XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
O Evangelho deste domingo salienta o comportamento dos escribas que gostavam dos primeiros lugares nas sinagogas, de receber saudações nas praças publicas, de serem reconhecidos e elogiados pelos outros e prontos a criticar e condenar as atitudes dos outros. Jesus mostra aos discípulos que esses comportamentos não têm qualquer valor. Jesus, vai elogiar a pobre viúva que colocou na caixa apenas duas pequenas moedas, mas era apenas o que possuía para viver, enquanto os ricos colocavam quantias avultadas. Jesus, quer mostrar que mais do que dar aquilo que sobra é dar-se numa entrega de amor total a Jesus.
O Evangelho de hoje deve nos interpelar sobre aquilo que damos a Jesus, damos apenas as sobras, isto é, já o cansaço do dia ou reservo para Jesus as minhas melhores horas do dia? Sou capaz de dar-me aos outros? Sou capaz de disponibilizar algum tempo da minha vida para o serviço na minha comunidade cristã, ou apenas uso a Igreja para meu próprio interesse, quando quero baptizar um filho, ou quando decido que quero fazer o crisma, ou para me casar, ou se preciso de obter um documento da paróquia? No evangelho de hoje Jesus elogiou a pobre viúva porque deu de si tudo o que tinha de melhor para servir o Senhor.
A leitura do Livro dos Reis, apresenta-nos o exemplo de uma viúva pobre de Sarepta que, apesar da sua pobreza e necessidade, ouviu o apelo de Deus e repartiu os poucos alimentos que lhe restavam com o profeta Elias. A história dessa mulher garante-nos que a generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas são geradoras de vida abundante.
A leitura da Carta aos Hebreus oferece-nos o exemplo de Cristo, o sumo-sacerdote perfeito. Cumprindo o projeto do Pai, Ele deu aquilo que tinha de mais precioso: a sua própria vida. Mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e espera de cada um dos seus filhos: a entrega de nós próprios para que o seu projeto para o mundo e para o homem se concretize.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos, convida-nos a ver, pelos olhos de Jesus, duas formas diferentes de “dar culto” a Deus. De um lado estão os “escribas”, homens-modelo de uma religião solene e formal, mas também vazia, hipócrita, teatral, fomentadora da exploração dos mais pobres, usada para fins egoístas de promoção pessoal; do outro lado está uma viúva pobre e humilde, mas que tem um coração generoso, que confia plenamente em Deus, que aceita viver num despojamento total de si própria para “dar tudo” a Deus. Jesus propõe-na aos discípulos que estão com Ele no átrio do templo como modelo do culto que devem prestar a Deus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos
Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro, a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».
Palavra da Salvação

Palavra de Vida (Novembro)
«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver» (Mc 12,44)
Esta Palavra de vida convida-nos, antes de tudo, a renovar a nossa plena confiança no amor de Deus e a sintonizarmo-nos com o Seu olhar, que vê para além das aparências, que não julga e que não depende do julgamento dos outros. Faz-nos a valorizar o positivo que existe em cada pessoa.
Além disso, sugere-nos o “dar tudo” como lógica evangélica que edifica uma comunidade pacificada, porque nos leva a cuidar uns dos outros. Encoraja-nos a viver o Evangelho no dia a dia, sem dar nas vistas; a dar com abundância e confiança; a viver com sobriedade, na partilha. Convida-nos a prestar atenção aos últimos, para aprender com eles.
Venant nasceu e cresceu no Burundi. Ele conta-nos: «Na aldeia, a minha família podia orgulhar-se de ter um grande terreno agrícola, com boas colheitas. A minha mãe, consciente de que tudo é providência do Céu, recolhia os primeiros frutos e distribuía-os sempre pelos vizinhos, começando pelas famílias mais necessitadas, reservando para nós uma pequena parte daquilo que sobrava. Deste exemplo aprendi o valor da dádiva desinteressada. Assim, compreendi que Deus me pedia para Lhe dar o melhor de mim, ou seja, para Lhe dar toda a minha vida».

“Amou-nos”, a Encíclica do Papa sobre o Sagrado Coração de Jesus
“’Amou-nos’, diz São Paulo referindo-se a Cristo (Rm 8,37), para nos ajudar descobrir que nada ‘será capaz de separar-nos’ desse amor (Rm 8,39)”. Assim começa a quarta Encíclica do Papa Francisco, intitulada a partir do incipit “Dilexit nos” e dedicada ao amor humano e divino do Coração de Jesus: “O seu coração aberto precede-nos e espera-nos incondicionalmente, sem exigir qualquer pré-requisito para nos amar e oferecer a sua amizade: Ele amou-nos primeiro (cf. 1 Jo 4, 10). Graças a Jesus, ‘conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele’ (1 Jo 4, 16)” (1).
O amor de Cristo representado em seu santo Coração
Em uma sociedade – escreve o Papa – que vê a multiplicação de “várias formas de religiosidade sem referência a uma relação pessoal com um Deus de amor” (87), enquanto o cristianismo muitas vezes esquece “a ternura da fé, a alegria do serviço, o fervor da missão pessoa-a-pessoa” (88), o Papa Francisco propõe um novo aprofundamento sobre o amor de Cristo representado em seu santo Coração e nos convida a renovar nossa autêntica devoção, lembrando que no Coração de Cristo “encontramos todo o Evangelho” (89): É em seu Coração que “finalmente nos reconhecemos e aprendemos a amar” (30).
A importância de voltar ao coração
Aberta por uma breve introdução e dividida em cinco capítulos, a Encíclica sobre o culto ao Sagrado Coração de Jesus reúne, como anunciado em junho, “as preciosas reflexões de textos magisteriais precedentes e de uma longa história que remonta às Sagradas Escrituras, para repropor hoje, a toda a Igreja, esse culto carregado de beleza espiritual”. O primeiro capítulo, “A importância do coração”, explica por que é necessário “voltar ao coração” em um mundo no qual somos tentados a “nos tornarmos consumistas insaciáveis e escravos na engrenagem de um mercado” (2). E faz isso analisando o que queremos dizer com “coração”: a Bíblia fala dele como um núcleo “que se esconde por detrás de todas as aparências” (4), um lugar onde “não conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos” (6). Ao coração conduzem as perguntas decisivas: que sentido quero dar à vida, às minhas escolhas e ações, quem sou diante de Deus (8). O Papa ressalta que a atual desvalorização do coração nasce do “racionalismo grego e pré-cristão, do idealismo pós-cristão e do materialismo”, de modo que, no grande pensamento filosófico, foram preferidos conceitos como “razão, vontade ou liberdade”. E não encontrando lugar para o coração, também “não se desenvolveu suficientemente a ideia de um centro pessoal” que pode unificar tudo, ou seja, o amor, (10). Ao invés, para o Pontífice, é preciso reconhecer que “eu sou o meu coração, porque é ele que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me põe em comunhão com as outras pessoas” (14).
O Sagrado Coração de Jesus é um compêndio do Evangelho
As visões de alguns santos, particularmente devotos do Coração de Cristo, ressalta Francisco, “são belos estímulos que podem motivar e fazer muito bem”, mas “não são algo em que os crentes sejam obrigados a acreditar como se fossem a Palavra de Deus”. Em seguida, o Papa lembra com Pio XII que não se pode dizer que este culto “deve a sua origem a revelações privadas”. Aliás, “a devoção ao Coração de Cristo é essencial para a nossa vida cristã, na medida em que significa a nossa abertura, cheia de fé e de adoração, ao mistério do amor divino e humano do Senhor, até ao ponto de podermos voltar a afirmar que o Sagrado Coração é um compêndio do Evangelho” (83). O Pontífice nos convida, então, a renovar a devoção ao Coração de Cristo também para combater as “novas manifestações de uma ‘espiritualidade sem carne’” que estão se multiplicando na sociedade (87). É necessário retornar à “síntese encarnada do Evangelho” (90) diante de “comunidades e pastores concentrados apenas em atividades exteriores, em reformas estruturais desprovidas de Evangelho, em organizações obsessivas, em projetos mundanos, em reflexões secularizadas, em várias propostas apresentadas como requisitos que, por vezes, se pretendem impor a todos” (88).
As aparições a Santa Margarida Maria Alacoque
Sob a influência dessa espiritualidade, Santa Margarida Maria Alacoque relata as aparições de Jesus em Paray-le-Monial, entre o fim de dezembro de 1673 e junho de 1675. O núcleo da mensagem que nos é transmitida pode ser resumido nas palavras que Santa Margarida ouviu: “Eis aqui este Coração que tanto tem amado os homens, que a nada se tem poupado até se esgotar e consumir para lhes testemunhar o seu amor” (121).
















