Novos Ventos – 31 de Maio

Solenidade da Santíssima Trindade – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste Domingo celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, isto é, um só Deus que se revela em três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Hoje, celebramos o Deus vivo que se revela como amor. Quando procuramos entender a Trindade apenas com a lógica humana, percebemos que somos limitados para podermos abarcar o mistério da Santíssima Trindade. Santo Agostinho dizia que é mais fácil colocar o oceano inteiro dentro de um pequeno buraco na areia do que a mente humana compreender plenamente o mistério de Deus. Embora não possamos compreender tudo, podemos experimentar esse mistério que se faz presente desde o dia em que fomos baptizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A Trindade é comunhão perfeita. O Pai ama o Filho, o Filho responde ao amor do Pai, e o Espírito Santo é esse vínculo eterno de amor. Deus não é solidão; Deus é relação, é família, é doação e encontro. Nós, não vivemos para estarmos fechados sobre nós mesmos. Somos chamados à comunhão, à família, à fraternidade, ao perdão, ao serviço. Quanto mais nos isolamos cresce em nós o egoísmo, a autorreferencialidade e mais nos afastamos de Deus. Quanto mais aprendemos a amar, mais nos parecemos com Ele.

A Santíssima Trindade também é um modelo para as nossas famílias e comunidades. Onde há diálogo, respeito, partilha e perdão, ali a Trindade se torna visível. Onde existe divisão, orgulho e indiferença, o rosto de Deus fica escondido.

A leitura do livro do Êxodo, o Deus da comunhão e da aliança, apostado em estabelecer laços familiares com o homem, Se autoapresenta: Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia.

A leitura da Epístola de São Paulo aos Coríntios, Paulo expressa – através da fórmula litúrgica “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” – a realidade de um Deus que é comunhão, que é família e que pretende atrair os homens para essa dinâmica de amor.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, convida-nos a contemplar um Deus cujo amor pelos homens é tão grande, a ponto de enviar ao mundo o seu Filho único; e Jesus, o Filho, cumprindo o plano do Pai, fez da sua vida um dom total, até à morte na cruz, a fim de oferecer aos homens a vida definitiva. Nesta fantástica história de amor (que vai até ao dom da vida do Filho único e amado), plasma-se a grandeza do coração de Deus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita n’Ele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus». Palavra da Salvação


A encíclica de Leão XIV: a IA deve servir à humanidade, não ao poder de poucos

O Pontífice reflete, em sua primeira encíclica, “Magnifica humanitas”, sobre a Doutrina Social da Igreja na era da inteligência artificial. O apelo para preservar “uma magnífica humanidade habitada por Deus”, promovendo a verdade, a dignidade do trabalho, a justiça social e a paz. “A magnífica humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”. O incipit da primeira encíclica de Leão XIV – Magnifica humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” – resume suas razões fundamentais e seu objetivo. Publicada hoje, segunda-feira, 25 de maio, foi assinada pelo Pontífice no último dia 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da Rerum novarum de Leão XIII. E de seu predecessor, o Papa Prevost recolheu a herança, escrevendo uma encíclica social que aborda um dos principais desafios da época contemporânea: a inteligência artificial. Dividida em cinco capítulos, Magnifica humanitas parte de um pressuposto: a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa” (4), nem “um mal em si mesma” (9). No entanto, ela “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam”. Daí, o apelo do Pontífice para “construir o bem” e “permanecer humanos”, seguindo a lógica da corresponsabilidade corajosa e da comunhão.

A Doutrina Social da Igreja

O primeiro capítulo – Um pensamento dinâmico fiel ao Evangelho – repercorre a Doutrina Social da Igreja (DSI) no magistério recente e no Concílio Vaticano II, destacando “o seu caráter dinâmico” (17). Longe de ser “um manual de princípios e normas a serem aplicados”, a DSI é antes uma “teologia da comunhão na história” (27) que orienta a leitura dos acontecimentos à luz do Evangelho. No segundo capítulo, Leão XIV enumera os Fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja: entre os primeiros, inclui a dignidade da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus; a inviolabilidade dos direitos humanos, entre os quais o direito à vida “desde a concepção até ao seu fim natural”; o reconhecimento dos direitos das minorias, com especial atenção às mulheres, para que sejam verdadeiramente ouvidas e valorizadas (57).

A tecnologia não deve estar nas mãos de poucos

O segundo princípio diz respeito à destinação universal dos bens: aí e em outros pontos da encíclica, Leão XIV insiste na necessidade de que as tecnologias não se concentrem nas mãos de poucos, alimentando a disparidade entre os incluídos e os excluídos da revolução digital (67). Daí decorrem o terceiro e o quarto princípios, a saber, a subsidiariedade (68) – que exige a superação do paternalismo e do assistencialismo em favor da corresponsabilidade – e a solidariedade (73), “princípio e virtude” que se opõe à indiferença.

Desarmar a IA

É preciso “desarmar a IA” – prossegue Leão XIV – para subtraí-la à lógica da competição militar, econômica e cognitiva; para romper a equivalência entre poder técnico e direito de governar; para subtraí-la aos monopólios e impedir que domine o humano. Amplo espaço é dedicado à crítica do transumanismo e do pós-humanismo, que interpretam o progresso como a superação dos limites do humano. Em vez disso, o limite não é um defeito a ser eliminado, mas uma dimensão constitutiva da pessoa, pois é na fragilidade e na finitude que amadurecem a relação e a abertura a Deus e ao outro. Fazer a tecnologia crescer eliminando os limites do humano significa, portanto, fazer o coração regredir. Magnífica e, ainda assim, ferida, a humanidade “não deve ser substituída nem superada”. A tecnologia pode aliviar seus sofrimentos e abrir-lhe novas possibilidades, mas não deve negá-la naquilo que lhe é próprio: “a capacidade de relação e de amor” (126). Diante da IA, a verdadeira alternativa não está entre o entusiasmo e o medo, mas entre duas formas de construir o progresso: a serviço da pessoa e dos povos ou das lógicas do poder (129).


Prisões: «Basta olhar nos olhos, e os olhos são todos iguais» – Sofia Simões

Sofia Simões, voluntária na associação Dar a Mão, apostada em promover a reintegração social e combater a reincidência criminal de mulheres reclusas, disse quando entra num estabelecimento prisional “basta olhar nos olhos e somos todos iguais”. “Basta olhar nos olhos, e os olhos são todos iguais. Eu fixo-me muito nos olhos das pessoas, porque isso ajuda-me a não ver mais nada, que é, para mim, a única coisa que importa. E isso também é muito bom, (porque) também percebem que eu não me sinto intimidada e, portanto, logo ali, baixamos a fasquia dos dois lados e dá-se o encontro”.

Sofia Simões, mãe de cinco filhos, entre os 29 e os 12 anos, é voluntária desde 2015, altura em que começou a ser Ministra Extraordinária da Comunhão e acreditava que ia, na altura, ao Estabelecimento Prisional (EP) de Tires, que acolhe mulheres, dar o sacramento. “Para mim foi fascinante desde o primeiro encontro. Sem pedir nada em troca, e de repente estamos ali a passar uma, duas horas com estas mulheres, que elas sim não podem sair, nós temos a liberdade de estar, de bater com a porta e ir à nossa vida, e elas acolhem-nos em todas as nossas dimensões”, recorda. Os projetos que a associação desenvolve dependem das valências dos voluntários. “Voluntárias com capacidade para trabalhos manuais como costura, leitura, dança, ensino, uma vez que ajudamos a obter formação e apoiamos no estudo; no Estabelecimento prisional de Lisboa conseguimos fazer um protocolo com o Automóvel Clube de Portugal e oferecemos cartas de condição a reclusos que foram presos únicas e exclusivamente por não terem carta; ajudamos nos transportes de quem sai em liberdade e não tem transportes disponíveis. São por vezes pequenas coisas, mas são uma parcela de humanidade que eles precisam”.

Sofia Simões indica haver “muitas respostas”, mas que falta, em tantas vezes, “fazer pontes” – “Estas mulheres saem e se calhar não sabem que existe um banco alimentar, ou não sabem como é que podem ter acesso a um banco alimentar” – e que o trabalho da «Dar a Mão» se centra em “dar esperança”. “O que nós temos que fazer lá dentro é levar esperança a estas mulheres e ajudá-las a não se centrarem no seu dia-a-dia. É um período de tempo duro, muito duro, mas que vai terminar, não é uma doença que não tem fim. A esperança é ver além, que é difícil, principalmente porque têm consciência de onde é que vêm e que a sua vida não é uma folha em branco”, explica.

O EP de Tires acolhe mulheres e permite que mães, com filhos até aos três anos que estejam detidas, possam ter os filhos consigo, e a voluntária reconhece o benefício pelo vínculo que permanece, mas afirma-se impactada pelas muitas mães que estão reclusas e perdem os laços com os filhos. “A maioria daquelas mulheres são mães, o que significa que estão longe dos seus filhos. Se o EP estiver completo, não se chega a 400 mulheres, mas se estiver – e eu diria que a grande maioria é mãe e tem mais do que um filho – percebemos que há muitas crianças que estão privadas do dia-a-dia da sua mãe”. Sofia Simões reconhece “a bolha” em que se vive, sem conhecimento da realidade de mulheres que vivem um “segundo julgamento”: “Na realidade estas mulheres não são muito diferentes das mulheres que vivem cá fora”. “É uma população muito abandonada em termos de sociedade – se estão lá é porque cometeram algum crime. E por causa disso levam um rótulo da sociedade e são esquecidas -porquê cuidar se há tantas outras mulheres, crianças que estão cá fora, e que sim, que também passaram pelas mesmas dificuldades, mas não cometeram aqueles crimes?”. A voluntária recorda a “confiança” de uma reclusa quando um senhor “ultrapassou o estigma” e ofereceu emprego num supermercado, destaca a importância de “um telefonema que às vezes faz a diferença”, e a ajuda de um voluntário advogado que no auxílio a uma reclusa permitiu que não fosse extraditada e a sua filha não fosse institucionalizada.

Projeto «Cáritas na Escola» está a celebrar cinco anos

O projeto «Cáritas na Escola» está a celebrar cinco anos de existência e, hoje, realiza, no Centro Cultural Franciscano (Carnide, Lisboa), entre as 14h00 e as 17h00, uma mesa-redonda sobre «Cidadania, empatia e solidariedade como pilares de uma educação transformadora: o combate à apatia e à polarização». “A Cáritas Portuguesa é uma organização de ação social com mais de 70 anos a trabalhar para a promoção da dignidade humana e a sua intervenção nasce da convicção de que cada pessoa tem um valor inalienável e de que a transformação social só é possível quando se investe nas capacidades, na participação e no bem-estar de todos”, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA.

Com esta premissa, a Cáritas reconhece a educação como um dos espaços “mais decisivos para a mudança” e, por isso, desde há 05 anos que promove o projeto «Cáritas na Escola» que tem como finalidade “despertar a consciência cívica e promover o compromisso com o bem comum”. Através da promoção da empatia e da solidariedade, a Cáritas Portuguesa trabalha com “as comunidades educativas para transformar a escola num espaço de compromisso ativo, onde a educação vai além dos livros e se torna uma ferramenta de transformação social”.