Novos Ventos – 16 de Agosto

XX Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

O evangelho deste domingo apresenta o episódio da mulher cananeia que não cessa de suplicar a Jesus que possa curar a sua filha. Esta passagem da Escritura leva-nos a perceber que a salvação não é restrita a um grupo privilegiado ou escolhido da casa de Israel, mas é para todos aqueles que permitem a graça de Deus atuar nas usas vidas, porque de facto, Deus não faz acepção de pessoas. Todavia, numa primeira instância, nos parece que Jesus fica indiferente perante o pedido de tal mulher, de modo que constatamos a intervenção dos discípulos, não porque manifestem compaixão pelo sofrimento dela, mas mais para que ela os pudesse deixar em paz: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós».

Talvez cada um de nós diante de tal episódio também diria o mesmo: [É melhor Senhor, realizares o seu pedido, para que ela nos deixe em paz]. Curioso, este diálogo que Jesus estabelece com esta mulher ao dizer-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Ao ouvir tais palavras a mulher retorquiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». De facto, Jesus verifica que esta mulher tinha uma confiança plena na ação de Jesus e que Ele não iria ficar indiferente ao seu sofrimento. Daí, Jesus ter expressado a grande fé que sustentava esta mulher. A liturgia de hoje mostra que devemos ter «confiança» diante do Senhor, mas que devemos ser perseverantes na oração e não meros consumidores da religião, só vamos à Igreja quando precisamos de realizar algum Sacramento ou nos momentos de aflição.

Este pão de que nos fala o Evangelho e o qual Jesus diz que não é justo tirar aos filhos para o lançar aos cachorrinhos é a presença Real de Jesus Cristo no Sacramento da Eucaristia e que nós muitas vezes banalizamos. 

A leitura do Primeiro Livro de Isaías, Jahwéh garante ao seu Povo a chegada de uma nova era, na qual se vai revelar plenamente a salvação de Deus. No entanto, essa salvação não se destina apenas a Israel: destina-se a todos os homens e mulheres que aceitarem o convite para integrar a comunidade do Povo de Deus.

A leitura da Epístola de São Paulo aos Romanos, sugere que a misericórdia de Deus se derrama sobre todos os seus filhos, mesmo sobre aqueles que, como Israel, rejeitam as suas propostas. Deus respeita sempre as opções dos homens; mas não desiste de propor, em todos os momentos e a todos os seus filhos, oportunidades novas de acolher essa salvação que Ele quer oferecer.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, apresenta a realização da profecia do Trito-Isaías, apresentada na primeira leitura deste domingo. Jesus, depois de constatar como os fariseus e os doutores da Lei recusam a sua proposta do Reino, entra numa região pagã e demonstra como os pagãos são dignos de acolher o dom de Deus. Face à grandeza da fé da mulher cananeia, Jesus oferece-lhe essa salvação que Deus prometeu derramar sobre todos os homens e mulheres, sem excepção.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus

Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada. Palavra da Salvação


Santificar o domingo e participar da missa na igreja, não apenas de forma on-line

A família Sauthier, natural de Porto Alegre/RS, viveu grandes emoções na manhã desta quarta-feira (12/08) no Vaticano. Letícia mora atualmente na cidade italiana de Pádua e trouxe o filho Antonio, de 4 anos, a irmã Nicole e o sobrinho Lucca, de 14 anos, para passear em Roma. Sendo dia de Audiência Geral, o grupo se programou para ouvir a catequese do Papa na Basílica de São Pedro e, sobretudo para Nicole que veio do Brasil, não deu para conter a emoção ao encontrar Leão XIV de perto: “É muito difícil colocar em palavras a emoção de viver este momento, de poder estar aqui com as pessoas que eu amo e de estar realizando um sonho: é a minha primeira vez na Basílica e de ter tido a bênção de ter ele tão perto, de tocar as nossas mãos, de nos dar a bênção e de, na verdade, reacender a fé que a gente vive no cotidiano. Quando a gente toca, assim, esses carinhos de Deus, é inexplicável.” Quem viveu oportunidade semelhante foi a jovem Poliana de Moura Ferreira Delfino, de 24 anos, do Rio de Janeiro. Atualmente fazendo estágio na redação brasileira da Rádio Vaticano, a agostiana disse ter vivido o dia mais feliz da vida dela ao saudar o Papa Leão XIV ao final da Audiência Geral:

“Eu estava realmente muito nervosa, pensando no que eu iria falar naquele momento, mas eu abri o meu coração. E, como eu sou agostiniana, eu tive que puxar para o lado de Santo Agostinho. Então, eu comentei um pouco sobre tudo que ele está fazendo no pontificado ele, especialmente seguindo a via agostiniana, falando muito sobre a importância de viver em comunidade, porque agora está se vivendo em um mundo muito isolado. Então, eu agradeci o Santo Padre sobre isso e, depois, eu entreguei para ele um presente: um diário que eu fiz com a primeira regra agostiana que é Ante omnia, fratres carissimi (diligatur Deus, deinde et proximus, quia ista sunt praecepta principaliter nobis data), que significa Antes de tudo, queridos irmãos, amêmo-nos uns aos outros.”

A participação na missa ajuda a enfrentar a semana

A jovem agostiana também comentou sobre a catequese do Papa que, nesta quarta-feira (12/08), aprofundou o capítulo V da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, dedicado ao ano litúrgico. O Pontífice recordou a centralidade do domingo e da Eucaristia, quando a comunidade cristã se reúne e torna visível a comunhão com Deus e a Igreja, e “não pode ser substituída por uma presença meramente virtual, nem se reduz a uma reunião meramente passiva”. E Leão XIV enfatizou aos peregrinos de língua portuguesa que “a Eucaristia dominical é indispensável à vida cristã”: “Queridos irmãos e irmãs, encorajo vocês a santificar o domingo participando da Santa Missa, e não apenas assistindo-a virtualmente. A Eucaristia é o encontro vivo com o Senhor ressuscitado, que dá sentido à nossa vida e nos concede a graça necessária para enfrentar, na presença de Deus, cada dia da semana. Que o Senhor os abençoe!”


Papa envia ajuda econômica inicial à Colômbia

Em meio aos escombros e à poeira nas áreas devastadas pelo violento terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a região oeste da Colômbia na segunda-feira, manifesta-se a proximidade do Papa Leão XIV, que se concretiza não apenas pela oração e por palavras – como o telegrama enviado na terça-feira ao presidente da Conferência Episcopal Colombiana, dom Francisco Javier Múnera Corre, ou a mensagem de solidariedade na Audiência Geral desta quarta-feira – mas também com uma alocação inicial e urgente de recursos enviados por meio do Dicastério para o Serviço da Caridade – Esmolaria Apostólica -, para as dioceses afetadas pelo terremoto, graças ao contato constante do prefeito, o arcebispo Luis Marín de San Martín, com a Nunciatura e a Conferência Episcopal local.

Primeiro auxílio emergencial

Assim como ocorreu com a Venezuela, também atingida por um forte terremoto em junho, o Pontífice enviou um auxílio financeiro inicial à Colômbia, como sinal concreto de sua proximidade neste momento de emergência. Essa quantia de € 100.000 é destinada diretamente à Secretaria Nacional de Pastoral Social – Cáritas Colombiana da Conferência Episcopal, que atua como ponto central de coordenação para a arrecadação e distribuição do auxílio, de modo a prestar assistência solidária às dioceses afetadas. O valor foi acordado com os beneficiários e é uma doação inicial para atender às emergências mais urgentes. Outros auxílios concretos serão enviados conforme as necessidades forem identificadas e prontamente comunicadas ao Dicastério.

A atenção constante da Esmolaria

De fato, desde as primeiras horas, é constante o contato entre o Esmoler, o arcebispo Marín de San Martín, e o presidente do Episcopado Colombiano, dom Francisco Javier Múnera Correa, arcebispo de Cartagena, que o informou sobre o que está acontecendo nas áreas afetadas, e com a Nunciatura, por meio de seu secretário, monsenhor In Je Hwang. Um relatório também está sendo preparado para delinear as necessidades urgentes do Dicastério para o Serviço da Caridade, o que confirma seu papel como o “braço” do Papa estendido onde houver necessidade. “É a Igreja como família de Deus”, afirma o prefeito, “uma Igreja atenta ao sofrimento e às necessidades, que responde com fraternidade e eficácia.”

Palavra de Vida (Agosto 2026)

«A minha alma glorifica o Senhor» (Lc 1, 46)

«As suas palavras são a expressão de um grande amor e de uma alegria intensíssima. Explicam por que razão a sua alma e a sua vida se elevam no espírito. Maria não diz: “Eu glorifico Deus”, mas sim “a minha alma…”. Era como se quisesse dizer: toda a minha vida e todos os meus sentidos são arrebatados pelo amor de Deus […]»[1], escreve Martinho Lutero no seu comentário ao Magnificat.

O verbo «glorificar», engrandecer, magnificar revela um sentimento de alegria, despertado pela descoberta de que Deus é maior do que imaginávamos. A esta alegria junta-se uma profunda humildade e um sentido profundo de gratidão e reconhecimento.Como sublinha Ermes Ronchi, «o Magnificat é o evangelho de Maria, a sua boa notícia que alcança todas as gerações»[2]. Dez vezes a jovem de Nazaré refere ações que têm Deus como sujeito, como uma espécie de novo decálogo, de dez novos mandamentos que invertem as lógicas do mundo. Surge espontaneamente a pergunta: será que nós conservámos o sentido de admiração e maravilha, na nossa vida quotidiana e na nossa oração, diante daquilo que Deus realizou e continua a realizar? Sem abertura à novidade e às suas surpresas, sem capacidade de nos maravilharmos, a fé torna-se uma oração cansada, que gradualmente se apaga e se transforma num hábito social[3]. Preparado por Patrizia Mazzola