XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
O Evangelho deste domingo põe em evidência a importância da fé. Nos versículos anteriores Jesus estava a explicar aos discípulos o sentido do perdão e do amor concreto ao irmão: «se o teu irmão te ofender, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se te ofender sete vezes ao dia e te vier a pedir perdão, perdoa-lhe». É diante deste contexto que os discípulos mostram a sua fragilidade e pequenez ao ponto de pedirem a Jesus: «Senhor, aumenta a nossa fé». Diante, deste pedido Jesus reforça a ideia que basta ter fé semelhante ao grão de mostarda, que sendo uma semente pequena depois torna-se uma grande árvore frondosa. Por último, Jesus reforça que cada um deve estar disponível para o serviço, mas um serviço livre e generoso não como sendo uma obrigação ou imposição, mas como o Senhor Jesus que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida. Por isso, é que Jesus reforça a ideia que depois de termos feito tudo não nos devemos julgar importantes nem superiores aos outros, mas ter consciência que somos servos e que cada um deve fazer aquilo que o Senhor lhe pede.
Tenho consciência de que tenho uma missão a cumprir neste mundo? Já questionei o que é que Deus quer de mim? O que me pede para exercer na minha comunidade concreta, como leitor, como catequista, como coralista, ou como zelador, ou outros serviço que seja capaz de exercer?
A leitura da Profecia de Habacuc, o profeta Habacuc interpela Deus, convoca-o para intervir no mundo e para pôr fim à violência, à injustiça, ao pecado… Deus, em resposta, confirma a sua intenção de actuar no mundo, no sentido de destruir a morte e a opressão; mas dá a entender que só o fará quando for o momento oportuno, de acordo com o seu projecto; ao homem, resta confiar e esperar pacientemente o “tempo de Deus”.
A leitura da Epistola de São Paulo a Timóteo, desafia os discípulos a renovar cada dia o seu compromisso com Jesus Cristo e com o “Reino”. De forma especial, o autor exorta os animadores cristãos a que conduzam com fortaleza, com equilíbrio e com amor as comunidades que lhes foram confiadas e a que defendam sempre a verdade do Evangelho.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, lança o convite aos discípulos a aderir, com coragem e radicalidade, a esse projecto de vida que, em Jesus, Deus veio oferecer ao homem… A essa adesão chama-se “fé”; e dela depende a instauração do “Reino” no mundo. Os discípulos, comprometidos com a construção do “Reino” devem, no entanto, ter consciência de que não agem por si próprios; eles são, apenas, instrumentos através dos quais Deus realiza a salvação. Resta-lhes cumprir o seu papel com humildade e gratuidade, como “servos que apenas fizeram o que deviam fazer”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas
Naquele tempo, os apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu’?. Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’. Palavra da Salvação

Palavra de Vida (outubro 2025)
«O meu auxílio vem do Senhor, que fez o Céu e a Terra». (Sal 121[120],2)
Quem de nós, nesta vida, não teve por vezes a sensação de já não conseguir mais? Foi também a experiência do autor do salmo 121 que, perante circunstâncias difíceis, se questionou de onde lhe podia vir o auxílio de que necessitava. A resposta é a afirmação da sua fé em Deus, em Quem confia. A convicção com que fala do Senhor, que cuida e protege cada um e todo o povo, exprime uma certeza que parece nascer de uma profunda experiência pessoal.
«O meu auxílio vem do Senhor, que fez o Céu e a Terra»
O resto do salmo, de facto, é o anúncio de um Deus poderoso e amoroso que criou tudo quanto existe e o protege dia e noite. O Senhor “não vai permitir que o teu pé tropece; aquele que te guarda não se deixa adormecer” [1], afirma o salmista, desejoso de persuadir quem o lê. Rodeado pelas dificuldades, o autor levantou os olhos [2], procurou um apoio fora de si mesmo, para além do seu horizonte mais imediato, e encontrou uma resposta. Experimentou que o auxílio vem d’Aquele que pensou e deu vida a cada criatura, que a continua a sustentar, em cada momento, e nunca a abandona [3]. Acredita nesse Deus que vela noite e dia sobre todo o seu povo – é “Aquele que guarda Israel” [4] – a tal ponto que sente a necessidade de o comunicar a todos. Texto extraído dos escritos de Chiara Lubich:


Leão XIV: Terço pela paz na Praça São Pedro, em 11 de outubro
Antes da saudação aos fiéis de língua italiana, no final da Audiência Geral desta quarta-feira (24/09), Leão XIV recordou que “o mês de outubro, que se aproxima, é particularmente dedicado ao Santo Rosário na Igreja”. “Por isso, convido todos, todos os dias do próximo mês, a rezar o Rosário pela paz, pessoalmente, em família e em comunidade. Além disso, convido aqueles que trabalham no Vaticano a rezarem esta oração na Basílica de São Pedro todos os dias, às 19h.” Sábado 11 de outubro, é o dia em que a Igreja recorda São João XXIII, o Papa da Encíclica Pacem in Terris e da mensagem de rádio implorando aos líderes dos EUA e da URSS para “salvar a paz” no auge da Crise dos Mísseis de Cuba. É também o mesmo dia da abertura do Concílio Vaticano II, em 11 de outubro de 1962, com o famoso “discurso à lua”, do Papa Roncalli, ao final de um “grande dia de paz”. “Em particular, na noite de sábado, 11 de outubro, às 18h, rezaremos juntos aqui na Praça São Pedro, na vigília do Jubileu da Espiritualidade Mariana, comemorando também o aniversário da abertura do Concílio Vaticano II.”
Leão XIV: entristecido com os confrontos em Madagascar
O Papa Leão XIV expressou sua “tristeza” com as notícias vindas de Madagáscar, país da África Oriental abalado há dias pela violência após manifestações lideradas por grupos de jovens contra os cortes de água e eletricidade. Em seu apelo ao final da Audiência Geral, desta quarta-feira (1°/10), na Praça São Pedro, o Pontífice falou de “confrontos violentos” entre as forças de segurança e os manifestantes, “que resultaram na morte de alguns deles e deixaram cem feridos”. De acordo com os últimos dados divulgados pela ONU, 22 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas. “Rezemos ao Senhor para que todas as formas de violência sejam sempre evitadas e que a busca constante da harmonia social seja favorecida através da promoção da justiça e do bem comum.”
As manifestações
Inspiradas pelos protestos da “Geração Z” no Quênia e no Nepal, as manifestações em Madagáscar, as maiores que o país já viu, surgiram do desespero econômico e social de milhões de malgaxes. Serviços básicos precários, infraestrutura em colapso, apagões constantes e corrupção no alto escalão do governo estão, em parte, na raiz desse descontentamento. Os grupos de jovens, utilizando as mídias sociais, iniciaram uma mobilização que culminou nos protestos que levaram o presidente Andry Rajoelina, que chegou ao poder pela primeira vez por meio de um golpe em 2009, a destituir seu governo em 29 de setembro.
Outras cidades envolvidas nos protestos
De acordo com as Nações Unidas, as vítimas incluíam não apenas manifestantes, mas também passantes que morreram em confrontos com as forças de segurança, que dispararam gás lacrimogêneo, e outras pessoas mortas em atos de violência sucessivas, perpetrados por gangues criminosos. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores de Madagáscar rejeitou o número de mortos, considerando-o baseado em “rumores ou desinformação”. Enquanto isso, um novo chamado à mobilização nacional foi lançado para esta quarta-feira, instando os funcionários públicos a aderirem a uma greve geral. Uma nova manifestação foi convocada no bairro de Ambohijatovo, na capital, Antananarivo, um centro simbólico da vida política malgaxe, onde os manifestantes conseguiram acesso na última terça-feira. Os protestos se espalharam posteriormente para outras cidades, incluindo Diego Suarez, no norte da ilha.


O Papa: “Sejam instrumentos de reconciliação no mundo”
“O centro da nossa fé e o coração da nossa esperança estão profundamente enraizados na ressurreição de Cristo.” Com estas palavras o Papa Leão XVI iniciou sua catequese na Audiência Geral, desta quarta-feira (1°/10), realizada na Praça São Pedro. De acordo com o Papa, “a ressurreição de Jesus não é um triunfo retumbante, nem é uma vingança ou uma desforra contra os seus inimigos. É um testemunho maravilhoso de como o amor é capaz de ressurgir após uma grande derrota para continuar a sua viagem imparável“. “Quando recuperamos de um trauma causado por outros, a nossa primeira reação é, normalmente, a raiva, o desejo de fazer alguém pagar pelo que sofremos. O Ressuscitado não reage assim. Tendo emergido das profundezas da morte, Jesus não se vinga. Não retribui com gestos de poder, mas com mansidão manifesta a alegria de um amor maior do que qualquer ferida e mais forte do que qualquer traição.”
Jesus leva o dom da paz
Leão XIV frisou que “o Ressuscitado não sente necessidade de reiterar ou afirmar a sua superioridade. Ele aparece aos seus amigos — os discípulos — e o faz com extrema discrição, sem forçar a sua capacidade de o acolher. O seu único desejo é regressar à comunhão com eles, ajudando-os a superar o sentimento de culpa. Vemos isso muito claramente no Cenáculo, onde o Senhor aparece aos seus amigos aprisionados pelo medo”. “É um momento que expressa uma força extraordinária: Jesus, depois de descer às profundezas da morte para libertar os que ali estavam presos, entra no quarto fechado dos paralisados pelo medo, levando um dom que ninguém ousaria esperar: a paz.”
Serem instrumentos de reconciliação no mundo
“A sua saudação é simples, quase comum: «A paz esteja com vocês!»“, disse ainda o Papa, e “Jesus mostra aos discípulos as mãos e o lado, marcados pelas marcas da sua paixão”, ou seja, “as feridas” que “não servem para repreender, mas para confirmar um amor mais forte do que qualquer infidelidade. São a prova de que no momento do nosso fracasso, Deus não recuou. Ele não desistiu de nós”. “O Senhor mostra-se nu e desarmado. Não exige, não chantageia. O seu é um amor que não humilha; é a paz de quem sofreu por amor e agora pode finalmente dizer que valeu a pena”. “No entanto, muitas vezes mascaramos as nossas feridas por orgulho ou medo de parecermos fracos. Dizemos: “Não faz mal”, “já passou”, mas não estamos verdadeiramente em paz com as traições que nos feriram. Por vezes, preferimos esconder a nossa luta para perdoar para não parecermos vulneráveis e corrermos o risco de sofrer ainda mais. Jesus não faz isso. Ele oferece as suas chagas como garantia de perdão. E mostra que a Ressurreição não é o apagamento do passado, mas a sua transfiguração em esperança de misericórdia.” «Tal como o Pai me enviou, também Eu vos envio». “Com estas palavras”, Jesus “confia aos apóstolos uma tarefa que não é tanto um poder, mas uma responsabilidade: serem instrumentos de reconciliação no mundo“.

















