Novos Ventos – 26 de Abril

III Domingo de Páscoa – Ano A

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia do III domingo de Páscoa apresenta-nos a experiência do Ressuscitado aos discípulos de Emaús. Importante salientar a experiência destes discípulos que fechados sobre si mesmos e com a sua razão não dão ouvidos a ninguém. As mulheres tinham ido ao sepulcro e que Jesus estava vivo, alguns discípulos também tinham feito a experiência do Senhor Ressuscitado. Quando o orgulho ou a autossuficiência fala mais alto não se ouve ninguém. Vão embora desanimados. Quantas vezes, o meu orgulho me fecha e não sou capaz de ouvir os outros? Quantas vezes, fecho os olhos para não ver a vida da comunidade? Quantas vezes, critico a Igreja e não vejo que também eu sou Igreja e não expresso esses sinais do Ressuscitado?

Na leitura dos Atos dos Apóstolos, o autor sagrado mostra (através da história de Jesus) como do amor que se faz dom a Deus e aos irmãos, brota sempre ressurreição e vida nova; e convida a comunidade de Jesus a testemunhar essa realidade diante dos homens.

Na Epistola de São Pedro, convida a contemplar com olhos de ver o projecto salvador de Deus, o amor de Deus pelos homens (expresso na cruz de Jesus e na sua ressurreição). Constatando a grandeza do amor de Deus, aceitamos o seu apelo a uma vida nova.

No Evangelho de São Lucas, o texto que nos é proposto põe Cristo, vivo e ressuscitado, a caminhar ao lado dos discípulos, a explicar-lhes as Escrituras, a encher-lhes o coração de esperança e a sentar-Se com eles à mesa para “partir o pão”. É aí que os discípulos O reconhecem.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Dois dos discípulos de Emaús iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a sessenta estádios de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou Se deles e pôs Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou lhes. «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam entristecidos. E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou estes dias». E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel.
Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na Sua glória?» Depois, começando por Moisés e passando por todos os Profetas, explicou lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante. Mas eles convenceram n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, Senhor, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram se lhes os olhos e reconheceram n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com ele, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

Palavra da Salvação


Mensagem do Pároco

A experiência do Ressuscitado!!!

Caríssimos cristãos, o texto do evangelho de hoje revela-nos os sinais da Ressurreição de Jesus com os dois discípulos.

A liturgia de hoje coloca-nos diante de alguns sinais importantes, na vida daquela comunidade e nas comunidades de hoje:

  1. Dois discípulos desanimados tinham seguido para Emaús.
  2.  Jesus põe se a caminho com eles e explica-lhes as Escrituras.
  3. A mudança, – sentem o coração arder quando lhes explica as Escrituras.
  4. Descobrem Jesus ao partir o Pão.

Neste primeiro ponto importante salientar – dois discípulos – saem da comunidade desanimados e vão a caminho de Emaús. Mas o que se passava na cabeça daqueles dois discípulos? O texto diz-nos que estes discípulos tinham escutado as mulheres e alguns discípulos, que tinham dito que o Senhor tinha Ressuscitado. Mesmo assim, preferem abandonar a comunidade e retomar as atividades anteriores, regressam às suas terras. Quantas vezes, nós caímos em desânimo e voltamos ao ponto inicial e abandonamos a Igreja…

 No segundo ponto, Jesus, põe se a caminho com eles. Inicialmente parece desconhecer o que se passou em Jerusalém, mas depois começa por explicar as Escrituras, desde os Profetas aos Salmos. Escutam atentamente a Palavra de Deus e pouco a pouco o coração se vai modificando. Ou seja, a Palavra de Deus deve transformar a nossa vida e não ficarmos indiferentes ao encontro com Cristo.

No terceiro ponto, existe uma enorme mudança – o coração – que arde ao ouvir a Palavra de Deus. Uma atitude de se deixar transformar pela Palavra.

No quarto ponto, os discípulos convidam este Homem a ficar com eles e numa perspectiva diferente O reconhecem quando parte o Pão.

Senhor Jesus, faz-me reconhecer-Te cada vez que em cada Eucaristia o sacerdote parte o Pão!!! Será que sou capaz de como os discípulos de Emaús Reconhecer-Te, quando o Pão é partido e repartido?


INFORMAÇÕES

  • O Arciprestado de Estarreja/Murtosa propõe a todas as Paróquias do Arciprestado a construção de um Terço com as cores dos cinco Continentes e possamos colocar no exterior das nossas casas, no dia 3 de maio, dia de Mãe. Assim, cada família deve ao longo do mês de Maria rezar juntos o terço em casa.Esta ação destina-se para a catequese de infância e adolescência, mas também é alargada a toda a comunidade. O terço para colocar no exterior das casas pode ser construído com materiais recicláveis (rolhas, tampinhas, ou outros materiais). Convidando, assim depois a partilhar na nossa página da Paróquia.

Evangelho vivido (O que é importante é Amar)
[A minha noite não tem escuridão]

«Durante a adolescência, perguntava-me porque não tinha morrido logo, pois tão grande era o peso da minha incapacidade. Os meus pais, que procuram viver as Palavras do Evangelho, ou palavra de Vida, davam-me sempre a mesma resposta: “Anne, Deus ama-te imensamente e tem um plano especial para ti”. Diante dos meus limites físicos, ajudaram-me a não me deixar bloquear pelas dificuldades, mas, pelo contrário, a ser a “primeira a amar” os outros, como Deus fez connosco.

Reparei em muitas situações ao meu redor mudar e muitas pessoas começaram, por sua vez, a ser mais abertas, para comigo e não só. Recebi uma mensagem pessoal do meu pai para abrir após a sua morte, na qual estava escrita apenas uma frase: “A minha noite não tem escuridão”. É a minha experiência do dia-a-dia: cada vez que escolho amar e servir quem está ao meu redor, deixam de existir as trevas e consigo experimentar o amor que Deus tem por mim. [Austrália]

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