XXIII Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
O tema do evangelho deste domingo coloca em evidência a capacidade de amar e fazer a correção fraterna diante de um irmão que nos possa ofender. De facto, a correção fraterna é uma prática muito usada para ajudar os outros a crescer no amor. Só em comunidades capazes de se corrigir e perdoar mutuamente é possível criar comunidades vivas e ativas. Foi essa a recomendação que Jesus dirigiu aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganhado o teu irmão…». Por vezes, pode acontecer que aqueles que queremos ajudar a mudar de atitude não estejam disponíveis para acolher a correção fraterna.
A outra grande questão é a forma como podemos hoje reconhecer e descobrir Cristo. Por vezes, podemos ter uma ideia muito filosófica ou teológica ou apenas doutrinal, sobre a figura de Jesus, mas de facto, onde o podemos encontrar ou reconhecer Jesus vivo e presente é nos Sacramentos, mas de modo particular nos irmãos. Pois, é o próprio Jesus que o afirma: Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles». Com esta afirmação parece-nos claro que Jesus está onde a comunidade se reúne para celebrar a fé. Embora, por vezes, seja difícil reconhecer este facto, mas a presença de Jesus é real e em cada Eucaristia respondemos à saudação inicial de cada eucaristia: «Ele está no meio de nós». Porventura, já parámos para pensar nestas palavras que habitualmente pronunciamos, ou fazemos tão mecanicamente que não tomamos consciência que a Eucaristia é o momento central em que podemos descobrir Jesus quando estamos atentos aos nossos irmãos.
A leitura do Livro de Ezequiel, fala-nos do profeta como uma “sentinela”, que Deus colocou a vigiar a cidade dos homens. Atento aos projectos de Deus e à realidade do mundo, o profeta apercebe-se daquilo que está a subverter os planos de Deus e a impedir a felicidade dos homens. Como sentinela responsável alerta, então, a comunidade para os perigos que a ameaçam.
A leitura da Epístola de São Paulo aos Romanos, Paulo convida os cristãos de Roma (e de todos os lugares e tempos) a colocar no centro da existência cristã o mandamento do amor. Trata-se de uma “dívida” que temos para com todos os nossos irmãos, e que nunca estará completamente saldada.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correcto para atingir esse objectivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta do amor.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganhado o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles». Palavra da Salvação

SNEC lança referencial para a infância, centrado no «encontro com Jesus»
O Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) lançou hoje o recurso ‘Ser Amigo de Jesus’, que vem assumir o lugar do anterior 1.º volume da catequese, assinalando a nova forma de acompanhamento das crianças e das famílias. “Queremos ajudar as nossas comunidades e proporcionar às crianças e famílias um verdadeiro caminho de encontro com Jesus”, afirmou a irmã Arminda Faustino, coordenadora do Departamento da Catequese do SNEC, em declarações divulgadas pelo portal Educris.
A publicação do material “marca a chegada à infância do novo paradigma de catequese proposto pelo Itinerário de Iniciação à Vida Cristã das Crianças e dos Adolescentes com as Famílias”. Integrado na coleção Emaús, o novo recurso “substitui o anterior primeiro catecismo”, mas representa sobretudo “uma mudança na forma de acompanhar as crianças e as famílias no início do seu caminho de fé”, precisa o SNEC. “A amizade com Jesus assume, neste percurso, um lugar central, procurando ajudar cada criança a descobrir progressivamente a beleza da relação com Ele”, explicou a irmã Arminda Faustino. O planeamento editorial prevê a continuidade desta transformação estrutural com a publicação dos volumes IVC1 e IVC2, previstos para o próximo ano, adianta o Educris.
A implementação prática do novo referencial vai ser apoiada por uma ação de formação dirigida às equipas diocesanas de catequese, agendada para o dia 15 de setembro. “Que este novo ano catequético seja um tempo de renovação, encontro e alegria, ajudando cada criança a descobrir, cada vez mais, a beleza de ser amiga de Jesus”, concluiu a irmã Arminda Faustino.
O ‘Ser Amigo de Jesus’ está à venda nas livrarias diocesanas de todo o país. Segundo o SNEC, o novo Itinerário propõe “uma mudança de paradigma que envolve não apenas os recursos utilizados, mas também a compreensão da missão da catequese, dos processos de iniciação cristã e do papel das famílias”.

Palavra de Vida (Setembro 2026)
«A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei» (Rm 13,10)
Será que se pode obrigar alguém a amar? Se entendermos o amor como um sentimento, é realmente impossível! Mas se, pelo contrário, o entendermos como uma dádiva de Deus, as coisas mudam. São Paulo, na Carta aos Romanos, de onde é retirada esta Palavra de Vida, descreve precisamente a relação entre a Lei e o amor, afirmando que o amor é o pleno cumprimento da Lei. Pouco antes, ele já nos tinha revelado a origem desse amor: «Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.» (Rm 5,8). Também a Primeira Carta de São João afirma: «É nisto que consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e nos enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.» (1Jo 4,10). Preparado por Claudio Cianfaglioni


Mensagem de Leão XIV aos sacerdotes de Portugal rejeitem «entusiasmos ingénuos» e «medos estéreis»
O núncio apostólico em Portugal presidiu hoje à sessão de abertura do XI Simpósio do Clero, onde divulgou uma mensagem do Papa Leão XIV dirigida aos participantes pedindo que rejeitem “entusiasmos ingénuos” e “medos estéreis”. “Nos diferentes encontros e nos diálogos mais informais, sem se abençoarem em entusiasmos ingénuos, nem se acalentarem medos estéreis, evitando-se palavras que humilham ou dividem, multiplique-se a franqueza que ilumina, aquece e abre caminhos”, afirma a mensagem do Papa. No texto lido D. Andrés Carrascosa Coso, o Papa afirma que é importante contar com a “diversidade e até com as tensões” no ambiente sacerdotal, porque “de tudo se serve criativamente o Espírito Santo ao reacender nos corações o zelo pela missão comum”.
Leão XIV, que assina a mensagem, invoca para o clero de Portugal “a sabedoria divina para o caminho conjunto”, o “entusiasmo para os passos vacilantes” e “o dom da unidade para todos”. O núncio apostólico em Portugal, na comunicação que fez aos padres presentes, referiu-se à autenticidade da vida sacerdotal, fundamentada na caridade, e disse que o trabalho conjunto é o segredo para um “sacerdócio sadio” é trabalho em conjunto. A única maneira de viver um sacerdócio sadio é a de não caminhar sozinhos”.
D. Andres Carrascosa Coso sublinhou que “nenhum pastor existe sozinho” e que, para acompanhar as pessoas, é necessário “ter um acompanhamento espiritual”. “Ninguém que não é acompanhado, sabe acompanhar. Aqueles que deixam de receber orientação, correm o risco de já não serem capazes de reconhecer aquilo que acontece no seu interior”. O núncio apostólico referiu-se ao clericalismo que “faz sofrer” e é uma “ferida na comunhão” e lembrou que a Igreja precisa de ministros, bispos, presbíteros e diáconos que levem “o coração do Evangelho”. A Igreja precisa de ministros que levem a sério, com radicalidade, o coração do Evangelho, a síntese da Lei, colocando na base de todas as atividades, antes de todas as ocupações pastorais, a caridade”.
Na comunicação que fez aos participantes no XI Simpósio do Clero, o núncio apostólico alertou para “celebrações, belíssimas” ou “programas pastorais muito bem preparados”, mas que podem “ser expressão sublime de uma realidade que não existe”. D. Andres Carrascosa Coso referiu-se também à necessidade da partilha das “experiências de vida cristã”, a “ajuda mútua, e até a comunhão de bens, incluindo os bens materiais”, alertando para os pedidos da “vida individualista e até burguesa”. “Às vezes, no interior do presbitério diocesano, infelizmente, não é o amor recíproco aquilo que nos distingue”, alertou, acrescentando que é necessário “formar para a comunhão, formar para o trabalho em conjunto”.
A sessão de abertura iniciou com a comunicação de D. Vitorino Soares, presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, que promove o Simpósio do Clero, que se referiu aos trabalhos que decorrem em Fátima como “um tempo especial de encontro, de comunhão e de visibilidade da Igreja”. “Este tema do simpósio e o estilo do programa convida-nos a redescobrir a beleza de caminharmos juntos, fortalecendo os vínculos de fraternidade, partilhando a vida e renovando o compromisso evangelizador da Igreja”. D. Vitorino Soares lembrou que o XIº Simpósio não vai ter o formato habitual de conferências sucessivas, mas acompanha os resultados de um inquérito sobre os “Desafios da Vida Sacerdotal em Portugal”, realizado anonimamente entre os participantes do Simpósio do Clero. Para além de informações sociodemográficas, o inquérito indica dados sobre o “cuidado de cada padre consigo mesmo, a nível emocional, espiritual e psicológico, tendo em vista a reflexão em torno da integração psico-espiritual na vida e exercício do ministério pastoral”.