XV Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste Domingo o evangelho nos apresenta a parábola do semeador. A palavra de Deus é sempre viva e eficaz produzindo sempre os seus frutos, aquilo que difere são os terrenos onde essa palavra cai, por vezes, as coisas do mundo sufocam a palavra e não permitem que ela produza frutos de amor. Escutámos no evangelho de hoje que o «semeador» saiu a lançar a semente à terra, aquela semente que caiu entre espinhos ou entre as pedras, não produziu qualquer fruto porque não tinha raiz.
De facto, na vida dos cristãos sucede a mesma coisa. A partir do nosso baptismo somos inseridos numa comunidade cristã concreta e vamos recebendo a Palavra de Deus ao longo de toda a nossa vida. No entanto, as seduções e os cuidados do mundo ofuscam essa Palavra, fazemos tantas vezes escolhas que não se coadunam com o nosso dever de ser cristãos autênticos. O nosso cristianismo é muitas vezes de tradição mais do que convicção, perdemos a consciência de que temos obrigações para com a Igreja enquanto cristãos baptizados. Muitas vezes, assistimos a muitos pais que vêm pedir o baptismo para os seus filhos, mas não temos a consciência de isso acarreta responsabilidades, falta a compreensão de que não podemos viver sem a graça sacramental através da prática dominical. A vida dos cristãos deve ser alimentada pela Palavra e pelo Sacramento da Eucaristia, só assim podem dar frutos como nos indica o evangelho de hoje, quem não acolhe a Palavra de Deus no coração os cuidados com as coisas deste mundo sufocam a Palavra.
Procuremos então analisar a nossa vida e ver como é que acolhemos e vivemos a Palavra de Deus. Quem acolhe a Palavra de Deus e coloca os seus talentos ao serviço dos outros, «esse é o homem que acolheu a semente boa terra e ora produz cem, sessenta ou trinta por um».
A leitura do Livro de Isaías, garante-nos que a Palavra de Deus é verdadeiramente fecunda e criadora de vida. Ela dá-nos esperança, indica-nos os caminhos que devemos percorrer e dá-nos o ânimo para intervirmos no mundo. É sempre eficaz e produz sempre efeito, embora não actue sempre de acordo com os nossos interesses e critérios.
A leitura da Epístola de São Paulo aos Romanos, apresenta uma temática (a solidariedade entre o homem e o resto da criação) que, à primeira vista, não está relacionada com o tema deste domingo – a Palavra de Deus. Podemos, no entanto, dizer que a Palavra de Deus é que fornece os critérios para que o homem possa viver “segundo o Espírito” e para que ele possa construir o “novo céu e a nova terra” com que sonhamos.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, propõe-nos, em primeiro lugar, uma reflexão sobre a forma como acolhemos a Palavra e exorta-nos a ser uma “boa terra”, disponível para escutar as propostas de Jesus, para as acolher e para deixar que elas dêem abundantes frutos na nossa vida de cada dia. Garante-nos também que o “Reino” proposto por Jesus será uma realidade imparável, onde se manifestará em todo o seu esplendor e fecundidade a vida de Deus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus
Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos, e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça». Palavra da Salvação

Padres de Braga quebram hegemonia de Vila Real na «Clericus Cup»
A equipa de Braga (Bracara) conquistou hoje a 19ª edição do campeonato de futsal para padres portugueses, após vencer, na Guarda, a Diocese de Vila Real, anterior campeã da competição. “Fazia 13 anos que nós tínhamos sido campeões pela última vez, eu disse-lhes que o mais importante não é se ganhámos ou se perdemos, mas é estarmos aqui com dignidade, lutarmos, sermos amigos e viver esta fraternidade”, disse à Agência ECCLESIA o capitão da equipa vencedora, padre Marco Gil. “Para reconhecer aquilo que nós somos, só realmente quem é padre”.
O capitão da formação minhota revelou ainda as dificuldades de agenda dos padres, elogiando o arcebispo de Braga que adiou compromissos para libertar os participantes, algo que nem sempre acontece noutros territórios. A final, disputada na cidade da Guarda, terminou com o resultado de 3-2 e destronou a formação vila-realense, que procurava cimentar um legado no torneio após ter vencido as últimas seis edições. “Claro que partimos como favoritos, mas a Braga foi quase sempre à final connosco, portanto são parabéns por terem vencido e foram justos vencedores”, admitiu o capitão da equipa derrotada, padre Ivo Coelho.
O sacerdote transmontano assumiu que a sua formação voltará para recuperar o troféu em 2027, salientando que “o futebol é um pretexto para o convívio e para o encontro”. “Somos todos padres, temos as mesmas dificuldades, temos também as mesmas preocupações e partilhamos o nosso dia a dia”, sublinhou capitão da equipa de Vila Real. Já o bispo da Guarda, que presidiu à abertura do evento e marcou presença nas bancadas durante a final, reconheceu o caráter fundamental destes momentos lúdicos entre o clero. “A fraternidade também se alimenta destas coisas, quer do trabalho em conjunto, quer da oração em conjunto, quer do convívio”, avaliou D. José Miguel Pereira. O torneio reuniu um total de 80 sacerdotes, agregados em seis equipas representativas de 11 dioceses e da Congregação da Missão (Vicentinos). Durante a competição, o troféu coletivo de ‘fair play’ foi atribuído à equipa Augusta, enquanto o prémio de melhor marcador foi entregue ao padre Tiago Costa, da formação de Braga (Bracara); a Diocese do Porto acabou na terceira posição. A edição deste ano contou com apoio dos municípios da Guarda e de Belmonte, da freguesia e Diocese da Guarda, bem como da Associação de Futebol da Guarda e respetivo Conselho de Arbitragem, além de várias empresas patrocinadoras. Para o padre Fernando Soares, atleta da Congregação da Missão que participou no torneio, é necessário que este encontro de sacerdotes católicos, em torno do desporto, tenha uma marca oficial e envolva mais participantes. O sacerdote sugere que a Comissão Episcopal de Vocações e Ministérios, da Conferência Episcopal Portuguesa, assuma a realização do Clericus Cup, e que a primeira segunda-feira, terça e quarta do mês de julho de cada ano estejam reservadas para este torneio de futsal. O padre Fernando Soares entende que “não é a dimensão competitiva” que junta os padres para jogarem à bola, mas a “dimensão fraterna da vida sacerdotal” e a necessidade de estarem de forma informal uns com os outros.


Palavra de vida (julho 2026)
«E aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a Palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta» (Mt 13,23)
Ouvir e compreender: está aqui o segredo para fazer de nós uma terra acolhedora, onde a semente da Palavra pode manifestar a sua força e produzir bons frutos. Quão preciosa é a disponibilidade para escutar: é o espaço espiritual onde se dá lugar à vida de Deus, que sempre nos precede com a sua misericórdia, com a paciência do trabalhador que conhece e respeita os tempos da maturação.
Como escreveu Chiara Lubich, as palavras de Deus «iluminam interiormente não apenas o pensamento, mas todo o nosso ser, porque são luz, amor e vida. Dão paz – aquela que Jesus chama sua: “a minha paz” – mesmo nos momentos de desorientação e angústia. Dão alegria plena até no meio do sofrimento que por vezes oprime a alma. Dão força sobretudo quando surge o desânimo ou nos falta a coragem. Tornam-nos livres porque abrem o caminho da Verdade. […] Também em nós deve nascer um amor apaixonado pela Palavra de Deus: escutamo-la com atenção quando é proclamada nas igrejas, lemo-la, estudamo-la, meditamo-la… Mas, acima de tudo, somos chamados a vivê-la. […] Vivendo uma palavra de Jesus, vivemos todo o Evangelho, porque em cada uma das suas palavras Ele dá-se totalmente, Ele próprio vem viver em nós […] e substitui a nossa maneira de pensar, de querer e de agir em todas as circunstâncias da vida»[1]. Preparado por Letizia Magri


Patriarca de Lisboa apela à prevenção e respeito nas estradas portuguesas
O patriarca de Lisboa associou-se hoje ao lançamento de uma campanha nacional de segurança rodoviária para motociclistas, sublinhando que a sinistralidade nas estradas transcende a mera dimensão técnica ou administrativa.
“A verdadeira prevenção começa no coração, quando deixamos de ver o outro como obstáculo e passamos a reconhecê-lo como pessoa. Chegar mais depressa nunca pode valer mais do que chegar em segurança. Nenhuma pressa justifica pôr uma vida em risco”, advertiu D. Rui Valério.
A intervenção decorreu no Ministério da Administração Interna, durante a apresentação da iniciativa rodoviária com o lema ‘Neste Verão, tu escolhes como chegar… escolhe chegar bem!’. A estrada é um espaço comum. Nela se revela a qualidade da nossa convivência. Podemos usá-la como lugar de impaciência, agressividade e indiferença; ou podemos transformá-la num espaço de respeito, prudência e responsabilidade. Conduzir bem é também viver bem em sociedade.” A campanha de sensibilização rodoviária para motociclistas é uma iniciativa promovida pela ABC – Associação Bênção dos Capacetes, em parceria com o Ministério da Administração Interna, Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Publica, ANSR – Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Patriarcado de Lisboa, Santuário de Fátima e Câmara Municipal de Ourém. A ação preventiva prolonga-se até ao dia 30 de setembro e visa consciencializar a população para os perigos da velocidade, respondendo ao aumento sazonal da circulação de motociclos.
D. Rui Valério apelou à adoção de uma “verdadeira cultura do cuidado”, recordando que os limites de velocidade e a sobriedade ao volante não são apenas obrigações legais, mas verdadeiros “gestos de cidadania”. “Cada acidente evitado é muito mais do que uma estatística melhorada, é uma vida protegida, uma família poupada ao sofrimento e uma comunidade preservada de uma perda irreparável”, alertou o responsável católico. O patriarca de Lisboa enquadrou esta prioridade de saúde pública na Doutrina Social da Igreja, vincando que o respeito pelas regras de trânsito materializa a defesa da dignidade humana e ajuda a construir uma sociedade fraterna. “Promover a segurança rodoviária é escolher um futuro mais humano. É transformar a estrada num lugar de responsabilidade e não de ameaça; de convivência e não de confronto; de cuidado e não de indiferença”. Já o ministro da Administração Interna considerou que há “uma guerra civil” nas estradas portuguesas e pede às autoridades que terminem com o “campeonato das prescrições”.
Citado pela Renascença, Luís Neves avisou os responsáveis pelas forças de segurança presentes na sessão que “a lei é para cumprir”, acrescentando que “quem prevaricou tem que ser responsabilizado imediatamente”. A cerimónia oficial assinalou também a assinatura do protocolo de colaboração interinstitucional focado na organização da XI Peregrinação da Bênção dos Capacetes ao Santuário de Fátima.