2. “VIU…E COMPADECEU-SE”.
“Ao sair do barco, [Jesus] viu uma numerosa multidão e compadeceu-se profundamente deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor, e começou a ensinar-lhes muitas coisas.” Mc 6, 34
ANO #01 | 2024/25
A Diocese de Aveiro iniciou as Assembleias Arciprestais para refletir, em modo e processo sinodal, as novas formas de presença no Território. Percorreram-se os nove arciprestados – Anadia, Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja-Murtosa, Ílhavo, Oliveira do Bairro, Sever do Vouga e Vagos, iniciando este caminho a 11 de fevereiro e terminando a 24 de março.
Estas assembleias envolveram cerca de 564 pessoas (70 - Anadia; 67 - Águeda; 56 – Albergaria-a-Velha; 99 - Aveiro; 35 - Estarreja/Murtosa; 53 - Ílhavo; 49 - Oliveira do Bairro; 55 - Sever do Vouga; 80 - Vagos), das quais 475 leigos, 62 sacerdotes, 23 diáconos e 4 religiosas.
No decorrer desta missão diocesana, com o objetivo de promover e animar processos de corresponsabilidade e ministerialidade para uma identidade cristã numa Igreja sinodal, iniciou-se o processo de discernimento/reflexão para organizar e implementar novas formas de presença da Igreja no território diocesano. Uma missão que ainda não está concluída e que levará tempo para ser aprofundada.
A realidade da nossa Diocese é marcada, em primeiro lugar, pelas pessoas que a constituem. Num universo de cerca de 310 mil habitantes, contamos com (aproximadamente) 3850 agentes de pastoral leigos para a totalidade das 101 paróquias. Os diáconos permanentes são 35, sendo que 15 têm mais de 75 anos. Nos últimos 25 anos foram ordenados 27 novos diáconos e, no mesmo período, faleceram 12.
Quanto aos presbíteros (padres), a Diocese conta atualmente com 83 padres, sendo que 31 têm mais de 75 anos de idade; e destes 31, 8 têm mais de 90 anos. Quantos aos restantes, entre 25 e 40 anos são 9 padres, entre os 41 e os 60 anos são 27, e entre os 61 e os 75 anos são 16. Em termos de ordenações, nos últimos 25 anos, foram ordenados na nossa Diocese 20 padres e faleceram 64.
ANO #02 | 2025/26
Iniciámos o segundo ano em outubro de 2025, com umas Jornadas Pastorais no Seminário de Aveiro, onde cada paróquia se fez representar por duas pessoas. Neste encontro foi apresentada a Carta Pastoral de D. António Moiteiro “As comunidades ao serviço da evangelização” e o “Guião” estruturado em quatro encontros para reflexão paroquial.
Destes encontros paroquiais, realizados entre outubro e março, nas 101 paróquias, recebemos resposta de 83 paróquias relativamente ao primeiro encontro; de 80, no segundo encontro; de 70, no terceiro encontro; e 68, no quarto encontro.
O presente “Documento de estudo e reflexão sobre as Comunidades Pastorais” foi alvo de revisão após análise aos contributos recebidos das paróquias e apresentação e reflexão nas instâncias diocesanas e arciprestais.
Posteriormente, foi apresentado e discutido em Assembleias Arciprestais durante os meses de abril e maio de 2026, nos pontos: Definição, natureza e finalidades de uma Comunidade Pastoral, Participação pluriministerial e Órgãos de participação da Comunidade Pastoral. Nestas assembleias, com a participação de 605 pessoas, foram recolhidos novos contributos e debatidas as propostas de Comunidades Pastorais, que se incluem neste documento.
No mês de maio de 2026, o Conselho Presbiteral Diocesano, reuniu-se no Seminário maior de Coimbra, para analisar o “Documento de estudo e reflexão sobre as comunidades pastorais”, após a receção dos contributos das Assembleias Arciprestais.
Em junho de 2026, realizou-se novo Conselho Diocesano de Pastoral, no qual os conselheiros estudaram o mesmo documento, e deram nota das suas preocupações, sugestões e esperanças em relação ao processo vivido.
Por fim, na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Assembleia do Clero aprofundou o documento, já com as sugestões anteriormente feitas.
2.1. O olhar dos Arciprestados sobre o sonho das “Comunidades Pastorais”
Nas assembleias arciprestais constatou-se que este sonho de pensar uma nova forma de presença da Igreja no território da Diocese de Aveiro, é um desafio para todos os batizados, “pois todos somos responsáveis; todos somos chamados à missão de servir as nossas comunidades. Ninguém pode demitir-se…”. “Só o facto de não haver padres não é razão para haver Comunidades Pastorais”. A “comunidade deve aceitar e perceber a mudança”.
“As Comunidades Pastorais têm de ser antes de mais uma comunidade fraterna, coesa, congregadora”. “É importante que nasça no coração de cada um a vontade de ser comunidade…”.
As Comunidades Pastorais devem ser “espaços de construção de uma Igreja viva e atuante”. Sendo a Comunidade Pastoral constituída por pessoas num determinado território, “é preciso ir ao encontro, sermos uma Igreja em saída, incluir todos, não centralizar... haver abertura e humildade… mergulhar na simplicidade e no testemunho de ser cristão”.
2.2. O estilo de Igreja que desejam as Assembleias Arciprestais
Da leitura do contributo dos trabalhos de grupo nas Assembleias Arciprestais, consegue perceber-se que há um estilo de Igreja que se anseia construir e testemunhar: uma Igreja centrada em Jesus Cristo, reunida e alimentada na Eucaristia, fonte, caminho e cume da vida cristã; uma Igreja “mais aberta, alegre e próxima”, ousada e capaz de criar comunidades que fomentem a “escuta, o diálogo, o silêncio”, em ordem ao discernimento e à tomada de decisões.
Uma Igreja de “todos e para todos”, capaz de “diversificar ministérios”, para uma maior partilha de responsabilidades.
Apela-se a uma “convergência em torno do sonho diocesano centrado em "Cristo ressuscitado", "comunhão" e formação de "discípulos missionários”.
2.3. Necessidades pastorais identificadas
Foram identificadas várias necessidades, normalmente através da formulação de desejos:
“Fazer uma ligação da fé com a vida das pessoas, tendo Jesus Cristo no Centro.”
“Os leigos não podem dar o que não têm”; tão importante como a organização territorial é a formação. “Necessidade de conhecimento e formação, para podermos mudar e fazer parte da mudança. Cultivar o sentido de pertença a Cristo.”
Criar um “Centro de Formação para a Comunidade Pastoral, formando e capacitando leigos, e libertando o padre para a verdadeira missão de pastor”.
Sente-se a falta de jovens, e aponta-se como prioridade: “o envolvimento dos jovens é crucial e deve ser desenvolvido”.
O reconhecimento da necessidade do discernimento, para a elaboração dos projetos pastorais e dos processos de decisão.
2.4. Ações pastorais a desenvolver
“As Comunidades Pastorais devem ter como base a Evangelização”. As iniciativas a promover devem “dar a conhecer Jesus”. As ações pastorais a desenvolver devem privilegiar o acolhimento, renovando estruturas, de modo “a não serem sempre as mesmas pessoas”, permitindo “que pessoas diferentes fiquem motivadas a intervir e a sentir-se responsabilizadas”. Deve promover-se o sentido de pertença à comunidade.
A dinâmica deve ser “diferente daquela a que estamos habituados”, promovendo a escuta, o caminho sinodal. Pensar em conjunto, e “ser peregrino de esperança, liderando pelo exemplo”.
“As ações pastorais devem partir da construção de um projeto comum. Plano anual de atividades com todos.”
2.5. Órgãos de comunhão e missão a implementar
Os órgãos de comunhão e missão devem privilegiar a evangelização e promover a renovação da Igreja. Devem ser liderados por “alguém que oriente com espírito de missão e coração aberto”. Devem estar “atentos às necessidades da comunidade” e das pessoas que a constituem; notar a presença numerosa (em alguns casos) de pessoas de cultura diferente da europeia.
Deve haver “órgãos de coordenação pastoral… para os quais serão nomeados representantes de cada paróquia, com a responsabilidade de coordenar a ação que a Comunidade pretender empreender”. “Deve fazer-se a coordenação em função da missão.”
“Os órgãos a implementar nas Comunidades Pastorais devem ser aqueles que normalmente temos nas paróquias”, tendo em atenção outros desafios, como a “equipa de Comunicação que consiga, em tempo útil, fazer a disseminação das informações e decisões tomadas”. “Atribuir a leigos, tarefas administrativas de organização da Comunidade Pastoral, de forma a libertar os sacerdotes para a evangelização”.