Novos Ventos – 21 de Junho

XII Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste Domingo Jesus faz uma advertência aos seus apóstolos em «Não ter medo dos homens… Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma». Tal como naquela época histórica em que os discípulos de Jesus viviam sobre ameaças e perseguições, o Mestre revela que não devem temer os homens, mas antes serem perseverantes na fidelidade Àquele que os pode livrar da geena. Jesus, continua o seu discurso evidenciando de que se as aves do céu são importantes para Deus, nós valemos muito mais do que todos os passarinhos.

De facto, em toda a obra criada por Deus, o Senhor disse que tudo era Bom, contudo, Deus ainda não tinha criado ninguém semelhante a Ele. Por isso, Deus criou o homem à Sua imagem e Semelhança e viu que tudo era muito Bom. O evangelho reforça ainda a importância de dar testemunho e não termos receio nem vergonha de falarmos no nome do Senhor, porque, «aquele que O negar diante dos homens, também Jesus o negará diante de seu Pai».

Neste mundo secularizado que vivemos muitas vezes também nós podemos sentir vergonha de viver a nossa vida cristã com receio de sermos caluniados, gozados ou até criticados por assumirmos diversas funções e tarefas na comunidade cristã, por vezes, até rotulados como “beatas” ou “ratos de sacristia”, estas são as novas formas de hoje sermos ultrajados, porém, Jesus nos adverte de que não devemos temer os homens, mas sim Aquele que tem poder para nos livrar da morte eterna.

A leitura do Livro do Profeta Jeremias, apresenta-nos o exemplo de um profeta do Antigo Testamento – Jeremias. É o paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão, o abandono por causa da Palavra; no entanto, não deixa de confiar em Deus e de anunciar – com coerência e fidelidade – as propostas de Deus para os homens.

A leitura da Epístola de São Paulo aos Romanos, Paulo demonstra aos cristãos de Roma como a fidelidade aos projectos de Deus gera vida e como uma vida organizada numa dinâmica de egoísmo e de auto-suficiência gera morte.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, Jesus ao enviar os discípulos, exorta-os que irão sofrer perseguições e incompreensões; mas acrescenta: “não temais”. Jesus garante aos seus a sua presença contínua, a solicitude e o amor de Deus, ao longo de toda a sua caminhada pelo mundo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus». Palavra da Salvação


Palavra de Vida – junho 2026

«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…) Recebestes de graça, dai de graça»

Jesus anuncia que o reino está temporalmente “perto”, iminente. Pelas parábolas, como a do grão de mostarda e a do fermento que leveda toda a massa, compreende-se que ele atua de modo misterioso e humilde, mas tenaz, no decurso do tempo. “Perto” entende-se também no sentido geográfico. Quando os discípulos, que levam a presença do espírito de Jesus, se aproximam caminhando, aproxima-se o reino de Deus. Também no Evangelho de Marcos, quando Jesus diz ao escriba «Não estás longe do Reino de Deus»[3], é provável que quisesse dizer não apenas “Começaste a entender”, mas também “Não estás longe de mim”.

«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…) Recebestes de graça, dai de graça»

“De graça” traduz um termo que no original grego significa “como um presente”. Isto torna evidente que tudo o que os apóstolos receberam não lhes foi dado porque o mereciam. A fonte é a generosidade de Deus e o facto que foram escolhidos para uma missão específica. Escreveu Chiara Lubich: «O reino de Deus é para ser acolhido. É um dom que Deus te faz. De facto, não há nenhum esforço humano, nenhuma tentativa ascética, nenhum estudo ou investigação intelectual, que te levem a entrar no reino de Deus. É o próprio Deus que vem ao teu encontro, que se revela com a Sua luz ou te toca com a sua graça. E não há nenhum mérito de que te possas vangloriar ou sobre o qual te possas apoiar para ter direito a um tal dom de Deus. O reino de Deus é-te oferecido gratuitamente»[4]. Neste acolhimento somos chamados, também hoje, a continuar a missão confiada por Jesus aos apóstolos, a proclamar, com a palavra e com os factos, a proximidade do reino, a anunciar juntos, a todos os seres humanos, uma mensagem de esperança: Deus ama imensamente este nosso mundo tão conturbado e incerto, Deus ama-nos a todos imensamente. Texto preparado por Augusto Parody Reyes 


Leão XIV: retomem o bom hábito de visitar os idosos

Foi divulgada, nesta segunda-feira (15/06), a mensagem do Papa Leão XIV para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos que será celebrado em 26 de julho próximo. “Eu nunca te esquecerei” é o tema da mensagem extraído do Livro do Profeta Isaías. “Pela boca do Profeta Isaías, o Senhor promete que nunca se esquecerá de nenhum de nós. Assegura-nos que traz os nossos rostos gravados nas palmas das mãos e que o seu amor é maior do que o de uma mãe pelo seu filho.” Com estas palavras, o Papa inicia o texto, ressaltando que “o profeta permite-nos vislumbrar um diálogo íntimo e intenso, no qual Deus se dirige a cada um e ao próprio povo, tratando todos por “tu”. Também hoje podemos ler referidas a nós estas palavras, e cada um pode ouvir aquele “nunca te esquecerei” dirigido a si mesmo. Trata-se de palavras que enchem de consolação e confiança”.

A Igreja é chamada a ser mãe de todos 

“A celebração do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é uma oportunidade para redescobrir que a Igreja é chamada a ser mãe de todos e que é sempre possível, em qualquer idade, descobrir-se filhos e filhas de Deus. Que este Dia seja, portanto, um estímulo para todos, em particular os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita. Levai-lhes, com esta mensagem e com a vossa presença, a proximidade e o carinho do Papa. Fazei com que as palavras do profeta “Eu nunca te esquecerei” assumam a forma de um encontro terno e afetuoso. «Numa época que tende a acelerar e a fragmentar, a carne humana continua pedindo para ser cuidada e reconhecida por mãos capazes de ternura, por mentes atentas e por palavras bondosas. A cultura digital multiplica as conexões e oferece novas possibilidades de encontro; no entanto, o coração humano conserva uma necessidade inalienável de proximidade»”, escreve o Papa Leão, citando um trecho de sua Carta Encíclica Magnifica humanitas.

De acordo com Leão XIV, “a Igreja conhece o sofrimento dos seus filhos mais idosos, sabe bem que demasiadas vezes se olha para eles com preconceitos e são considerados um fardo; está ciente de que uma economia centrada no lucro enfraquece os laços familiares; sabe que muitos idosos são abandonados pelos filhos, obrigados a migrar ou, em alguns casos, a combater na guerra. Por todas estas razões, alegra-se em anunciar a promessa do Senhor: ‘Eu nunca te esquecerei!'”.

Declaração conjunta contra uso de IA na guerra assinada em Genebra

Reunião da ONU em Genebra

O documento apela explicitamente às empresas envolvidas no desenvolvimento de IA e aos Estados para que “parem de fornecer” sistemas de inteligência artificial para uso na “cadeia de assassinato militar” e “tomem todas as medidas necessárias para garantir que outros sistemas de IA que forneçam não causem ou contribuam para violações do direito internacional humanitário e do direito internacional dos direitos humanos”. A ocasião para a assinatura desta declaração conjunta é a reunião que decorre em Genebra, de 15 a 17 de junho, organizada pelo Escritório das Nações Unidas para os Assuntos de Desarmamento, sobre o tema da IA ​​no domínio militar e as suas implicações para a paz e segurança internacionais. Este é um importante evento internacional, que ocorre apenas algumas semanas após o apelo do Papa Leão XIV para “desarmar a IA” feito na encíclica Magnifica humanitas.

O risco de “diluir” a responsabilidade humana

Todas as empresas, lê-se na declaração conjunta, incluindo as que têm contratos com agências militares governamentais, “devem tomar todas as medidas possíveis​​para garantir que os seus produtos e serviços não causem, contribuam para, ou estejam diretamente ligados a violações dos direitos humanos e crimes internacionais”. E “nos casos em que as empresas não consigam prevenir ou mitigar significativamente esses riscos, não devem celebrar ou executar tais contratos”. De acordo com diversas reportagens e declarações oficiais do Pentágono, a declaração afirma: “a rápida geração de alvos usando ferramentas de IA aumentou a velocidade, o alcance, a intensidade e a força destrutiva dos ataques dos EUA contra o Irã”. Avaliações semelhantes também podem ser feitas em relação aos sistemas usados ​​pelas forças armadas israelenses. Todos esses sistemas diluem a “responsabilidade humana em decisões de vida ou morte” e “podem ajudar a ocultar crimes internacionais sob uma aparência de objetividade algorítmica, enquanto evitam a responsabilização”.

Maior responsabilização e transparência

A declaração assinada em Genebra apela explicitamente às empresas do setor para que se abstenham de “celebrar ou executar contratos com agências militares ou grupos armados que cometam potenciais violações do direito internacional, incluindo violações dos direitos humanos e crimes de atrocidade”. Em vez disso, os Estados são instados a “cessar a utilização de ferramentas de IA, incluindo modelos de linguagem em larga escala, na condução de operações militares de localização de alvos e a assegurar o cumprimento dos princípios do direito internacional humanitário e do direito internacional dos direitos humanos” e a “garantir a transparência sobre a forma como a IA é atualmente utilizada na condução das hostilidades”.