1ª Leitura: Gen 22, 1-2.9a.10-13.15-18;
Nos anúncios da paixão o tema do sofrimento e da morte prevalece mas não está só; todo o anúncio termina com o aceno à ressurreição. A transfiguração aparece colocada pouco depois do primeiro anúncio e é seguida quase imediatamente do segundo. Nela o tema da glória prevalece; mas também está aqui presente o tema da dor.
E apareceu-lhes Elias com Moisés – A presença dos dois personagens, entre os máximos do Antigo Testamento, no momento em que o Pai está para revelar quem é Jesus aos discípulos, não é explicada, mas só indicada. A função de Moisés e Elias parece a de quem presta homenagem a Jesus e dá testemunho da voz do céu. O Antigo Testamento (Elias representaria os profetas; Moisés a Lei) insere-se assim na vida de Jesus.
Escutai-O! – A frase tem uma grande extensão. Todas as palavras de Jesus são autenticadas, aprovadas e defendidas por Deus.
![]() |
| “Transfiguração de Cristo” (1487) de Giovanni Bellini Pintura exposta no Museu e Galeria Nacional de Capodimonte, Nápoles |
O que por agora domina aqui sobre o monte, diante dos olhos estupefactos de Pedro, Tiago e João é sobretudo a glória. Por um breve momento, Jesus oferece aos seus discípulos mais caros uma iluminação sobre o seu futuro e o deles, um presságio do além. O seu desembocar natural, inevitável, será a glória; a qual então manifesta o secreto valor do presente sofrimento: «Porque quem quiser salvar a própria vida, há de perdê-la; mas, quem perder a própria vida por minha causa, salvá-la-á».
Aquele Jesus que se apressa para a condenação por parte dos chefes de Israel é exatamente o Filho predileto de Deus. Precisamente ele, não já Moisés ou Elias, é o mestre que agora Deus apresenta ao mundo. E é a nação eleita, que tinha escutado Moisés e Elias, que devia cumprir o mais trágico erro judicial.
Fonte: Boa Nova – Diocese de Aveiro (adaptação)


Deixe um comentário