XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira
A liturgia da Palavra deste domingo reflete sobre o sentido da história da salvação e diz-nos que a meta final para onde Deus nos conduz é o novo céu e a nova terra da felicidade plena, da vida definitiva. Este quadro faz nascer em nós a esperança e dá-nos a coragem para enfrentar a adversidade para lutar pelo Advento do Reino, em que se encontrará a plenitude da salvação.
Na primeira leitura da Profecia de Malaquias, um “mensageiro de Deus” anuncia a uma comunidade desanimada, céptica e apática que Deus não abandonou o seu Povo. O Deus libertador vai intervir no mundo, vai derrotar o que oprime e rouba a vida e vai fazer com que nasça esse “sol de justiça” que traz a salvação.
Na segunda leitura de São Paulo aos Tessalonicenses, o Apóstolo reforça a ideia de que, enquanto esperamos a vida definitiva, não temos o direito de nos instalarmos na preguiça e no comodismo, alheando-nos das grandes questões do mundo e evitando dar o nosso contributo na construção do Reino.
O Evangelho e São Lucas faz uma reflexão sobre o percurso que a Igreja é chamada a fazer, até à segunda vinda de Jesus. A missão dos discípulos em caminhada na história é comprometer-se na transformação do mundo, de forma que a velha realidade desapareça e nasça o Reino. Esse “caminho” será percorrido no meio de dificuldades e perseguições; mas os discípulos terão sempre a ajuda e a força de Deus.
“Não vos alarmeis!”
O ano litúrgico está a chegar ao seu termo, convidando-nos a pensar no fim dos tempos, no nosso fim e no fim da história. Também a leitura do Evangelho de Lucas se volta para o fim e nos apresenta – antes da ceia pascal – o último grande discurso de Jesus sobre a destruição de Jerusalém, símbolo do fim do mundo. O fim do mundo! Sempre descrito com imagens tão trágicas e acontecimentos tão catastróficos que só o facto de se nomear já assusta. Quando acontecerá? Como será? A responder a essas questões logo se apresentam adivinhos, astrólogos e demais profetas da desgraça, com previsões tão terríveis que é melhor nem escutar. Não lhes demos mesmo nenhum crédito.
Quando será, de facto? Também os discípulos de Jesus o quiseram saber, mas Ele, ao contrário dos astrólogos, não lhes respondeu, porque aquilo que importa é outra coisa: o que é o fim do mundo e como é que nos devemos preparar.
O fim do mundo é tão simplesmente o regresso de Jesus. Devemos olhar para Ele, não para as coisas que possam suceder à volta. Jesus virá ao nosso encontro e nos levará com Ele, para o Seu Reino, onde haverá alegria, paz, plenitude da vida, contentamento sem fim. Jesus sempre nos ensinou que não importa saber quando é que Ele voltará, mas como O devemos esperar. Ele convida-nos a esperá-Lo com anseio e entusiasmo, com confiança, vigilantes na oração, como se espera uma pessoa muito querida que, depois de muito tempo, não vemos a hora que chegue. O fim do mundo – a nossa morte será uma sua antecipação – não será uma tragédia (“Não vos alarmeis”), mas o encontro com Jesus, desde há muito esperado e desejado.
Antes disso acontece o caminho da vida, a sucessão dos acontecimentos históricos. É agora o período difícil não o do fim, que assinalará a libertação do nosso sofrimento quotidiano. Este é o tempo das violências, das guerras, dos ódios, das perseguições. É este tempo de agora que devemos temer, não o do fim.O nosso é um caminho cansativo, marcado por contradições, por desilusões que podem advir até de pessoas muito chegadas, por doenças, por falta de trabalho, inseguranças… Jesus que conhece a nossa história já previa as revoltas entre povos, os terramotos, as secas, as epidemias…
Mas Ele não nos deixa sozinhos neste caminho em direção ao fim. Ele está lá à nossa espera, na meta da vida, mas também está aqui, ao longo do nosso percurso, e sugere-nos modos de atuar, de falar, de estar… Acima de tudo, protege-nos e coloca ao nosso serviço a Sua omnipotência: “Nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá”! De que ter medo, então?
Viver a Palavra
“Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram” (Rom 12,15).
Um Amor Sem Confins O apóstolo Paulo, na carta aos Romanos, de onde foi retirada esta frase, convida todos a passar do amor simplesmente para com aqueles que partilham a mesma fé, ao amor evangélico, para com todos os seres humanos. Porque, para os crentes, o amor não tem fronteiras, nem se pode limitar só a alguns.
É um convite a colocar-se “NA PELE DO OUTRO”, como expressão concreta de uma verdadeira caridade. (PV. Nov)
Jesus,
Tu conheces a dureza do nosso caminho:
também o percorreste.
Tu conheces as provas que nos esperam,
dia após dia:
também Tu as viveste.
Tu sabes como é difícil o desapego
das coisas mais belas, mais queridas, mais santas…
Tu conheces a frieza da nossa morte:
também passaste por ela.
Permanece então ao nosso lado,
companheiro da nossa viagem,
dá-nos a força da constância,
sem nunca cedermos ao desalento,
até chegarmos ao encontro Contigo,
no fim dos tempos,
quando todas as vaidades cairão
e ficarás apenas Tu, nosso único bem,
na alegria do Céu.
(Fabio Ciardi, in “Dovè Il Tu Tesoro…”)
“Say e Yes”

O projeto Say Yes, como caminhada catequética dos adolescentes do 7º ao 10º anos, envolveu 54 paróquias da diocese. Neste projeto estão empenhadas cerca de 420 catequistas e mais de 2.400 adolescentes.
Sabemos que alguns catequistas e sacerdotes, têm tido alguma dificuldade quer no desenvolvimento dos encontros com adolescentes, quer na procura dos materiais de apoio: símbolos, hinos das variadas jornadas, videos, mapa… e, sobretudo, na forma melhor de se fazer esta catequese que pede, naturalmente mais atenção e preparação.
Neste sentido, o departamento da catequese de adolescentes, disponibilizou-se para fazer um encontro não para explicar o projeto (o que foi feito já pelo P. Tiago), mas para tirar dúvidas e para mostrar algumas formas práticas de execução. Queremos fazer uma abordagem prática de implementação. Por isso, pedimos que mobilize os catequistas de adolescentes da sua paróquia e que estão com este projeto, para participarem num dos seguintes encontros:
28 de Novembro, às 21,15, no salão paroquial de Ílhavo (para catequistas do arciprestado de Aveiro, Ilhavo e Vagos)
2 Dezembro, às 21 hs, no salão Paroquial de Albergaria-a-Velha (para catequistas do arciprestado de Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga e Estarreja/Murtosa)
Carta Pastoral «Cada Família, uma história de amor».
- 4. Perspetivas e desafios ao encontro da realidade matrimonial
Tem que se tornar efetivo um acompanhamento que se traduza em percursos remotos e diferenciados de preparação para o matrimónio, o acompanhamento dos casais novos e o acompanhamento das famílias feridas (separados, divorciados não recasados, divorciados recasados, famílias monoparentais). O discernimento deve ajudar a encontrar os caminhos possíveis de resposta a Deus e de crescimento no meio dos limites. É preciso enfrentar todas as situações de forma construtiva, procurando transformá-las em oportunidades de caminho para a plenitude do matrimónio e da família à luz do Evangelho. Trata-se de acolhê-las e acompanhá-las com misericórdia, paciência e delicadeza – estar atentos ao modo em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição. «Na abordagem pastoral das pessoas que contraíram matrimónio civil, que são divorciadas novamente casadas, ou que simplesmente convivem, compete à Igreja revelar-lhes a pedagogia divina da graça nas suas vidas e ajudá-las a alcançar a plenitude do desígnio que Deus tem para elas» (AL 297). Ajudar cada um a encontrar a sua própria maneira de participar na comunidade eclesial. A sua participação pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais, sendo necessário discernir quais as diferentes formas de inclusão e nunca de exclusão. A caridade fraterna não pode ser esquecida. «Acima de tudo, mantende entre vós uma intensa caridade, porque o amor cobre a multidão de pecados» (1Ped 4,8); «redime o teu pecado pela justiça; e as tuas iniquidades, pela piedade para com os infelizes» (Dn 4,24). Esta é a lógica que deve prevalecer na Igreja, para fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais. Tudo isto implica construir comunidades paroquiais vivas, capazes de acolher os novos esposos e ajudar a inseri-los nas comunidades, oferecendo-lhes espaços de formação e de reflexão; organizar equipas de apoio para desencadear um processo pedagógico de aproximação ou manutenção dos novos casais com a comunidade eclesial, auxiliando-os nos momentos difíceis e nas dificuldades dos primeiros anos da vida matrimonial… ajudar todos os casais a serem Igreja na sua conjugalidade.
(D. António Manuel Moiteiro Ramos)