1. INTRODUÇÃO
AA missão da Igreja é realizar a missão de Jesus. A doce e reconfortante alegria de evangelizar (Papa Paulo VI) não é senão a alegria de receber e comunicar o Evangelho. A tarefa de evangelizar constitui a missão essencial da Igreja: ela existe para evangelizar. Num tempo que é novo, marcado por uma cultura diferente, plural, multifacetado e pluricultural, só mudando e adequando os modelos organizativos e os processos de ação pastoral, podemos transmitir o que não muda: a Alegria do Evangelho.
“A esperança cristã é a âncora que nos ajuda a ter a certeza de que o trabalho sinodal sobre as Comunidades Pastorais que estamos a realizar na nossa Diocese tem de ser fruto de um discernimento no Espírito, para encontrarmos caminhos que nos ajudem a realizar a missão da Igreja, que é essencialmente anunciar o Evangelho de Jesus.” Estas palavras, proferidas pelo senhor Bispo na homilia da missa Crismal de 2025, recordam-nos que é tempo de repensar e reformar as nossas comunidades, as quais requerem um modelo de pastoral mais centrado na missão.
O caminho sinodal, iniciado com o saudoso Papa Francisco, foi marcado por várias etapas, mas não terminou com o fim da Assembleia do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2024. Inclui a fase de implementação, com a certeza de que a sinodalidade nos conduz à própria essência da Igreja. Depois de termos celebrado um Sínodo sobre a Sinodalidade, é preciso passarmos à edificação de uma Igreja Sinodal.
É o que estamos a realizar através da definição, estruturação e implementação das “Comunidades Pastorais”. É um tempo exigente, difícil, mas toda a renovação autêntica exige coragem, dinamismo e conversão interior de pessoas e estruturas. É um caminho, é um processo, com metas definidas e claras para todos, mas que serão alcançadas no ritmo próprio de cada comunidade, de cada paróquia, de cada equipa pastoral.
Este é o documento orientador para a criação das Comunidades Pastorais, que está estruturado segundo o modelo pastoral do Ver-Julgar-Agir. É o caminho natural dos processos pastorais, enraizado no agir do Senhor Jesus, que viu e compadeceu-se da multidão (Mc 6, 34), que olhando para aqueles que o seguem e lhe perguntam “onde mora”, interpela com ousadia: “vinde e vereis” (Jo 1, 39). E, quando a vida se complica pela ousadia de “atravessar” para a outra margem, não abandona os seus, enfrenta as tempestades, mas não deixa de interpelar: onde está a vossa fé? (Lc 8, 25)
Na hora de acolhermos as decisões da Assembleia Sinodal de 2024, cujo “Documento Final participa no Magistério Ordinário do Sucessor de Pedro”, é imperativo compreender que, no coração deste caminho sinodal, “há um apelo à alegria e à renovação da Igreja no seguimento do Senhor, no empenho ao serviço da sua missão, na procura dos modos para lhe ser fiéis.”[1]
[1] DF 3