III Domingo do Advento – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste III Domingo de Advento o evangelista São Lucas apresenta a pregação de João Baptista mediante as interrogações da multidão sobre como se deviam preparar para a vinda do Messias. A resposta de João Baptista está assente numa atitude concreta no amor ao próximo «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Outro aspecto de singular importância é que procurava dar respostas diferenciadas a cada pessoa que ocupava diferentes cargos na sociedade. Por exemplo aos soldados diz-lhe: «Não pratiquei violência com ninguém nem denunciais injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Estas palavras fazem sentido ainda hoje escutar a pregação de João Baptista, isto é, para podermos preparar a vinda do Senhor e podermos celebrar o Natal de coração renovado é necessário comprometer-me diante dos problemas e provações dos outros é urgente cada um tornar-se o centro de si mesmo (mergulhados num egocentrismo profundo) e ser capaz de denunciar as injustiças de procurar promover a paz e a harmonia entre todos em vez de criar conflitos e guerras.
Quando exercer o bem e a justiça, quando me preocupo com as tristezas e angústias do outro, quando participo nas alegrias e ofereço o pouco do meu tempo e das coisas que tenho em excesso e partilho com os que pouco ou nada têm então será um verdadeiro Natal.
A leitura do Livro de Sofonias, o profeta Sofonias convida Jerusalém a alegrar-se porque Deus revogou a sentença de condenação que pendia sobre o seu Povo. O amor de Deus é bem mais forte do que a sua vontade de castigar. Deus irá estabelecer a sua morada no meio do seu Povo, curando-o com o seu amor e abrindo-lhe as portas de um futuro repleto de alegria, de esperança e de paz.
A leitura da Epistola de São Paulo aos Filipenses, Paulo pede aos cristãos de Filipos que se alegrem porque “o Senhor está próximo”. Conscientes dessa proximidade, os cristãos caminham pela vida serenos e confiantes, distribuindo gestos de bondade e de generosidade, numa escuta constante de Deus, dos seus desafios e propostas. É assim que se espera o Senhor.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, João Batista, o profeta do advento, continua a propor-nos caminhos de conversão. Exorta-nos a uma mudança radical, que nos torne mais humanos, mais solidários, mais bondosos, mais misericordiosos. Partilhar os nossos bens com os necessitados, não defraudar o próximo, não exercer violência, são as marcas da vida nova, de uma vida segundo o Espírito. É nesse sentido que caminham os que esperam o Senhor.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas
Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».
Palavra da Salvação

Palavra de vida (Dezembro)
«Nada é impossível a Deus» (Lc 1,37)
Esta garantia, que significa que nenhuma declaração ou promessa de Deus ficará por cumprir – porque para Ele não há impossíveis – pode ser também formulada deste modo: com Deus, nada é impossível. De facto, a preposição do texto grego – “com”, ou “próximo”, ou “junto de” Deus – coloca em evidência a Sua proximidade em relação ao homem. É ao ser humano ou aos seres humanos que, quando estão em Deus e livremente aderem a Ele, nada é impossível.
«Nada é impossível a Deus»
Como colocar em prática esta palavra de vida? Antes de mais nada, acreditando com uma grande confiança que Deus pode agir também dentro e para além dos nossos limites e vulnerabilidades, assim como nas situações mais obscuras da vida.
Foi essa a experiência de Dietrich Bonhoeffer que, durante a prisão que o levaria ao suplício, escreveu: «Devemos imergir-nos sempre de novo no viver, falar, agir, sofrer e morrer de Jesus, para reconhecer aquilo que Deus promete e cumpre. É verdade […] que para nós já nada é impossível, porque nada é impossível para Deus; […] é verdade que nós não devemos pretender nada e que, apesar disso, podemos pedir tudo; é verdade que no sofrimento está escondida a nossa alegria e na morte a nossa vida… A tudo isto Deus disse “sim” e “Ámen” em Cristo. Este “sim” e este “Ámen” são a terra firme sobre a qual estamos»[4]. Augusto Parody Reyes

O presépio de Belém, uma estrela para trazer esperança aos cristãos da Palestina
O símbolo da oliveira
O presépio foi realizado em colaboração com o Comitê Presidencial Palestino para Assuntos da Igreja, a Embaixada da Palestina no Vaticano e o Centro Piccirillo de Belém. Ele foi produzido em 90% pela Universidade Dar Al-Kalima e narra a Terra Santa e a Sagrada Família com estátuas feitas de madeira de oliveira, além de muitos outros materiais, como ferro para a estrutura principal, madrepérola para a estrela, pedra, cerâmica, vidro, feltro, tecido e lã, usada para criar as ovelhas do presépio. Estas foram confeccionadas pelo “Centro Ma’an lil-Hayat, uma associação de Belém que acolhe pessoas com algum tipo de deficiência – continua Hasbun. Também haverá uma oliveira, uma planta viva, para representar a Palestina e sua economia agrícola, uma terra repleta de oliveiras, do norte ao sul. A oliveira é também um símbolo de paz.”
A pobreza em Belém
Uma paz que há muito tempo deixou de existir nessa terra, agora devastada também pela continuidade de uma guerra dramática que começou há mais de um ano. “Belém e toda a Terra Santa, toda a Palestina, dependem do turismo. Em 2019, mais de dois milhões de peregrinos, entre turistas e visitantes, entraram na Igreja da Natividade. Com a pandemia de Covid-19, enfrentamos um bloqueio total por mais de um ano, seguido pelo conflito que atualmente afeta todo o Oriente Médio, especialmente a Palestina. A maioria das famílias de Belém e arredores, cerca de 70%, depende do turismo. São artesãos que produzem artigos em madeira de oliveira, madrepérola e cerâmica. Entre a pandemia e a guerra, todos estão vivendo uma situação muito difícil, extremamente precária. Para algumas famílias, é até impossível conseguir comida. Elas estão enfrentando uma pobreza intensa. Por isso, nossa presença no Vaticano é uma forma de fazer nossa voz ser ouvida, de dizer que precisamos de solidariedade e ajuda.” A esperança de Taisir Hasbun é que “no Ano Jubilar de 2025, a situação melhore, para que possamos realmente voltar a acolher os milhões de peregrinos que recebemos ao longo dos séculos, desde o início do cristianismo até hoje. Porque Belém é o berço do cristianismo.”


O Papa: o cristão deve irradiar esperança, ser semeador de esperança
Cristo e o Espírito são inseparáveis
Mas a expectativa da vinda final de Cristo, observou o Papa, não permaneceu a única. A ela juntou-se também a expetativa da sua vinda contínua na situação presente e peregrinante da Igreja. E é nesta vinda que a Igreja pensa sobretudo quando, animada pelo Espírito Santo, clama a Jesus: “Vinde!”
Ocorreu uma mudança – ou melhor, digamos, um desenvolvimento – pleno de significado em relação ao grito “Vinde!”, “Vinde Senhor!” Geralmente não é dirigido apenas a Cristo, mas também ao próprio Espírito Santo! Aquele que grita agora é também Aquele a quem se grita. “Vinde!” é a invocação com que começam quase todos os hinos e orações da Igreja dirigidos ao Espírito Santo: “Vinde, Espírito Santo”, dizemos no Veni Creator, e “Vinde, Santo Espírito”, “Veni Sancte Spiritus”, na sequência do Pentecostes; e assim em muitas outras orações. É certo que assim seja, porque, depois da Ressurreição, o Espírito Santo é o verdadeiro “alter ego” de Cristo, Aquele que toma o seu lugar, que o torna presente e atuante na Igreja. É Ele que “anunciar-vos-á as coisas que virão” (ver Jo 16,13) e nos faz desejá-las e esperá-las. É por isso que Cristo e o Espírito são inseparáveis, mesmo na economia da salvação.
A esperança não é uma palavra vã
O Papa acrescentou que o Espírito Santo é a fonte sempre jorrante da esperança cristã. São Paulo deixou-nos estas preciosas palavras, assim diz São Paulo: “O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e de toda a paz na vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo transbordeis de esperança!”. Se a Igreja é um barco, o Espírito Santo é a vela que o empurra e o faz avançar no mar da história, hoje como no passado!
A esperança não é uma palavra vã, nem o nosso vago desejo de que tudo corra bem: a esperança é uma certeza, porque assenta na fidelidade de Deus às suas promessas. E por isso se chama virtude teologal: porque é infundida por Deus e tem Deus como garante. Não é uma virtude passiva, que simplesmente espera que as coisas aconteçam. É uma virtude supremamente ativa que ajuda a fazê-las acontecer. Alguém que lutou pela libertação dos pobres escreveu estas palavras: “O Espírito Santo está na origem do grito dos pobres. É a força dada àqueles que não têm forças. Ele lidera a luta pela emancipação e pela plena realização do povo dos oprimidos”.














