II Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste II Domingo do Tempo Comum a liturgia apresenta o episódio do milagre nas bodas de Caná na Galileia. Diante de uma festa de casamento em que tudo estava prestes a ser um fracasso, Jesus intervém e permite que tudo seja um grande êxito. No entanto, o texto revela que diante de tantos convidados na festa é Maria que se apercebe que alguma coisa não estava bem. Maria é assim muito subtil está presente nos momentos de alegria, mas também nos momentos difíceis, Ela não se impõe mas comunica ao Filho para interceder por aquele casal, por aquele casamento que poderia ser um fracasso. Maria como Mãe está sempre atenta aos seus filhos a cada um de nós, com um amor sempre maternal. Jesus ainda refutou dizendo que ainda não tinha chegado a Sua hora. Essa Hora é aquela da Sua total entrega pela salvação da humanidade é a hora de transformar o vinho no Seu Preciosíssimo Sangue e que constitui para nós uma Nova e eterna Aliança. É precisamente à volta da mesa que Jesus institui o Sacramento da Eucaristia e que realiza o Verdadeiro Milagre da Transubstanciação, isto é, tornar o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue.
Que Maria entre no coração de cada um de nós e seja o Porto seguro das nossas famílias e capazes deixar-nos conduzir pelos Seus ensinamentos ao ouvir as palavras: «Fazei tudo o que Ele vos disser».
A leitura do Livro de Isaías, um profeta anónimo fala a Jerusalém – a cidade triste e em ruínas que as tropas babilónicas destruíram e queimaram – e garante-lhe que Deus a ama com um amor sem fim. O amor de Deus irá regenerar Jerusalém, recriando-a e transformando-a numa “noiva” encantadora e resplandecente. Iluminada pelo amor, a cidade-esposa de Deus encherá de orgulho e de alegria o coração do seu marido.
A leitura do Apóstolo São Paulo aos Coríntios, Paulo lembra aos cristãos de Corinto que os “carismas”, enquanto sinais do amor de Deus, se destinam ao bem de todos. Não podem servir para uso exclusivo de alguns, nem podem ser fator de divisão e de tensão comunitária. Na partilha comunitária dos dons de Deus manifesta-se o amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, Jesus, no cenário da festa de casamento de um jovem casal de Caná da Galileia, apresenta o programa que se propõe concretizar: trazer o “vinho bom”, o “vinho” da alegria e do amor, à relação entre Deus e os homens. Da ação de Jesus – das suas palavras, dos seus gestos, do seu amor até ao extremo – nascerá a comunidade da nova “aliança”, a comunidade que vive no amor a Deus e que se dispõe a dar testemunho desse amor.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João
Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, __ ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam __ chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.
Palavra da Salvação

O Papa: não podemos ser cúmplices do abuso infantil
Abuso infantil, ato desprezível e atroz
Na semana passada, o Pontífice focou na “forma como, na sua obra, Jesus falou várias vezes sobre a importância de proteger, acolher e amar os mais pequenos”. “No entanto, ainda hoje no mundo, milhões de menores, mesmo não tendo a idade mínima para cumprir com as obrigações da vida adulta, são obrigados a trabalhar e muitos deles são expostos a trabalhos particularmente perigosos. Sem falar das crianças que são traficadas para prostituição ou pornografia, e dos casamentos forçados.”
“Infelizmente, nas nossas sociedades, existem muitas formas pelas quais as crianças são abusadas e maltratadas”, disse ainda Francisco, acrescentando: “O abuso infantil, de qualquer natureza, é um ato desprezível e atroz. Não é simplesmente um flagelo social e um crime; é uma violação muito grave dos mandamentos de Deus. Nenhuma criança deveria sofrer abusos. Mesmo um caso já é demais. Por isso, é necessário despertar consciências, praticar a proximidade e a solidariedade concreta com as crianças e os jovens vítimas de abusos e, ao mesmo tempo, construir confiança e sinergias entre aqueles que se comprometem a oferecer-lhes oportunidades e locais seguros para crescerem em paz.”
O Papa sublinhou que conhece um país da América Latina, “que produz uma fruta especial, muito especial, chamada “arando”, um tipo de mirtilo, mas para colher o arando são necessárias mãos delicadas e são as crianças a fazê-lo, escravizam as crianças para uma colheita”.
As crianças pagam o preço mais alto
Segundo o Papa, “a pobreza generalizada, a falta de ferramentas sociais de apoio às famílias, o aumento da marginalização nos últimos anos, a par do desemprego e da precariedade laboral, são fatores que descarregam sobre os mais jovens o preço mais elevado a pagar. Nas metrópoles, onde a exclusão social e a degradação moral são “gritantes”, existem crianças envolvidas no tráfico de droga e nas mais diversas atividades ilícitas“. “Quantas destas crianças vimos cair como vítimas de sacrifício! Por vezes, tragicamente, são induzidas a se tornarem “carrascos” de seus semelhantes, além de se prejudicarem a si mesmas, sua própria dignidade e humanidade. No entanto, quando na rua, no bairro da paróquia, estas vidas perdidas se apresentam ao nosso olhar, olhamos muitas vezes para o outro lado.”
Não ser cúmplice do trabalho infantil
Francisco prosseguiu sua catequese, dizendo que “é difícil para nós reconhecer a injustiça social que leva duas crianças, talvez residentes no mesmo bairro ou prédio, a tomarem caminhos e destinos diametralmente opostos, porque uma delas nasceu numa família desfavorecida. Uma fratura humana e social inaceitável: entre aqueles que podem sonhar e aqueles que devem sucumbir“. “Mas Jesus quer que todos sejamos livres e felizes e nos pede que paremos e ouçamos o sofrimento dos que não têm voz, dos que não têm escola. Combater a exploração, sobretudo a infantil, é a principal forma de construir um futuro melhor para toda a sociedade“, ressaltou Francisco, lembrando que “alguns países tiveram a sabedoria de incluir por escrito os direitos das crianças. As crianças têm direitos, pesquisem para descobrir quais são os direitos da criança”.

Núncio Cavalli: “Venha a Medjugorje, lugar de graça escolhido pelo Senhor”
Já há alguns anos o senhor vive na paróquia de Medjugorje e encontra peregrinos. Como tem sido a sua experiência? Eu nunca tinha estado em Medjugorje. Mas eu sou italiano e, como muitas pessoas do meu país, tive contato com aqueles que vieram para cá. Sempre percebia, quando retornavam de Medjugorje, que essas pessoas ficavam mais comprometidas em nível espiritual e humano: na igreja, nas catequeses, em fazer o bem. Eram muito mais comprometidas do que antes. Agora já estou aqui há três anos: é um lugar normal, sem nada de especial e, pela graça, se tornou, um lugar espiritual para onde vêm pessoas do mundo inteiro. Elas chegam começam a rezar. Elas entram em comunhão com o Senhor Jesus e a Virgem Maria os acompanha. É uma oração simples: querem mudar de vida, viver melhor do que antes, querem resolver ou enfrentar bem os problemas que têm. Uma mudança que se chama conversão, que ocorre em particular no Sacramento da Penitência. Isso acontece normalmente em Medjugorje.
Olhando para os tantos peregrinos que chegam, o que mais lhe chama a atenção?
Chegam jovens e adultos, sem nenhum patrocínio. Chegam todos com um objetivo: encontrar o Senhor e a Virgem Maria. Eles não encontram nada para ver ou visitar: como turismo religioso, somos zero. Mas aqui, jovens e adultos começam a rezar. Eu tinha acabado de chegar, em fevereiro de três anos atrás, e me vi entre os bancos ao ar livre atrás da igreja. Chega uma família latino-americana, com um jovem de quinze anos que era um rebelde, um verdadeiro rebelde! Depois de apenas cinco minutos ele veio se confessar… e seus pais o olhavam com surpresa. É um lugar de graça que o Senhor escolheu para ser encontrado. O ‘nulla osta’ do Papa significa dizer: ide, ide, ide! Ide porque é um lugar de graça, onde se encontra o Senhor e o Senhor é encontrado.
Graças às novas normas desejadas pelo Papa Francisco, agora o procedimento para examinar e pronunciar-se sobre esses casos se concentra mais nos frutos espirituais.
O Dicastério para a Doutrina da Fé examinou dois pontos que são documentáveis. O primeiro diz respeito aos frutos. Em Medjugorge chegam milhares e milhares de pessoas do mundo inteiro. Neste ano vieram dois milhões de pessoas, adultos e jovens. Quase 50.000 padres vieram para rezar, para se converter. Depois, outros frutos muito importantes são as muitas vocações. Tantas pessoas que rezam. O segundo elemento examinado foram as mensagens. Cada mensagem foi confrontada com a nossa fé e descobriu-se que as mensagens correspondem a ela. Frutos muito positivos e mensagens positivas para a fé: isso permitiu dizer que Medjugorje é um lugar de graça.


Palavra de Vida (Janeiro)
“Crês isto?” (Jo 11,26).
“Uma das minhas filhas perdeu o emprego juntamente com todos os seus colegas, porque o governo extinguiu o órgão público para o qual trabalhavam”, diz Patrícia, de um país sul-americano. “Como forma de protesto, organizaram um acampamento em frente à sede da entidade. Eu procurava apoiá-los, participando de algumas das suas atividades, levando-lhes comida ou simplesmente ficando ali para conversar com eles.
Na Quinta-feira Santa, um grupo de sacerdotes que os acompanhava decidiu celebrar uma cerimônia, em que também foram oferecidos espaços de diálogo. Foi lido o Evangelho e se fez o gesto do lava-pés, em memória daquilo que Jesus tinha feito. A maioria dos presentes não adotava uma vida religiosa. Contudo, foi um momento de profunda união, de fraternidade e de esperança. Eles se sentiram abraçados e, com emoção, agradeciam aos sacerdotes que os acompanhavam na incerteza e no sofrimento.”
A palavra de Jesus “Crês isto?” foi escolhida como guia para a “Semana de Oração pela Unidade Cristã de 20253”, mas serve para todos os tempos e lugares. Rezemos, então, e trabalhemos para que a nossa fé comum seja o que nos move na busca da fraternidade com todos: é a proposta e o desejo de Deus para a humanidade, mas exige a nossa adesão. A oração e a ação serão eficazes se brotarem dessa confiança em Deus e da nossa vivência coerente com essa fé. Silvano Malini