Novos Ventos – 04 de Maio

III Domingo da Páscoa – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste III Domingo de Páscoa o evangelista São João salienta a dificuldade que os discípulos tiveram em reconhecer o Senhor Ressuscitado. O Evangelho de hoje põe em evidência três pontos que nos permite fazer uma breve reflexão: o primeiro ponto consiste em retomar as funções anteriores, isto é, talvez desacreditados na fé em Jesus Cristo voltam a retomar a atividade profissional «pois eram pescadores», contudo, depois de uma noite de insucessos porque não tinham pescado nada, Jesus apresenta-se na margem e questiona se eles tinham alguma coisa para comer. Diante de tal frustração o Mestre desafia-os a lançar as redes para o lado direito do barco; ora esse «Lado Direito», podemos deduzir que é o «Lado Aberto» perfurado pela lança do soldado e de lá surge abundância dos Sacramentos. Outra curiosidade mesmo diante de todas estas manifestações Pedro ainda não é capaz de O reconhecer é necessário outros dizerem a Pedro que é o Senhor. A partir desse momento vemos Pedro que muda de atitude e lança-se de novo numa plena confiança. Outro aspecto que vale a pena evidenciar é depois esta tríplice confissão de Pedro ao afirmar que ama o Senhor. No entanto, a resposta de Pedro vai sendo gradual ao ponto de dizer: «Senhor, Tu sabes tudo bem sabes que eu Te Amo». Será que o meu amor por Jesus é incondicional, ou apenas recorro a Ele nos momentos de prova e aflições?

A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, mostra-nos como a comunidade cristã de Jerusalém testemunha a vida nova que brota de Jesus ressuscitado. Embora as autoridades judaicas tentem calá-los, os apóstolos estão decididos a oferecer a todos os habitantes de Jerusalém a “boa notícia” de Jesus. A verdade, a vitória definitiva de Deus sobre a morte e o pecado, têm de ser anunciados de cima dos telhados, a fim de que o mundo encontre nesse “evangelho” uma nova esperança.

A leitura do Livro do Apocalipse, Jesus, o “Cordeiro” imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva, é aclamado pelos anjos, pelo povo de Deus, pela humanidade inteira, por todos os seres criados. Agora poderá concretizar-se o projeto de Deus de oferecer a sua salvação a todas as criaturas “que há no céu, na terra, debaixo da terra, no mar” e no universo inteiro. Somos convidados a associar-nos, também nós, a este cântico jubiloso.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, oferece-nos uma parábola sobre a maneira de os discípulos de Jesus concretizarem a missão que lhes foi confiada. Chamados a libertar os seus irmãos do mar de sofrimento em que vivem mergulhados, os discípulos têm de contar com Jesus e de seguir as orientações de Jesus. Se ignorarem Jesus, cairão num ativismo estéril, sem sentido e sem objetivo; se agirem de acordo com as orientações de Jesus, serão verdadeiramente arautos da salvação de Deus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele.  Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. O discípulo predileto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo».  Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me». Palavra da Salvação


Palavra de vida (Maio 2025)

«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo». (Jo 21,17)

O último capítulo do Evangelho de João leva-nos até à Galileia, ao lago de Tiberíades. Pedro, João e outros discípulos, depois da morte de Jesus, voltaram ao trabalho de pescadores, mas aquela noite tinha sido particularmente infrutífera. O Ressuscitado manifesta-se ali, pela terceira vez. Exorta-os a lançar novamente as redes e, desta vez, apanham muitos peixes. Depois, na margem, convida-os a partilhar o alimento. Pedro e os outros tinham-No reconhecido, mas não ousavam dirigir-Lhe a palavra. Jesus toma a iniciativa e dirige-se a Pedro com uma pergunta muito exigente: “Simão, filho de Jonas, tu amas-me mais do que estes?” O momento é solene: por três vezes Jesus renova o chamamento


Conclave para eleger o novo Papa começa em 7 de maio

Na próxima quarta-feira, 7 de maio é o dia de início do Conclave. A data foi definida na manhã desta segunda-feira (28/04) pelos cerca de 180 cardeais presentes (pouco mais de 100 eleitores) reunidos na quinta Congregação Geral no Vaticano. “Extra omnes”, portanto. “Fora todos” aqueles que não são admitidos na reunião dos cardeais convocados para eleger o próximo Pontífice da Igreja universal. Os purpurados eleitores, com menos de 80 anos de idade, ficarão isolados do resto do mundo dentro da Capela Sistina até a fumaça branca e o “Habemus Papam”, a outra famosa fórmula latina pronunciada da Loggia delle Benedizioni pelo cardeal protodiácono para anunciar ao mundo a escolha do novo Papa. Não há previsão de conclusão, naturalmente, e entre os próprios cardeais eleitores há aqueles que esperam um Conclave curto, considerando também o Jubileu em andamento, e aqueles que, ao contrário, preveem tempos mais longos para permitir que os cardeais “se conheçam melhor”, tendo Francisco, em seus 10 Consistórios, agregado ao Colégio Cardinalício purpurados de todos os cantos do globo.

As normas da Universi Dominici Gregis

O cronograma para o início do Conclave é estabelecido pelas normas da constituição apostólica de João Paulo II, Universi Dominici Gregis, atualizada por Bento XVI com o Motu Proprio de 11 de junho de 2007 e com a mais recente de 22 de fevereiro de 2013. De acordo com a Constituição, o Conclave – do latim cum clave, que significa fechado à chave – começa entre o 15º e o 20º dia após a morte do Papa, depois dos Novendiali, os 9 dias de celebrações em sufrágio do Pontífice falecido. Mais detalhadamente, a partir do momento em que a Sé Apostólica é legitimamente vacante, os cardeais eleitores presentes devem esperar 15 dias completos pelos ausentes, até um máximo de 20 dias, se houver motivos sérios. O Motu Proprio Normas nonnullas, além disso, dá ao Colégio de Cardeais a faculdade de antecipar o início do Conclave se todos os eleitores estiverem presentes. Cardeais das partes mais distantes do mundo ainda são esperados em Roma nestes dias. Na Cidade Eterna, eles serão hospedados na Casa Santa Marta, a Domus do Vaticano onde Francisco decidiu morar, renunciando ao apartamento papal.

A missa “pro eligendo Pontifice” e a procissão para a Sistina

Na manhã da quarta-feira, 7 de maio, todos concelebrarão a solene missa “pro eligendo Pontifice”, a celebração eucarística presidida pelo decano do Colégio Cardinalício, que convidará os irmãos a se dirigirem à Sistina à tarde com estas palavras: “toda a Igreja, unida a nós na oração, invoca constantemente a graça do Espírito Santo, para que seja eleito por nós um digno Pastor de todo o rebanho de Cristo”. Dali, então, a evocativa procissão até a Capela Sistina, dentro da qual os cardeais entoarão o hino Veni, creator Spiritus e farão o juramento. Será necessária uma maioria qualificada de dois terços para eleger o Papa. Haverá quatro votações por dia, duas pela manhã e duas à tarde, e após a 33ª ou 34ª votação, no entanto, haverá um segundo turno direto e obrigatório entre os dois cardeais que receberam mais votos na última votação. Mesmo nesse caso, no entanto, sempre será necessária uma maioria de dois terços. Os dois cardeais restantes não poderão participar ativamente da votação. Se os votos para um candidato atingirem dois terços dos eleitores, a eleição do Papa será canonicamente válida.

A eleição do novo Papa

Nesse momento, o último da ordem dos Cardeais diáconos convoca o mestre das Celebrações Litúrgicas e o secretário do Colégio Cardinalício. Ao recém-eleito será questionado: Acceptasne electionem de te canonice factam in Summum Pontificem? (Aceita a sua eleição canônica como Sumo Pontífice?) e, em caso afirmativo, será perguntado: Quo nomine vis vocari? (Como quer ser chamado?), pergunta à qual responderá com seu nome pontifício. Após a aceitação, as cédulas são queimadas, de modo que a clássica fumaça branca poderá ser vista da Praça São Pedro. No final do Conclave, o novo Pontífice se retira para a “Sala das Lágrimas”, ou seja, a sacristia da Capela Sistina, onde vestirá pela primeira vez os paramentos papais – preparados em três tamanhos – com os quais se apresentará à multidão de fiéis na Praça São Pedro.

O Conclave pede orações ao povo de Deus

A Santa Sé divulgou um comunicado, nesta quarta-feira (30/04), informando que o Colégio Cardinalício convida o povo de Deus a viver este momento eclesial como um acontecimento de graça e de discernimento espiritual.

Segue o comunicado da Santa Sé.

O Colégio Cardinalício, reunido em Roma e empenhado nas Congregações Gerais que preparam o Conclave, deseja dirigir ao Povo de Deus o convite a viver este momento eclesial como um acontecimento de graça e discernimento espiritual, na escuta da Vontade de Deus. Por isso, os Cardeais, conscientes da responsabilidade a que são chamados, reconhecem a necessidade de serem sustentados pela oração de todos os fiéis. Esta é a verdadeira força que, na Igreja, favorece a unidade de todos os membros no único Corpo de Cristo (cf. 1 Cor 12, 12). Diante da grandeza desta iminente tarefa e das urgências do tempo presente, é necessário, antes de tudo, fazermo-nos instrumentos humildes da infinita Sabedoria e Providência do Pai Celeste, na docilidade à ação do Espírito Santo. É Ele, na verdade, o protagonista da vida do Povo de Deus, Aquele a quem devemos escutar, acolhendo o que diz à Igreja (cf. Ap 3, 6). Que Nossa Senhora, com a sua intercessão maternal, acompanhe esta comum invocação.

Novos Ventos – 27 de Abril

Domingo da Divina Misericórdia – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste II Domingo de Páscoa o evangelista São João descreve a experiência dos discípulos com o Ressuscitado. Três coisas que vale a pena reforçar deste Evangelho de hoje, estando os discípulos com as portas fechadas Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco…». Jesus quer serenar os corações da humanidade, que muitas vezes perdeu o sentido de uma verdadeira paz interior. Por vezes, cada um de nós está a viver momentos de dificuldades e tribulações e falta a paz interior, a verdadeira paz só se alcança no Coração d’Aquele que nos Amou sem limites, dando a Sua vida por nós, Jesus Cristo. Outro aspecto falta Tomé na comunidade/Assembleia e quando os outros Apóstolos dizem que viram o Senhor, ele tem uma atitude de incredulidade. Na nossa vida por vezes também deixamos de estar presentes em Assembleia nos actos litúrgicos é sobretudo em comunidade que podemos tocar os sinais do Ressuscitado nos Sacramentos e em Igreja «Nós somos as Pedras vivas do Templo do Senhor». E Jesus também prometeu estar presente «Onde dois ou três estiverem reunidos no Seu nome, Ele está no meio deles». Celebrar a Páscoa requer duas atitudes «ser testemunha» e «comunicar», isto é, anunciar aos outros esta vida nova de Cristo Ressuscitado.

A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, mostra-nos como a comunidade cristã de Jerusalém vivia e testemunhava a sua fé. A união, o amor fraterno, o estilo de vida daqueles homens e mulheres, suscitavam admiração, provocavam simpatia e levavam à adesão. A vida nova recebida de Jesus aparecia especialmente em gestos concretos de cura e de cuidado com os doentes e frágeis. Dessa forma, a comunidade continuava a obra libertadora de Jesus.

A leitura do Livro do Apocalipse, João, o profeta de Patmos, apresenta aos cristãos perseguidos a visão do “filho do homem”. Trata-se de Jesus ressuscitado, o princípio e o fim de todas as coisas, aquele que derrotou a morte e tudo o que a ela está ligado. Ele está com a sua Igreja e caminha com ela pelos caminhos da história. É n’Ele que a comunidade encontra a força para caminhar e para vencer as forças que se opõem à vida nova de Deus.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, apresenta a comunidade da Nova Aliança, nascida da atividade criadora e vivificadora de Jesus. É uma comunidade que se reúne à volta de Jesus ressuscitado, que recebe d’Ele Vida, que é animada pelo Seu Espírito e que dá testemunho no mundo da Vida nova de Deus. Quem quiser “ver” e “tocar” Jesus ressuscitado, deve procurá-l’O no meio dessa comunidade que d’Ele nasceu e que d’Ele vive.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome. Palavra da Salvação


Palavra de vida (Abril 2025)

«Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes?» (Is 43,19)

Juntamente com aqueles com quem partilhamos o caminho da existência – a nossa comunidade, os amigos, os colegas de trabalho – procuremos trabalhar, confrontar-nos e não perder a confiança de que as coisas podem mudar para melhor.

2025 é um ano especial porque a data da Páscoa ortodoxa coincide com a das outras denominações cristãs. Que este acontecimento, a festa da Páscoa comum, possa ser um testemunho da vontade das Igrejas de continuar, sem parar, um diálogo que permita enfrentar juntos os desafios da humanidade e promover ações conjuntas. 

Preparemo-nos, por isso, para viver este período pascal na plenitude da alegria, da fé e da esperança. Tal como Cristo ressuscitou, também nós, depois de termos atravessado os nossos desertos, deixemo-nos acompanhar nesta viagem por Aquele que guia a história e a nossa vida. Fabio Ciardi


Exéquias do Papa Francisco: sábado na Praça São Pedro

Traslado para a Basílica de São Pedro

Na quarta-feira, 23 de abril, às 9h (horário local), o corpo do Papa Francisco será trasladado da Capela da Casa Santa Marta até a Basílica de São Pedro. A condução da urna será precedida por um momento de oração, presidido pelo cardeal Kevin Joseph Farrell, camerlengo da Santa Igreja Romana. A procissão seguirá pela Praça Santa Marta e pela Praça dos Protormártires Romanos, saindo pelo Arco dos Sinos até a Praça São Pedro, entrando em seguida na Basílica Vaticana pela porta central. Diante do Altar da Confissão, o cardeal camerlengo conduzirá a Liturgia da Palavra, após a qual será aberto o período de visitação à urna mortuária do Papa Francisco.

Exéquias e sepultamento

No sábado, 26 de abril, às 10h (horário local), será celebrada a Missa das Exéquias, que marca o primeiro dia do Novendiali (novenário), os nove dias de luto e orações em honra ao Pontífice falecido. A celebração ocorrerá no átrio da Basílica de São Pedro e será presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício. Ao final da celebração eucarística, ocorrerão os ritos da Última Commendatio e da Valedictio — despedidas solenes que marcam o encerramento das exéquias. Em seguida, o caixão do Papa será levado novamente para o interior da Basílica de São Pedro e, de lá, transferido para a Basílica de Santa Maria Maior, onde será realizada a cerimônia de sepultamento. Diversos chefes de Estado e de governo já anunciaram oficialmente sua presença para prestar homenagem ao Pontífice falecido.

Terra Santa chora Francisco: “Líder da paz”

Pizzaballa: Gaza, um dos símbolos do seu pontificado

“É um momento difícil”, explica o patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, numa mensagem de vídeo publicada no site do Patriarcado, na qual o cardeal relembra o seu primeiro encontro com o Papa Francisco, ocorrido em Buenos Aires, “exatamente vinte anos atrás”, quando Pizzaballa havia se tornado recentemente Custódio da Terra Santa. Já naquele primeiro encontro, o então cardeal Bergoglio demonstrou ser “um personagem fora dos padrões, como depois demonstrou ser, como todo o seu pontificado”. O patriarca então destaca o que estava mais próximo do coração de Francisco, com Gaza que se tornou símbolo, e depois os pobres, a guerra, a paz, “temas muito importantes para ele, aos quais eera muito próximo e pelos quais ele dedicou muito”, expressando-se fora dos protocolos “com grande clareza”, o que ele “acreditava ser não apenas o centro de seu pontificado, mas a necessidade para a vida do mundo”. Gaza “é, em certo sentido, um símbolo, um dos símbolos do seu pontificado. Os pobres, os últimos, a rejeição da guerra, a necessidade de paz, junto com outro tema típico do seu pontificado: o diálogo, o encontro entre diferentes culturas, entre diferentes religiões, cada um permanecendo o que é”. Pizzaballa convida a rezar pelo Papa, assim como pela Igreja, “na esperança de que o Senhor continue acompanhando os caminhos da Igreja, unidos no luto pela morte desta grande figura, na unidade, na esperança do Senhor ressuscitado.

Padre Patton: Ele nunca perdeu a esperança

“Quando me tornei Custódio da Terra Santa”, conta o padre Francesco Patton, “eu o encontrei pela primeira vez e, apertando minha mão, ele brincou sobre meu sobrenome, dizendo: ‘Patton? Pensei que você fosse ianque, mas é da região do Trivêneto’. Havia sempre uma piada irônica em sua fala. Ele sempre teve essa extraordinária capacidade de captar o lado humorístico das situações e, portanto, de atenuá-las. Depois, nos encontramos novamente e jantamos juntos durante sua visita a Chipre. Fiquei impressionado com sua simplicidade e sua liberdade. Juntos, gravamos um vídeo para os jovens da Terra Santa, no qual ele lhes pedia que nunca perdessem a esperança. Essa esperança que tem sido o elemento importante das muitas ações que ele realizou em favor da paz durante esses dezenove meses de guerra em Gaza.”

Novos Ventos – 20 de Abril

Domingo de Páscoa – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste Domingo celebramos o acontecimento mais importante da vida dos cristãos, a Páscoa, isto é, Ressurreição de Jesus. Antes da existência terrena de Jesus, o povo de Israel já celebrava a Páscoa Judaica como uma comemoração perpétua em sinal da libertação que Deus fizera pelo povo ao sair da casa da escravidão, isto é, da terra do Egipto. Na Páscoa cristã, Jesus vem instaurar uma nova libertação da escravidão do pecado, já não oferece o sacrifício de animais, mas é Ele próprio o Cordeiro sem mancha que nos limpa do pecado e nos reserva pela Sua Paixão, Morte e Ressurreição podermos participar de uma Vida que não tem fim. A experiência do Ressuscitado leva as primeiras testemunhas oculares a ser anunciadores desta «Boa Notícia», em primeiro lugar Maria Madalena que tinha ido ao sepulcro viu a pedra do túmulo removida e dois homens com vestes resplandecentes que lhes comunicam: «Porque procurais entre os mortos Aquele que está Vivo, não está aqui. Ressuscitou!». Com os olhos vêm os sinais a pedra removida, com o coração acolhem uma mensagem da qual serão portadoras «Jesus, está Vivo!». Diante de tal notícia os discípulos correm ao sepulcro e também eles têm a mesma atitude «ver» as ligaduras enroladas e com o coração compreendem que o Messias estava Vivo conforme lhes tinha dito antes de padecer. Mistério insondável que ultrapassa a lógica racional e humana, somente aqueles que se deixam encontrar e transformar pelo Senhor poderão entrar e entender o Absoluto através da experiência mística.

A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, Pedro, em nome da comunidade, apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, fez da sua vida um dom total a Deus e aos homens. Por isso, Deus ressuscitou-O: o caminho que Jesus percorreu e propôs conduz à Vida. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.

A leitura da Epístola de São Paulo aos Colossenses, ensina que os cristãos, unidos a Cristo ressuscitado pelo batismo, morreram para o pecado e nasceram para a Vida nova. Ao longo da sua caminhada pelo mundo, devem dar testemunho dessa Vida nova nos seus gestos, no seu amor, no seu serviço a Deus e aos homens.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, convida-nos a olhar para o túmulo vazio de Jesus e a “acreditar”: o verdadeiro discípulo de Jesus, aquele que o conhece bem, que entende a sua proposta e está disposto a segui-l’O sabe que a forma como Ele viveu e amou não podia terminar no túmulo, no fracasso, no nada. Por isso, está sempre preparado para acolher a Boa notícia da ressurreição.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos. Palavra da Salvação


Viagens para festividades muito caras, o Papa: “Ajudar com bônus jovens e famílias”

 “Seria bom se as grandes empresas pudessem criar bônus para o reagrupamento familiar, pelo menos para as festividades de Natal e Páscoa. Seria um ato de humanidade e fraternidade, ao qual o mundo da economia e dos negócios também é chamado”. Assim escreve o Papa Francisco nas páginas de Praça São Pedro, a revista mensal dirigida pelo padre Enzo Fortunato que explora temas de atualidade, espiritualidade e cultura, respondendo – como faz todos os meses – a uma das cartas endereçadas a ele. Trata-se da carta de uma siciliana, mãe de dois filhos que trabalham fora da região italiana da Sicília, que considera injusto o aumento dos preços de voos e trens na época das festividades. Um fenômeno, esse, que nem sempre permite a reunião familiar durante as festas de preceito.

Jovens e pais estejam juntos

“Nesta época de mudanças, muitos jovens, muitos filhos encontraram empregos longe de seus pais e não podem passar nem mesmo as festas de Natal e Páscoa com eles. Às vezes, a distância também atenua os relacionamentos, cria incompreensões e dificuldades“, escreve o Pontífice, que exorta os jovens e os pais a estarem juntos, convencido de que ”essas festividades e dias passados com os pais e avós podem ser momentos de felicidade única. Eles se tornam lembranças que nos dão serenidade e alegria por toda a vida, lembranças às quais podemos nos apegar nos momentos mais complicados e difíceis, lembranças que geram confiança e esperança porque nos mostram que a bondade e o amor são sempre possíveis e que há um Amor maior que nos espera e nos perdoa”.

Acutis, João Paulo II, Páscoa e paz, entre os temas da edição

Das páginas de Praça São Pedro, na edição de abril, intitulada “Páscoa entre sofrimento e esperança”, a ampla reportagem sobre Carlo Acutis, o santo do nosso tempo que será canonizado no próximo dia 27 de abril. Acompanhada de uma entrevista com sua mãe, Antonia Salzano, que viu em seu filho uma alma destinada ao céu, feita pelo vaticanista Paolo Rodari. Na ampla reportagem do vaticanista Gianni Cardinale, há também uma análise aprofundada do coincidente Jubileu dos Adolescentes. E depois a recordação de João Paulo II, “o Papa que mudou a história”, no 20º aniversário de sua morte em 2 de abril de 2005, assinada pelo vaticanista Piero Schiavazzi. A revista Praça São Pedro acolhe um enfoque sobre a Santa Páscoa, a Páscoa da paz (Piero Damosso) e da Igreja que sofre em meio à guerra e ao desespero no mundo. O cardeal Mauro Gambetti assina seu editorial “A Ressurreição de Jesus. Experiência de esperança, renascimento e realização do amor”.

Palavra de vida (Abril 2025)

«Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes?» (Is 43,19)

Deus atua constantemente na vida de cada um, fazendo “coisas novas “. Se nem sempre nos apercebemos ou conseguimos compreender o seu significado e alcance, é porque elas estão ainda a despontar ou porque ainda não estamos prontos para reconhecer aquilo que Ele está a realizar. Distraídos com os acontecimentos, com as mil e uma preocupações que nos atormentam, com pensamentos que nos importunam, talvez não consigamos deter-nos suficientemente para observar esses rebentos que são a certeza da Sua presença. Ele nunca nos abandona. Cria e recria continuamente a nossa vida.

«Somos nós a “coisa nova”, a “nova criação” que Deus gerou. […] Não fiquemos a olhar para o passado com saudades das coisas boas que aconteceram ou a chorar os nossos erros: acreditemos fortemente na ação de Deus que pode continuar a realizar coisas novas»[1]. Patrizia Mazzola

Novos Ventos – 13 de Abril

Domingo de Ramos – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Hoje damos início à Semana Maior da vida dos cristãos, a Semana Santa. A celebração deste dia começa com a entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém, em que as multidões aclamam Jesus como Rei de Israel, as crianças de palmas na mão aclamam o Senhor que vem sentado num jumentinho. Podemos fazer um paralelo entre o nascimento e a entrada em Jerusalém, no nascimento quando Maria estava prestes a dar à Luz entra na cidade da Judeia em Belém sentado num jumentinho, agora Jesus entre na cidade de Jerusalém sentado num jumentinho, mas desta vez para dar sentido a um Novo Nascimento, este espiritual que passa pela Morte para dar sentido à Vida. Assim, como era costume Jesus sobe a Jerusalém como era habitual para celebrar a festa da Páscoa, isto é, o acontecimento da libertação do povo de Israel à Terra prometida. Quanta alegria a entrada de uma Pessoa importante a espera de um Rei que não vem montado num cavalo, mas num jumentinho, contudo é louvado e aclamado pelas multidões. No entanto, depressa mudam de atitude e n’Aquela Páscoa pedem a Morte ao Autor da Vida, negam conhecê-Lo, é Atraiçoado é Abandonado. Quanta mudança na vida das pessoas, quantos doentes foram curados, quantas pessoas foram amadas e perdoadas, tantos acompanharam os Seus passos e seguiram-No, mas no momento em que é acusado injustamente todos O negam conhecer. Ó Jesus, que eu nunca me envergonhe de dar testemunho de Ti, que possa ser-Te fiel mesmo nos momentos de provação e de dificuldades, que eu possa alimentar-me de Ti e reconhecer que só Tu tens Palavras de Vida Eterna.

A leitura do Livro de Isaías, traz-nos a palavra e o drama de um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projetos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo de Deus” a figura de Jesus.

A leitura da Epístola de São Paulo aos Filipenses, traz-nos um belo hino onde ecoa a catequese primitiva sobre Jesus. Fiel ao projeto do Pai, Ele desceu ao encontro dos homens, viveu a vida dos homens e sofreu uma morte atroz por amor aos homens. Mas a sua vida não foi malbaratada: Deus exaltou-O, mostrando que o caminho que Ele seguiu é o caminho que conduz à Vida. É esse mesmo caminho que somos desafiados a percorrer.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, relata-nos a paixão e morte de Jesus. É o momento culminante de uma vida gasta a concretizar o projeto salvador de Deus: libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo, escravidão, sofrimento e morte. Na cruz onde Jesus ofereceu a sua vida até à última gota de sangue, revela-se o incomensurável amor de Deus por nós; na cruz, Jesus disse-nos que o amor até ao extremo gera Vida nova e eterna.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus seguia à frente dos seus discípulos, subindo para Jerusalém. Quando Se aproximou de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras, enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente e, ao entrardes nela, encontrareis um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. Se alguém perguntar porque o soltais, respondereis: ‘O Senhor precisa dele’». Os enviados partiram e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito. Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos perguntaram: «Porque soltais o jumentinho?». Eles responderam: «O Senhor precisa dele». Então levaram-no a Jesus e, lançando as capas sobre o jumentinho, fizeram montar Jesus. Enquanto Jesus caminhava, o povo estendia as suas capas no caminho. Estando já próximo da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto, dizendo: «Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no céu e glória nas alturas!». Alguns fariseus disseram a Jesus, do meio da multidão: «Mestre, repreende os teus discípulos». Mas Jesus respondeu: «Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras».
Palavra da Salvação


Gaza, pároco: o Papa nos ligou, vamos continuar trabalhando pela paz e pela justiça

Agradecimento ao Papa por sua proximidade

“As pessoas ficaram muito felizes em saber que ele estava ligando. Quando ele telefonou estávamos na porta da casa paroquial, dentro do complexo. As crianças e os jovens começaram a gritar Viva o Papa, em árabe e em italiano”, conta o padre Gabriel. “Ele enviou sua benção, sua oração. Foi um telefonema curto, mas sincero, muito apreciado. Dissemos a ele que estávamos muito felizes por tê-lo visto no domingo no Angelus e por ter ouvido seu apelo pela paz mais uma vez. A situação é realmente terrível em toda a Faixa de Gaza, continua o religioso, então realmente apreciamos sua proximidade, sua oração e sua preocupação por todos. Nós o agradecemos”.

Que a guerra termine, para o bem de todos

O pároco confirma que as condições em que vive a população da Faixa de Gaza são “inimagináveis”, tal como o Papa as definiu no texto do Angelus divulgado no domingo, 6 de abril. Ele continua lançando o apelo para que a oração não cesse: “Rezem muito pelo dom da paz e trabalhem pela paz. Convençam a todos, a todos os líderes das nações, que a paz é possível. Enquanto este conflito armado continuar, nenhum problema será resolvido, substancialmente”. Ele está convencido de que é necessário “convencer para que esta guerra termine para o bem de todos, palestinos e israelenses. Rezem e trabalhem pela paz e a justiça. Esta guerra deve ser interrompida o mais rápido possível. Mais de dois milhões de pessoas vivem aqui!”.

“Estamos numa gaiola”

Pe. Romanelli explica que providencialmente a comunidade cristã, “graças a Deus e à ajuda constante do Patriarcado Latino de Jerusalém”, está bem, dentro de um contexto como este. “Junto com nossos 500 refugiados e nossos vizinhos muçulmanos do bairro de Zeitoun, estamos bem por enquanto, embora tudo esteja começando a faltar. Em outros bairros, tudo está faltando, comida, água; a crise já existia antes da guerra, imaginem agora, depois de um ano e meio de guerra. A emergência de comida, água e medicamentos é extremamente urgente em toda a Faixa de Gaza.” Em meio à devastação, pe. Gabriel tenta não deixar faltar ajuda: “Gaza é uma prisão, se tornou uma gaiola, uma grande gaiola. Fazemos o bem às pessoas, dentro do possível, às centenas de refugiados, aos milhares de famílias de civis muçulmanos que estão ao nosso redor. Ajudamos a todos, cristãos e não cristãos, tentamos realmente ser um instrumento de paz para todos”.

“Esperamos em quem realmente quer a paz”

É uma verdadeira Quaresma, uma Cruz pesada, que a população de Gaza está vivendo, tentando não desistir completamente. “Contamos com a ajuda do Senhor, das pessoas de boa vontade que realmente desejam a paz.” O apelo, mais uma vez, é pra rezar pela paz e trabalhar pela paz e pela justiça. “Convencer a todos de que esta guerra deve acabar. É o primeiro passo necessário. Depois, dar esperança de que eles possam continuar vivendo na Faixa de Gaza sem movê-los”, enfatiza o pároco, dizendo que não se sabe mais quantas pessoas estão na Faixa. “Fala-se de 2 milhões e 300 mil pessoas. Na Cidade de Gaza, antes da guerra, éramos 1 milhão e 100 mil no norte, depois, durante a guerra, ficamos em 400 mil, quando começaram o cessar-fogo”.


Krajewski na Ucrânia: “muitas pessoas na fila desde as 5 da manhã para receber pão”

É uma humanidade sofredora, talvez exausta por três anos de guerra, aquela que o cardeal Konrad Krajewski, esmoleiro do Papa, encontra em sua décima missão na Ucrânia. Em Zaporizhzhia, onde três das ambulâncias doadas por Francisco foram entregues e a quarta chegou a Kharkiv, mil pessoas esperavam desde as 5h da manhã pela distribuição da ajuda alimentar que foi comprada graças às doações que chegaram à Esmolaria Apostólica.

As pessoas estão com fome

Na praça em frente à Co-Catedral de Deus Pai Misericordioso muitas pessoas, a maioria mulheres, chegaram com uma sacola plástica na mão para enchê-la de comida. A fila é organizada, ninguém empurra porque sabe que não voltará para casa de mãos vazias. O cardeal Krajewski também está ocupado, assim como os voluntários, sempre distribuindo o que podem para apoiar essa população devastada pela guerra. Muitos agradecem com um aperto de mão ou um aceno de cabeça. Eles receberam pão, caixas de carne, sopa. Ao lado do esmoleiro também estão os irmãos da Ordem Terceira de São Francisco Servos dos Pobres que, segundo o cardeal explica ao Vatican News, “três ou quatro vezes por semana distribuem um pouco de comida, e isso significa que as pessoas estão com fome, há miséria nessa área de guerra”.

Um novo forno

Os irmãos receberam ajuda do Papa para que pudessem continuar sua missão, assando pão durante a semana e depois distribuindo-o. “Fui à padaria onde eles trabalham”, acrescenta Krajewski, “eles têm um forno que tem cerca de 15 anos e, portanto, deve ser trocado. Prometi a eles que o Papa providenciará isso e que eles poderão continuar a assar com segurança”.

Ambulâncias entregues

As ambulâncias doadas pelo Papa, anunciadas na segunda-feira (07/04) através de um comunicado do Dicastério para o Serviço da Caridade, chegaram ao seu destino depois de uma viagem de quatro dias. Além do cardeal, as ambulâncias foram dirigidas por três outros motoristas da Ucrânia, incluindo dom Jan Sobilo, bispo auxiliar da diocese latina de Kharkiv-Zaporizhzhya, padre Tomasz Nadbereżny, um padre que serviu em Melitopol antes da guerra, e padre Wojciech Stasiewicz, diretor da Caritas-Spes da diocese de Kharkiv-Zaporizhzhya. “Graças a Deus”, diz o cardeal Krajewski, “chegamos depois de uma viagem de 3.300 quilômetros. Não encontramos nenhuma grande dificuldade, exceto pela neve, diminuímos a velocidade porque a estrada estava gelada”. Após a entrega dos veículos, o cardeal expressou sua intenção de estar próximo daqueles que sofrem, visitando algumas estruturas, doando o que for necessário, levando assim o consolo do Papa à “martirizada Ucrânia”.

Palavra de vida (Abril 2025)

«Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes?» (Is 43,19)

Isaías recorda o amor fiel de Deus pelo seu povo. A Sua fidelidade permanece constante até durante o período dramático do exílio. Mesmo que as promessas feitas a Abraão pareçam inatingíveis e o pacto da Aliança pareça estar em crise, o povo de Israel continua a ser um lugar particularmente privilegiado da presença de Deus na história.

O livro profético aborda questões existenciais, fundamentais não apenas para aquele tempo: quem controla o desenrolar e o significado da história? Esta pergunta pode ser feita também a nível pessoal: quem controla o curso da minha vida? Qual é o sentido daquilo que eu estou a viver ou daquilo que eu vivi? Patrizia Mazzola

Novos Ventos – 06 de Abril

V Domingo da Quaresma – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste quinto domingo da Quaresma, o Evangelho de São João relata-nos o episódio da mulher adultera. O grupo dos escribas e fariseus encontra-se numa atitude meramente acusatória apresentam a Jesus uma mulher surpreendida em flagrante adultério, dizendo: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Diante desta atitude de acusação, Jesus inclina o rosto para o chão e começa a escrever na terra e depois diz-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Podemos tirar daqui algumas lições de vida: em primeiro lugar onde se encontra o homem que tinha estado com a mulher? Afinal, tal acto tinha de ter a intervenção de um homem. Porventura, não seria nenhum daqueles que acusavam a mulher? Porque não trazem a pessoa que estava com a mulher? Neste sentido, vemos a reação de Jesus que é incapaz de condenar, mas leva aqueles que tinham atitude acusatória a olhar para os seus próprios erros e defeitos; «aquele que estiver sem pecados atire a primeira pedra. Saíram todos a começar pelos mais velhos ficando apenas Jesus e a mulher. Muitas das vezes, também nós temos a mesma reação daqueles escribas e fariseus, prontos a condenar e acusar; na escola acusamos os colegas por alguma falta cometida, no trabalho acusamos os outros para obter uma posição de carreira mais aliciante e não somos capazes de ver que também erramos e falhamos. Saibamos reconhecer as nossas fragilidades e não apenas ter uma atitude farisaica.

A leitura do Livro de Isaías, o Deus que libertou os hebreus da escravidão do Egito anuncia aos exilados na Babilónia que irá concretizar uma nova intervenção salvadora em favor do seu povo. Os exilados irão ser libertados; e, acompanhados por Deus, percorrerão um caminho que os trará novamente para a terra de onde tinham sido arrancados, a terra onde corre leite e mel. É esse o desafio que Deus deixa também a nós, neste tempo de Quaresma: caminharmos da escravidão para a liberdade, da vida velha para a vida nova.

A leitura da Epístola de São Paulo aos Filipenses, Paulo de Tarso partilha com os cristãos da cidade de Filipos a sua experiência: desde que se encontrou com Cristo, Paulo deixou para trás todo o “lixo” que lhe limitava os movimentos e que o impedia de correr ao encontro de Cristo. A sua grande preocupação é identificar-se cada vez mais com Cristo e correr para a meta final, onde espera encontrar a vida definitiva.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, Jesus mostra, a partir da história de uma mulher acusada de cometer adultério, como é que Deus lida com as nossas decisões erradas: “Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar”. O perdão de Deus, fruto do seu amor, falará sempre mais alto do que o nosso pecado. A grande preocupação de Deus não é castigar quem falhou; mas é apontar aos seus queridos filhos um caminho novo, de liberdade, de realização e de vida sem fim.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo, e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar». Palavra da Salvação


Palavra de vida (Abril 2025)

«Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes?» (Is 43,19)

O exílio na Babilónia e a destruição do Templo de Jerusalém tinham provocado um trauma coletivo no povo de Israel e suscitavam uma interrogação teológica: será que Deus ainda está connosco ou será que nos abandonou? O objetivo desta parte do livro de Isaías é ajudar o povo a compreender o que Deus está a realizar, a confiar n’Ele e, assim, poder regressar à pátria. É precisamente na experiência do exílio que se revela o rosto criador e salvador de Deus. Patrizia Mazzola

Voltar a Niceia, como irmãos

Voltar a Niceia 1700 anos depois, durante o Jubileu de 2025, significa, antes de tudo, reencontrar-se como irmãos com todos os cristãos do mundo: a confissão de fé que brotou do primeiro concílio ecumênico é, de fato, compartilhada não só pelas Igrejas Orientais, pelas Igrejas Ortodoxas e pela Igreja Católica, mas também é comum às comunidades eclesiais nascidas da Reforma. Significa reencontra-se entre irmãos em torno do que é realmente essencial, porque o que nos une é mais forte do que o que nos divide: “Todos juntos, cremos no Deus trinitário, em Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, na salvação em Jesus Cristo, de acordo com as Escrituras lidas na Igreja e sob a ação do Espírito Santo. Juntos, acreditamos na Igreja, no batismo, na ressurreição dos mortos e na vida eterna”. Esse é o ponto central do documento “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador” publicado pela Comissão Teológica Internacional para comemorar Niceia. Um dos objetivos do primeiro concílio ecumênico era determinar uma data comum para a celebração da Páscoa, uma questão controversa já na Igreja dos primeiros séculos: alguns a celebravam em concomitância com a Pesah judaica no dia 14 do mês de nisan, outros a celebravam no domingo seguinte à Pesah judaica. Niceia foi fundamental para encontrar uma data comum, definindo o domingo após a primeira lua cheia da primavera como a data para a celebração da Páscoa. A situação mudou no século XVI com a reforma do calendário de Gregório XIII: as Igrejas do Ocidente hoje calculam a data de acordo com esse calendário, enquanto as do Oriente continuam a usar o calendário juliano usado por toda a Igreja antes da reforma gregoriana. Mas é significativo e profético que, precisamente no aniversário de Nicéia deste ano, todas as Igrejas cristãs celebrem a Páscoa no mesmo dia, domingo, 20 de abril. É um sinal e uma esperança para se chegar o mais rápido possível a uma data aceita por todos.


O Papa: Jesus desce ao inferno de hoje das guerras e da dor dos inocentes

Jesus continua descendo ao inferno de hoje

De acordo com Francisco, “Jesus desceu até Jericó, uma cidade situada abaixo do nível do mar, considerada uma imagem do inferno, onde Jesus quer ir em busca daqueles que se sentem perdidos”.

“Na realidade, o Senhor Ressuscitado continua descendo ao inferno de hoje, aos lugares de guerra, de dor dos inocentes, nos corações das mães que veem morrer seus filhos, na fome dos pobres.”

“Num certo sentido, Zaqueu está perdido; talvez tenha feito algumas más escolhas ou talvez a vida o tenha colocado em situações das quais tem dificuldade de escapar. Lucas insiste em descrever as características deste homem: não é apenas um publicano, isto é, alguém que cobra impostos aos seus concidadãos para os invasores romanos, mas é o chefe dos publicanos, como se dissesse que o seu pecado é multiplicado.”

Lidar com as limitações que temos

O Papa escreve que “Lucas acrescenta então que Zaqueu é rico, insinuando que enriqueceu às custas dos outros, abusando da sua posição. Mas tudo isto tem consequências: Zaqueu sente-se provavelmente excluído, desprezado por todos”. “Ao ouvir que Jesus passava pela cidade, Zaqueu sente o desejo de O ver. Não se atreve a imaginar um encontro, bastaria apenas observá-Lo de longe. Mas os nossos desejos também encontram obstáculos e não se realizam automaticamente: Zaqueu é de baixa estatura! É a nossa realidade, temos limitações com as quais temos de lidar. Depois há os outros, que às vezes não nos ajudam: a multidão impede Zaqueu de ver Jesus. Talvez seja também um pouco de vingança”, ressalta o Pontífice.

Com o Senhor o inesperado acontece sempre

“Mas quando temos um desejo forte, não nos desanimamos. Encontramos uma solução. Mas é preciso ter coragem e não ter vergonha, é preciso ter um pouco da simplicidade das crianças e não nos preocuparmos tanto com a imagem“, escreve Francisco. “Zaqueu, como uma criança, sobe numa árvore. Tinha de ser um bom ponto de observação, principalmente para observar sem ser visto, escondendo-se atrás da folhagem”, ressalta. “Mas com o Senhor o inesperado acontece sempre: Jesus, quando se aproxima, olha para cima. Zaqueu sente-se exposto e provavelmente espera uma repreensão pública. O povo talvez assim esperasse, mas fica desiludido: Jesus pede a Zaqueu que desça imediatamente, quase surpreendido ao vê-lo na árvore, e diz-lhe: «Hoje é necessário que eu fique em tua casa». Deus não pode passar sem procurar os perdidos.”

O olhar de Jesus é de misericórdia

O evangelista Lucas “destaca a alegria do coração de Zaqueu. É a alegria de quem se sente visto, reconhecido e, sobretudo, perdoado”. “O olhar de Jesus não é de reprovação, mas de misericórdia. É aquela misericórdia que, por vezes, temos dificuldade em aceitar, especialmente quando Deus perdoa aqueles que achamos que não a merecem. Murmuramos porque gostaríamos de colocar limites no amor de Deus.”

Jubileu “Peregrinos na Esperança”

O Jubileu “Peregrinos de Esperança” tem sido um tempo propício à nossa conversão, não esquecendo os meios que nos são propostos: a peregrinação, o sacramento da reconciliação e a indulgência. A nossa peregrinação a Fátima, no início deste mês, foi um tempo de encontro com Deus, através de Maria, e da nossa Diocese no conjunto das suas comunidades cristãs.

A celebração do Jubileu dos doentes e, de um modo mais alargado da Pastoral da Saúde, deve acontecer nas paróquias com a Santa Unção, visitas aos doentes, encontro com os visitadores, ministros da comunhão.

Lembro, igualmente, que no dia 10 de maio, como está anunciado no Programa Pastoral deste ano, temos o Jubileu das crianças e adolescentes no Santuário de Vagos. Proximamente será enviado, pelo Departamento da Infância e Adolescência, o Programa elaborado para esse dia. Organizemos as catequeses para que nesse dia estejamos todos presentes e façamos festa.