Domingo de Ramos – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira
A liturgia deste VI domingo da Quaresma, ou domingo de Ramos relata-nos a Paixão de Jesus neste dia importante fazer a descoberta dos contrastes, aqueles que aclamam Jesus na entrada Triunfal em Jerusalém acabam por vir a pedir-lhe a Morte. Na Sua vida publica Jesus ensinou abertamente, curou os doentes, realizou milagres chamou um pequeno grupo a quem deu o nome de Apóstolos e no caminho para o Calvário todos os abandonam. Apenas, Maria algumas mulheres e o discípulo amado que permanece junto à Cruz. Mas, suspenso na Cruz Jesus perde tudo até a própria Mãe, neste Abandono Jesus grita: «Meu Deus, Meu Deus porque Me Abandonaste!».
Na leitura do livro de Isaías, apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.
Na Epistola de São Paulo aos Filipenses, apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
No Evangelho de São Mateus, convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus – esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus
Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: «Ide à povoação que está em frente e encontrareis uma jumenta presa e, com ela, um jumentinho. Soltai-os e trazei-mos. E se alguém vos disser alguma coisa, respondei que o Senhor precisa deles, mas não tardará em devolvê-los». Isto sucedeu para se cumprir o que o Profeta tinha anunciado: «Dizei à filha de Sião: ‘Eis o teu Rei, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho de uma jumenta’». Os discípulos partiram e fizeram como Jesus lhes ordenara: trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram-lhes em cima as suas capas, e Jesus sentou-Se sobre elas. Numerosa multidão estendia as capas no caminho; outros cortavam ramos de árvores e espalhavam-nos pelo chão. E, tanto as multidões que vinham à frente de Jesus como as que O seguiam, diziam em altos brados: «Hossana ao Filho de David! Bendito O que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!». Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. «Quem é Ele?» – perguntavam. E a multidão respondia: «É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia».
Palavra da Salvação
Viver a Palavra (Abril)
“Felizes os que creem sem terem visto!” (Jo 20, 29).
O Evangelho de João descreve os encontros dos apóstolos, de Maria Madalena e de outros discípulos com Jesus Ressuscitado. Ele mostra-se por várias vezes, com os sinais da crucifixão, para abrir de novo os corações deles à alegria e à esperança. Numa destas vezes, o apóstolo Tomé estava ausente. Os outros, que se tinham encontrado com o Senhor, contam-lhe esta maravilhosa experiência e pretendem transmitir-lhe a mesma alegria. Mas Tomé não consegue aceitar esse testemunho indireto. Quer mesmo ver Jesus e tocar-Lhe pessoalmente.
É o que acontece uns dias mais tarde: Jesus apresenta-se novamente no meio de um grupo de discípulos. Finalmente, entre eles está também Tomé, que proclamará a sua fé, a sua total adesão ao Ressuscitado: “Meu Senhor e meu Deus!”. Jesus responde-lhe:
“Felizes os que creem sem terem visto!”
Este Evangelho foi escrito depois da morte das testemunhas oculares da vida, morte e ressurreição de Jesus. Era preciso que a mensagem evangélica fosse confiada às gerações seguintes, que a sua transmissão se baseasse no testemunho daqueles que, por sua vez, tinham recebido o anúncio. Começa aqui o tempo da Igreja, povo de Deus que continua a anunciar a mensagem de Jesus, transmitindo fielmente a Sua palavra e vivendo-a com coerência.
Também cada um de nós encontrou Jesus, o Evangelho, a fé cristã, através da palavra e do testemunho de outros. Acreditámos. Por isso “somos felizes”.
6ª Semana da Quaresma – Vive
Evangelho Mateus 21, 1-54 [Para ler e meditar em família]
Meditação
Jesus sobe a Jerusalém para Se submeter à morte. Por isso, entra na Cidade Santa à maneira de Messias e Rei, como os profetas haviam anunciado. Entra de um modo digno de «Filho de David». É porém, o triunfo modesto e humilde de um Rei, que vem não para dominar, mas para servir e dar a vida em resgate pela humanidade. Um triunfo, que é início de martírio.
Oração diária
Todos: Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?
Pais: Todos os que veem fazem troça de mim.
Estendem os lábios e meneiam a cabeça:
“Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo.
Todos: Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?
Pais: Matilhas de cães me rodearam,
Cercou-me um bando de malfeitores.
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
Posso contar todos os meus ossos.
Todos: Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?
Pais: Repartiram entre si as minhas vestes
E deitaram sortes sobre a minha túnica.
Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,
Sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.
Todos: Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?
Pais: Hei-de falar do Vosso nome aos meus irmãos,
Hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.
Vós que temeis o Senhor, louvai-O.
Glorificai-O, vós todos, os filhos de Jacob,
Reverenciai-O, vós todos, os filhos de Israel.
Todos: Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?
Pai Nosso…
Ação
– Fazer a Oração em família.
– Colocar no exterior da porta de casa a Cruz e um Ramo um por cada membro da família, até na Sexta-feira.
– No Sábado na Vigília sou convidado a colocar um pano branco na Cruz.
– No Domingo de Páscoa sou desafiado a enfeitar a Cruz da porta da minha casa com flores.
– Todas estas ações deverão ser acompanhadas por um tempo de Oração, esse guião está disponível na página da Paróquia.
Informações
Informamos que toda a ação Pastoral ao longo desta semana está cancelada devido ao problema Nacional e Mundial que estamos atravessar relativamente ao Covid 19. Importante, mantermos a serenidade mas assumir com grande responsabilidade o que nos diz o Sistema Nacional de Saúde a evitar aglomerados de pessoas, a ter máscaras de proteção e a manter sempre as mãos bem lavadas e desinfetadas. Em caso de manifestação de alguns sintomas de gripe ligar para a linha de saúde. Vamos ajudar-nos uns aos outros tendo estas regras de proteção.
Evangelho vivido (Amar o próximo como a si mesmo)
“Tu tens uma única vida, gasta-a bem”, começa assim a entrevista à Maria, com esta frase, retirada de uma canção do grupo Gen3. Maria, o nome convencional de uma mulher que quer ficar anónima, tem 24 anos, é da Sicília. Por questões de trabalho, assim que se formou, foi forçada a mudar-se para o norte de Itália. Maria é enfermeira e no último período esteve nas trincheiras a lutar pela vida de centenas de pessoas afetadas pelo novo Covid-19, dia após dia.
Ela não foi forçada a ficar, o seu contrato não previa esta situação, trabalhava como livre profissional (com recibos verdes) e tinha de declarar o IVA. Poderia regressar à Sicília assim que o alarme disparou, mas não o fez. Ela ficou para dar apoio e ajuda aos seus colegas, a arrancar vidas da morte, ficou para gastar bem a sua vida. Fala-nos de como passam os seus dias desde o início da epidemia.
Sou enfermeira nas urgências.
Os “possíveis infetados”, chegam até nós, esperam por entrar, muitas vezes acompanhados por parentes. Os olhares preocupados, a expressão desesperada e os olhos brilhantes de quem pode ser um “infetado”, de quem não sabe o que irá acontecer nas próximas duas horas. Quando saem da sala de espera para entrar na urgência, deixam ali também os seus entes queridos, com os sonhos e a esperança. Dentro, prossegue-se com as várias verificações. Procuramos tranquilizar os pacientes, distraí-los. Perguntamos o que fazem na vida, se têm filhos, netos, irmãos.
Infelizmente, o contato com o paciente é muito pouco devido às proteções que todo o pessoal sanitário usa. Entreveem-se apenas os olhos, mas acho que é o suficiente. Os olhos comunicam muito. Chega um Senhor idoso de 80 anos, estava sozinho o resultado é positivo. Sorriu para mim. Um sorriso verdadeiro e difícil de descrever. Disse: “Enfermeira, eu já entendi. Não quero dar-lhe a dor de me ter e dizer. Já está a fazer muito pela nossa comunidade. Já sei qual será a sequência. Mas está tudo bem. Vivi a minha vida e fi-lo à luz de Deus”.