedir-lhes que me ajudassem a servir a Igreja. Como? Oferecendo, às vezes, suas orações e seus sofrimentos pelas intenções do Papa”, disse ainda Francisco aos pequenos pacientes da Clínica de Oncologia e Hematologia Pediátrica de Breslávia. O Papa os convidou a rezar pelas crianças, “e são muitas, infelizmente, que não têm a possibilidade de receber tratamento, que estão doentes, ou feridas, não têm medicamentos, não têm um hospital” para ir, e “não dispõem de médicos ou enfermeiros”.

Crianças corajosas

“Obrigado por terem vindo! Vocês são crianças corajosas! Assim, vocês são testemunhas da esperança para nós, adultos, e para seus coetâneos. Por fim, Francisco agradeceu as pessoas que acompanharam as crianças: o Cônsul Honorário de Luxemburgo na Polônia, uma professora e os organizadores dessa peregrinação, os médicos, os enfermeiros, um sacerdote e os pais, peregrinos da esperança junto com os seus filhos. Confiou a todos “ao Coração de Jesus, por meio do Imaculado Coração de Maria”.


Embaixadores no Vaticano: a esperança fortalece o compromisso pela paz mundial

Esperança e paciência como coordenadas do bom diplomata

As palavras do Papa, na mensagem Urbi et Orbi de Natal, anunciando a abertura do Ano Santo, interpelam “diretamente nosso papel como diplomatas”, observou o embaixador, que convidou a “saber aproveitar cada oportunidade de abertura, mesmo que mínima”. Isso “exige constância e comprometimento”, conforme recordou Francisco durante sua viagem à Bélgica e Luxemburgo, além de “paciência”, como no “processo de construção de uma Europa unida e pacificada”, para o qual é necessário “restabelecer relações e reconstruir a confiança entre as nações”. Além disso, “é preciso dedicar tempo à acolhida de migrantes e à construção de sociedades multiculturais e multirreligiosas”, continuou Poulides, acrescentando que “‘esperança’ e ‘paciência’ devem ser as coordenadas de todo bom diplomata para que os conflitos, enfim, sejam resolvidos”.

Cancelamento da dívida: reparação ética e moral

O decano do corpo diplomático credenciado junto à Santa Sé também citou o incentivo do Papa, durante sua viagem à Indonésia, no encontro com o Grande Imã Nasaruddin Uman na Mesquita de Istiqlal, para “caminhar em busca de Deus e contribuir para construir sociedades abertas, baseadas no respeito mútuo e no amor recíproco”. Poulides destacou ainda “a necessidade de uma justa e equitativa redistribuição dos recursos”, mencionada por Francisco em Timor-Leste, Papua Nova Guiné e Singapura, e recordou diversos apelos do Papa à comunidade internacional para que esteja ao lado dos países em dificuldade, ajudando-os a se tornarem sociedades mais justas, livres e abertas. Entre as várias soluções propostas pelo Pontífice, o embaixador de Chipre mencionou “o cancelamento da dívida econômica que os países mais pobres contraíram, muitas vezes de forma forçada, com os países mais ricos”. Essa medida não seria “por caridade ou compaixão, mas como uma reparação ética e moral”, dado que se reconhece “a existência de uma dívida ecológica dos países industrializados com o Sul global, que deve pagar duplamente pelo sofrimento causado pela exploração de que é vítima”.

Recuperar o coração

Por fim, George Poulides reiterou o convite do Papa para abrir “as portas do coração”, feito durante a abertura da Porta Santa na prisão de Rebibbia, em 26 de dezembro passado, e destacou que a mudança deve começar em cada pessoa, e que é necessário aprender a amar a si mesmo e ao próximo. Como se lê na encíclica Dilexit nos, o mundo, marcado por guerras e desequilíbrios, precisa “recuperar ‘o que é mais importante: o coração'”.

Palavra de Vida (Janeiro)

“Crês isto?”  (Jo 11,26).

Jesus convida a viver uma vida nova aqui e agora. Ele nos chama a experimentá-la todos os dias, sabendo que, conforme redescobrimos no Natal, foi Ele mesmo que nos trouxe essa vida nova, tomando a iniciativa de nos procurar e de vir para estar entre nós.

Como responder à pergunta que Ele faz? Olhemos para Marta, a irmã de Lázaro.

No diálogo com Jesus, brota uma profissão de fé completa Nele. O texto grego original expressa isso com força ainda maior. A declaração de Marta “eu creio” significa, com todas

as consequências, “atingi a fé”, “creio firmemente” que “tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que vem ao mundo2”. É uma convicção amadurecida ao longo do tempo, comprovada nas diversas circunstâncias que ela enfrentou na vida. 

O Senhor dirige a sua pergunta também a mim. Pede também a mim que tenha uma confiança generosa Nele e que adote o seu estilo de vida, fundamentado no amor generoso e concreto para com todos. A perseverança amadurecerá a minha fé, que se fortalecerá ao constatar dia após dia como são verdadeiras as palavras de Jesus. Silvano Malini

Novos Ventos – 05 de Janeiro

Solenidade da Epifania do Senhor – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste Domingo celebramos a Epifania do Senhor, isto é, a manifestação de Deus que se revela na humanidade de Jesus Cristo. Jesus é Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem. O Evangelho de hoje descreve que uns Magos vindos do Oriente surpreendidos por um Astro Luminoso são capazes de deixar os seus projectos pessoais, as suas vidas, os seus afazeres e empreendem uma viagem rumo ao desconhecido. Uma Luz diferente entre muitas luzes no céu estrelado, mas que compreendem que Aquele Astro é diferente e ousam caminhar juntos até Belém, sem conhecer o caminho nem se deixarem condicionar pelas adversidades do tempo ou dos perigos inerentes a essa viagem. Quando chegam junto do rei Herodes a estrela deixa de brilhar, os Magos vão junto de Herodes pedir informações acerca do Menino. Logo que saem da presença de Herodes, o Astro luminoso voltou a aparecer e os conduziu até ao lugar onde se encontrava a Verdadeira Luz, Jesus Cristo. O verdadeiro Astro que ilumina todos os povos da terra é Jesus Cristo.

Na nossa vida muitas vezes fazemos muitos calculismos ficamos presos nas adversidades, nos perigos e nas dificuldades e não ousamos fazer uma viagem que nos leve a um encontro pessoal com Cristo. Não temos a capacidade de ler os sinais dos tempos, não vemos que a verdadeira Luz é Cristo. Todos nós precisamos de luz, ninguém gosta de andar nas trevas, se existe uma falha de energia andamos todos à deriva. No entanto, nesta quadra natalícia não faltou a iluminação nas nossas cidades, nas nossas casas e nos estabelecimentos comerciais, todavia, essas luzes não levaram à experiência realizada pelos Magos ajoelhar e a adorar a verdadeira Luz «Jesus Cristo».

A leitura do Livro de Isaías, anuncia a Jerusalém a chegada da luz salvadora de Deus. Essa luz transfigurará o rosto da cidade, iluminará o regresso a casa dos exilados na Babilónia e atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.

A leitura da Epistola do Apóstolo São Paulo aos Efésios, apresenta o projeto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos – a comunidade de Jesus.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm uns “magos” do oriente, que representam todos os povos da terra… Atentos aos sinais da chegada do Messias, esses “magos” procuram-n’O com esperança até O encontrar, reconhecem n’Ele a “salvação de Deus” e aceitam-n’O como “o Senhor”. A salvação rejeitada pelos habitantes de Jerusalém torna-se agora um dom que Deus oferece a todos os homens, sem exceção.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos Judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho. Palavra da Salvação


“Como é desumana a guerra, que despedaça o coração das mães!”

Francisco propôs à reflexão aquilo que os pastores viram em Belém, ou seja, o Menino Jesus, e o que eles não viram, ou seja, o coração de Maria, que guardava e meditava todos esses fatos (cf. v. 19). Em primeiro lugar, o Menino Jesus: esse nome hebraico significa “Deus salva”, e é exatamente isso que fará. De fato, o Senhor veio ao mundo para nos dar sua própria vida. “Pensemos nisto: todos os homens são filhos, mas nenhum de nós escolheu nascer. Deus, ao invés, escolheu nascer por nós: Jesus é a revelação de seu amor eterno e infinito, que traz paz ao mundo.”

Ao Messias recém-nascido, que manifesta a misericórdia do Pai, corresponde o coração de Maria, onde bate a esperança de redenção para toda criatura. “As mães sempre têm seus filhos no coração. Hoje, neste primeiro dia do ano, dedicado à paz, pensemos em todas as mães que se alegram em seus corações, e em todas as mães cujos corações estão repletos de dor, porque seus filhos foram levados pela violência, pela soberba, pelo ódio. Como é bela a paz, que alegra a vida dos povos! Como é desumana a guerra, que despedaça o coração das mães!”

Como de costume, o Papa encerrou convidando os fiéis a se questionarem: eu sei permanecer em silêncio para contemplar o nascimento de Jesus? E procuro guardar em meu coração este Acontecimento, sua mensagem de bondade e salvação? E como posso retribuir um presente tão grande com um gesto gratuito de paz, perdão e reconciliação? “Que Maria, a Santa Mãe de Deus, nos ensine a manter a alegria do Evangelho em nossos corações e a testemunhá-la no mundo.”


Sem perdão não há justiça. Em 2025, superar a “crise da dívida” para alcançar a paz

Escutar o grito da humanidade

Francisco cita algumas das injustiças: desigualdades de todos os tipos, tratamento desumano dispensado aos migrantes, degradação ambiental, confusão gerada intencionalmente pela desinformação, rejeição a qualquer tipo de diálogo e o financiamento ostensivo da indústria militar.  “Todos estes são fatores de uma ameaça real à existência de toda a humanidade. No início deste ano, portanto, queremos escutar este grito da humanidade para nos sentirmos chamados, todos nós, juntos e de modo pessoal, a quebrar as correntes da injustiça para proclamar a justiça de Deus”, escreve o Santo Padre.  Atos esporádicos de filantropia não serão suficientes, acrescenta, mas são necessárias transformações culturais e estruturais. Quando não há gratidão, o homem deixa de reconhecer os dons de Deus e começa a nutrir um pensamento de que as relações com os outros podem ser regidas por uma lógica de exploração, em que o mais forte pretende ter o direito de prevalecer sobre o mais fraco. Isso vale seja para as relações interpessoais, seja entre comunidades e nações.  

Três propostas

O Papa denuncia o modo de agir de alguns governos e instituições financeiras privadas dos países mais ricos, que não hesitam em explorar os recursos humanos e naturais dos países mais pobres. Deste modo, a dívida ecológica e a dívida externa se transformam em dois lados da mesma moeda. A este fenômeno interligado, o Papa dá o nome de “crise da dívida”, que aflige vários países, especialmente no Sul do planeta.  “Inspirando-me neste ano jubilar, convido a comunidade internacional para que atue no sentido de perdoar a dívida externa, reconhecendo a existência de uma dívida ecológica entre o Norte e o Sul do mundo. É um apelo à solidariedade, mas sobretudo à justiça.” Assim, o perdão da dívida externa é a primeira das três ações concretas que o Pontífice propõe à comunidade internacional para este ano de 2025. Para que não se trate de um ato isolado de beneficência, seria necessário, ao mesmo tempo, desenvolver uma nova arquitetura financeira que conduza à criação de um acordo financeiro global, baseado na solidariedade e na harmonia entre os povos. A segunda ação é voltada à defesa da vida humana, desde a concepção até à morte natural: “Gostaria de convidar, uma vez mais, para um gesto concreto que possa favorecer a cultura da vida. Refiro-me à eliminação da pena de morte em todas as nações. Em realidade, esta punição, além de comprometer a inviolabilidade da vida, aniquila toda a esperança humana de perdão e de renovação”.

O terceiro gesto é uma proposta já feita por São Paulo VI e Bento XVI: utilizar uma percentagem fixa do dinheiro gasto em armamento para a criação de um fundo mundial para acabar definitivamente a fome e facilitar a realização de atividades educativas nos países mais pobres. Essas atividades promoveriam o desenvolvimento sustentável, lutando contra as alterações climáticas.  “Devemos tentar eliminar qualquer pretexto que possa levar os jovens a imaginar o seu futuro sem esperança, ou como uma expectativa de vingar o sangue derramado por seus entes queridos. O futuro é um dom que permite ultrapassar os erros do passado e construir novos caminhos de paz”, 

“Crês isto?”  (Jo 11,26).

Jesus está chegando a Betânia, onde Lázaro se encontra morto há quatro dias. Ao saber da notícia, Marta corre esperançosa ao Seu encontro. Jesus amava Marta, Maria e Lázaro, como salienta o Evangelho1. Mesmo na dor, Marta manifesta ao Senhor a sua confiança Nele. Tinha a certeza de que, se Ele tivesse estado presente antes da morte do irmão, Lázaro ainda estaria vivo. Mas também confia que, mesmo agora, Deus atenderá qualquer pedido que Ele fizer. “Teu irmão vai ressuscitar” (Jo 11,23), afirma então Jesus.

“Crês isto?”

Jesus esclarece que está falando do retorno de Lázaro à vida física, aqui e agora, e não apenas da vida após a morte, destino de todo aquele que crê. Depois, pede que Marta afirme sua adesão à fé, não só para que Ele realize um dos seus milagres – que o evangelista João define “sinais” –, mas para dar uma vida nova e a ressurreição tanto a ela, como a todos os que acreditam. “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11,25), afirma Jesus. E a fé que lhe pede é uma relação pessoal com Ele, uma adesão ativa e dinâmica. Crer não é como aceitar um contrato que se assina uma vez e depois não se olha mais, mas é um fato que transforma e permeia a vida de cada dia. Silvano Malini

Novos Ventos – 29 de Dezembro

Festa da Sagrada Família de Nazaré – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste Domingo da Oitava do Natal celebramos a Festa da Sagrada Família de Nazaré, Jesus, José e Maria. O evangelista apresenta o episódio da infância de Jesus, de modo particular quando aos doze anos vão a Jerusalém pela festa da Páscoa e Jesus fica no Templo no meio dos Doutores da Lei a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. A cidade de Jerusalém é muito importante para os Judeus, todos os anos fazem os comemorativos da Páscoa Judaica, isto é, fazer o memorial da libertação da terra da escravidão quando o povo de Israel viveu como escravo na terra do Egipto. O evangelista Lucas faz alusão que José e Maria iam todos os anos a Jerusalém para a celebração da Páscoa Judaica, terminados os dias da festa regressam e no meio de toda a multidão não percebem que Jesus não seguia na Caravana, regressam a Jerusalém e encontram Jesus no meio dos Doutores a ouvi-los e a fazer perguntas. Os pais de Jesus quando O viram ficaram admirados com a sua inteligência e as suas respostas. Perante aquele cenário a Mãe procura fazer a correção dizendo: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura». A resposta de Jesus é desconcertante: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Embora, os pais de Jesus não tivessem entendido o alcance daquelas palavras, Maria guarda todos os acontecimentos em seu coração. Será que a minha vida também é dedicada ao serviço de Deus e da Igreja?

A leitura do Livro de Ben-Sirá, apresenta, de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais. É uma forma de concretizar esse amor de que fala a segunda leitura.

A leitura da Epistola do Apóstolo São Paulo aos Colossenses, sublinha a dimensão do amor que deve brotar dos gestos dos que vivem “em Cristo” e aceitaram o convite para ser “Homem Novo”. Esse amor deve atingir, de forma muito especial, todos os que connosco partilham o espaço familiar e deve traduzir-se em atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, leva-nos até aos átrios do Templo de Jerusalém, onde o jovem Jesus está a ouvir as discussões dos rabis sobre a Palavra de Deus. Confrontado com a preocupação de Maria e de José, que o procuravam aflitos, Jesus enuncia o princípio fundamental que norteia a sua existência: Deus é o princípio, o centro e o fim de toda a sua vida; Ele fará sempre tudo para estar com Deus, para escutar Deus, para obedecer a Deus, para viver ao ritmo de Deus. Aliás, foi isso que Ele aprendeu com Maria e com José. A Família de Nazaré é uma família que se constrói à volta de Deus e do seu projeto.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.

Palavra da Salvação


Mensagem de Natal do Papa: Jesus nasce para todos, não só para alguns

Fraternidade mais necessária do que nunca

Desta vez, a mensagem teve como fio condutor a última Encíclica publicada pelo Papa Francisco, “Fratelli tutti”. “O nascimento é sempre fonte de esperança, é vida que desabrocha, é promessa de futuro. E este Menino – Jesus – «nasceu para nós»: um «nós» sem fronteiras, sem privilégios nem exclusões.” Graças a este Ele, todos podemos nos dirigir a Deus e chamá-lo de «Pai». Assim, e todos podemos ser realmente irmãos: “de continentes diversos, de qualquer língua e cultura, com as nossas identidades e diferenças, mas todos irmãos e irmãs”. Neste momento histórico marcado pela crise ecológica e por graves desequilíbrios econômicos e sociais, agravados pela pandemia, o Papa considera a fraternidade como valor mais necessário do que nunca. Não uma fraternidade feita de ideais abstratos mas baseada no amor real, capaz de compadecer-me dos sofrimentos alheios, mesmo que o outro não seja da minha família, da minha etnia, da minha religião.

Vacina para todos

O primeiro pensamento do Papa foi às pessoas mais frágeis, os doentes e quantos neste tempo se encontram desempregados ou em graves dificuldades pelas consequências econômicas da pandemia, “bem como as mulheres que nestes meses de confinamento sofreram violências domésticas”. Francisco renovou seu apelo aos governantes para que a todos seja garantido o acesso às vacinas e aos tratamentos. “No Natal, celebramos a luz de Cristo que vem hoje ao mundo e Ele vem para todos: não só para alguns. Hoje, neste tempo de escuridão e incertezas pela pandemia, aparecem várias luzes de esperança, como a descoberta das vacinas.”

A dor da guerra

O Papa fez um apelo também em prol de tantas crianças que em todo o mundo, especialmente na Síria, Iraque e Iémen, ainda pagam o alto preço da guerra. A Síria foi novamente citada junto aos países que no Oriente Médio e no Mediterrâneo oriental sofrem com tensões, como o Iraque, em particular os yazidis, a Líbia, Israel, Palestina e o Líbano. O Pontífice mencionou ainda Nagorno-Karabakh, bem como as regiões orientais da Ucrânia. Na África, o apelo de paz foi feito em prol de Burkina Faso, Mali, Níger e Etiópia. O Papa dirigiu um pensamento especial aos habitantes da região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, vítimas da violência do terrorismo internacional. Sudão do Sul, Nigéria e Camarões também foram exortados a continuar pelo caminho da fraternidade e do diálogo.


Papa: Jesus é a Porta da Paz. Voltemos a Ele para calar as armas!

“É este o significado da Porta Santa do Jubileu, que abri ontem à noite aqui em São Pedro: ela representa Jesus, a Porta da salvação aberta para todos. Jesus é a Porta que o Pai misericordioso abriu no meio do mundo, no meio da história, para que todos possamos voltar para Ele. Todos nós somos como ovelhas tresmalhadas e precisamos de um Pastor e de uma Porta para regressar à casa do Pai. Jesus é o Pastor, Jesus é a Porta.”

A porta de Deus está escancarada!

A exortação do Pontífice é para que não tenhamos medo, pois a “Porta está aberta, escancarada! Vinde!”. O convite é para regressar ao coração que nos ama e perdoa: Deixemo-nos perdoar, reconciliar com Ele e com os outros, até com os inimigos, pois a misericórdia de Deus tudo pode, desfaz todos os nós, derruba todos os muros de divisão, dissolve o ódio e o espírito de vingança.

“Vinde! Jesus é a Porta da Paz.”

Todavia, recordou Francisco, entrar pela Porta exige o sacrifício de dar um passo, de deixar para trás contendas e divisões: “Neste Natal, início do Ano jubilar, convido todas as pessoas, todos os povos e nações a terem a coragem de atravessar a Porta, a tornarem-se peregrinos da esperança, a calarem as armas e a superarem as divisões!”

O mapa das divisões

O Papa então citou todos os conflitos em andamento, começando pela “martirizada Ucrânia”. Falou do Oriente Médio, de modo particular de Gaza, “onde a situação humanitária é gravíssima”. Israel, Líbano, Síria e Chipre também estão nas orações do Pontífice. No continente africano, os países mencionados foram República Democrática do Congo, Burkina Faso, Mali, Níger, Chifre da África e um olhar especial por Moçambique. Na Ásia, a situação mais preocupante é vivida pelos habitantes de Mianmar, “que sofrem imensamente devido aos contínuos confrontos armados”. Na América, o pedido de paz foi para o Haiti, a Venezuela, a Colômbia e a Nicarágua e que todo o continente consiga superar as divisões políticas.

A Porta Santa que se abre no Natal nos convida a realizar uma passagem

Francisco abre a Porta Santa

A celebração desta noite faz parte do caminho jubilar que começou em 1300, a pedido do Papa Bonifácio VIII. O Papa Francisco preside o rito de abertura da Porta Santa e a missa na noite da Solenidade do Natal do Senhor. As imagens, transmitidas em todo o mundo, comporão uma sequência de momentos que ficarão gravados na história. São os momentos em que o Papa Francisco se aproxima da Porta Santa. Em seguida, o Pontífice abre a Porta em silêncio. O Papa faz uma pausa em oração. Os sinos da Basílica de São Pedro tocam. Depois de Francisco, cardeais, bispos e alguns representantes do povo de Deus dos cinco continentes passam pela Porta Santa. Neste Jubileu da Esperança, a passagem do povo de Deus pelo limiar da Porta Santa envia uma mensagem de paz e renovação para toda a humanidade.

O Jubileu e o Concílio de Nicéia

O Jubileu do ano 2025 coincide com um aniversário significativo para todos os cristãos: o 1700º aniversário da celebração do primeiro Concílio Ecumênico, o Concílio de Niceia. Um Concílio – recorda-se na nota do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos – que procurou “preservar a unidade da Igreja, minada pela negação, por parte de alguns, da plena divindade de Jesus Cristo e, portanto, também da sua consubstancialidade com o Pai”.  Os Padres do Concílio de Nicéia “aprovaram por unanimidade o Credo que ainda recitamos hoje”. A Porta Santa é o sinal mais importante do Jubileu. Os fiéis são convidados a “atravessar a Porta Santa com fé”, a fé que “todos os cristãos podem professar nas palavras do Credo Niceno”. O rito de abertura da Porta Santa inclui a proclamação de uma leitura do capítulo 10 do Evangelho de São João, que inclui o versículo: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará a pastagem” (v. 9).

Cristãos unidos no louvor a Deus

O gesto de entrar na Basílica pela Porta Santa “deve ser interpretado à luz deste texto” do Evangelho. Entrar pela Porta Santa “expressa a vontade de seguir e ser guiado pelo Filho Unigênito de Deus”. Embora o Jubileu ordinário seja uma celebração própria da Igreja Católica, a sua coincidência com o aniversário do primeiro Concílio Ecumênico – diz ainda a nota – oferece “a oportunidade de incluir na celebração irmãos e irmãs de outras Igrejas e Comunhões cristãs”. Na Bula de convocação do Jubileu, “Spes non confundit”, o Papa Francisco recorda que o aniversário do Concílio de Nicéia “convida os cristãos a unirem-se em louvor e ação de graças à Santíssima Trindade e, em particular, a Jesus Cristo, o Filho de Deus, ‘da mesma substância do Pai’, que nos revelou este mistério de amor”.

Novos Ventos – 22 de Dezembro

IV Domingo do Advento – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste IV Domingo de Advento o evangelista São Lucas descreve o acontecimento da «Visitação de Maria a sua prima Isabel». Depois do Anjo ter anunciado a Maria que Isabel também se encontrava grávida, Maria pôs-se a caminho. A primeira atitude de Maria é dinâmica não fica a pensar nos obstáculos, nem nos perigos que poderia encontrar, Ela vai apressadamente para a montanha, para auxiliar Isabel. Maria não faz calculismos no longo caminho que tem de percorrer, nem o perigo dos animais, a floresta, as montanhas, mas uma atitude de Amor leva a ir prestar auxílio a Isabel. Outro aspecto muito relevante é a comunicação de amor que existe entre as duas Mulheres que estão para ser Mães; ao ouvir a saudação de Maria o menino (João Baptista) exultou de alegria no seu seio, Isabel fica cheia do Espírito Santo e exclama em alta voz bendizendo a Virgem Maria dizendo: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Ouvindo a voz da tua saudação o menino exultou de alegria no meu seio». A comunicação de amor entre as duas mães e a comunicação de amor entre os dois filhos (João e Jesus). Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses. Ela nos mostra que é necessário estar atentos aos que sofrem ou que estão mais debilitados. Saibamos neste Natal redimensionar a nossa vida e pormos ao caminho em direção daqueles que estão sós ou precisam da nossa ajuda.

A leitura do Livro de Miqueias, o profeta Miqueias deixa aos habitantes de Judá um convite à esperança. Promete a esse povo humilhado, angustiado, com futuro incerto, que Deus lhe vai enviar um rei novo, humilde e bom, que inaugurará uma era de prosperidade, de justiça e de harmonia. Como pastor de Judá, ele deixar-se-á guiar pelas indicações de Deus; e será, para todos os que o esperam, “a paz”.

A leitura da Epistola aos Hebreus, um “mestre” cristão do séc. I oferece-nos a chave de leitura para entendermos a vida de Jesus: desde que Ele “entrou” no mundo, dispôs-se a pôr a sua vida ao serviço do plano de Deus, numa obediência total e numa entrega absoluta à vontade do Pai. É assim que são chamados a viver todos aqueles que se dispõem a acolher Jesus e a segui-l’O.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, duas mulheres, grávidas de esperança, convidam-nos a centrar a nossa atenção no menino que está para chegar e a acolhê-lo convenientemente: com o mesmo amor, com a mesma alegria, com a mesma gratidão, com o mesmo espanto que elas sentiram diante da visita de Jesus. Jesus é – dizem-nos elas – o centro da história da salvação, a realização plena das promessas de Deus, o “Senhor” da história que vestiu a nossa humanidade para nos trazer a paz.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». Palavra da Salvação


Palavra de vida (Dezembro)

«Nada é impossível a Deus» (Lc 1,37)

Na procura de superação do aparente “impossível” das nossas insuficiências, para chegar ao “possível” de uma vida coerente, um papel determinante é desempenhado pela dimensão comunitária, que se desenvolve onde os discípulos, vivendo entre eles o mandamento novo de Jesus, se deixam habitar individualmente e em conjunto, pelo poder de Cristo ressuscitado. Escreveu Chiara Lubich, em 1948, a um grupo de jovens religiosos: «Vamos em frente! Não com a nossa força, mesquinha e débil, mas com a omnipotência da Unidade. Eu constatei, e verifiquei pessoalmente, que Deus entre nós faz o impossível: o milagre! Se nos mantivermos fiéis ao testemunho que nos foi transmitido, […] o mundo verá a Unidade e com ela a plenitude do Reino de Deus»[5]. 

Há alguns anos, quando eu estava em África, encontrava muitas vezes jovens que queriam viver como cristãos e que me contavam as muitas dificuldades com que se embatiam quotidianamente no seu ambiente, para permanecerem fiéis aos compromissos da fé e aos ensinamentos do Evangelho. Falávamos durante horas e, no fim, chegávamos sempre à mesma conclusão: «Sozinhos é impossível, mas juntos vamos conseguir». É o que também nos assegura Jesus quando promete: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome (no meu amor), Eu estou no meio deles»[6]. E com Ele tudo é possível.Augusto Parody Reyes


Jubileu e abertura da Porta Jubilar Sé de Aveiro

O jubileu caracteriza-se pela peregrinação e pela Indulgência Jubilar, onde a celebração do sacramento da Penitência deve ocupar um lugar importante. O Catecismo da Igreja Católica ensina nos que «todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual precisa de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, num estado que se chama purgatório» (nº1472). A conversão de cada um de nós não muda o que já aconteceu na nossa vida, mas pode permitir-nos mudar o futuro e vivermos de modo diferente. Por decisão do Conselho de Arciprestes, para além da Catedral, como Igreja mãe da Diocese, também é declarada Igreja Jubilar o Santuário de Nossa Senhora de Vagos. A abertura solene do Ano Jubilar acontecerá às 16 horas do dia 29, com a concentração de todos os peregrinos junto do túmulo de Santa Joana, seguindo-se a procissão de entrada na Catedral e a celebração da Eucaristia. No dia 1 de janeiro, Dia Mundial da Paz, o bispo diocesano celebra a Eucaristia no Santuário de Nossa Senhora de Vagos, às 17 horas. Nas igrejas jubilares haverá, ao longo do ano, peregrinações dos vários setores de pastoral e um serviço organizado de confissões. Apelamos a que todas as paróquias se façam representar, para que em conjunto possamos celebrar e fazer a experiência de Igreja que vive o seu encontro com Cristo e com os irmãos.

Mensagem de Natal 2024

“Não havia lugar para Eles…”

Naquela noite de Natal (dies Natalis), isto é, dia do nascimento de Jesus, José e Maria tinham ido à cidade de Belém a fim de fazer o recenseamento imposto pelo Imperador César Augusto. Maria estava prestes a dar à Luz o seu Filho Jesus. Entretanto, José ia batendo em todas as portas, mas «não havia lugar para Eles». Todos estavam muito atarefados, ninguém tinha disponibilidade para acolher dois estrangeiros, muito menos pelo facto de Maria estar prestes a ser Mãe. As portas estavam todas fechadas, não somente as portas das casas, mas também as portas do coração, pois não foram capazes de olhar a ânsia d’Aquela que estava para dar à Luz. Enfim, ninguém queria estragar a festa com os seus familiares e amigos, nem tão pouco sujar as mãos com o sangue dos outros. Também hoje vivemos tempos semelhantes, o nosso Natal tornou-se uma realidade meramente comercial, fazemos uma grande festa familiar, as mesas estão cheias com uma boa refeição, onde não podem faltar os doces, as bebidas, a troca de presentes, todos se cumprimentam, grandes risadas e conversas. Mas Aquele Menino do Presépio, José e Maria não passam apenas de meros adornos, que estão a enfeitar as nossas casas. Terminada a refeição, cada um regressa às suas casas pelas altas horas da noite e o “Menino Jesus” ficou esquecido naquele presépio. Ninguém se lembrou de O cumprimentar. Todos se esquecem que é a Sua festa, pois sem o Seu nascimento não haveria Natal. A Missa do Seu nascimento caiu em desuso. Cada vez mais as igrejas ficam vazias e frias. Jesus está sozinho, naquele estábulo, envolto em panos, à espera do calor humano, mostrando gratidão pelo Seu nascimento, pelo Seu grande Amor ao assumir a natureza Humana, para nos resgatar da escravidão do pecado. Obrigado, Meu Jesus!

Um Santo e Feliz Natal a todos os paroquianos de Torreira e São Jacinto, são os votos sinceros do vosso pároco, Pe. Victor Cardoso