Solenidade da Epifania do Senhor – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste Domingo celebramos a Epifania do Senhor, isto é, a manifestação de Deus que se revela na humanidade de Jesus Cristo. Jesus é Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem. O Evangelho de hoje descreve que uns Magos vindos do Oriente surpreendidos por um Astro Luminoso são capazes de deixar os seus projectos pessoais, as suas vidas, os seus afazeres e empreendem uma viagem rumo ao desconhecido. Uma Luz diferente entre muitas luzes no céu estrelado, mas que compreendem que Aquele Astro é diferente e ousam caminhar juntos até Belém, sem conhecer o caminho nem se deixarem condicionar pelas adversidades do tempo ou dos perigos inerentes a essa viagem. Quando chegam junto do rei Herodes a estrela deixa de brilhar, os Magos vão junto de Herodes pedir informações acerca do Menino. Logo que saem da presença de Herodes, o Astro luminoso voltou a aparecer e os conduziu até ao lugar onde se encontrava a Verdadeira Luz, Jesus Cristo. O verdadeiro Astro que ilumina todos os povos da terra é Jesus Cristo.
Na nossa vida muitas vezes fazemos muitos calculismos ficamos presos nas adversidades, nos perigos e nas dificuldades e não ousamos fazer uma viagem que nos leve a um encontro pessoal com Cristo. Não temos a capacidade de ler os sinais dos tempos, não vemos que a verdadeira Luz é Cristo. Todos nós precisamos de luz, ninguém gosta de andar nas trevas, se existe uma falha de energia andamos todos à deriva. No entanto, nesta quadra natalícia não faltou a iluminação nas nossas cidades, nas nossas casas e nos estabelecimentos comerciais, todavia, essas luzes não levaram à experiência realizada pelos Magos ajoelhar e a adorar a verdadeira Luz «Jesus Cristo».
A leitura do Livro de Isaías, anuncia a Jerusalém a chegada da luz salvadora de Deus. Essa luz transfigurará o rosto da cidade, iluminará o regresso a casa dos exilados na Babilónia e atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.
A leitura da Epistola do Apóstolo São Paulo aos Efésios, apresenta o projeto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos – a comunidade de Jesus.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm uns “magos” do oriente, que representam todos os povos da terra… Atentos aos sinais da chegada do Messias, esses “magos” procuram-n’O com esperança até O encontrar, reconhecem n’Ele a “salvação de Deus” e aceitam-n’O como “o Senhor”. A salvação rejeitada pelos habitantes de Jerusalém torna-se agora um dom que Deus oferece a todos os homens, sem exceção.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos Judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho. Palavra da Salvação

“Como é desumana a guerra, que despedaça o coração das mães!”
Francisco propôs à reflexão aquilo que os pastores viram em Belém, ou seja, o Menino Jesus, e o que eles não viram, ou seja, o coração de Maria, que guardava e meditava todos esses fatos (cf. v. 19). Em primeiro lugar, o Menino Jesus: esse nome hebraico significa “Deus salva”, e é exatamente isso que fará. De fato, o Senhor veio ao mundo para nos dar sua própria vida. “Pensemos nisto: todos os homens são filhos, mas nenhum de nós escolheu nascer. Deus, ao invés, escolheu nascer por nós: Jesus é a revelação de seu amor eterno e infinito, que traz paz ao mundo.”
Ao Messias recém-nascido, que manifesta a misericórdia do Pai, corresponde o coração de Maria, onde bate a esperança de redenção para toda criatura. “As mães sempre têm seus filhos no coração. Hoje, neste primeiro dia do ano, dedicado à paz, pensemos em todas as mães que se alegram em seus corações, e em todas as mães cujos corações estão repletos de dor, porque seus filhos foram levados pela violência, pela soberba, pelo ódio. Como é bela a paz, que alegra a vida dos povos! Como é desumana a guerra, que despedaça o coração das mães!”
Como de costume, o Papa encerrou convidando os fiéis a se questionarem: eu sei permanecer em silêncio para contemplar o nascimento de Jesus? E procuro guardar em meu coração este Acontecimento, sua mensagem de bondade e salvação? E como posso retribuir um presente tão grande com um gesto gratuito de paz, perdão e reconciliação? “Que Maria, a Santa Mãe de Deus, nos ensine a manter a alegria do Evangelho em nossos corações e a testemunhá-la no mundo.”

Sem perdão não há justiça. Em 2025, superar a “crise da dívida” para alcançar a paz
Escutar o grito da humanidade
Francisco cita algumas das injustiças: desigualdades de todos os tipos, tratamento desumano dispensado aos migrantes, degradação ambiental, confusão gerada intencionalmente pela desinformação, rejeição a qualquer tipo de diálogo e o financiamento ostensivo da indústria militar. “Todos estes são fatores de uma ameaça real à existência de toda a humanidade. No início deste ano, portanto, queremos escutar este grito da humanidade para nos sentirmos chamados, todos nós, juntos e de modo pessoal, a quebrar as correntes da injustiça para proclamar a justiça de Deus”, escreve o Santo Padre. Atos esporádicos de filantropia não serão suficientes, acrescenta, mas são necessárias transformações culturais e estruturais. Quando não há gratidão, o homem deixa de reconhecer os dons de Deus e começa a nutrir um pensamento de que as relações com os outros podem ser regidas por uma lógica de exploração, em que o mais forte pretende ter o direito de prevalecer sobre o mais fraco. Isso vale seja para as relações interpessoais, seja entre comunidades e nações.
Três propostas
O Papa denuncia o modo de agir de alguns governos e instituições financeiras privadas dos países mais ricos, que não hesitam em explorar os recursos humanos e naturais dos países mais pobres. Deste modo, a dívida ecológica e a dívida externa se transformam em dois lados da mesma moeda. A este fenômeno interligado, o Papa dá o nome de “crise da dívida”, que aflige vários países, especialmente no Sul do planeta. “Inspirando-me neste ano jubilar, convido a comunidade internacional para que atue no sentido de perdoar a dívida externa, reconhecendo a existência de uma dívida ecológica entre o Norte e o Sul do mundo. É um apelo à solidariedade, mas sobretudo à justiça.” Assim, o perdão da dívida externa é a primeira das três ações concretas que o Pontífice propõe à comunidade internacional para este ano de 2025. Para que não se trate de um ato isolado de beneficência, seria necessário, ao mesmo tempo, desenvolver uma nova arquitetura financeira que conduza à criação de um acordo financeiro global, baseado na solidariedade e na harmonia entre os povos. A segunda ação é voltada à defesa da vida humana, desde a concepção até à morte natural: “Gostaria de convidar, uma vez mais, para um gesto concreto que possa favorecer a cultura da vida. Refiro-me à eliminação da pena de morte em todas as nações. Em realidade, esta punição, além de comprometer a inviolabilidade da vida, aniquila toda a esperança humana de perdão e de renovação”.
O terceiro gesto é uma proposta já feita por São Paulo VI e Bento XVI: utilizar uma percentagem fixa do dinheiro gasto em armamento para a criação de um fundo mundial para acabar definitivamente a fome e facilitar a realização de atividades educativas nos países mais pobres. Essas atividades promoveriam o desenvolvimento sustentável, lutando contra as alterações climáticas. “Devemos tentar eliminar qualquer pretexto que possa levar os jovens a imaginar o seu futuro sem esperança, ou como uma expectativa de vingar o sangue derramado por seus entes queridos. O futuro é um dom que permite ultrapassar os erros do passado e construir novos caminhos de paz”,


“Crês isto?” (Jo 11,26).
Jesus está chegando a Betânia, onde Lázaro se encontra morto há quatro dias. Ao saber da notícia, Marta corre esperançosa ao Seu encontro. Jesus amava Marta, Maria e Lázaro, como salienta o Evangelho1. Mesmo na dor, Marta manifesta ao Senhor a sua confiança Nele. Tinha a certeza de que, se Ele tivesse estado presente antes da morte do irmão, Lázaro ainda estaria vivo. Mas também confia que, mesmo agora, Deus atenderá qualquer pedido que Ele fizer. “Teu irmão vai ressuscitar” (Jo 11,23), afirma então Jesus.
“Crês isto?”
Jesus esclarece que está falando do retorno de Lázaro à vida física, aqui e agora, e não apenas da vida após a morte, destino de todo aquele que crê. Depois, pede que Marta afirme sua adesão à fé, não só para que Ele realize um dos seus milagres – que o evangelista João define “sinais” –, mas para dar uma vida nova e a ressurreição tanto a ela, como a todos os que acreditam. “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11,25), afirma Jesus. E a fé que lhe pede é uma relação pessoal com Ele, uma adesão ativa e dinâmica. Crer não é como aceitar um contrato que se assina uma vez e depois não se olha mais, mas é um fato que transforma e permeia a vida de cada dia. Silvano Malini