Tema: “Sois o meu refúgio, Senhor; dai-me a alegria da vossa salvação.“
1ª Leitura: Lev 13,1-2.44-46
2ª Leitura: 1 Cor 10,31-11,1
Evangelho: Mc 1,40-45
Entre as doenças, a lepra ocupava um lugar especial porque excluía a pessoa da comunidade, não apenas por motivo de contágio, mas como uma verdadeira excomunhão. Tratava-se duma «impureza» irremediável. O leproso, na proximidade de alguém, devia gritar: «Impuro, impuro!», mantendo-se à distância. Nem pensar em entrar numa sinagoga ao sábado e, muito menos, em ir ao templo de Jerusalém…
É fundamental ler pausadamente o texto que o evangelista Marcos nos apresenta pois, mais do que contar como se deu uma cura, ele pretende fazer catequese acerca de Jesus.
O leproso quebra a lei, aproximando-se de Jesus que, por sua vez, não se afasta. O que o leproso pede vai muito além duma cura que, por si, já era considerada impossível, apenas reservada a Deus (2Rs 5,7). Ele quer ser «purificado», isto é, reintegrado na comunidade, voltar à sua dignidade de membro do Povo de Deus.
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| “Jesus cura um leproso” de William Hole |
A primeira atitude de Jesus é descrita com um verbo: «compadecendo-se…», que significa «ter vísceras de compaixão, experimentar comoção visceral, misericórdia e ternura»; é o apertar do coração perante qualquer miséria humana. É assim que Jesus age.
A presença do antigo leproso junto dos sacerdotes deve servir também de testemunho para eles. Uma cura daquelas só podia ser realizada por ação de Deus. Por isso, a cura do leproso era um sinal evidente de que o Reino estava já presente no meio deles: O facto devia servir aos líderes do Povo para concluírem que o Messias tinha chegado e que o “Reino de Deus” estava já presente no meio do mundo. Os novos tempos – o tempo do Messias – tinham chegado.
A ordem de não divulgar o acontecimento, que não é cumprida, insere-se no «segredo messiânico». Uma vez mais, Jesus não quer ser apenas um Messias corporal, um curandeiro extraordinário. Por isso, a ordem: «Não digas nada a ninguém».
Os papéis invertem-se. Antes, era o leproso que vivia afastado de tudo e de todos. Agora é Jesus que já não pode entrar numa cidade. Está fora, em lugares desertos, onde todos o vêm procurar, conscientes do seu acolhimento.
Fonte: Boa Nova – Diocese de Aveiro (adaptação)


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