XI Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste Domingo a liturgia da Palavra coloca diante de nós dois grandes temas que importa refletir sobre eles; o primeiro consiste nas multidões fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor e o segundo tema a escassez de trabalhadores para a messe. Por vezes, parece que estamos num tempo de viragem e que a sociedade laica deixou para trás os valores do Evangelho. No entanto, encontramos este relato que as multidões andavam desorientadas porque faltava referências (líderes), para dar alento capazes de conduzir e dar sinais de esperança.
Apesar de vivermos num mundo cada vez mais laicizado é notório que as multidões ainda procuram os valores do Evangelho. Nestes últimos dias assistimos através da comunicação social a visita Papal de Leão XIV a Espanha, ouvimos os seus discursos sobre a dignidade da pessoa humana, o convite a acolher cada pessoa imigrante e a dizer não ao tráfico de seres humanos, mas também desafiou que a tecnologia Artificial não sobrepusesse ao ser humano. Este primeiro ponto de análise consiste na afluência de multidões, que nestes dias se deslocaram para ouvir as intervenções do Papa e os desafios que ele lança à humanidade.
O segundo ponto da minha reflexão baseia-se neste convite que o Senhor dirige aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». De facto, vivemos tempos de mudanças e constatamos cada vez mais a dificuldade nas idades mais jovens de assumir certos compromissos. Por isso, Jesus lança o desafio a uma vida orante é necessário “pedir” ao Senhor que envie operários. É necessário pedir, pedir a Deus, mas também pedir pessoalmente a cada pessoa que possa exercer alguma tarefa na igreja, desafiar os jovens e confiar-lhes algumas funções na própria comunidade paroquial.
A leitura do Livro do Êxodo, apresenta-nos o Deus da “aliança”, que elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade; a esse Povo, Jahwéh confia uma missão sacerdotal: Israel deve ser o Povo reservado para o serviço de Jahwéh, isto é, para ser um sinal de Deus no meio das outras nações.
A leitura da Epístola de São Paulo aos Romanos, sugere que a comunidade dos discípulos é fundamentalmente uma comunidade de pessoas a quem Deus ama. A sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelos homens – um amor eterno, inquebrável, gratuito e absolutamente único.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, traz-nos o “discurso da missão”. Nele, Mateus apresenta uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio de “doze” discípulos (que representam a totalidade do Povo de Deus) a anunciar o “Reino”. Esses “doze” serão os continuadores da missão de Jesus e deverão levar a proposta de salvação e de libertação que Deus fez aos homens em Jesus, a toda a terra.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça». Palavra da Salvação

Palavra de Vida – junho 2026
«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…) Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10,7-8)
O “reino dos Céus” é o coração do anúncio de Jesus. A expressão similar “reino de Deus” é usada no Antigo Testamento para indicar o domínio, o governo e a ação salvífica de Deus na história humana. Ele é o Senhor do mundo e sobretudo do povo de Israel, na expetativa de um descendente do rei David que restabelecerá o papel de Israel no meio dos povos. No Novo Testamento, Jesus é apresentado como o descendente de David e, portanto, rei. Diversamente dos reinos do mundo, o “reino dos Céus” é um reino de paz e de justiça, em que se cuida dos pobres, em que vigoram o perdão e a reconciliação e que levará vida e luz a todas as nações. Trata-se de um reino que já começou no mundo e no coração das pessoas, mas que verá a sua realização completa no regresso de Jesus.
«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…) Recebestes de graça, dai de graça»
Jesus anuncia que o reino está temporalmente “perto”, iminente. Pelas parábolas, como a do grão de mostarda e a do fermento que leveda toda a massa, compreende-se que ele atua de modo misterioso e humilde, mas tenaz, no decurso do tempo. “Perto” entende-se também no sentido geográfico. Quando os discípulos, que levam a presença do espírito de Jesus, se aproximam caminhando, aproxima-se o reino de Deus. Também no Evangelho de Marcos, quando Jesus diz ao escriba «Não estás longe do Reino de Deus»[3], é provável que quisesse dizer não apenas “Começaste a entender”, mas também “Não estás longe de mim”. Texto preparado por Augusto Parody Reyes

Papa deixa mensagem em favor da unidade, com discurso em espanhol e catalão
Hoje, dia 9 de junho na Catedral de Barcelona, o Papa dirigiu o apelo à superação do individualismo social e desafiou a população local a assumir um compromisso ativo na construção da unidade e da paz. “Num mundo dilacerado por guerras e divisões, é com este espírito que também nós, numa sociedade cada vez mais fragmentada e individualista, queremos ser mártires, ou seja, testemunhas e profetas de unidade, acolhimento, concórdia e paz”, afirmou Leão XIV, na primeira intervenção desta nova etapa da viagem à Espanha.
Num encontro de oração, o pontífice sublinhou que a edificação da concórdia exige a capacidade de abdicar de conveniências particulares em favor do entendimento coletivo. “Queremos dar o nosso sim, dispostos, no que for preciso, a morrer para nós mesmos, a perder-nos para nos reencontrarmos, a renunciar ao supérfluo para construir sobre o que é essencial”. A reflexão destacou a necessidade histórica de salvaguardar a harmonia interna das comunidades para neutralizar os efeitos da polarização. “Barcelona é conhecida como “Cap i Casal de Catalunya” [cabeça e casa da Catalunha], o que confere a todos vós, barceloneses e catalães que formais esta comunidade, uma vocação e uma responsabilidade especial de vos tornardes, com a ajuda de Deus, construtores de unidade.”
Leão XIV evocou a herança da Catalunha e exortou os cidadãos locais a consolidarem o território como um espaço aberto à “fraternidade”, citando São João Paulo II. “Nas suas palavras, refletem-se os rostos de tantos irmãos e irmãs entre vós que se doaram e continuam a doar-se para construir harmonia e comunhão, para além de toda a polarização”, indicou. A reflexão aconteceu durante a oração da Hora Sexta, assinalando o arranque oficial da segunda etapa da viagem apostólica a território espanhol. “Que Maria, Mãe da Igreja e Mãe da unidade, nos ajude a ser fiéis a este compromisso e a esta missão”, concluiu Leão XIV, que usou o catalão em partes do discurso.
Após a oração, o pontífice desceu à cripta para venerar os restos mortais de Santa Eulália, co-padroeira da catedral, da arquidiocese e da cidade. Antes de se dirigir ao claustro, Leão XIV apareceu na praça, onde centenas de pessoas esperavam por ele: “Obrigado pela paciência e obrigado pela alegria. Que todos celebremos a fé em Cristo. Jesus Cristo chamou-nos a viver como um único povo, unidos pela fé”. O Papa iniciou hoje, em Barcelona, a segunda etapa da sua viagem à Espanha, durante a qual vai presidir à inauguração da Torre de Jesus Cristo na Sagrada Família, esta quarta-feira.


Papa defende vias seguras para migrantes e ataca «indústrias da morte»
O Papa Leão exigiu hoje a criação de vias legais e seguras para as migrações, advertindo a Europa contra a transformação do oceano num cemitério. “Este drama deve tornar-se um exame de consciência: para as nações de origem, que devem criar condições de paz, justiça e desenvolvimento; para as nações de trânsito, chamadas a proteger e a não deixar os mais fracos nas mãos de redes criminosas”, denunciou Leão XIV, no porto de Arguineguín, primeira paragem da sua visita ao arquipélago das Canárias. “A Europa não pode proclamar a dignidade humana e habituar-se a que o Mediterrâneo e o Atlântico sejam cemitérios sem lápides; a comunidade internacional é chamada a uma cooperação eficaz e perseverante”, acrescentou, motivando um aplauso dos presentes. O Papa chegou esta manhã à ilha da Gran Canária, terceira etapa da sua viagem apostólica a Espanha, que já passou por Madrid e Barcelona, desde 6 de junho. “Não podemos habituar-nos a contar mortos. A dignidade humana não tem passaporte nem perde valor ao atravessar uma fronteira”. O encontro começou com testemunhos de migrantes e de quem os assiste, que relataram as dificuldades encontradas por quem tentar chegar à Europa. “Também hoje existem monstros que espreitam estes mares: máfias que traficam com o desespero, traficantes que escravizam mulheres e crianças e a indiferença de muitos que permitem que os pobres sejam engolidos pela exploração ou pelo esquecimento”.
O Papa condenou o lucro obtido através do desespero humano, falando em “indústrias da morte”. “Não acreditem naqueles que prometem paraísos fáceis em troca do vosso corpo, do vosso dinheiro, do vosso silêncio ou da vossa liberdade”, acrescentou, dirigindo-se diretamente aos migrantes.
O pontífice exigiu uma responsabilização das instâncias internacionais, preconizando que “cada barco que chega não traz apenas migrantes”. “Que mundo construímos, se tantos irmãos têm de arriscar a morte para procurar a vida?”, apontou. Leão XIV sustentou que a dignidade humana “exige vias legais e seguras, resgate e assistência, cooperação real contra os traficantes, proteção efetiva às vítimas, processos sérios de acolhimento e integração, e políticas que permitam a cada pessoa viver com dignidade na sua própria terra”. A Igreja não pode ignorar estas águas nem qualquer lugar onde a fome, a sede, a violência, o medo ou o exílio continuem a ferir a dignidade humana. Os discípulos de Jesus não podem considerar alheio o clamor daqueles que gritam na escuridão da noite.”