Novos Ventos – 19 de Abril

II Domingo de Páscoa – Ano A

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia do II domingo de Páscoa apresenta-nos a experiência do Ressuscitado aos Apóstolos. O Evangelho de hoje coloca-nos diante de duas realidades, o medo bloqueia a comunidade primitiva e os faz estar fechados sobre si mesmos. O segundo aspecto a salientar é o permanecer unidos na unidade da comunidade é nessa comunhão que se forma a Igreja. Tomé não estava presente e não faz essa experiência de comunhão, o que o leva ao regresso à comunidade e fazer a experiência de Cristo Vivo.

Na leitura dos Atos dos Apóstolos, nos é apresentada a vida da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua proposta de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha – com gestos concretos – a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo.

Na Epistola de São Pedro, recorda aos membros da comunidade cristã que a identificação de cada crente com Cristo – nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens – conduzirá à ressurreição. Por isso, os crentes são convidados a percorrer a vida com esperança (apesar das dificuldades, dos sofrimentos e da hostilidade do “mundo”), de olhos postos nesse horizonte onde se desenha a salvação definitiva.

No Evangelho de São João,    sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser lhes ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto».
Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

Palavra da Salvação


Viver a Palavra (Abril)

Felizes os que creem sem terem visto!” (Jo 20, 29).

O Evangelho de João descreve os encontros dos apóstolos, de Maria Madalena e de outros discípulos com Jesus Ressuscitado. Ele mostra-se por várias vezes, com os sinais da crucifixão, para abrir de novo os corações deles à alegria e à esperança. Numa destas vezes, o apóstolo Tomé estava ausente. Os outros, que se tinham encontrado com o Senhor, contam-lhe esta maravilhosa experiência e pretendem transmitir-lhe a mesma alegria. Mas Tomé não consegue aceitar esse testemunho indireto. Quer mesmo ver Jesus e tocar-Lhe pessoalmente. É o que acontece uns dias mais tarde: Jesus apresenta-se novamente no meio de um grupo de discípulos. Finalmente, entre eles está também Tomé, que proclamará a sua fé, a sua total adesão ao Ressuscitado: “Meu Senhor e meu Deus!”.


Mensagem do Pároco

Cristo Vive!!!

Caríssimos, paroquianos das paróquias de Torreira e São Jacinto, o texto do evangelho de hoje revela-nos os sinais da Ressurreição de Jesus, os Apóstolos e Tomé o incrédulo, também nós muitas vezes fazemos a experiência de Tomé.

Ao meditar neste excerto da liturgia deste domingo deparei-me com alguns aspectos importantes na vida daquela comunidade e nas comunidades de hoje:

  1. Os discípulos estavam todos reunidos fechados em casa com medo dos Judeus, mas Tomé não estava com eles.
  2. Veio Jesus, colocou-se no meio deles, transmite a paz e envia o Espírito.
  3. Os discípulos dizem que viram o Senhor.
  4. Tomé se não tocar no Seu lado não acreditarei.

Neste primeiro ponto gostaria de salientar «A comunidade estava reunida…» talvez para celebrar o 1ªdia da Semana, o domingo, mas Tomé não estava com eles, teria abandonado a comunidade? Na Paixão de Jesus temos os sacramentos essenciais na vida do cristão «do Seu lado aberto brotou [sangue = eucaristia e água = baptismo]. Tomé representa aqueles que fazem o caminho dos sacramentos (baptismo, eucaristia, confirmação, matrimónio), mas depois abandonam a comunidade. Quando, Tomé se sente só e que precisa dos irmãos regressa à casa onde os discípulos se encontravam.

No segundo ponto, Jesus, manifesta-se visível e presente na comunhão plena entre irmãos, que vivem a mesma realidade de fé. «Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles». Jesus coloca-se no meio deles e dá-lhes serenidade, paz e envia-lhes o Espírito Santo.

No terceiro ponto, os discípulos revelam a experiência vivida em comunidade a presença de Jesus no meio deles e a força que receberam do Espírito Santo.

No quarto ponto, atitude de Tomé, que estando fora da comunidade não faz a experiência da vida fraterna e depois coloca a exigência: «só acredito se tocar com as minhas mãos».

Senhor, faz-me reconhecer-Te cada vez que Te toco na Sagrada Eucaristia!!!


Evangelho vivido (O que é importante é Amar) [cont. do testemunho]

Sou a Susana, tenho 46 anos, sou casada e temos 3 filhos, com 17, 15 e 10 anos. Reconhecia Deus, desde o primeiro momento, na alegria de me saber e sentir sempre muito amada. Em todos aqueles que se fizeram presentes desde o primeiro dia. Em muitas surpresas que nos chegaram de muitas formas. Na companhia que nos fizeram em cada momento especial, celebrando cada passo e abraçando-nos em cada contrariedade. Reconhecia também Jesus na disponibilidade permanente de muitos para tornar a nossa vida mais fácil, nas boleias aos filhos, nas refeições partilhadas, nos convites para passear. Nos presentes que também o meu marido recebeu, como o bolo de que tanto gosta no dia do seu aniversário. Nas inúmeras mensagens de carinho, conforto e esperança, nomeadamente de muitos alunos expressando a sua saudade, a sua oração e a disponibilidade para ajudar. Reconhecia ainda a presença de Deus em muitos outros gestos e momentos. Nas flores que me esperavam quando cheguei do hospital. Nas frutas e legumes que nos chegaram num bonito cabaz. Na serenata dos amigos – «…É sobre escalar e sentir que o caminho se fortaleceu». Na amorosa companhia das amigas para ir cortar o cabelo. Nos livros que me ofereceram e cujas palavras me fizeram aproximar ainda mais do Amor de Deus e dos seus sinais. E fora de casa, na nossa vida de comunidade, reconhecia ainda Deus em tudo o que fizeram por mim em todas as situações, nos empenhos ou compromissos em que não pude estar presente. Na rede que me sustentou e sempre me elevou. Em todas as vezes que me fizeram sentir perto quando estava fisicamente longe…Alguém disse que «se ajudar os outros é bom, melhor é ser ocasião para que os outros nos ajudem»… Aprender a ser “necessitado” é, na verdade, uma bonita experiência de renascimento. A este propósito, revi-me nas lindíssimas palavras do cardeal Tolentino Mendonça: «Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez. Nascemos quando descobrimos amados e capazes de amar. Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas. Nascemos na prece e no dom. Nascemos no perdão e no confronto. Nascemos na tarefa e na partilha. Nascemos nos gestos ou para além dos gestos. Nascemos dentro de nós e no coração de Deus. Terminando a minha partilha, percebo que o que escrevi não é apenas a minha experiência…mas é a experiência de muitos que escolheram Amar, de formas muito concretas, a mim e à minha família. Tenho a certeza de que não existirão muitas alegrias maiores do que esta possibilidade de amarmos até ao limite, e de fazermos das nossa feridas a das feridas dos outros ocasião de cuidado e misericórdia. Nos dias de hoje, já mais restabelecida e de volta ao trabalho e à vida de todos os dias, penso muito que – como li algures – o nosso sofrimento não vale por termos sofrido mais ou termos sofrido menos. Vale porque (ou Se) amamos tudo o que é importante amar. [Portugal]

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