Novos Ventos – 10 de Novembro

XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

O Evangelho deste domingo salienta o comportamento dos escribas que gostavam dos primeiros lugares nas sinagogas, de receber saudações nas praças publicas, de serem reconhecidos e elogiados pelos outros e prontos a criticar e condenar as atitudes dos outros. Jesus mostra aos discípulos que esses comportamentos não têm qualquer valor. Jesus, vai elogiar a pobre viúva que colocou na caixa apenas duas pequenas moedas, mas era apenas o que possuía para viver, enquanto os ricos colocavam quantias avultadas. Jesus, quer mostrar que mais do que dar aquilo que sobra é dar-se numa entrega de amor total a Jesus.

O Evangelho de hoje deve nos interpelar sobre aquilo que damos a Jesus, damos apenas as sobras, isto é, já o cansaço do dia ou reservo para Jesus as minhas melhores horas do dia? Sou capaz de dar-me aos outros? Sou capaz de disponibilizar algum tempo da minha vida para o serviço na minha comunidade cristã, ou apenas uso a Igreja para meu próprio interesse, quando quero baptizar um filho, ou quando decido que quero fazer o crisma, ou para me casar, ou se preciso de obter um documento da paróquia? No evangelho de hoje Jesus elogiou a pobre viúva porque deu de si tudo o que tinha de melhor para servir o Senhor.

A leitura do Livro dos Reis, apresenta-nos o exemplo de uma viúva pobre de Sarepta que, apesar da sua pobreza e necessidade, ouviu o apelo de Deus e repartiu os poucos alimentos que lhe restavam com o profeta Elias. A história dessa mulher garante-nos que a generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas são geradoras de vida abundante.

A leitura da Carta aos Hebreus oferece-nos o exemplo de Cristo, o sumo-sacerdote perfeito. Cumprindo o projeto do Pai, Ele deu aquilo que tinha de mais precioso: a sua própria vida. Mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e espera de cada um dos seus filhos: a entrega de nós próprios para que o seu projeto para o mundo e para o homem se concretize.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos, convida-nos a ver, pelos olhos de Jesus, duas formas diferentes de “dar culto” a Deus. De um lado estão os “escribas”, homens-modelo de uma religião solene e formal, mas também vazia, hipócrita, teatral, fomentadora da exploração dos mais pobres, usada para fins egoístas de promoção pessoal; do outro lado está uma viúva pobre e humilde, mas que tem um coração generoso, que confia plenamente em Deus, que aceita viver num despojamento total de si própria para “dar tudo” a Deus. Jesus propõe-na aos discípulos que estão com Ele no átrio do templo como modelo do culto que devem prestar a Deus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro, a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver». 

Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Novembro)

«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver» (Mc 12,44)

Esta Palavra de vida convida-nos, antes de tudo, a renovar a nossa plena confiança no amor de Deus e a sintonizarmo-nos com o Seu olhar, que vê para além das aparências, que não julga e que não depende do julgamento dos outros. Faz-nos a valorizar o positivo que existe em cada pessoa.

Além disso, sugere-nos o “dar tudo” como lógica evangélica que edifica uma comunidade pacificada, porque nos leva a cuidar uns dos outros. Encoraja-nos a viver o Evangelho no dia a dia, sem dar nas vistas; a dar com abundância e confiança; a viver com sobriedade, na partilha. Convida-nos a prestar atenção aos últimos, para aprender com eles.

Venant nasceu e cresceu no Burundi. Ele conta-nos: «Na aldeia, a minha família podia orgulhar-se de ter um grande terreno agrícola, com boas colheitas. A minha mãe, consciente de que tudo é providência do Céu, recolhia os primeiros frutos e distribuía-os sempre pelos vizinhos, começando pelas famílias mais necessitadas, reservando para nós uma pequena parte daquilo que sobrava. Deste exemplo aprendi o valor da dádiva desinteressada. Assim, compreendi que Deus me pedia para Lhe dar o melhor de mim, ou seja, para Lhe dar toda a minha vida».


“Amou-nos”, a Encíclica do Papa sobre o Sagrado Coração de Jesus

“’Amou-nos’, diz São Paulo referindo-se a Cristo (Rm 8,37), para nos ajudar descobrir que nada ‘será capaz de separar-nos’ desse amor (Rm 8,39)”. Assim começa a quarta Encíclica do Papa Francisco, intitulada a partir do incipit “Dilexit nos” e dedicada ao amor humano e divino do Coração de Jesus: “O seu coração aberto precede-nos e espera-nos incondicionalmente, sem exigir qualquer pré-requisito para nos amar e oferecer a sua amizade: Ele amou-nos primeiro (cf. 1 Jo 4, 10). Graças a Jesus, ‘conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele’ (1 Jo 4, 16)” (1).

O amor de Cristo representado em seu santo Coração

Em uma sociedade – escreve o Papa – que vê a multiplicação de “várias formas de religiosidade sem referência a uma relação pessoal com um Deus de amor” (87), enquanto o cristianismo muitas vezes esquece “a ternura da fé, a alegria do serviço, o fervor da missão pessoa-a-pessoa” (88), o Papa Francisco propõe um novo aprofundamento sobre o amor de Cristo representado em seu santo Coração e nos convida a renovar nossa autêntica devoção, lembrando que no Coração de Cristo “encontramos todo o Evangelho” (89): É em seu Coração que “finalmente nos reconhecemos e aprendemos a amar” (30).

A importância de voltar ao coração

Aberta por uma breve introdução e dividida em cinco capítulos, a Encíclica sobre o culto ao Sagrado Coração de Jesus reúne, como anunciado em junho, “as preciosas reflexões de textos magisteriais precedentes e de uma longa história que remonta às Sagradas Escrituras, para repropor hoje, a toda a Igreja, esse culto carregado de beleza espiritual”. O primeiro capítulo, “A importância do coração”, explica por que é necessário “voltar ao coração” em um mundo no qual somos tentados a “nos tornarmos consumistas insaciáveis e escravos na engrenagem de um mercado” (2). E faz isso analisando o que queremos dizer com “coração”: a Bíblia fala dele como um núcleo “que se esconde por detrás de todas as aparências” (4), um lugar onde “não conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos” (6). Ao coração conduzem as perguntas decisivas: que sentido quero dar à vida, às minhas escolhas e ações, quem sou diante de Deus (8). O Papa ressalta que a atual desvalorização do coração nasce do “racionalismo grego e pré-cristão, do idealismo pós-cristão e do materialismo”, de modo que, no grande pensamento filosófico, foram preferidos conceitos como “razão, vontade ou liberdade”. E não encontrando lugar para o coração, também “não se desenvolveu suficientemente a ideia de um centro pessoal” que pode unificar tudo, ou seja, o amor, (10). Ao invés, para o Pontífice, é preciso reconhecer que “eu sou o meu coração, porque é ele que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me põe em comunhão com as outras pessoas” (14).

O Sagrado Coração de Jesus é um compêndio do Evangelho

As visões de alguns santos, particularmente devotos do Coração de Cristo, ressalta Francisco, “são belos estímulos que podem motivar e fazer muito bem”, mas “não são algo em que os crentes sejam obrigados a acreditar como se fossem a Palavra de Deus”. Em seguida, o Papa lembra com Pio XII que não se pode dizer que este culto “deve a sua origem a revelações privadas”. Aliás, “a devoção ao Coração de Cristo é essencial para a nossa vida cristã, na medida em que significa a nossa abertura, cheia de fé e de adoração, ao mistério do amor divino e humano do Senhor, até ao ponto de podermos voltar a afirmar que o Sagrado Coração é um compêndio do Evangelho” (83). O Pontífice nos convida, então, a renovar a devoção ao Coração de Cristo também para combater as “novas manifestações de uma ‘espiritualidade sem carne’” que estão se multiplicando na sociedade (87). É necessário retornar à “síntese encarnada do Evangelho” (90) diante de “comunidades e pastores concentrados apenas em atividades exteriores, em reformas estruturais desprovidas de Evangelho, em organizações obsessivas, em projetos mundanos, em reflexões secularizadas, em várias propostas apresentadas como requisitos que, por vezes, se pretendem impor a todos” (88).

As aparições a Santa Margarida Maria Alacoque

Sob a influência dessa espiritualidade, Santa Margarida Maria Alacoque relata as aparições de Jesus em Paray-le-Monial, entre o fim de dezembro de 1673 e junho de 1675. O núcleo da mensagem que nos é transmitida pode ser resumido nas palavras que Santa Margarida ouviu: “Eis aqui este Coração que tanto tem amado os homens, que a nada se tem poupado até se esgotar e consumir para lhes testemunhar o seu amor” (121).

Novos Ventos – 03 de Novembro

XXXI Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

O Evangelho deste domingo apresenta-nos o escriba que pergunta a Jesus «Qual é o primeiro mandamento». Sabemos que o grupo dos escribas tinham um profundo conhecimento da Sagrada Escritura, todavia ao fazerem esta pergunta a Jesus, queriam saber como é que Ele interpretava a Lei. Jesus responde que o primeiro consiste em Amar a Deus com todo o coração e com todas as forças, mas que o segundo é semelhante que consiste no Amor concreto ao próximo, isto é, como a si mesmo. O escriba confirma que «Amar a Deus e amar o próximo vale mais do que qualquer holocausto e sacrifício». Jesus ao ouvir o escriba que deu uma resposta inteligente disse-lhe: «Não estás longe do reino de Deus». Importante salientar que o conhecimento dos mandamentos não é o suficiente, mas é necessário cumprir e viver, daí talvez a resposta «não estás longe…». Desta forma clara e sucinta Jesus é como que deixa para os cristãos uma “medalha” de dupla face onde de um lado está inscrito o “Amor a Deus” e na outra face o “Amor ao próximo”.

Mas, não basta ter o conhecimento como o escriba ou ser portador apenas de algo inscrito se depois não consigo passar do saber para o coração que me leva a ter gestos concretos para com o próximo.

A leitura do Livro de Deuteronómio, apresenta-nos o início do “Shema’ Israel”, a grande afirmação de fé que todo o israelita piedoso fazia duas vezes por dia. Lembrava que Deus era o centro fundamental à volta do qual se articulava e construía toda a vida do crente; e convidava o israelita fiel a responder à ação salvadora desse Deus com uma entrega total, uma dedicação completa, um amor sem limites e sem condições.

A leitura da Carta aos Hebreus um catequista cristão fala de Cristo como o sumo-sacerdote perfeito, que ofereceu no altar da cruz o sacrifício da sua própria vida. Com a sua entrega, Cristo cumpriu o plano do Pai e mostrou o seu amor a Deus; apresentando-se diante de Deus com esse dom, tornou-se intercessor dos seus irmãos e mostrou também o seu amor aos homens.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos, Jesus define o princípio que deve orientar a vida e o compromisso dos seus discípulos: o amor. Esse princípio, raiz fundamental da existência cristã, concretiza-se em duas vertentes: como amor a Deus e como amor ao próximo. Quem ama Deus escuta as suas palavras, vive de acordo com as suas indicações, procura concretizar o seu projeto para o mundo e para os homens; e ao mesmo tempo, contagiado por Deus, acolhe e cuida, com solicitude e amor, dos irmãos que encontra no caminho. Essa é, segundo Jesus, a única forma de dar sentido à própria existência.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos

Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?». Jesus respondeu: «O primeiro é este: ‘Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças’. O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior que estes». Disse-Lhe o escriba: «Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes: Deus é único e não há outro além d’Ele. Amá-l’O com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios». Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe: «Não estás longe do reino de Deus». E ninguém mais se atrevia a interrogá-l’O.  Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Novembro)

«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver» (Mc 12,44)

Estamos na conclusão do capítulo 12 do Evangelho de Marcos. Jesus está no Templo de Jerusalém: observa e ensina. Através do Seu olhar, assistimos a uma cena cheia de personagens: pessoas que vão e vêm, funcionários do culto, nobres com longas vestes, ricos que lançam generosas ofertas no tesouro do Templo. Aproxima-se também uma viúva. Faz parte de uma categoria de pessoas desfavorecidas social e economicamente. Ignorada por todos, lança no tesouro duas pequenas moedas. Jesus, porém, apercebe-se. Chama os discípulos e diz-lhes:

«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver»

“Em verdade vos digo…”. São as palavras que introduzem os ensinamentos mais importantes. O olhar de Jesus, concentrado sobre a pobre viúva, convida-nos a olhar na mesma direção: ela é o modelo do discípulo. A sua fé no amor de Deus é incondicional. O seu tesouro é o próprio Deus. Na sua entrega total a Ele, ela, na sua pobreza, deseja também dar tudo aquilo que pode. Este abandono confiante no Pai é, de certo modo, a antecipação do dom que Jesus fará de Si mesmo, muito em breve, através da Sua paixão e morte. É aquela “pobreza em espírito” e “pureza de coração” que Jesus proclamou e viveu. Isto significa «depositar a nossa confiança não nas riquezas, mas no amor de Deus e na sua providência. […] Somos “pobres em espírito” quando nos deixamos orientar pelo amor para com os outros. É então que partilhamos o que temos, colocando-o à disposição de quem está em necessidade: um sorriso, o nosso tempo, os nossos bens, as nossas capacidades. Tendo oferecido tudo por amor, somos pobres, ou seja, esvaziamo-nos de nós mesmos, somos livres e temos o coração puro»[1]. A proposta de Jesus muda a nossa mentalidade. No centro dos Seus cuidados estão os pequenos, os pobres, os últimos.


Praça São Pedro caravana de combate ao câncer

O trailer da Komen Itália – “Race for the Cure” – está estacionado desde esta manhã, sob a janela de onde, aos domingos, o Papa Francisco saúda milhares de fiéis durante o Ângelus. O veículo branco, decorado com balões e laços rosa, símbolo da prevenção e luta contra o câncer, encontra-se à sombra das antigas muralhas do Vaticano e, como ocorre uma vez por mês, oferece mamografias e radiografias mamárias às mulheres pobres e sem-teto que circulam pela região de São Pedro ou que são atendidas pelo Dispensário Santa Marta. São realizados exames, triagens, diagnósticos e, “caso seja detectada alguma patologia, essas mulheres são encaminhadas para o Hospital Gemelli para exames adicionais e todos os cuidados necessários. Existe um percurso completo para elas”, explica o Dr. Massimo Ralli.

Mais um presente do Papa

O consultório itinerante é uma iniciativa da Esmolaria Apostólica e complementa os vários serviços para os pobres oferecidos pelo Papa: desde chuveiros sob a colunata até o dormitório “Dom de Misericórdia”, a poucos metros da Praça São Pedro. “O Santo Padre nunca abandona seus pobres”, declara o cardeal esmoleiro, Konrad Krajewski.

Um gesto que salva vidas

A Caravana da Prevenção retornará ao Vaticano dentro de um mês. Desde a primeira vez, em 18 de abril, já realizaram exames e atendimentos para quase uma centena de mulheres de diferentes idades e nacionalidades. Além da Komen Itália, participam do serviço a Fundação Policlinico Universitario Agostino Gemelli IRCCS e o Gemelli Isola. Como explica Ralli, é um serviço fundamental, pois somente por meio da triagem é possível diagnosticar o câncer em estágio inicial e, assim, intervir. Para essas mulheres, muitas vezes jovens, que nem sequer têm onde se lavar, ter acesso a uma consulta médica é, sem dúvida, um gesto que salva vidas.

A Toalha do Perdão, um bordado entre céu e história

O livro sobre a Toalha do Perdão

O cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, ressaltou que o bordado “é uma arte muito antiga”. No livro sobre a Toalha do Perdão, o cardeal recorda a história de Matilde de Canossa. O volume começa com uma imagem de Maria bordando e termina com uma imagem de Jesus Menino no colo da Mãe, também bordando. Segundo o cardeal Semeraro, há diversas imagens que associam Maria à arte do bordado, o qual, afirma, transmite uma mensagem religiosa.

Em entrevista aos meios de comunicação vaticanos, Semeraro explicou que, através do bordado, tenta-se reproduzir com fios entrelaçados de diversas formas “uma mensagem sobrenatural”. Desde cedo, o bordado se tornou um tipo de “arte para o mobiliário religioso”, estando associado aos ornamentos sagrados, especialmente episcopais. As bordadeiras da escola “Reggio Ricama”, observou o cardeal, estão não apenas “sob a sombra da Cátedra de Pedro, mas também sob a proteção da Virgem Maria”. De acordo com tradições apócrifas e textos antigos, Maria era considerada uma bordadeira. O projeto das Toalhas para a Basílica Vaticana, destacou o prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, busca transmitir uma “mensagem religiosa através de peças que possuem um uso litúrgico”.

As Toalhas das “três P”

A Toalha do Perdão integra o projeto iniciado em 2019 em parceria com a escola “Reggio Ricama” para a criação de toalhas para a Basílica Vaticana. Elas são conhecidas como as toalhas das “três P” em homenagem ao apóstolo Pedro. São a Toalha do Pescador, produzida em 2022, a do Perdão, entregue em fevereiro de 2024, e a da Promessa, que revestirá o altar da Confissão, na Basílica Vaticana, durante o Jubileu. Após a apresentação do livro “Sub Umbra Cathedrae”, foram anunciados os vencedores do concurso promovido pelo círculo cultural “Reggio Ricama”, que selecionou o design da Toalha da Promessa.

Novos Ventos – 27 de Outubro

XXX Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

O Evangelho deste domingo relata-nos a experiência de Bartimeu com Jesus, sabemos que a sua limitação física deste homem o impedia de ter uma atividade normal, daí a necessidade de recorrer à condição de pedinte, no entanto, ao ouvir dizer que Jesus passava por aquele lugar, Bartimeu não se resigna nem fica acomodado, mas pelo contrário começou a gritar dizendo: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Continua o evangelho afirmando que aqueles que ouviam gritar começaram a repreendê-lo para que se calasse. A convicção deste homem de que algo poderia mudar na sua vida através deste encontro com Jesus, leva-o a não valorizar a repreensão dos demais e continua a pedir para que Jesus tivesse compaixão dele. É diante desta insistente súplica que Jesus mandou-o chamar. Aqueles que de certa forma o tinham quase impedido são agora aqueles que são porta-voz de Jesus «Coragem! Levanta-te que Ele está a chamar-te». Uma vez mais verificamos que Bartimeu sabia bem aquilo que desejava, não é ninguém que o leva junto de Jesus, ele próprio se aproxima junto de Jesus e diz-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». É diante da fé em Jesus Cristo que a vida de Bartimeu se transformou. Será que diante de tantas cegueiras na minha vida sou capaz de me aproximar de Jesus, com a mesma vontade de ser transformado pelo Amor de Jesus?

A leitura do Livro de Jeremias, é um convite à alegria. Para o Povo que caminha pelos vales sombrias da vida e da história, Deus é um Pai que acompanha, que ampara e que cuida. Ele não deixará ninguém para trás, nem sequer os mais débeis – o cego, o coxo, a mulher grávida e a que tem dificuldade em manter o ritmo da caminhada pois transporta o seu bebé nos braços. Guiados pelo amor paternal e maternal de Deus, todos chegarão à terra sonhada, à meta da Vida verdadeira.

A leitura da Carta aos Hebreus um catequista cristão – o autor da Carta aos Hebreus – apresenta-nos Jesus como um sumo-sacerdote que compreende as nossas fraquezas e que nos leva até Deus. Podemos confiar n’Ele e segui-l’O sem hesitações. Ninguém encontra a Vida verdadeira sem caminhar com Jesus, sem escutar as suas indicações, sem viver ao seu estilo. É uma mensagem destinado a acordar crentes adormecidos, conformados com uma fé morna, sem exigência e sem compromisso.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos, através da história do cego Bartimeu, propõe-nos uma parábola sobre a passagem da escuridão para a luz, da vida velha para a vida nova. O encontro com Jesus é sempre uma oportunidade para abraçar uma existência com horizontes mais amplos, uma vida plena de luz e de sentido. Bartimeu, o homem que encontrou Jesus à saída de Jericó e O seguiu no “caminho” de Jerusalém, é o modelo de todos os discípulos.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos

Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho. Palavra da Salvação


Dilexit nos, a quarta encíclica de Francisco para “um mundo que parece ter perdido o coração”

O anúncio do Papa

“Carta encíclica sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus Cristo” é o subtítulo do documento, cuja data de publicação — 24 de outubro — foi anunciada hoje pela Sala de Imprensa da Santa Sé. O texto é inteiramente dedicado ao culto do Sagrado Coração de Jesus. O Santo Padre havia anunciado o lançamento no outono, durante a audiência geral na Praça São Pedro em 5 de junho (mês tradicionalmente dedicado ao Sagrado Coração de Jesus), compartilhando o desejo de que o texto faça meditar sobre os aspectos “do amor do Senhor que possam iluminar o caminho do renovamento eclesial; e também que possam dizer algo significativo a um mundo que parece ter perdido o coração”. Francisco ainda explicou que o documento reunirá “as preciosas reflexões de textos magisteriais anteriores e de uma longa história que remonta às Sagradas Escrituras, para repropor hoje, a toda a Igreja, este culto repleto de beleza espiritual”.

As aparições em 1673

A encíclica é publicada durante as celebrações — que vão de 27 de dezembro de 2023 a 27 de junho de 2025 — do 350º aniversário da primeira manifestação do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, em 1673. Há três séculos e meio, em 27 de dezembro, Jesus apareceu à jovem freira visitandina francesa, com apenas 26 anos, para confiar-lhe a missão decisiva de difundir no mundo o amor de Jesus pelos homens, especialmente pelos pecadores. As aparições no convento de Paray-le-Monial, na Borgonha, continuaram por 17 anos, com o Coração de Jesus se manifestando sobre um trono de chamas, cercado por uma coroa de espinhos, símbolo das feridas infligidas pelos pecados dos homens. Cristo pediu à irmã Margarida que a sexta-feira após a festa de Corpus Christi — portanto, oito dias depois — fosse dedicada à Festa do Sagrado Coração de Jesus. Uma missão difícil para a religiosa, que encontrou incompreensões até entre as irmãs religiosas e superiores, sendo considerada uma visionária. Ela, porém, nunca desanimou e dedicou toda sua vida para que o mundo conhecesse o amor de Cristo.

A devoção de Francisco

O Papa Francisco sempre demonstrou um profundo vínculo com o Sagrado Coração, relacionando-o à própria missão dos sacerdotes. Em 2016, o encerramento do Jubileu dos Sacerdotes ocorreu justamente na Solenidade do Coração de Jesus, e na homilia da Missa o Pontífice pediu aos padres do mundo que orientassem o seu coração, como o Bom Pastor, em direção à ovelha perdida, àquele que está mais distante, deslocando o epicentro do coração para fora de si mesmos. Ainda no contexto do Jubileu, na primeira das Meditações sobre a misericórdia, o Papa recomendou aos bispos e sacerdotes que relêssem a ‘Haurietis aquas’, porque “o coração de Cristo é o centro da misericórdia. Isto é próprio da misericórdia, que se suja, toca, se envolve, quer comprometer-se com o outro… empenha-se com uma pessoa, com sua ferida”. Dilexit nos, como mencionado, é a quarta encíclica de Francisco após Lumen fidei (29 de junho de 2013), escrita “a quatro mãos” com Bento XVI; Laudato si’ (24 de maio de 2015), sobre a crise ambiental e a necessidade de cuidar da Criação; e Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), que sintetiza os apelos e mensagens do Papa sobre a urgência da fraternidade e da amizade social em um mundo fragmentado, à época pela pandemia de Covid-19, e hoje por guerras fratricidas e conflitos conduzidos até em nome de Deus. Dilexit nos será apresentada na Sala de Imprensa vaticana em 24 de outubro por dom Bruno Forte, teólogo, arcebispo de Chieti-Vasto, e pela irmã Antonella Fraccaro, responsável geral das Discípulas do Evangelho.


Santa Sé-China, Acordo Provisório estendido por mais quatro anos

Esta é a terceira renovação de um acordo que, com a assinatura de 22 de setembro de 2018, abriu uma página histórica nas relações entre a Santa Sé e a República Popular da China, e também no coração da própria Igreja desse grande país oriental, permitindo que todos os bispos estejam em plena comunhão hierárquica com o Papa. A nova assinatura, realizada pelas duas partes sobre o Acordo Provisório – cuja validade entra em vigor a partir de hoje (22/10) pelos próximos 4 anos – segue aquela da primeira renovação por um biênio ocorrida em 2020, e a seguinte, para um segundo biênio, assinada exatamente em 22 de outubro de 2022.

“Diálogo respeitoso e construtivo”

Através de um comunicado oficial da Sala de Imprensa da Santa Sé, justifica-se a decisão, tomada “após consultas e avaliações oportunas”, graças aos “consensos alcançados para uma aplicação proveitosa” do Acordo sobre a nomeação dos Bispos, e se especifica que a “Parte Vaticana permanece determinada a continuar o diálogo respeitoso e construtivo com a Parte Chinesa, para o desenvolvimento das relações bilaterais visando o bem da Igreja Católica no país e de todo o povo chinês”.

Um novo cenário

O Acordo Provisório pôs fim a décadas de ordenações episcopais realizadas sem o consentimento papal. Um cenário que mudou radicalmente nos últimos 6 anos, com cerca de dez nomeações e consagrações de bispos, e ao mesmo tempo, a oficialização do papel público de alguns prelados que anteriormente não eram reconhecidos por Pequim. Um sinal da nova colaboração é testemunhado também pela presença de bispos da China continental nos Sínodos no Vaticano e em outros encontros na Europa e na América, assim como pela presença de jovens na JMJ de Lisboa no ano passado, além de uma participação geral de fiéis chineses nas viagens apostólicas realizadas pelo Papa Francisco no Oriente nos últimos anos.

Situação dos cristãos piora em todo o mundo, diz relatório da Ajuda à Igreja que Sofre

África Ocidental, novo epicentro da violência do islamismo extremista

O relatório destaca que a perseguição aos cristãos piorou significativamente em todo o mundo. Nos países africanos examinados, o Islã extremista foi responsável pelo aumento das perseguições . E é precisamente a África Ocidental o novo “epicentro da violência islâmica militante”, e não mais o Oriente Médio. “A migração em massa das comunidades cristãs, desencadeada por ataques de militantes islâmicos, desestabilizou-as e privou-as dos seus direitos, levantando interrogações em relação à sobrevivência a longo prazo da Igreja”, afirma o documento.

Nicarágua

A perseguição contra os cristãos também aumentou em grandes nações como China, Índia e Nigéria. Uma novidade introduzida, depois de 18 anos, é a análise da situação dos cristãos na Nicarágua. Isto é uma consequência das medidas repressivas extremas implementadas, em particular, contra representantes do clero local, vítimas de detenções em massa e expulsões do país.

Testemunhos

O relatório traz ainda testemunhos de sobreviventes dos ataques anticristãos e detalhes sobre os incidentes. Outros temas analisados ​​são o deslocamento de comunidades cristãs na sequência de ataques de grupos extremistas, a violência contra mulheres e meninas – em particular casamentos e conversões forçadas -, o sequestro e a intimidação de sacerdotes e a publicação em livros de textos escolares com conteúdo depreciativo ao cristianismo.

O Paquistão e a Índia são analisados ​​em particular no que diz respeito ao aumento vertiginoso dos ataques violentos desencadeados por acusações de suposta blasfêmia, no primeiro país, e à detenção de mais de 850 pessoas com base nas leis anti-conversão, no segundo.

O Vietnã é o único país para o qual foi registada uma ligeira melhoria no relatório, principalmente devido às “medidas tomadas para restabelecer os laços diplomáticos com o Vaticano”.

Novos Ventos – 20 de Outubro

XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

O Evangelho deste domingo põe em relevo o episódio em que Tiago e João aproximam-se de Jesus e fazem-Lhe um pedido: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». Diante de tal pedido, Jesus começa por dizer que eles não sabem o que estão a pedir. De facto, a glória que estes dois irmãos tinham no seu pensamento passava mais pela realização dos eus projetos pessoais, pelo poder, pela grandeza, pelo protagonismo. Embora estes irmãos façam parte do grupo restrito dos amigos de Jesus, que viram os seus milagres, escutaram os seus ensinamentos, mas não compreenderam que o Reino e a Glória que Jesus Lhes falava era diferente. No entanto, os discípulos ainda não tinham compreendido a mensagem do Mestre, de modo que, diante de tal pedido os outros discípulos ficaram indignados contra Tiago e João.

Na vida quotidiana muitas vezes perdemos o rumo daquilo que é essencial, ficamos presos às coisas materiais e que podem encher o nosso ego, através do status social que ocupamos. Este foi o grande problema que criou indignação e ciúme da parte dos outros discípulos. Jesus, revela que eles devem ter outra lógica não a do protagonismo, mas do serviço, tal como Ele próprio o fez «Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos». Tenhamos a coragem e ousadia de estarmos disponíveis para servir a nossa comunidade, através do amor concreto aos irmãos.

A leitura do Livro de Isaías, fala-nos de um “servo de Deus”, que cumpriu a sua existência na terra no meio do sofrimento e do desprezo, mas que Deus exaltou e glorificou. A figura desse “servo” diz-nos que uma vida vivida na humildade, no sacrifício, na entrega e no dom de si mesmo não é, aos olhos de Deus, uma vida maldita, perdida, fracassada; mas é uma vida fecunda e plenamente realizada, que trará libertação e esperança ao mundo e aos homens.

A leitura da Carta aos Hebreus o autor da Carta aos Hebreus apresenta Jesus como um sumo-sacerdote misericordioso que, depois de apresentar o seu sacrifício, “atravessou os céus” e se apresentou diante de Deus para interceder pelos homens. Assim, Ele alcançou de Deus a misericórdia para os homens pecadores. A nossa resposta à ação salvadora de Cristo em nosso favor deve traduzir-se na adesão plena às suas propostas.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos, Jesus mostra aos discípulos em que direção devem caminhar para que as suas vidas se encham de sentido. Confrontado com os sonhos de poder e de honrarias de Tiago e de João, Jesus garante-lhes que é no dom da vida, na entrega de si próprios, no serviço simples e humilde aos irmãos, que se sentirão plenamente realizados.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos

Naquele tempo, Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir». Jesus respondeu-lhes: «Que quereis que vos faça?». Eles responderam: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». Disse-lhes Jesus: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o batismo com que Eu vou ser batizado?». Eles responderam-Lhe: «Podemos». Então Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que Eu vou beber e sereis batizados com o batismo com que Eu vou ser batizado. Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado». Os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas, e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós: quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos». Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Outubro)

«Aquele que quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servidor, e aquele que quiser entre vós ser o primeiro, será servo de todos» (Mc 10,43-44).

O encontro com Jesus na sua Palavra abre-nos os olhos, como aconteceu com o cego Bartimeu nos versículos seguintes[3]: liberta-nos da mesquinhez dos nossos esquemas, faz-nos contemplar os horizontes de Deus, o seu projeto de “novos Céus e nova Terra”[4]. Ele, o Senhor que lava os pés[5], contradiz com o seu exemplo a distinção rígida das tarefas de serviço que muitas vezes as nossas comunidades civis, e por vezes religiosas, atribuem às pessoas de estratos socialmente mais frágeis.

O serviço cristão é, portanto, imitar o exemplo de Jesus, aprender com Ele um novo estilo de sociabilidade: tornar-se próximo de cada pessoa, de qualquer condição humana, social ou cultural que seja, até ao fim.  Como propõe Giovanni Anziani, pastor metodista da Igreja Valdense, «[…] aceitando colocar a nossa confiança e a nossa esperança no Senhor que é servo de todos, a Palavra de Deus pede-nos para agir no nosso mundo, no meio de todas as suas contradições, como operadores da paz e da justiça, como construtores de pontes para a reconciliação entre os povos»[6]. Assim viveu Igino Giordani, escritor, jornalista, político e pai de família, num momento histórico marcado pela ditadura. Contando a sua experiência, escreveu: «A política é – no mais digno sentido cristão – uma serva, e não se deve tornar patroa: não pode ser abuso, nem ser dominadora e nem sequer dogma. Esta é a sua função e a sua dignidade: ser serviço social, caridade em ato, a primeira forma do amor à pátria»[7]. Com o testemunho da sua vida, Jesus propõe-nos uma escolha consciente e livre: de já não vivermos fechados em nós mesmos e nos nossos interesses, mas “viver o outro”, com os seus sentimentos, carregando os seus pesos e partilhando as suas alegrias. Todos temos pequenas ou grandes responsabilidades e espaços de autoridade: no campo político e social, mas também na família, na escola, na comunidade de fé. Aproveitemos os nossos “lugares de honra” para nos colocarmos ao serviço do bem comum, construindo relacionamentos humanos justos e solidários.

Letizia Magri 


Apelo do Santo Padre: rezemos pela paz, lutemos pela paz

A guerra é uma derrota – O Papa reiterou que “a guerra sempre, sempre, é uma derrota”. “Não nos esqueçamos disso – acrescentou – e rezemos pela paz”. “Lutemos pela paz.”

A memória do beato Popiełuszko

Em suas saudações em polonês, Francisco recordou o testemunho do sacerdote beato Jerzy Popiełuszko por ocasião uma conferência realizada em Roma no 40º aniversário de seu martírio, em outubro de 1984, durante o regime comunista na Polônia. Que esse beato, que ensinou a vencer o mal com o bem, vos apoie na construção da unidade no espírito da verdade e no respeito pela dignidade da pessoa humana.

Saudações

Ainda no final da audiência geral, o Pontífice saudou os participantes do simpósio mundial da Rádio Maria, provenientes de diversos países, e os exortou a “difundir os valores da fraternidade e da solidariedade, fazendo reverberar a vida da Igreja”. Em seguida, lembrou que esta quinta-feira, 17 de outubro, a Igreja celebra a memória litúrgica de Santo Inácio de Antioquia, “um pastor que ardia de amor por Cristo”.

Papa: o Espírito Santo nos liberta do horror da morte e da injustiça

Na catequese desta quarta-feira, 16 de outubro, o Papa Francisco continuou o ciclo de ensinamentos sobre o Espírito Santo, concentrando-se em como Ele se manifesta nas Escrituras e atua na Igreja ao longo da história. O Santo Padre, ao falar para os milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro, destacou que, durante os primeiros três séculos, a Igreja não havia formulado explicitamente sua fé no Espírito Santo, até que as heresias obrigaram os concílios a esclarecer a doutrina.

Francisco relembrou o Concílio de Constantinopla, em 381, que definiu a divindade do Espírito Santo, afirmando: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai [e do Filho]; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”. Com isso, o Papa sublinhou a importância de reconhecer que o Espírito Santo compartilha da mesma divindade do Pai e do Filho, sendo Ele adorado e glorificado na mesma medida.

O Espírito Santo é vivificante

Francisco enfatizou que a afirmação central sobre o Espírito Santo no Credo é que Ele é “vivificante”, ou seja, “dá a vida”. Ao explicar esse ponto, o Papa mencionou que, no início da criação, o sopro de Deus deu vida a Adão, transformando-o de um homem de barro em um ser vivente. “Na nova criação, o Espírito Santo é Aquele que dá aos crentes a vida nova, a vida de Cristo, uma vida sobrenatural, a vida dos filhos de Deus”, disse o Pontífice, citando São Paulo: “A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte” (Rm 8,2).

Esperança na vida eterna

A vida nova no Espírito, segundo o Papa, é a grande esperança dos cristãos, pois se trata de vida eterna. Francisco destacou que o Espírito Santo liberta os fiéis do medo de que tudo termine com a morte terrena: “Onde está a grande e consoladora notícia para nós em tudo isto? É que a vida que nos foi dada pelo Espírito Santo é vida eterna! A fé liberta-nos do horror de ter de admitir que tudo termina aqui, que não há redenção para o sofrimento e a injustiça que reinam soberanos na terra.”

Cultivar a fé e a gratidão

Ao concluir, o Santo Padre incentivou os fiéis a conservar a fé no Espírito Santo, principalmente em tempos de dúvida e dificuldade, e a agradecer pelo dom da vida eterna que Jesus nos concedeu com sua morte e ressurreição: “Cultivemos esta fé também para aqueles que, muitas vezes sem culpa própria, dela carecem e são incapazes de dar sentido à vida. E não nos esqueçamos de agradecer Àquele que, com a sua morte, nos obteve este dom inestimável!”

Novos Ventos – 13 de Outubro

XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Diante de um mundo globalizado no qual prevalece e domina o poder e a riqueza, vemos o ser humano com sede do Absoluto, isto é, atingir a plenitude de Deus. O Evangelho deste domingo apresenta-nos um homem que deseja alcançar a plenitude no Reino Celeste e estando diante de Jesus, dirige-Lhe a seguinte pergunta: «Bom Mestre, que hei – de fazer para alcançar a vida eterna?». Neste diálogo existem expressões lindíssimas; este homem reconhece que Jesus é um «Bom Mestre». Outro aspecto a salientar é que aquele homem era uma pessoa de fé pois conhecia e cumpria os mandamentos. Jesus olha este homem com simpatia, isto é, com Amor, contudo, desafia-o a algo mais ao desprendimento das coisas terrenas. Como o apego aos bens materiais pode dificultar a entrega a Jesus Cristo. Este homem sai triste da presença de Jesus porque tinha muitos apegos, por isso é que Jesus vai dizer: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!».

Os bens materiais são necessários para a nossa vida quotidiana, como ter uma casa, um carro, ter dinheiro para as obrigações do dia a dia, para podermos ter uma vida de algum conforto. Mas o que está em causa é quando os bens ocupam o centro da nossa vida, quando vivemos apenas para o possuir coisas, ficamos com o coração endurecido. Dar a primazia a Jesus é sinal de liberdade interior foi o que faltou àquele homem.

A leitura do Livro da Sabedoria, um “sábio” de Israel exalta a “sabedoria”, dom de Deus. A partir da sua própria experiência, esse sábio convida-nos a fazer da “sabedoria” a nossa aposta fundamental. Ela é, mais do que qualquer outro valor (o poder, a riqueza, a saúde, a beleza), a base perfeita para construir uma vida com sentido.

A leitura da Carta aos Hebreus convida-nos a escutar e a acolher a Palavra de Deus que nos chega através de Jesus. Essa Palavra é viva, eficaz, atuante. Uma vez acolhida no coração do homem, transforma-o, renova-o, ajuda-o a discernir o bem e o mal e a fazer as opções corretas, indica-lhe o caminho certo para chegar à vida plena e definitiva.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos, um homem de boa vontade questiona Jesus sobre o caminho que leva à vida eterna. Jesus desenha-lhe o mapa desse caminho. Convida aquele homem a despojar-se dos bens materiais que o aprisionam, a abrir o coração à solidariedade e à partilha, a percorrer o caminho do amor que se dá totalmente, a tornar-se discípulo e a integrar a comunidade do Reino. A indicação de Jesus continua válida, no séc. XXI, para quem estiver interessado em encher de significado a sua vida.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos

Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d’Ele e perguntou-Lhe: «Bom Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu sabes os mandamentos: ‘Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe’». O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!». Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível». Pedro começou a dizer-Lhe: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna». Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Outubro)

«Aquele que quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servidor, e aquele que quiser entre vós ser o primeiro, será servo de todos» (Mc 10,43-44).

Nesta frase do Evangelho de Marcos, há uma progressiva compreensão na imagem do servo-escravo. Jesus guia-nos na passagem de uma atitude de simples disponibilidade num grupo limitado e confortável, a uma total entrega a todos, sem exceção. É uma proposta totalmente alternativa e contracorrente relativamente à conceção humana da autoridade e do governo, que talvez tenha impressionado os próprios apóstolos e tem um impacto também para nós.

Não será este o segredo do amor cristão?

«Há uma palavra do Evangelho que não tem sido muito sublinhada por nós, cristãos: servir. Parece-nos antiquada, indigna da dignidade do homem que dá e recebe. No entanto, o Evangelho está todo aqui, porque é amor. Amar significa servir. Jesus não veio para mandar, mas para servir. […] Servir, servirmo-nos uns aos outros é cristianismo e quem o atua com simplicidade – e todos o podem fazer – fez tudo; e não é um tudo que fique só por ali, mas que, porque é cristianismo vivo, se propaga como um incêndio»[2]. Letizia Magri 


Shevchuk: o Papa está preocupado e sempre próximo ao povo da Ucrânia

O desastre da guerra e a preocupação com os vulneráveis

“Eu queria informar o Santo Padre sobre a situação na Ucrânia, esse desastre da guerra que estamos vivendo, e os desafios que enfrentaremos agora que o inverno está se aproximando”, disse Shevchuk à mídia do Vaticano. “O Santo Padre está realmente preocupado com a população civil, com tudo o que está acontecendo na Ucrânia, com os vulneráveis que estão sofrendo mais.”

Os resultados do Sínodo dos Bispos Ucranianos

O arcebispo-mor também explicou que havia informado o Papa Francisco sobre “a vida da Igreja ucraniana nessas circunstâncias” e sobre o Sínodo dos Bispos realizado em julho sobre o tema “central” da evangelização: “ou seja, como evangelizar, como proclamar a palavra de Deus, que é sempre uma palavra de esperança para um povo desesperado. Eu lhe entreguei o fruto do trabalho sinodal, que é uma carta pastoral escrita por nós sobre guerra e paz justa. É a nossa reflexão sobre a situação atual na Ucrânia”.

O encontro com Zelensky

E é precisamente Zelensky, como mencionado, que será recebido pelo Papa nesta sexta-feira (11/10): terceira vez no Vaticano, quarto encontro considerando o bilateral confidencial em junho no G7 em Puglia. “Nosso presidente respeita o Santo Padre como uma voz e uma autoridade moral global”, comenta o arcebispo Shevchuk, ‘compartilhar as dores da Ucrânia, ter o apoio do Papa e da Santa Sé para o nosso país e nosso povo atormentado é vital para nós’. “Graças a Deus que nosso presidente está vindo para ouvir o Santo Padre”.

Apelo à solidariedade

Antes de voltar às discussões e reflexões dos Círculos Menores do Sínodo, o líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana quer fazer um apelo à comunidade internacional por meio da mídia da Santa Sé: “pedimos sua solidariedade e oração. Quase 6 milhões de ucranianos passarão por uma emergência alimentar neste inverno. Há uma necessidade de alimentar os famintos. Além disso”, acrescentou o prelado,” devemos oferecer nosso calor e nossa atenção às pessoas que sofrerão com o frio. Reze pela Ucrânia, confiamos em sua solidariedade”.

Coleta no Sínodo será destinada à população de Gaza

Para os participantes do Sínodo, este 7 de outubro é dia de oração, de jejum, mas também de um gesto concreto de caridade em favor da população de Gaza. De fato, o cardeal Konrad Krajewski, esmoler pontifício, ao se pronunciar na manhã desta segunda-feira após o discurso do cardeal Jean-Claude Hollerich na abertura dos trabalhos da IV Congregação, anunciou que neste dia dedicado à penitência e à oração a pedido do Papa, seria promovida uma coleta na parte da tarde.

Valor destinado à paróquia de Gaza

O valor arrecadado será destinado à população de Gaza extenuada pelos bombardeamentos e pela fome, em particular à Paróquia católica da Sagrada Família, mencionada inúmeras vezes pelo Papa Francisco. A paróquias, que acolhe refugiados de diferentes origens e religiões, é guiada pelo sacerdote argentino Pe. Gabriel Romanelli, a quem o Pontífice afirmou telefonar todos os dias.

Unidos na oração e no jejum

“O Santo Padre – lê-se em um comunicado da Esmolaria Apostólica – pediu-nos hoje para estarmos particularmente unidos na oração, e jejuando, implorar a paz para o mundo inteiro. Mas a oração e o jejum não podem ser feitos sem a esmola, que deve nos fazer sofrer, deve até nos fazer mal, porque renunciamos ao que nos pertence para dar a outros que estão em dificuldade ou mesmo prestes a morrer”.