Novos Ventos – 12 de Abril

Domingo de Páscoa – Ano A

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia do domingo de Páscoa apresenta-nos a experiência do Ressuscitado com Maria Madalena e as outras mulheres e com os Apóstolos. Na verdade, o medo faz nos bloquear e ficarmos apenas presos aos obstáculos e a não vermos os sinais da Ressurreição. Maria Madalena faz essa experiência: “os perfumes, a pedra do túmulo, o chorar a Morte de Jesus”. Os seus olhos ainda não tinham entendido os sinais da Ressurreição. Muitas vezes, sucede connosco, vamos para os túmulos dos nossos entes queridos e não conseguimos tirar as pedras, que nos impedem de ver e entender este grande Mistério.

Na leitura dos Atos dos Apóstolos, apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, Se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.

Na Epistola de São Paulo aos Colossenses, convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo baptismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).

No Evangelho de São João,   coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida nunca podem ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

Palavra da Salvação


Viver a Palavra (Abril)

Felizes os que creem sem terem visto!” (Jo 20, 29).

Para viver esta Palavra, recordemos este convite de Chiara Lubich: «Ele quer imprimir em ti, e em todos os que não conviveram diretamente com Ele, a convicção de que participam na mesma realidade dos Apóstolos. Jesus quer dizer-te que não estás em desvantagem em relação àqueles que O viram. De facto, tu tens a fé, e esta é – por assim dizer – o novo modo de “ver” Jesus. Por meio dela podes ter acesso a Ele, podes compreendê-Lo intimamente, encontrá-Lo no íntimo do teu coração. Com a fé podes descobri-Lo entre dois ou mais irmãos unidos em Seu nome, ou na Igreja que O continua. […] Estas palavras de Jesus são também, para ti, um convite a reavivares a fé, a não esperares apoios ou sinais para progredir na tua vida espiritual, a não duvidar da presença de Cristo na tua vida e na tua história, mesmo se Ele te pode parecer distante. […] Quer que tu acredites no Seu amor, mesmo se te encontras em situações difíceis ou se se abatem sobre ti circunstâncias que te ultrapassam».
Anne é uma jovem australiana que nasceu com uma deficiência grave. Ela conta-nos: «Durante a adolescência, perguntava-me porque não tinha morrido logo ao nascer, tal era o peso da minha deficiência. Os meus pais, que vivem a Palavra de Vida, davam-me sempre a mesma resposta: “Anne, Deus ama-te imensamente e tem um plano especial para ti”. Ajudaram-me a não ficar bloqueada nas minhas dificuldades, nos meus limites físicos. Pelo contrário, ensinaram-me a ser “a primeira a amar” os outros, como Deus fez connosco. Vi como muitas situações à minha volta se transformaram e como muitas pessoas, por seu lado, começaram a ser mais abertas, comigo e não só. Do meu pai recebi uma mensagem pessoal, para abrir depois da sua morte, na qual estava escrita apenas uma frase: “A minha noite não tem escuridão”. Esta é a minha experiência quotidiana: sempre que opto por amar e servir os que me estão próximos, desaparecem as trevas e consigo experimentar o amor que Deus me tem».


Mensagem do Pároco

Cristo Vive!!!

Caríssimos, paroquianos das paróquias de Torreira e São Jacinto, este ano as celebrações da Páscoa foram vividas de uma forma diferente do habitual, sem a vossa presença nas celebrações.

Um pouco por todo o mundo podemos verificar o vazio e o silêncio das nossas ruas, das catedrais, das nossas igrejas e mesmo na Praça de São Pedro, onde o nosso olhar fixou-se no caminhar atenuante e doloroso do nosso Papa Francisco, na súplica de dirigiu ao Senhor pedindo o fim desta Pandemia. Este silêncio, levou-me a meditar no caminho de Jesus para o Calvário e a hora derradeira da Sua Paixão e Morte, «o silêncio de Deus».

No entanto, não faltaram as iniciativas de podermos viver este momento central da nossa fé, colocando sinais visíveis nas nossas portas e janelas e tendo ao nosso dispor um guião para a oração em família, assim como também podemos acompanhar por tantos meios de comunicação, televisão, rádio e internet as celebrações do Tríduo Pascal. Agradeço a todos vós que nos fizestes chegar a vossa Cruz, a fim de a colocar nas nossas páginas das paróquias e desta forma bela e simples destes a razão da vossa fé.

Não nos fixemos nos obstáculos que nos impede de ver as marcas da Ressurreição: Em Maria Madalena pairava o medo, a pedra do túmulo; também a nós o medo desta pandemia e as pedras são os obstáculos que devemos retirar do nosso coração, para vermos os sinais do Ressuscitado! Basta acreditarmos naquelas palavras Anjo a Maria: «Porque buscais entre os Mortos, Aquele que está Vivo, não está aqui. Ressuscitou!

A cada um de vós desejo-vos uma Santa Páscoa! Cristo Vive! Aleluia!Aleluia!


Informações

Informamos que toda a ação Pastoral ao longo desta semana está cancelada devido ao problema Nacional e Mundial que estamos atravessar relativamente ao Covid 19. Importante, mantermos a serenidade mas assumir com grande responsabilidade o que nos diz o Sistema Nacional de Saúde a evitar aglomerados de pessoas, a ter máscaras de proteção e a manter sempre as mãos bem lavadas e desinfetadas. Em caso de manifestação de alguns sintomas de gripe ligar para a linha de saúde. Vamos ajudar-nos uns aos outros tendo estas regras de proteção.


Evangelho vivido (O que é importante é Amar) [excerto do testemunho]

Sou a Susana, tenho 46 anos, sou casada e temos 3 filhos, com 17, 15 e 10 anos. Em fevereiro do ano passado soubemos que tinha cancro e teria pela frente uma cirurgia, alguns meses de quimioterapia e de radioterapia. Cinco anos antes tínhamos vivido o mesmo diagnóstico, embora com menor gravidade. Como bênção divina, foi claro para mim que escolhia viver bem cada “momento presente” – «…porque Jesus pode vir sempre, e não nos daremos conta d’Ele se estivermos demasiado ocupados com as preocupações do futuro». No meu coração, uma certeza sempre presente – “Tudo passa, só o Amor permanece”. Procurei assim viver todos os dias como se cada gesto de Amor, cada gentileza, cada sorriso dado, pudessem verdadeiramente transformar a nossa existência e “apesar” a vinda do Reino de Deus para o meio de nós. Para que assim fosse, foi necessário desconstruir as nossas expetativas e idealizações (de saúde, de trabalho, de férias, etc.), abraçando a vida na sua plenitude e com os seus inesperados. Pela minha parte, procurei não me centrar na minha condição e ir ao encontro dos outros que, por alguma razão, sofriam. Procurei ser gentil para todos os que cuidaram de mim. Procurei renascer com alegria em cada nova “identidade”, consequência do processo da doença – um novo “eu” que, diferente do que me habituara, não vai trabalhar, não cuida da casa e da família, não tem cabelo e se sente muitas vezes cansado…Por outro lado, procurei reconhecer a presença de Deus em muitos momentos da nossa vida. Poderia contar inúmeras situações em que os outros, a família, os amigos, a comunidade, foram o meu sustento e fizeram o caminho comigo. Partilho alguns, na certeza de que em cada um reconheço com profunda Alegria os sinais da presença viva de Deus Amor. Recordo, por exemplo, o dia em que fui operada: estivemos sempre acompanhados no hospital por amigos e familiares, antes e depois da cirurgia – as enfermeiras mostravam-se também elas contentes, creio que com a harmonia e a experiência de “ser família” que juntos experimentávamos, certos do Amor do Pai e certos do Amor de uns para com os outros…[Portugal]

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